
O tipo de pauta que só existe para dar treta, mas se tornou tema inevitável depois do GP de Las Vegas.
Com a conquista de Max Verstappen no circuito do porco aranha no último domingo (24), a primeira pergunta que muitos começaram a fazer nas redes sociais é: qual é o maior tetracampeão mundial de Fórmula 1 da história?
É claro que as respostas podem variar de acordo com o gosto do freguês e da percepção individual sobre o assunto. Os números são sempre frios, e temos sempre que levar em consideração como que cada piloto construiu o seu tetracampeonato.
Vou tentar colocar mais lenha na fogueira e deixar a minha opinião sobre o assunto, combinando as estatísticas com a percepção individual de quem tem lugar de fala sobre o tema.
Diferente da “geração Drive to Survive”, eu vi Max Verstappen, Sebastian Vettel e Alain Prost conquistar cada um dos seus quatro títulos mundiais. Eu entendo o contexto dessas conquistas.
E vou dar o meu parecer sobre o tema.
Lembrando sempre que estou analisando O MAIOR, e não O MELHOR. São tópicos bem diferentes.
Não são apenas os números
É claro que as estatísticas são importantes. Os números sempre podem determinar critérios para qualquer coisa em nossas vidas, e vou levar em consideração a matemática construída por cada piloto.
Porém, critérios subjetivos baseados nos fatos apresentados são inevitáveis.
Como cada piloto conquistou os campeonatos? Quais foram os adversários que enfrentou? O contexto geral do campeonato, considerando também o grau de dificuldade e os adversários, assim como as performances individuais de cada piloto.
Prometo não dissecar cada campeonato conquistado, mas alguns aspectos importantes dessas temporadas de títulos serão mencionados, para que possamos ter uma dimensão mais aprofundada do que estamos falando.
E dito tudo isso, vou iniciar minhas escolhas desagradando justamente ao público-alvo desse conteúdo.
Porque, na minha terceira posição do Top 3 dos maiores tetracampeões da história está aquele que chegou por último nesse grupo.
Max Verstappen

- Temporadas: 2015 – presente
- GPs disputados: 207 (até agora)
- Títulos: 4 (2021, 2022, 2023, 2024) (até agora)
- Vitórias: 62 (até agora)
- Pódios: 111 (até agora)
- Pontos: 2 989,5 (até agora)
- Pole positions: 40 (até agora)
- Voltas mais rápidas: 33 (até agora)
Logo de cara, digo que é injusto comparar Max Verstappen com os demais. Injusto para ele, e para os outros dois pilotos também.
E o motivo é bem simples: a carreira de Max Verstappen ainda não terminou.
Seu legado na Fórmula 1 ainda não está completo, o que impede um cenário de tudo o que ele construiu em sua carreira. É mais justo comparar ele com os outros dois quando sua jornada na categoria estiver encerrada.
E, mesmo assim, o legado de Max na Fórmula 1 já é gigantesco. Ele é o mais jovem a correr, a marcar pontos, a liderar, a fazer uma volta mais rápida, a conquistar um pódio, a vencer e a fazer um Grand Chelem (pole, volta mais rápida, vitória e liderar todas as voltas de uma corrida).
Sem falar que ele é o recordista em pódios, vitórias e pontos em uma temporada, vitórias consecutivas, maior pontuação em relação ao segundo colocado, tem a maior porcentagem de vitórias (86%), mais voltas lideradas por temporada, vitórias consecutivas a partir da pole, corridas consecutivas como líder do campeonato… a lista é longa.
Assim como os demais pilotos do Top 3, Max Verstappen possui uma “obra prima” de campeonato: o ano 2021, quando dividiu o protagonismo de uma batalha épica com um dos melhores pilotos da história, Lewis Hamilton.
Poucas vezes o mundo testemunhou uma disputa tão extrema. Um duelo mental sem precedentes. Uma das maiores temporadas da história da Fórmula 1, e um dos finais de campeonato mais espetaculares que nossos cérebros e retinas registraram como seres vivos neste planeta.
E o ano de 2024 foi conquistado por Max de forma brilhante, sem ter o melhor carro na maior parte da temporada, administrando adversidades dentro e fora das pistas.
Ninguém discute o talento de Max Verstappen a essa altura dos acontecimentos. Ele já é um dos melhores pilotos da história da categoria.

