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Dois dias de chuvas constantes inspiraram esse texto.

Eu não tomei as chuvas que caíram de forma quase torrencial e constante por dois dias na semana passada. Mas eu sabia que, depois de tantas chuvas, viria o frio. O inverno que aqui é rigoroso. Ou seja, nada é surpresa. Eu sabia o que estava por vir.

Mas essas chuvas limitaram meus movimentos. Me prenderam em casa por dois dias, o que não foi algo tão ruim assim: sopas, cafés, chocolates quentes, boa comida, um cobertor quentinho, uma cama confortável… todas essas coisas estavam disponíveis para mim nesses dias de chuvas. Eu deveria estar feliz porque choveu bastante. Afinal de contas, o tempo estava muito seco.

Fiquei em casa. Preparando minhas coisas, escrevendo textos… e refletindo sobre a chuva.

Pensando no poder da chuva.

Pensando nas chuvas que já tomei na vida.

Me lembro que, quando eu era criança, a minha mãe sempre dizia para que eu tivesse cuidado com a chuva. Alertava que eu precisava evitá-la, senão eu ficaria doente. Engraçado… com o passar do tempo, eu descobri que a chuva seria uma grande amiga, em diversas situações.

Aliás, me lembrem: ainda tenho que escrever sobre como perdi o meu medo da chuva. Mas essa é outra música, com outro texto.

A chuva, antes de tudo, é um sinal claro que a vida é um ciclo constante. O processo de precipitação da água, que e absorvida do vapor das águas que estão no planeta Terra, que formam as nuvens no céu e que se transformam em chuva… é algo simplesmente fascinante. Além de mostrar que nossa história de vida é um sobe e desce sem fim, e que cabe a nós ter a capacidade e habilidade em lidar com essas idas e vindas, sem se desesperar.

A chuva foi minha companheira em muitas vezes.

Eu já chorei embaixo da chuva, apenas para que as demais pessoas não pudessem ver minhas lágrimas de tristeza e desespero. Ela jamais deixou que alguém me visse sofrendo. Exceto em uma vez, mas isso não vem ao caso.

A chuva me fez ficar em determinados locais onde eu precisava aprender alguma coisa, ou pelo menos identificar melhor o caminho a seguir e o que fazer quando o caminho estava turvo… pela própria chuva!

Sim, amigos… pode parecer uma contradição, mas a mesma chuva que impediu a minha caminhada em algumas oportunidades (por conta do volume de água e a sua força, desafiando a natureza) me mostrou o caminho que eu deveria traçar para alcançar os meus objetivos. Ou mesmo as pessoas que deveriam estar ao meu lado em momentos de tempestade.

A chuva… a chuva me amparou quando me senti sozinho e sem amor. Foi o abraço de consolo nas tardes onde meu coração estava machucado. Representou as lágrimas que eu não mais conseguia chorar pelas desilusões da vida.

Aprendi a sentir a chuva também como um processo natural de transição.

Muitos acreditam que a chuva lava da Terra as coisas ruins, renovando o planeta com boas vibrações. Eu acredito nisso, com sinceridade. Acredito que as chuvas são fontes de energia purificadora para todos nós, principalmente quando vivemos tempos difíceis, com os conflitos, desarmonia e discórdias sérias.

Vou além: a chuva purifica as pessoas.

Deixar a chuva cair em sua cabeça é se permitir abraçar por esse sentimento de renovação, de reciclagem do espírito. Acredite, precisamos nos reciclar de vez em quando para não envelhecer ou morrer por dentro. Aceitar essa troca de energias que às vezes está dentro de nós mesmos, até mesmo para poder respirar, ver o novo, encontrar novos caminhos.

Deixar a chuva cair nas nossas costas é uma forma de aliviar o peso que estão nas mesmas costas. É uma forma de descarregar tensões, limpar as mágoas do coração, e buscar em você o processo de renovação. É algo que você vai fazer para você mesmo, sem contar para ninguém. Simplesmente deixe a chuva cair pelo seu corpo.

Deixe a água escorrer pelos dedos. Sinta o processo da vida fazendo o seu efeito, purificando o seu íntimo. Te lembrando que você é tão humano quanto as demais pessoas que você conhece. Que é fundamental na sua vida saber perdoar e, principalmente, SE PERDOAR. Você não vai agradar a todos o tempo todo, eventualmente vai magoar alguém que você ama muito em algum momento, e muito provavelmente vai se sentir mal por perder alguém muito importante para você.

Quado alguma dessas coisas acontecer… deixe a chuva cair sobre o seu corpo. Deixe a chuva fazer a sua parte. Se permita. Se abrace!

Deixe a chuva abraçar você.

Sabe, contrariar a minha mãe nesse caso foi algo valioso. Depois de tantas chuvas que tomei na vida, eu percebi que essa amiga que aparece de tempos em tempos é uma das melhores conselheiras que posso ter. A chuva hoje acalma meus batimentos cardíacos, me faz refletir sobre tanta coisa do meu passado e presente, e ainda é capaz de me fazer companhia nas noites de sono.

Ah, eu não falei sobre isso…

Adoro dormir ao som da chuva caindo no telhado. É uma trilha sonora perfeita.

Por isso, eu digo que até nesses momentos a chuva se faz companheira. Até aqui a chuva consegue me acolher. Pois dessa forma a chuva vela pelo meu sono.

Eu agradeço à chuva. Sempre. Por me lembrar de que vivo com os pés no chão. Por molhar a terra que vou pisar. Por deixar o ar com aquela sensação de molhado que adoro respirar. Que as chuvas, raios e tempestades que vou enfrentar ao longo da vida apareçam cada um no tempo certo, em uma harmonia pontual. Não que eu tenha que viver uma vida de calmaria, algo que eu mesmo decidi não viver. Mas que pelo menos cada um desses elementos se faça presente quando eu mais precisar deles.

Então, dois dias de chuvas intensas foram muito proveitosas.

Me fez pensar muito na vida. Me reconectou com meus propósitos e objetivos. Me deu um pouco de paz e calmaria em uma semana maluca.

E fez com que eu escrevesse esse texto para vocês.

“Rain”
(Madonna, Shep Pettibone)
Madonna, 1993


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