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Em 1985, a Commodore apontava para o futuro com o Amiga 1000, computador de 16 bits que era muito especial. Um projeto com ideias espetaculares, especialmente a multitarefa apropriativa ou preventiva, que transformou esse computador em um objeto de inveja para os gigantes da tecnologia.

Literalmente.

 

 

Apple e Microsoft com olhos de inveja

A Apple assombrou o mundo com o Lisa (que foi um fracasso de vendas) e principalmente com o Macintosh (1984), que popularizou a interface gráfica, o mouse, os menus e as janelas. A Microsoft demorou um pouco para entender que aquele era o futuro, migrando aos poucos do MS-DOS para o Windows, que se tornou regra no mercado de PCs, conquistando usuários domésticos e empresariais.

O Mac OS foi mudando com o passar do tempo, explorando bem a interface visual, mas sem contar com uma característica que apenas o Amiga ofereceu para o grande público: a multitarefa real, chamada de apropriativa ou preventiva (preemptive multitasking), algo assombroso para a sua época.

 

 

Multitarefa real como grande diferencial

Apple e Microsoft triunfavam com suas propostas próprias, mas seus respectivos sistemas operacionais não contavam com o multitarefa real, mas sim com a multitarefa cooperativa. Existem diferenças importantes entre as duas:

Multitarefa cooperativa: o planificador de processos diz o que será executado a cada momento, decidindo o quanto vai usar dos recursos de hardware.

Multitarefa apropriativa: os processos não contam com o controle de quanto tempo vão usar do hardware. É o planificador quem decide quando cada processo será executado, durante quanto tempo, e quando ele entra em “hibernação”.

O impacto entre uma e outra pode não ser importante dependendo do cenário, mas o primeiro poderia gerar um lastro na experiência de usuário. O Microsoft Word do Windows 2.0 é um exemplo clássico: ele sozinho consumia todos os recursos, e você não poderia fazer outra coisa no computador a não ser escrever um texto no Word.

No Windows 3.1, alguns programas também contavam com o mesmo comportamento, sem permitir que a CPU fosse utilizada para outra atividade.

Na época, não era algo tão grave assim. Você esperava um programa ser encerrado para usar outro. O problema é que isso não acontecia de forma rápida, o que deixa a multitarefa cooperativa longe do ideal.

Com o Amiga OS, isso não acontecia, graças a sua arquitetura interna. Assim como o Mac OS, parte dos sistemas operacionais derivados do Unix (muito orientados para os campos acadêmico e empresarial na época) tinham essa capacidade teórica de multitarefa, mas apenas o Amiga era voltado para o usuário final.

A Apple só conseguiu chegar ao multitarefa real em 2001, algo que o Amiga fazia há muito tempo. No Windows, isso não foi muito diferente, pois apenas o Windows 95 ofereceu o multitarefa real. Hoje, o Amiga está quase desaparecido: uma pequena legião de fãs seguem mantendo o espírito vivo desse software com algumas empresas.

O Amiga OS segue vivo de forma limitada e por esforços independentes, mas o seu sucesso comercial chegou ao fim no começo dos anos 90.

 


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