Porém, ninguém mandou ele conquistar dois títulos mundiais com carros absurdamente dominantes, onde em um deles é, nos aspectos estatísticos, o melhor carro da história da Fórmula 1.
E no processo, obliterou um companheiro de equipe que passa bem longe de ser um dos melhores pilotos da história da Fórmula 1.
Não me entenda mal: isso não é demérito para Max Verstappen. Pelo contrário: só mostra o quão talentoso ele é em relação aos demais. Aliás, Verstappen, assim como o primeiro da lista, amassou a maioria dos seus companheiros de equipe até agora.
Mas é indiscutível que 2022 e 2023 não ofereceram nenhum desafio para Max, que dominou de forma absoluta os dois campeonatos.
Tudo bem, o começo de 2022 até levantou algumas dúvidas razoáveis com as duas vitórias de Charles Leclerc nas três primeiras corridas, com uma Red Bull que não entregou o desempenho esperado por todos. Mas da quarta etapa em diante, Max dominou o campeonato por completo, com 14 vitórias em 19 etapas.
E 2023 foi aquele massacre que o mundo testemunhou. Max Verstappen pilotou o melhor carro da história da Fórmula 1 nos aspectos estatísticos, vencendo impressionantes 19 etapas de 22 corridas, chegando ao pódio em 21 das 22 provas completadas e amassando o seu companheiro de equipe com a maior diferença de pontos entre campeão e vice (575, contra 285 – 290 pontos de diferença).
Foi tão humilhante, que Pérez perdeu o vice-campeonato para a diferença de pontos que Verstappen construiu ao longo do ano.
De todos os tetracampeões do clube, Max Verstappen foi aquele que pode dizer que teve os dois títulos mais fáceis de todos, em aspectos absolutos.
Diferente dos outros dois que estão na frente dele dentro do meu ranking.
Diferente do segundo colocado da minha lista, que abriu caminho para que um dia existisse um Max Verstappen na Red Bull.
Sem o número 2 da minha lista, desconfio que até mesmo essa muito bem sucedida Red Bull, uma das maiores equipes de Fórmula 1 da história, jamais teria existido.
Sebastian Vettel

- Temporadas: 2007 – 2022
- GPs disputados: 300 (299 largadas)
- Títulos: 4 (2010, 2011, 2012 e 2013)
- Vitórias: 53
- Pódios: 122
- Pontos: 3 098
- Pole positions: 57
- Voltas mais rápidas: 38
Quando comecei as pesquisas para esse conteúdo, eu jurava que Sebastian Vettel ficaria na terceira posição do ranking, atrás de Max Verstappen. Mas quando comecei a olhar para os detalhes de suas conquistas, me convenci que a segunda posição era o lugar dele.
Sem Sebastian Vettel, Max Verstappen tetracampeão e a Red Bull vencedora jamais existiriam. Simples assim.
É claro que na média estatística Verstappen já é melhor que Vettel, pois seus números são melhores com um menor número de temporadas. Mas eu disse lá no começo que eu não iria me agarrar apenas e exclusivamente aos números, pois esse não é um critério justo para a avaliação de quem foi maior que o outro.
Quando olhamos para tudo o que Vettel fez na Red Bull, não temos dúvidas de que ele também foi um prodígio. E com um mérito que ninguém tira dele: ser parte do segredo do sucesso de uma equipe que estava no caminho certo, mas precisava do piloto certo para isso.
A combinação Vettel + Adrian Newey + Red Bull foi perfeita. O carro calçou como uma luva com o piloto, e é correto dizer que todos dentro da equipe, principalmente Christian Horner e Helmut Marko, aprenderam e muito com essa experiência.
Quando Vettel surgiu na Fórmula 1, assombrou o mundo. E posso dizer que impressionou até mais que Verstappen, pois sua primeira vitória na categoria não foi na Red Bull, e sim em uma Toro Rosso, que era menor, mais nova e com menos estrutura que a equipe principal na categoria.
O desempenho de Vettel em sua primeira temporada completa (2008) foi tão impactante (incluindo o épico GP da Itália, sua primeira vitória na categoria), que a Toro Rosso terminou aquele campeonato na frente da Red Bull, o que lhe rendeu a promoção para a equipe principal.
Vettel é, até hoje, o mais jovem piloto da história da Fórmula 1 a ser campeão, bicampeão, tricampeão e tetracampeão mundial da categoria. Seu quarto título veio aos 26 anos, um ano a menos que o tetra de Verstappen.
E… antes que você diga: “ah, mas o Vettel também venceu com um pé nas costas, pois a Red Bull era dominante naquela época…”, eu devo dizer que você está um pouco equivocado no seu achismo.
Vettel tem DUAS OBRAS PRIMAS para chamar de sua nos títulos mundiais conquistados em modo “sangue, suor e lágrimas”.

