Recuar.

Eu não sou uma pessoa que dá passos para trás. Eu não volto atrás. Voltar significa retroceder. Mas reconheço quando é preciso recuar.

Recuar é diferente de retroceder.

Quando você retrocede, retorna ao ponto onde estava, e fica mais longe do objetivo final.

Quando você recua, você volta alguns passos para ganhar impulso para ir mais longe.

Eu preciso recuar para avançar.

Não me sinto confortável em sempre observar os mesmos hábitos, onde a leitura distorcida dos fatos resulta na não observância do óbvio. Entendo que, depois de tantos acontecimentos emblemáticos, e com a conclusão que várias questões em aberto ao longo do tempo só foram respondidas a partir do momento que existiu a abertura para o novo, o simples fato de refutar que algumas pessoas não se sintam confortáveis diante de determinadas posturas e atitudes lamentáveis não dão o direito de alguém se sentir ofendido por uma perda de efetiva espontaneidade no convívio mútuo.

Entendo que as pessoas são sim responsáveis por tudo o que acontece dentro de uma residência ou ambiente privado que administra, pois é essa pessoa que reúne os indivíduos para a convivência mútua. Eu fico chocado com a falta de maturidade para compreender a questão com essa perspectiva.

Sem falar que ofensas e acusações sem qualquer fundamento ou fundo de verdade foram feitas para duas pessoas, e o tempo mostrou que ambas estavam corretas. E nada foi feito. O erro não foi reparado.

Ninguém pediu desculpas.

Mas eu vou recuar. Não por causa dos eventos do passado.

A leniência do presente, com a tola tentativa de justificar a falta de atitude com o “não fui eu que fiz isso” mostra como funciona a mente e a personalidade de alguém que, infelizmente, não consegue olhar para toda a problemática de forma justa. Como a pessoa não é a parte ofendida da questão, não consegue perceber o quão grave a situação foi. Mais uma vez, vejo uma postura de cegueira ideológica que ficou cada vez mais evidente na personalidade da pessoa, especialmente nos últimos meses, onde temas que envolviam o coletivo se fizeram presentes em várias discussões.

Eu vou recuar. Porque, nesse momento, apesar de mais uma vez me decepcionar com uma visão de mundo limitada e egocentrista, eu ainda posso desenvolver em mim a paz de espírito e até a solidariedade em constatar que o outro é falho e errante consigo e com os demais. Quem sabe recuando e me afastando eu consigo oferecer ao próximo a margem de melhora que a pessoa tanto precisa para ter um final de existência mais edificante.

Ao mesmo tempo, eu vou recuar para saltos maiores.

Eu não posso me limitar em discussões que não levam a lugar algum, ou que no máximo só resultam na perda de empatia para com alguém que merece no mínimo o respeito de minha parte. Mesmo que, em situações pontuais, o “dois pesos e duas medidas” mostram claramente um total desrespeito à minha visão de mundo e sentimentos. Deixo claro que por diversas vezes eu alertei que isso iria acontecer.

Recuar é preciso.

Porque eu quero ir além.