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Eu ia escrever aquele textão clichê brega, onde faço uma revisão sobre os últimos 40 anos de vida. Um texto assim só serve para procurar no passado e na nostalgia alguma coisa que pudesse fazer com que eu me sentisse melhor com o fato de completar 41 anos hoje. Porém, percebo que não preciso disso: estou emocionalmente bem o suficiente para apenas escrever alguma coisa positiva para quem vai ler esse texto hoje e no futuro.

Se você passou dos 40 anos e acha que já está no segundo tempo da sua vida, elimine esse pensamento da sua mente o quanto antes. Sério, é um favor que você está fazendo para você mesmo. Essa história de quantificar a vida pelos números é coisa de matemático frustrado que não sabe fazer contas. A vida é uma coisa que a gente nem sabe definir direito o que é, mas sabemos que ela foi feita para ser vivida a cada dia como se fosse o último, e da forma mais intensa possível.

E não existem números para determinar a intensidade dessa experiência. Aliás, não quantificamos sentimentos, sensações, desejos e planos. Podemos até dimensioná-los para, quem sabe, projetar se vamos alcançar ou não nossos objetivos. Mas… colocar números na vida e em tudo o que está no pacote?

Não. Não mais. Já fiz isso por muito tempo.

A vida realmente começa aos 40. Fato.

Nessa idade, ter o seu nome no SPC/SERASA nem é algo tão relevante assim, pois você entende que, depois de cinco anos, seu nome está limpo de novo. Você cuida para que a diabetes não ampute um dedão do pé, mas não se recusa a comer a fatia do bolo do seu próprio aniversário. Os videogames do presente são complicados demais, você não entende o K-POP e a MTV não mostra música, mas sim o lamentável De Férias Com o Ex.

Ou seja, você percebe que o mundo mudou ao seu redor, e tem como grande presente da vida o privilégio de mudar com o mundo. Você não deixa de ser você mesmo, mas se torna alguém melhor, mais completo e mais sábio. Fica aberto para todas as possibilidades de aprendizado, mas pode aprender mais e mais rápido.

É aos 40 que nasce a criança que, aos 80, não será um velho chato que reclama de tudo e de todos, falando o tempo todo o mantra insuportável do ranço da vida mal vivida: “no meu tempo é que era bom”. Puta mentira deslavada… era uma porcaria porque você não sabia aproveitar a vida.

Ah, é claro… eu já ia me esquecendo… depois dos 40, sexo deixa de ser uma corrida de 100 metros rasos para se tornar uma maratona. Depois de tantos anos e várias mulheres afirmando a mesma coisa, você se convence que tamanho definitivamente não é relevante para nada. E que uma boa relação sexual sempre começa com uma conversa interessante.

E que eu adoro conversar com as mulheres. Entendedoras entenderão.

Eu não comemorei os meus 40 anos como deveria. Se eu soubesse que os últimos 365 dias da minha existência seriam tão intensos, certamente faria uma celebração com direito a fogos e show da Katy Perry no intervalo do Super Bowl. Teria me dado um grande momento de alegria para sobreviver a tudo o que eu passei.

Por isso, hoje, eu vou corrigir esse erro. Já encomendei uma corrida da NASCAR e até o Oscar vai acontecer em 9 de fevereiro em minha homenagem. Mas antes de parar de escrever sob o efeito de muita Coca-Cola (Zero) gelada e batatas Pringles, quero dizer que todas as bobagens que escrevi e disse nesse texto foram motivadas por um cara que, aos 41 anos, entende que o melhor da vida é sair do lugar comum, se aceitando como alguém diferente no mundo dos normais, chatos, conformados e acomodados.

Não que você seja um deles. Acho que por chegar até aqui nesse texto sem me xingar já é um indício que você é tão diferente quanto eu. Porém, insisto: pare de quantificar a vida através do tempo ou dos números. Não é o primeiro ou segundo tempo de nada. O jogo está correndo, o relógio não tem pausas.

Jogue o jogo. Vença sempre que puder. Aprenda com as derrotas. Se levante rapidamente nas quedas.

E nas celebrações, dance aquela coreografia desengonçada e ridícula.

Quem criticar você depois dos 40 não sabe o que é viver de verdade.


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