A temporada de 2010 é até mais icônica que a disputa de 2021, pois contava com quatro postulantes ao título até as etapas finais (Sebastian Vettel, Fernando Alonso, Mark Webber e Lewis Hamilton).
O final em Abu Dhabi foi dramático, onde apenas Hamilton não tinha chances críveis de conquistar o título na etapa final. E enquanto Webber e Alonso se mercaram em pista, a Red Bull trabalhou para que Vettel, que só podia ser campeão com uma vitória e uma combinação de resultados dos adversários, conquistasse o primeiro título.
O que aconteceu, de forma quase inacreditável. Aliás, Fernando Alonso tem traumas até hoje daquela corrida, com pesadelos constantes com o Vitaly Petrov.
Lembrando que Sebastian Vettel é até hoje o único campeão mundial da história da Fórmula 1 a não liderar nenhum momento da temporada até o final da última etapa. Em 2010, ele foi líder do campeonato apenas após o resultado de Abu Dhabi.
2011 foi a conquista de título mais tranquila de Sebastian Vettel, onde a Red Bull foi sim dominante. E, mesmo assim, com uma porcentagem de vitórias MENOR que a de Max Verstappen nos anos de 2022 e 2023, pois o piloto alemão não venceu em oito de 19 etapas.

A segunda obra prima de Sebastian Vettel na Fórmula 1 é o título de 2012 e, mais uma vez, diferente do que muitos imaginam, a Red Bull tinha sim o melhor carro, mas não massacrou a concorrência como fez em 2022 e 2023.
Aqui, tenha em mente que a Red Bull já enfrentava problemas com o motor Renault, que começou a quebrar mais do que o desejado.
Até o final da primeira metade daquela temporada, Vettel só havia vencido uma etapa. Sua recuperação se deu depois do GP da Bélgica e, mesmo assim, não foi algo dominante: venceu quatro corridas em sequência, onde em três delas o seu principal adversário no ano, Fernando Alonso, chegou ao pódio.
E Sebastian Vettel quase perde o título de 2012 na primeira volta do inesquecível GP do Brasil que, para muitos, é a melhor disputa de título de todos os tempos. Ele roda na primeira volta, perde várias posições e, em uma pista alterada pela chuva, chega em sexto, o suficiente para superar Alonso, que chegou em segundo naquela corrida.

E em 2013, a dominância de Vettel se estabeleceu na segunda metade da temporada, pois venceu todas as provas para conquistar o tetracampeonato. Até a pausa de verão antes do GP da Bélgica, foram apenas três vitórias com uma Red Bull que não foi hegemônica, permitindo que Alonso flertasse com a possibilidade de título.
Quando olhamos para a forma em como Vettel conquistou o seu tetracampeonato, ele supera Verstappen no contexto em função dos fatos apresentados, pois teve que lutar mais com adversários talentosos.
Mark Webber e Jenson Button passam bem longe de serem cabeças de bagre. E Fernando Alonso e Lewis Hamilton estão em qualquer lista dos melhores da história da Fórmula 1.
E é claro que Vettel não é maior do que o primeiro colocado desse ranking, ainda mais quando olhamos para tudo o que o alemão fez depois que saiu da Red Bull, em uma carreira menos competitiva do que poderia ser.
Sério… eu esperava mais do Vettel na Ferrari. Ele fica atrás daquele que chegou ao clube do tetra primeiro.
Aquele que inaugurou o clube que motivou toda essa discussão.
Alain Prost

