
Que Elon Musk é um cara excêntrico, todo mundo sabe. E a essa altura do campeonato, não dá muito para questionar a sua visão mais inovadora de gerenciamento corporativo. Afinal de contas, Tesla, SpaceX e (pasmem) o X ainda estão de pé.
Não quero falar da minha perspectiva pessoal sobre o bilionário sul-africano quero falar do seu método para selecionar novos funcionários para as suas empresas, já que ele implementou desafios lógicos e enigmas matemáticos como métodos para novas contratações.
Descobrimos tudo isso após a publicação de sua biografia por Ashlee Vance, que revelou como Musk desestabilizava candidatos talentosos, buscando mais do que apenas respostas corretas, mas sim uma janela para a forma de pensar dos futuros integrantes de suas equipes.
O enigma matemático e suas implicações
Conforme detalhado pela autora, Musk costumava propor aos candidatos um enigma intrigante:
“Você está na superfície da Terra. Anda uma milha ao sul, uma milha ao oeste e uma milha ao norte. Termina exatamente onde começou. Onde você está?”
A resposta mais comum (e correta) é o Polo Norte, que é o único ponto onde a trajetória proposta por Musk levaria de volta a pessoa ao ponto de origem com essas coordenadas, por causa da geometria esférica do planeta.
Musk sempre enfatizou a importância de compreender o raciocínio por trás da resposta, valorizando principalmente o detalhamento do candidato sobre o caminho lógico seguido. Ou seja, meramente acertar a localidade não era suficiente. O candidato tinha que ser criativo e original na hora de explicar a resposta correta.
Se a resposta mais óbvia era descoberta com certa frequência, Musk partia para um segundo patamar de dificuldade:
“Onde mais você poderia estar?”
Neste caso, a resposta é um pouco mais complexa.
Existem pontos próximos ao Polo Sul que podem determinar a resposta correta, já que a circunferência local da Terra pode ser determinada por uma única milha. Aqui, o percurso poderia levar o candidato ao mesmo local de partida.
Mas só ia responder corretamente a segunda pergunta os mais cabeçudos em matemática e geografia, sem falar nos superdotados que compreendem algo chamado raciocínio lateral.
Mais do que respostas, Musk busca mentalidades
Musk está totalmente alinhado com a filosofia das startups mais inovadoras do mundo, que não buscam profissionais dominam o conteúdo técnico, mas que também demonstram elasticidade cognitiva, criatividade e, principalmente, a capacidade de lidar com problemas inéditos e repentinos.
Ashlee Vance aponta em sua biografia que Musk preferia candidatos capazes de expor seus pensamentos, explicitar incertezas e desenhar estratégias para resolver problemas, mesmo sem chegar ao resultado final imediato.
Dessa forma, Elon está avaliando resiliência emocional, abertura a feedbacks e capacidade de trabalhar sob situações ambíguas — todas consideradas essenciais em empresas que buscam transformar indústrias inteiras.
É uma abordagem recorrente no Brasil e no exterior, em um modelo de contratação que pode inspirar ajustes em processos de seleção para perfis técnicos e criativos, fomentando uma cultura de resolução de problemas aberta, iterativa e multidisciplinar.
Uma tendência internacional
O método de Musk tem os seus críticos.
Especialistas em recursos humanos alertam para os limites da abordagem, apontando que enigmas podem favorecer apenas determinados perfis cognitivos e, em casos extremos, afastar profissionais talentosos que não se sentem à vontade em ambientes altamente competitivos ou performáticos.
Além disso, plataformas internacionais ressaltam o quanto lideranças como Musk acabam por moldar culturas corporativas inteiras, inspirando ou polarizando reações, o que pode ser erosivo para o coletivo corporativo com o passar do tempo.
Empresas brasileiras de tecnologia e startups têm adaptado parte dessas práticas, mesclando avaliações criativas, estudos de caso reais e desafios colaborativos em grupos multidisciplinares.
Musk vai além do folclore do Vale do Silício, já que está influenciando de forma tangível as metodologias de contratação de talentos no mundo todo.
O que não quer dizer que cada empresa não desenvolva a sua cultura corporativa e, principalmente, os seus limiares éticos para admissão de novos funcionários. Na verdade, é quase uma obrigação de cada corporação agir de forma correta e responsável nesses processos.
E isso significa ir além do famigerado “todos vocês são animais na floresta, e vocês precisam criar uma startup de inovação do zero”.
