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“Dos versos que eu fiz, e ainda espero resposta…”.

Aprendi com o tempo a fazer meus versos. Aqui, nesse projeto, eu insisto em contar a minha história em textos mal traçados, frases mal ditas e até palavrões. Porém, na maior parte do tempo, eu coloco meus versos inspirados em minhas memórias. Meus momentos musicais. Nas músicas que contam quem eu sou e como eu cheguei até aqui.

“Resposta” é uma das canções mais importantes da trilha sonora da minha vida. Representa uma virada para o Skank, que era uma banda de reggae nacional com sonoridade própria, para ser uma grande banda pop, com influências de várias fontes, mas com identidade própria, mesmo usando como referência (nessa música em especial) o “Clube da Esquina”.

Quando eu ouvi essa música pela primeira vez, eu não acreditei que estava ouvindo algo tão alinhado com aquele momento da minha vida. Eu estava em um momento conturbado. Perdia espaço e identidade dentro de casa. Via o meu mundo particular sendo tomado pelas escolhas inconsequentes de terceiros. Vi a tentativa de me atribuírem culpa por erros cometidos por outras pessoas.

Eu estava buscando respostas. Aliás, eu busco respostas o tempo todo. Insistem em dizer que eu sou muito inteligente, mas na verdade, me considero um pesquisador da vida em busca das respostas das perguntas que rondam minha mente. Para os questionamentos que vem da alma. Ao longo do tempo, você aprende muita coisa sobre vários temas. Aprende sobre as pessoas. Começa a compreender sobre o tempo de cada um.

Mas segue fazendo perguntas… esperando pelas respostas.

Eu fico feliz que “Resposta” foi uma das respostas que a música me trouxe.

Curiosamente, no meio desse turbilhão todo… eu vi que uma das respostas para me sentir em paz e seguir em frente era o amor. Talvez nem tanto o amor carnal, banal e erotizado vendido pela mídia ou pelo senso comum. Aquele amor especial, fora do normal, fora do convencional. Um amor para recordar ao longo de toda uma existência.

Eu me apaixonei. Eu estava apaixonado.

Me apaixonei por aquela que seria a minha esposa por 12 anos. Isso me fazia feliz. Aliás, amar alguém é algo que faz muito bem para a maioria das pessoas. É o sentimento mais nobre que um ser humano pode nutrir por outro ser humano, e quando amamos alguém, não só fazemos o bem à pessoa amada, mas a nós mesmos. Amar alguém alimenta a nossa alma de boas vibrações, e oferece à nossa mente uma perspectiva de dias felizes no futuro. É uma troca única.

Mas essa não é exatamente a música para se falar do amor. Mas da resposta que ela me trouxe para o meu momento de conflito.

Quando comecei a amar alguém, todos os meus medos desapareceram. Todos os meus problemas se tornaram mais leves. Porque eu percebi que, ao me doar para alguém, naturalmente eu estaria em paz comigo mesmo, deixando aqueles eventos que me deixavam para baixo em segundo plano.

Porém… e sempre tem um porém…

Eu passei dois anos sem declarar meu amor para ela. Eu tinha medo de perdê-la por ela não aceitar a ideia de alguém muito mais novo se apaixonar por ela. Fiquei com medo de estragar uma bonita amizade por conta de um sentimento que poderia ser efêmero ou momentâneo. Eu mesmo tinha que descobrir se realmente amava aquela mulher.

Então, comecei a me preparar. A escrever internamente todos os versos que eu gostaria de dizer um dia para aquele ser, que antes mesmo de sentir o primeiro beijo já era muito amado por mim. Por dois anos, escrevi na minha mente e no meu coração os versos que confessavam todos os meus sentimentos. Como eu via a sua beleza interior, o quanto o seu carinho e forma de ver a vida me completavam secretamente.

Sim… um amor platônico. Pode ser piegas demais, conveniente demais. Mas… e daí? Eu sou feliz em ter vivido tudo isso. Marcou e mudou minha vida para sempre.


“Resposta” fala de um amor platônico. De alguém que ama alguém, mas que por medo de ouvir um “não”, transforma em palavras e versos em mal traçadas linhas todos aqueles sentimentos mais profundos. Que, com sorte, um dia serão lidos por aquela pessoa especial, que merece ler aquelas palavras.

A grande lição que aprendi com essa música?

Que amar é muito bom! Que amar alguém é algo transformador. Você se torna melhor quando ama alguém de verdade. Que sua vida cobra outro sentido e significância quando você decide colocar em um papel todos os sentimentos que você tem por alguém.

Mas… se você me permitir dar um conselho… não espere dois anos para se declarar para alguém.

Dois anos podem fazer muita diferença.

Eu sei… cada coisa tem a sua hora e o seu momento. Menos para o momento de ser feliz com alguém. E permitir que esse alguém seja feliz com você.

Se arriscar em uma declaração de amor para alguém é um ato de coragem para poucos. Você só declara amor para alguém que realmente será aquela pessoa que fará a diferença na sua vida. Alguém insubstituível no seu coração.

Quando você diz “eu te amo”, essa pessoa entra na sua vida para sempre. Provavelmente para nunca mais sair.

Sou muito grato ao Nando Reis e ao Samuel Rosa por comporem uma das mais belas declarações de amor de todos os tempos. De amor platônico, sim. Mas é uma declaração de amor.

Dentre tantas formas de amar, eu aprendi que uma das mais bonitas é aquela que alimentamos ao longo dos anos, para concretizar em um uma história que marca para sempre.

Quis o tempo que essa historia um dia chegasse ao fim. Mas que ela fosse significativa o suficiente para mudar quem eu sou.

 


“Resposta”
(Nando Reis, Samuel Rosa)
Skank, 1998


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