- Temporadas: 1980-1991, 1993
- GPs disputados: 202 (199 largadas)
- Títulos: 4 (1985, 1986, 1989 e 1993)
- Vitórias: 51
- Pódios: 106
- Pontos: 798.5 (768.51)
- Pole positions: 33
- Voltas mais rápidas: 41
O professor.
De novo: não podemos considerar os números absolutos como critério de avaliação, pois eles são frios. Principalmente com alguém que competiu na Fórmula 1 em uma era com carros muito diferentes, regulamentos completamente diferentes e adversários muito diferentes.
Dito isso, Alain Prost possui números impressionantes até mesmo para os tempos atuais. Suas 51 vitórias, 106 pódios, 33 poles e 41 voltas mais rápidas são números que, nas médias estatísticas, provam que ele é sim maior que Verstappen e Vettel como tetracampeão mundial de Fórmula 1.
Prost correu em uma Fórmula 1 que tinha apenas 16 etapas, em campeonatos que utilizavam a famigerada regra do descarte de resultados. Colocando tudo em proporção, Prost é maior em níveis simplesmente absurdos.
O francês obliterou todos os seus companheiros de equipe ao longo de 12 temporadas, com exceção de três anos: 1980 (ano de estreia e, mesmo assim, perdeu apenas por um ponto), 1984 (e, mesmo assim perdeu para o campeão Niki Lauda por ridículos meio ponto) e 1988 (superado por Ayrton Senna por três pontos, mas sem a regra dos descartes de resultados seria campeão do mundo por 105 a 94).
Em todos os outros campeonatos que disputou, derrotou os seus companheiros de equipe por uma vantagem que sempre foi superior a dois dígitos (10 pontos ou mais). Em alguns casos, os massacres foram humilhantes, como em 1985 (73 a 14 contra Niki Lauda), 1986 (72 a 22 contra Keke Rosberg), 1990 (71 a 37 contra Nigel Mansell) e 1993 (99 a 69 contra Damon Hill).
Perceba que mencionei companheiros de equipe que não são cabeças de bagre, já que todos foram campeões mundiais de Fórmula 1 em algum momento.
Agora, falando especificamente dos quatro títulos de Alain Prost.

Apesar de não serem títulos consecutivos, não só foram títulos mais disputados que aqueles conquistados por Verstappen e Vettel, mas também dentro do tal contexto de uma Fórmula 1 muito mais imprevisível, com carros que quebravam mais, o que nivelava a categoria nos resultados.
Um breve adendo: era para Prost ser, pelo menos, hexacampeão, e não tetra.
Em 1984, a derrota por meio ponto aconteceu por causa daquele histórico GP de Mônaco, onde a prova foi interrompida pela metade por causa da chuva. E como roubaram aquela vitória de Ayrton Senna, o destino se encarregou do “aqui se faz, aqui se paga”: Prost teve mais vitórias que Lauda naquele ano, mas perdeu o título por um ridículo meio ponto.
Em 1988, Prost fez mais pontos que Senna (105 a 94), mas a regra de descarte de resultados prejudicou o francês, que teve melhores resultados que o brasileiro ao longo do ano, mas foi obrigado a jogar fora esses bons resultados (e o brasileiro descartou resultados piores, aumentando sua média de pontos válidos).
Dito isso…
Alain Prost venceu o campeonato de 1985 com o melhor carro e sem maiores dificuldades, ficando 20 pontos a frente de Michele Alboreto. Foi dominante porque chegou ao pódio em todas as provas que terminou (exceto em uma), mas passou bem longe de ser hegemônico como Verstappen foi em 2022 e 2023, pois teve “apenas” 5 vitórias em 16 provas.

O ano de 1986 é a obra prima de Alain Prost, mais do que em 1989. Naquele ano, a Williams de Nelson Piquet e Nigel Mansell já era o melhor carro, mas ambos conseguiram perder o título porque decidiram entrar na porrada ao longo da temporada, além de acumularem toda a falta de sorte do mundo na etapa final, no GP da Austrália.
Prost, mais uma vez, foi campeão pela regularidade, terminando 11 das 16 etapas no pódio, vencendo apenas quatro corridas naquele ano (contra cinco de Mansell e quatro de Piquet).
Acredite em mim: não só Prost não tinha o melhor carro, como 1986 foi um dos anos mais equilibrados da história da categoria. Até Ayrton Senna com a Lotus tinha chances reais de ser campeão naquele ano até a penúltima etapa.
Prost mostrou o seu melhor para conquistar o segundo título mundial.

