Compartilhe

Os remakes são formas da indústria cinematográfica em reciclar os seus filmes para as novas gerações. A estratégia até que tem a sua validade, pois pode apresentar com competência para um novo público uma história que funcionou muito bem no passado (que, em alguns casso, nem precisa ser um passado muito distante), e não podemos culpar os estúdios de Hollywood por tentar repaginar um clássico.

Por outro lado, existe um grande público considerado mais conservador ou purista que tem uma verdadeira aversão mortal aos remakes, por entenderem que esta é uma forma preguiçosa em conseguir o dinheiro das pessoas. Preguiçosa, fácil e, em alguns casos, nefasta, pois pode destruir a mística de um filme que funcionou muito bem.

Remakes são um pouco desnecessários. Raras foram as releituras que realmente funcionaram no cinema. E o gosto do desgosto pode ser ainda mais amargo quando a decisão pelo remake é copiar take a take o filme original.

Não tem como isso dar certo.

 

 

 

A taradice pelo CTRL + C e CTRL + V

 

Um dos exemplos mais clássicos desse efeito nefasto do remake copiado take a take é o de O Rei Leão, onde a Disney realmente acreditou que seria uma ótima ideia fazer um filme “live action” (só que não) de um dos seus filmes mais emblemáticos.

A Disney já vem batendo cabeça com esses remakes em live action dos seus filmes clássico a algum tempo. Se empolgou com o surpreendentemente bom Mogli – O Menino Lobo, e o resultado dessa empolgação foi uma leva de filmes que mais causaram estranheza do que elogios por parte da crítica e do público.

Porém, o caso de O Rei Leão é quase indecente.

E quero deixar claro que não tenho nada contra o Jon Favreau, responsável pelos dois exemplos que mencionei no parágrafo anterior. Afinal de contas, o cara manja do assunto: é só olhar para a série The Mandalorian, e veja como ele consegue entregar produtos finais de qualidade.

Por outro lado, nem toda a tecnologia desse mundo conseguiu salvar O Rei Leão das críticas pesadas, principalmente na ausência de alma que o filme entrega. O resultado ficou tão abaixo do esperado, que Aladdin, outro live action da Disney que basicamente copia o filme original, nem chega a ser tão ruim assim. O hiperrealismo apresentado pelos personagens do filme do Simba foi duramente reprovado pelo público, onde foi fácil concluir que realidade em excesso no mundo da fantasia mais atrapalha do que ajuda.

 

 

 

Encontrar o equilíbrio é complicado

 

É um problema ajustar o CGI aplicado em filmes como esse em um ponto onde tudo é crível mesmo sem ser crível. Quando os efeitos são exagerados na história, tudo se torna um delírio desnecessário.

Agora, o trabalho de O Rei Leão é enfadonho. Utilizar cada uma das cenas do ótimo filme original, sem apresentar nenhum tipo de novidade ou variação na trama, além de deixar o filme irritante para quem viu o original, escancara a falta de criatividade na Disney para oferecer algo novo em uma história que nem precisava ser recontada (sendo bem sincero).

Talvez o problema esteja no fato de ser a Disney. Estamos falando de histórias que já foram contadas, que muita gente já conhece, e que tais filmes repaginados só servem mesmo para conquistar novas gerações. Em outros gêneros, parece que isso não chega a ser um grande problema: o remake de Psicose dirigido por Gus Van Sant é também um filme plano a plano que soube aportar a sua própria visão em relação ao filme original.

Por outro lado, este pode ser uma exceção de uma regra um tanto quanto indigesta.

 

 

 

A esperança ainda existe

 

Muita gente ainda está esperando que a Disney realmente acerte nos filmes live action, mas agregando algo novo às histórias e na forma de se contar essas histórias. E a grande esperança aqui é mesmo o live action de Mulan.

Eu mesmo quero acreditar que esse filme (que, dizem, não terá números musicais e será mais voltado para o público adulto) pode marcar uma grande mudança na proposta de remakes live action dentro da Disney. Não acredito que o estúdio vai abandonar tudo o que fez até agora, já que o seu público principal é o infantil e infanto-juvenil, mas ao menos deve encontrar um tom diferente para esses filmes, e não apenas adaptando cena por cena, sem agregar nada à história.

Até lá, só fico me perguntando: será que a Disney realmente precisa entregar remakes clonados dos ótimos filmes originais, apenas para encher de desgosto aqueles que se maravilharam com as animações?

Espero que a Disney acorde de uma vez que o “copiar e colar” nos filmes não dá muito certo.


Compartilhe