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Querido Kobe,

Desde o momento em que eu comecei a ver você com a língua de fora imitando Michael Jordan e realizando arremessos espetaculares no The Forum Inglewood, eu sabia que você era real e especial. Era uma fantasia da minha insignificante existência testemunhar você jogar e escrever o seu nome na história do basquete, e me transportar para assumir a sua habilidade e personalidade.

Eu achava que poderia ser você, já que ser Michael Jordan era impossível. Não podemos ter mais de um Deus em um esporte.

Apesar de você chegar a ser irritante com toda a sua habilidade, meu respeito e admiração por você foram sentimentos genuinamente profundos e sinceros. Absorvi em cada momento suas jogadas, cestas, lances decisivos, pontuações estratosféricas e títulos.

Você, Kobe Bryant, fez com que eu gostasse ainda mais da NBA. Fez com que a minha entrega ao esporte fosse algo cada vez mais passional e emocional.

Um jovem de 17 anos de idade se envolveu pela sua forma apaixonada em jogar basquete. Sua devoção ao esporte inspirou a mim e a milhões de pessoas a enxergar no fim do túnel uma luz, que poderia muito bem ser a da quadra lotada, vibrando. Você, Kobe Bryant, inspirou e estimulou a correr atrás dos nossos sonhos, enfrentando trombadas, contusões, quedas e obstáculos. Por causa de você, corremos atrás das bolas perdidas que a vida sempre acaba impondo, com raça e coração.

Porque, assim como o basquete, você nos ofereceu muito mais do que horas de entretenimento.

O basquete exigiu que você jogasse cansado e machucado. Por causa disso, aprendemos a seguir em frente, apesar das feridas do corpo e da alma. Hoje, nós, que olhamos para você com saudades, aprendemos que o correto é jogar o jogo da vida intensamente, pois essa é a única forma válida para viver intensamente.

Você realizou o sonho de muitos meninos ao redor do mundo, e vamos sempre amar você por isso. Mas não podemos amá-lo de forma obsessiva. Seu legado deve ser respeitado e admirado, e o quicar da bola vai se manter ativo em nossas mentes e corações.

Porque… agora, infelizmente, chegou a hora de dizer para você… adeus.

Ou, quem sabe… seja eterno!

Não está tudo bem. Não era a hora de você ir embora. Você só estava fora do basquete, mas não das vidas daqueles que você inspirava por estar vivo e ser o atleta que foi. Esse desaparecimento repentino vai doer muito e por muito tempo.

Mas… quero que você saiba que nós, fãs de esporte e fãs do basquete, gravamos todos os momentos que vivemos juntos. Os bons e os ruins. Tudo o que aconteceu sempre vai pertencer a nós. Todos nós.

E nós sabemos, não importa o que será dito sobre você daqui pra frente, que seremos sempre aqueles jovens sonhadores, que se transportavam para a tela da TV, imaginando ser você em ação.

Cinco segundos no relógio e bola na minha mão, 5 … 4 … 3 … 2 … 1.

Com amor,

Eduardo Moreira.

 

P.S.: Baseado em Dear Basketball, carta que Kobe Bryant escreveu ao anunciar a sua aposentadoria, em 2016.

 


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