Sobre o ano de 1989, o que seus pais não contam para você era que Ayrton Senna não merecia ser campeão de nenhuma maneira: não fez mais pontos sem as regras de descarte, e com os descartes, Prost teve 14 pontos a mais.
Tá, tiraram 9 pontos de Senna no Japão, e o campeonato ficaria em aberto na Austrália. Mesmo assim: o “se” não entra no campo hipotético (e talvez o brasileiro teria abandonado aquela prova de qualquer maneira).
Prost foi mais uma vez muito regular naquele ano, terminando no pódio em 11 de 16 etapas. E Senna foi muito mais prejudicado pela McLaren (e por ele mesmo) do que por Jean-Marie Balestre em 1989, pois teve cinco abandonos até o fatídico GP do Japão.
Que Prost venceu com o melhor carro, não resta dúvidas. Mas teve que pilotar demais para superar um dos melhores pilotos da história da Fórmula 1 como companheiro de equipe. Um talento que supera (com sobras) Mark Webber e Sergio Pérez, em um grau de dificuldade que nenhum piloto na categoria enfrentou até hoje.

O campeonato mais “pé nas costas” que Alain Prost conquistou foi mesmo em 1993, com uma Williams dominante. E, mesmo assim, não hegemônica, pois mesmo com sete vitórias acumuladas nas 10 primeiras etapas, o francês não era líder do campeonato até o GP do Canadá daquele ano.
Jovem da “geração Drive to Survive”… tem outra coisa que os seus pais não contam, pois eles são mentirosos: aquela McLaren que o Senna pilotou em 1993 passava bem longe de ser uma porcaria. Ela só não tinha motor mesmo.
Até o GP do Canadá, Senna tinha o mesmo número de vitórias que Prost naquele ano (3) e liderava o campeonato até então, entregando algumas de suas melhores performances de sua carreira (GP do Brasil, GP da Europa em Dominton Park – aquela da primeira volta lendária – e GP de Mônaco).
Senna resistiu o quanto pode naquele ano, mas Prost emendou uma sequência de vitórias do Canadá para frente. E mesmo com a melhora de desempenho da McLaren na segunda metade da temporada, Prost voltou a ser “o professor”, com regularidade plena nos resultados.
No trecho final de 1993, foram quatro pódios e três segundos lugares para Prost, contra apenas duas vitórias de Senna (Japão e Austrália) e, mesmo assim, o título já estava definido a favor do francês naquela altura do campeonato.

Ou seja, até mesmo o teoricamente campeonato mais fácil de Alain Prost foi mais difícil do que os campeonatos mais tranquilos de Vettel e Verstappen…
…até porque superou ninguém menos que Ayrton Senna em duas oportunidades.
Por tudo isso, considero Alain Prost como o maior tetracampeão da história da Fórmula 1. Para mim, não há como discutir com números e com os fatos no caso do piloto francês.

É claro que Max Verstappen pode e, muito provavelmente, vai superar Sebastian Vettel e Alain Prost. Mas para isso, terá que chegar no “clube dos cinco”, que tem Juan Manuel Fangio como único membro. E por contexto histórico, vai perder a disputa contra o argentino, que é um dos melhores pilotos da história.
Mas… será que isso é algo realmente relevante?
Não é melhor que todos nós aproveitemos do talento excepcional de Max Verstappen enquanto ele ainda está na categoria?
Entendo que a discussão do “maior tetra” é sim válida, mas muito mais como exercício de raciocínio do que por méritos estabelecidos.
Enaltecer ou diminuir um determinado piloto é uma forma um tanto quanto pobre e, de novo, injusta de escrever a história. São pilotos diferentes, de eras diferentes da Fórmula 1.
Por outro lado, é importante estabelecer narrativas que posicionem esses personagens dentro do próprio tempo e, também, na linha histórica da categoria.
Não podemos cometer injustiças nesse posicionamento. Não podemos nos esquecer de quem abriu o caminho para que o outro pudesse conquistar seus feitos.
Nesse momento, o mais importante é que “o clube do tetra” recebeu um novo membro, e está muito bem servido de sócios. A história foi escrita diante dos nossos olhos, e celebrar um novo tetracampeão é reconhecer a grandeza desse feito.
Que Max Verstappen possa saborear o fato de estar ao lado de dois pilotos fantásticos na prateleira dos quatro títulos mundiais. E que isso possa inspirá-lo a seguir subindo degraus na Fórmula 1.
Lamento se decepcionei boa parte da “geração Drive to Survive”, mas espero ter contribuído para uma discussão que, ao que tudo indica, vai durar algum tempo.
