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Eu acordo em plena terça-feira, e vejo o nome de Renato Aragão no topo dos Trending Topics do Twitter, e penso: “pronto… antes de 2019 acabar, mais um morreu…”. Não. Mas dá para dizer que ele quase cometeu um suicídio social na tentativa de ser sincero.

Na tentativa em ser o defensor da moral e dos bons costumes, o “Doutor Renato” (prefiro chamá-lo assim) em sua participação no programa Conversa Com Bial, criticou o especial “A Primeira Tentação de Cristo”, do grupo humorístico Porta dos Fundos, com a seguinte afirmação:

“A gente não precisa usar uma religião pra fazer humor”.

 

 

Bom… as imagens publicadas nesse post nos levam a algumas conclusões.

Nós precisamos fazer a leitura correta da frase. De fato, não precisamos usar UMA religião para fazer humor. Precisamos usar TODAS. Está na Constituição Brasileira a liberdade de expressão e a tal regra do estado laico.

E isso, o Porta dos Fundos faz. Faz piada com todas as religiões.

E até onde a internet claramente nos mostra com as fotos desse artigo, o grupo ao qual o “Doutor Renato” pertencia, Os Trapalhões, também fez.

O que podemos chamar isso aqui? Hipocrisia? Alzheimer? Moralidade seletiva?

 

 

Além disso, as pessoas confundem BLASFÊMIA com SÁTIRA, e religiões podem sim ser satirizadas por serem elementos do cotidiano, tais como são os políticos, artistas, esportistas e, pasmem, eu e você. SÁTIRA é quando fazemos humor baseado na história e no comportamento humano. BLASFÊMIA é quando você faz pose de arminha dentro da igreja e elegem políticos que pregam abertamente a violência, o ódio e a discriminação.

Acho que está bem clara a diferença entre uma coisa e outra.

Mas… vamos supor que o “Doutor Renato” é um senhor com uma idade um pouco avançada, ou seja, se esqueceu que ao longo de sua carreira ele usou a religião para fazer humor.

Não pode usar a religião para fazer humor… mas piadas com gays, negros, gordos, anões, velhos, nordestinos, loiras, mulheres bonitas… tudo isso está valendo, “Doutor Renato”? Ou seja, o humor calcado no preconceito que a sociedade aceita pode e – mais – garante que você vá para o céu?

É isso mesmo?

 

 

Para uma pessoa que construiu a sua carreira fazendo piadas baseadas no preconceito institucionalizado que o brasileiro médio tem dentro de si, com um humor raso e pouco inteligente, cuja qualidade é tão baixa que não tem mais espaço na TV atual, talvez tenha faltado só um pouco de bom senso antes de começar a criticar os coleguinhas que fazem exatamente a mesma coisa que ele sempre fez… mas que ganham um Emmy pela coragem de fazer com melhor qualidade.

É seu direito não gostar do especial do Porta dos Fundos, e é até o seu direito se sentir ofendido com esse conteúdo. Mas também é preciso respeitar o direito de quem gostou e de quem quer assistir ao especial.

A cagação de regras e patrulha institucionalizada de um grupo de pessoas que são hipócritas o suficiente para pregar a moral e os bons costumes quando estão bem longe de serem modelos de seres humanos decentes é algo que está me irritando profundamente.

E se o “Doutor Renato” quiser, pode simplesmente retornar para a fila de sua insignificância e obsolescência. O ostracismo em que ele se encontra é a melhor resposta para a sua hipocrisia.

É fundamental lembrar para quem não gostou do que leu aqui que ninguém é obrigado a assistir ao especial do Porta dos Fundos. Mas não queira você me dizer que eu não devo assistir.

Esse não é o seu papel. Muito menos o seu direito.

E obrigado por nada… “Doutor Renato”…

 


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