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Ontem (1) eu estive em São Paulo (SP), a convite da LG do Brasil, para o lançamento do novo smartphone top de linha da empresa no mercado brasileiro, o LG G5 SE. Além das questões evidentes sobre os motivos que levaram o fabricante a trazerem para o nosso mercado o modelo ‘capado’ (sério, foi o que mais ouvi durante a coletiva de imprensa), outra discussão frequente entre os presentes foram os motivos que levaram ao fabricante a chegar no valor de R$ 3.499 para um produto que não é o top de linha de sua categoria.

A LG aqui está competindo com modelos como o iPhone 6s e o Samsung Galaxy S7. Tirando as diferenças técnicas entre os modelos (uma vez que a Apple otimiza o seu software ao extremo, o que dispensa o uso de uma hardware tão poderoso), são dois autênticos tops de linha, e de forma indiscutível. Porém, o LG G5 SE, não. O modelo principal, o LG G5 lançado lá fora, esse sim traz o top do top que os sul-coreanos imaginaram originalmente, oferecendo o máximo de performance. Não que o modelo SE não ofereça isso: o tempo que experimentei o dispositivo foi suficiente para me deixar ótimas impressões. Mas fica aquela impressão clara que, se era para cobrar R$ 3.499 em um smartphone, por que não trouxe logo de uma vez o modelo top de linha de verdade, com processador Snapdragon 820 e 4 GB de RAM?

Será que a diferença de preço seria tão grande assim?

Mas essa não é nem a questão. Deveria ser, mas vai ficar para o post de amanhã.

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Hoje (2), a Vi, que representa a marca Meizu no Brasil, anunciou que o Meizu Pro 6 estará disponível no mercado brasileiro em junho, com preços de R$ 3.699 para o modelo com 32 GB de armazenamento, e R$ 3.999 para o modelo com 64 GB de armazenamento. Aqui, podemos dizer que estamos mais próximos de um top de linha, já que o processador Helio X25 deca-core da MediaTek é, em teoria, mais poderoso que o Qualcomm Snapdragon 652 presente no LG G5 SE.

Mas, de novo, esse não é o ponto.

A grande questão é: R$ 3.500 virou o ‘número mágico’ para os smartphones top de linha no Brasil?

Em 2012, eu considerava essa barra limite de produto premium como algo na faixa de R$ 2.000. Com o passar dos anos, essa margem de preço foi subindo, aumentando em média R$ 500 por ano: R$ 2.500 em 2013-2014, R$ 3.000 em 2015, e R$ 3.500 em 2016. É uma progressão matemática que acompanha o momento complicado da nossa economia, além de ser naturalmente impulsionado pelo fator inovação adotado por alguns fabricantes.

Mas… vale o quanto pesa? Você tem coragem de pagar esse valor por um smartphone?

Sabe qual é a pior parte dessa equação?

É que o aumento de preços dos modelos premium/top de linha arrastou para cima o preço do chamado ‘smartphone de linha média ou intermediário’, criando assim a ‘linha média premium’, algo meio bizarro e contraditório em alguns casos. Ver o Moto G4 Plus custar R$ 1.499, a mesma coisa que um Moto X Play e um Lenovo Vibe A7010 é algo que discuti com alguns colegas blogueiros, pois mostra como a Lenovo (por exemplo) bate cabeça com esse novo conceito. A Samsung, com a série Galaxy A, até mandou bem, mas… o que fazer com as séries Galaxy J, Gran Prime…

Sem falar na Sony, que foi para as duas pontas: lança a série Xperia X e renova a série Xperia E, e deixa o meio de lado. Aliás, nem quero imaginar quanto que a Sony vai cobrar no Brasil pelos seus novos tops de linha.

Ou seja, sinal dos novos tempos. Ou a gente se conforma que a faixa de preço para produto premium é R$ 3.500, ou começamos a buscar alternativas, como por exemplo o mercado de segunda mão/desapego, ou até mesmo encarar os modelos de linha média premium, mesmo eles só sendo premium por fora, e não por dentro. Acho que passou da hora de alguns fabricantes repensarem suas estratégias, pois o mercado está no limite, e a relação custo-benefício não se sustenta mais. E esse é um dos fatores que mais contribui para o sucesso ou fracasso de um determinado produto.