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Qualcomm derrete por causa da crise da IA

A euforia em torno da inteligência artificial gerou um efeito colateral inesperado e devastador para o mercado de smartphones. O apetite insaciável dos data centers por componentes de alta performance está provocando um “apagão” de chips de memória, colocando gigantes como Qualcomm e ARM em alerta máximo.

O que parecia uma crise pontual de estoque se revelou uma reestruturação profunda na indústria. Com a produção mundial de memória DRAM e NAND desviada para atender servidores de IA, a linha de montagem de celulares parou, e o caos se instalou na cadeia de suprimentos.

O resultado disso é um cenário preocupante: ações despencam mesmo com receitas recordes, e os consumidores já sentem no bolso o peso de um aumento iminente. A era dos smartphones acessíveis, como conhecemos, pode estar com os dias contados.

 

O choque de oferta que derrubou as ações

O mercado financeiro reagiu com violência aos sinais de desabastecimento. Após divulgar resultados bilionários, a Qualcomm viu suas ações desabarem mais de 8%, puxadas por uma projeção de futuro sombria ligada à falta de memória.

A ARM, que depende das royalties dos chips nos celulares, seguiu pelo mesmo caminho, provando que ninguém está imune à crise. E isso, porque estamos falando de empresas que, em teoria, estavam relativamente tranquilas no mercado mobile, como líderes do segmento.

A raiz do problema está no desvio de produção dos gigantes Samsung, SK Hynix e Micron. Essas fabricantes estão priorizando a produção de HBM (High Bandwidth Memory), essencial para os servidores de IA, em detrimento das memórias LPDDR5X usadas nos celulares.

O CEO da Qualcomm, Cristiano Amon, admitiu que a falta desses componentes, e não dos seus processadores, é o novo gargalo que limitará o tamanho do mercado de smartphones. Uma vez que estamos falando de uma cadeia de suprimentos que está atrelada à outras empresas, o efeito dominó é quase certo, e possui efeitos imediatos.

 

IDC confirma o pior cenário em uma década

A consultoria IDC revisou drasticamente suas projeções para 2026, cunhando o termo “tsunami” para descrever o impacto da crise de memória. A previsão é de uma queda histórica de 12,9% nos embarques globais de celulares, o que representa o pior desempenho do setor em mais de dez anos.

Para se ter uma ideia da gravidade, a expectativa é que apenas 1,1 bilhão de unidades sejam enviadas. Um número muito débil para um setor que possui o dispositivo de tecnologia mais utilizado pelos usuários ao redor do mundo.

O tombo não será uniforme e promete remodelar o mercado. E isso é péssimo para um setor que sempre se destacou pela versatilidade e multiplicidade de opções para o consumidor final.

A IDC aponta que fabricantes menores, especialmente as marcas chinesas focadas em entrada, sofrerão o maior impacto, sendo forçadas a reduzir drasticamente a produção ou até sair do mercado. Enquanto isso, gigantes como Apple e Samsung, com maior poder de barganha e contratos de longo prazo, tendem a ganhar participação, fortalecendo um oligopólio.

 

Adeus aos celulares baratos

A consequência mais imediata e dolorosa para o consumidor será o preço, tal e como sempre acontece quando uma crise acontece. Com a oferta de memória encolhendo e a demanda aquecida, o custo do componente disparou.

A IDC prevê que o preço médio de um smartphone subirá 14% em 2026, atingindo a marca inédita de 523 dólares. Na prática, o dinheiro está comprando menos nos aspectos técnicos, ou a normalização de uma “melhora forçada” nos modelos base para 256 GB de armazenamento.

O segmento mais afetado é o de aparelhos abaixo de 100 dólares. Segundo analistas, a margem de lucro nessa faixa de preço era tão apertada que o aumento do custo da memória torna a produção simplesmente inviável.

Especialistas da IDC são categóricos: o “fim da linha para os smartphones baratos” chegou, e mesmo quando a crise de fornecimento acabar, os preços das memórias não devem mais voltar aos níveis de 2025.

Por isso, não é um exagero quando aconselhamos que você compre AGORA os eu smartphone, principalmente se for um modelo de entrada. Em um futuro próximo (ainda em 2026), a compra poderá ser inviável.

 

Quando a tempestade vai passar?

Para quem espera uma melhora rápida, as notícias não são animadoras.

A construção de novas fábricas de chips é um processo lento e caro. Mesmo com os anúncios bilionários de expansão da Micron e SK Hynix, o tempo médio para que uma nova fábrica comece a produzir em larga escala é de 18 a 24 meses.

A expectativa de analistas da UBS e da Intel é que o alívio significativo na oferta de memórias só deve acontecer a partir de 2028. Até lá, a indústria de smartphones viverá sob o regime de “escassez estrutural”, onde a prioridade das fabricantes de memória continuará sendo os data centers de IA, deixando as migalhas para o mercado de dispositivos móveis.

Em termos práticos: vai demorar para essa crise passar. E quando tudo terminar, o mercado de smartphones estará inevitavelmente modificado, com os seus preços mais caros.

E todos nós vamos perder com tudo isso.