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De novo: não sou elitista, não tenho nada contra a classe C, muito menos contra os programas sociais do governo. Mas acho que o momento não é para isso. Até porque certos problemas criados pelo governo não podem ser resolvidos sempre com ‘bolsa isso, bolsa aquilo’. Diante do iminente fim do sinal analógico de TV, podemos ter a ‘bolsa TV’ para incentivar as pessoas a migrarem para o padrão digital.

Se aprovado, o projeto vai distribuir conversores digitais para famílias de baixa renda, que pertencem ao programa Bolsa Família, além de desoneração de TVs de tela fina de até 32 polegadas, com redução do PIS, Cofins e ICMS dos aparelhos nos meses que antecederem a troca de sinal. E isso acontece meses depois do mesmo governo retirar as isenções fiscais dos produtos de tecnologia e eletrônicos, com o objetivo de recuperar a economia quebrada… pelo próprio governo.

E isso porque é um governo que quer economizar…

Outra alternativa é distribuir para essas mesmas famílias de baixa renda que estão nos programas sociais um cupom com valor equivalente ao preço do conversor digital, que pode ser usado para dar entrada na compra de uma TV digital. Somado aos incentivos fiscais, o governo entende que uma TV de 32 polegadas pode ter o seu preço médio reduzido de R$ 700 para aproximadamente R$ 500. Com mais um cupom de desconto de R$ 200, a TV sairia por R$ 300.

Olha, 10 vezes de R$ 30… nada mal por uma TV de 32 polegadas, não?

Vale lembrar que apenas 39,8% dos domicílios brasileiros em 2014 tinham acesso à TV digital. O prazo do fim do sinal analógico foi adiado por algumas vezes, por diversos motivos. Seja pela falta de interesse de alguns canais em digitalizar suas praças, seja porque a porcentagem da população a contar com o sinal digital é baixa, ou porque tem muita gente com TV de tubo vendo chuvisco em casa. E digo que, mesmo com tudo isso, vai ter muita gente que vai ficar sem ter o que assistir, ou por falta de sinal analógico, ou porque nem todos os canais digitais estão disponíveis em sua cidade. Isso aconteceu nos Estados Unidos. Que dirá aqui.

Alguns canais já estão adaptados. A Rede Globo por exemplo está no formato 16:9 no Brasil inteiro. Já outros ainda engatinham com a digitalização de sinal. Essa parte do processo o governo federal não tem muito controle.

Mas… ‘bolsa TV’? Sério mesmo que em tempos de crise precisamos disso?

Bom, bem sabemos quem precisa: o eleitorado em potencial do atual governo. Afinal de contas, estamos em 2016, ano de Jogos Olímpicos E eleições municipais. Pavimentar o terreno para 2018 é o que muitos partidos querem fazer, ainda mais quando o futuro da política brasileira é meio incerto.

Enfim, não precisamos de ‘bolsa TV’. Precisamos de outras coisas bem mais importantes (saúde, educação, segurança…). TV é algo desnecessário diante de tantas coisas que precisamos, diante de nossas necessidades mais básicas e essenciais. Mas como alguns entendem que precisamos alimentar a filosofia do amendoim e circo… aparecem projetos como esse.