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Sabia que você, cidadão de Florianópolis que estocou álcool gel em casa como se o mesmo fosse pedaços de carne gorda em um spa vegano gourmet, jogou um BAITA DINHEIRO FORA?

Eu sei. Todo mundo quer se proteger do coronavírus e, em alguns casos mais racionais, quer proteger o outro para se proteger também. É o direito de todos esse tipo de proteção, e é muito nobre querer proteger alguém.

Mas… a racionalidade é tão bonita, que poderia ser cantada em prosa e verso em uma futura letra de música do Roberto Carlos!

Pensa comigo, cidadão médio de Florianópolis.

O álcool gel 70% é sim uma forma de eliminar o coronavírus. Aliás, eu aproveito a oportunidade para deixar bem claro que essa história de produzir álcool gel com gelatina é uma fake news (ou notícia falsa, para quem é contra o uso do inglês desnecessário). Logo, parem de compartilhar essa bobagem pelo WhatsApp.

Porém, basta pesquisar só um pouquinho no Google para descobrir que o mesmo álcool gel 70% só é realmente eficiente quando ESTAMOS FORA DE CASA, pois ele é um paliativo rápido para os locais ou situações onde a água e sabão não se fazem presentes no momento.

Em ambientes domésticos, a melhor combinação para se manter protegido do coronavírus é mesmo á água e sabão, lavando as mãos com frequência e por 20 segundos, no mínimo. Nada é melhor do que isso.

Agora, vamos desenvolver esse raciocínio juntos, cidadão médio de Florianópolis.

A partir de amanhã (19) e por sete dias, todos os serviços que não são considerados essenciais ficarão fechados. Os ônibus vão sair das ruas. E praia? Nem pensar! Porque você não é estúpido (eu quero acreditar que não, mas sei que algumas pessoas vão contrariar a minha crença).

A Ilha da Magia vai virar um grande cenário de um episódio de The Walking Dead e, na melhor das hipóteses, vai ter gente caminhando e andando de bicicleta na Beira Mar Norte. E, mesmo assim: não são muitos, e esse povo não vai poder dar as mãos, abraçar, beijar, etc.

Em resumo: o local mais seguro para você, cidadão médio de Florianópolis (especialmente aqueles com mais de 65 anos), é a sua casa.

Onde tem água e sabão.

E esse cenário não deve durar apenas sete dias. Essa crise epidemiológica vai durar por meses. E 500 ml de álcool gel são suficientes para quem só usa o produto apenas para quando está fora de casa, que é o modo correto de usar o produto.

Ou vai me dizer que você toma banho com álcool gel? Se sim, está fazendo isso errado, tá?

Então… se você não pode sair de casa, onde o álcool gel é mais útil… POR QUE DIABOS VOCÊ ESGOTOU O ESTOQUE DO PRODUTO?

Além de jogar o seu dinheiro fora comprando um item que nem é o mais indispensável de todos para se proteger, você ajudou de forma decisiva a inflacionar o preço do produto, contribuindo para que comerciantes inescrupulosos cobrassem o pulmão de outras pessoas (e, em alguns casos, o rim como valor adicional) por um produto que todo mundo sabe que é bem mais barato.

Tá, eu não posso culpar o florianopolitano médio pela falta de escrúpulos de comerciantes que usam da desculpa da “lei de oferta e procura” para inflacionar o preço de um produto que ajuda a manter as pessoas saudáveis. Mas posso culpá-lo por permitir que tais comerciantes façam isso.

No final das contas, um monte de pessoas que precisa ter pelo menos um frasco de álcool gel na bolsa ou na mochila (outros idosos, hipertensos, diabéticos – meu caso – e a população em geral, que paga impostos e tem o direito de se proteger) fica sem o acesso ao produto. E quando tem esse acesso, ele custa uma fortuna.

E você, cidadão médio de Florianópolis, vai ficar com um estoque de álcool gel em casa que pouco vai servir para o futuro, e que seria mais útil para outras pessoas que precisam desse produto. Sua atitude só mostra mais uma vez que você só se preocupa com o próprio umbigo, ignorando solenemente que, para vencer o coronavírus, é preciso que o outro pense e cuide de você para que todos se salvem dessa ameaça.

De nada vai adiantar o seu álcool gel se eu der um beijo de língua em você ou espirrar na sua cara.

Mas eu não vou fazer isso. Porque eu sou mais legal que você.

Beijos, crianças!


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