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Qualquer um pode ter uma operadora de celular virtual? É isso?

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Está decidido: eu vou ter a minha própria operadora de telefonia móvel!

Pelo visto, qualquer empresa, instituição financeira ou educacional, celebridade, músico, artista, ator ou atriz, cachorro ou pombo e, principalmente, pessoa pode ter uma MVNO ou operadora de telefonia móvel virtual. Qualquer um mesmo! Inclusive o clipes de papel que está guardado dentro da gaveta do meu criado mudo vai lançar a sua operadora virtual na semana que vem.

Eu achei interessante quando instituições financeiras decidiram lançar as suas operadoras virtuais. Mais interessante ainda quando instituições educacionais decidiram apostar nessa mesma iniciativa, principalmente em 2020, onde muitos alunos precisaram passar pela experiência do ensino à distância, e os pacotes de internet móvel das operadoras eram insignificantes para tal tarefa.

Agora… quando time de futebol e atriz decidem virar operadoras virtuais, temos sinas claros que a coisa simplesmente perdeu a mão, e as MVNOs estão virando enormes carnes de vaca. E de uma vaca com carne dura, difícil de mastigar e engolir (me desculpem os vegetarianos e veganos, mas só estou usando uma figura de linguagem para ilustrar o quão incômodo é o cenário de momento).

 

 

 

É festa agora?

 

 

Antes de continuar, eu quero deixar muito bem claro que não tenho nada contra os times de futebol e artistas que serão mencionados a partir de agora. Meu problema é com a estratégia das empresas de MVNO em lançar operadoras de telefonia virtuais aos montes, utilizando qualquer argumento para oferecer tais propostas.

Além disso, a possível saturação das redes de telefonia móvel com tantas MVNOs vai resultar em um serviço pior para todos. É sempre importante lembrar que operadoras virtuais utilizam a estrutura de rede de operadoras maiores, e com mais linhas ativas, as chances de colapso são consideráveis.

Tá, eu sei que é legal você ter uma linha de celular do Palmeiras, pois isso mostra para o mundo que você é torcedor desse time até na hora de telefonar para a sogra. Mas… será que isso é realmente necessário? E… antes que me acuse de ser clubista, Corinthians e São Paulo fizeram algo semelhante no passado (não deu certo para os dois), e também questionei a validade das iniciativas.

Qualquer pessoa pode ter uma operadora de telefonia virtual, mas só os artistas podem capitalizar com isso. Como é o caso da atriz global Larissa Manoela, que lançou a Lari Cel para conquistar os mais jovens, que são o seu público-alvo direto.

Por que, Senhor?

Até a revista Caras conta com a sua operadora virtual para conquistar os celulares das socialites e colunáveis. Algo mais que desnecessário, já que qualquer operadora faz o mesmo que ela. A não ser que a Caras esteja oferecendo visitas gratuitas para suas ilhas e propriedades (com hospedagem paga pela revista, obviamente). Aí, quem sabe dá para considerar ser um usuário da operadora.

E é importante lembrar ao amigo leitor que cantores (principalmente os sertanejos) são muito procurados pelas empresas de telefonia focadas no MVNO para ceder os direitos de imagem para iniciativas similares, o que mostra que esse segmento com essa estratégia tende a expandir nos próximos meses.

De novo: nada contra às marcas e pessoas envolvidas na estratégia. O que me incomoda é a estratégia em si. Podemos ter uma saturação com tantas MVNOs no mercado, e a ideia, que até é boa para oferecer o serviço de telefonia móvel de forma mais flexível e com boa relação custo-benefício, pode afundar miseravelmente… por causa dessa carne de vaca dura de engolir.

 

 

Via O Globo, Palmeiras Online


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