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Eu não posso oferecer conselhos, pois se eles realmente fossem bons, eu não os ofereceria de graça. Eu venderia conselhos no crédito, no débito e em 12 vezes sem juros. Na verdade, os conselhos são aquele reciclar o passado do lixo emocional, conscientes que algum evento do passado deu muito certo ou muito errado.

Mesmo assim, eu vou oferecer um conselho para você que está lendo esse texto nesse momento, e se sente aprisionado pelo mundo ao seu redor, mas principalmente pelas próprias escolhas que tomou ao longo da jornada…

SAIA DO CASULO O QUANTO ANTES!

Ultimamente, eu vejo muitas pessoas com o mesmo dilema: se sentem protegidas pelas estruturas pessoais que construíram ao seu redor, ao mesmo tempo em que estão presas justamente pelas estruturas que escolheram construir. Se tornaram passageiros dos muros que construíram ao redor, acreditando na falsa sensação de proteção que as paredes sólidas costumam passar.

São casulos.

Não é a primeira vez que eu ouço essa metáfora para descrever esse estado emocional de falsa proteção que disfarça uma prisão.

Eu sei como é difícil essa situação. É uma vida inteira com amigos, familiares, cônjuges e a sociedade dizendo que temos que ficar presos no casulo porque todos nós somos lagartas e seremos sempre lagartas pelo resto da vida. Querem nos proteger porque o mundo lá fora é perigoso o suficiente para esmagar as lagartas com muita facilidade.

Não preciso lembrar para você que está lendo este texto que lagartas se transformam em borboletas. As aulas de biologia que você acompanhou sem dormir já ensinaram isso.

Mas é preciso lembrar que lagartas só se tornam borboletas quando rompem o casulo e decidem voar. E é nesse processo de transição que está baseado o meu conselho para você sair do casulo.

Quem vai querer viver a vida toda abrigado e protegido em um casulo que oferece água, comida e calor, ao mesmo tempo que aprisiona os sentidos para conhecer e conquistar o mundo perigoso e desafiador que existe fora dessa proteção?

Quem vai querer perder a chance de ver o sol, e não apenas sentir o seu calor? Quem quer perder a chance de respirar o ar puro, ver as flores e as montanhas, admirar as árvores e desafiar os gigantescos prédios que não param de aparecer nas grandes metrópoles?

Viver na falsa proteção do casulo nos faz esquecer que lagartas não podem ir muito longe com os seus pés (especialmente quando estamos aprisionados), mas quando nos transformamos em borboletas, nós ganhamos asas. E com asas, podemos ir muito mais longe do que a nossa imaginação poderia construir em nossa mente.

Quem não quer voar?

SAIA DO CASULO…. O QUANTO ANTES!

E para sair do casulo, você vai ter que romper as suas paredes, destruir os muros emocionais que estão diante dos seus olhos. Romper com o passado que ajudou a construir o casulo e o muro. E isso é muito desafiador, para qualquer pessoa: pode machucar, vai doer, vai deixar você sem fôlego, as pessoas ao seu redor vão achar que você enlouqueceu (porque viver no casulo e o sonho da casa própria são os projetos de vida mais seguros para 97% da população)… mas vai valer a pena.

Romper o casulo e ter asas significa trocar o café pelo vinho, sair para caminhar em uma tarde de chuva (com os pés descalços, se possível) sem se preocupar com a pneumonia, gastar uma fortuna pelo menos uma vez em um vestido caro ou em um smartphone top de linha, abraçar um desconhecido na rua, sentir tesão por alguém que não é a pessoa que você jurou amar pelo resto da vida (pois sair do casulo mostra claramente que amar e sentir tesão são sentimentos diferentes), beijar e abraçar mais (e melhor)…

E… principalmente…

Assumir para si que decidiu sair do casulo porque teve a coragem de voar em busca dos seus sonhos, ao mesmo tempo que entende que o direito de voar é o que traz a genuína felicidade. É muito triste passar uma vida como uma lagarta sem ter a oportunidade de alçar voos mais altos, enquanto ouve dentro do seu “receptáculo de segurança” disfarçado de prisão emocional o bater das asas das borboletas que decidiram se aventurar pelo mundo.

Não quero vender nesse texto a fórmula da felicidade. E nem encaro isso como um conselho. É um pedido desesperado para que você que está lendo esse texto, e que nesse momento se sente no casulo da solidão e do isolamento. Quebre as paredes e os muros que isolam você da genuína felicidade que é buscar novas experiências e histórias. Rompa com o passado para se conectar com o presente. Pegue a caneta para re-escrever a sua própria história.

Deixar de ser lagarta para se tornar uma borboleta é a evolução natural da espécie. Além de ser um gigantesco presente que você dá para si, que vai voar mais longe…

…e para nós, que vamos admirar a sua beleza e as suas novas manobras entre flores, árvores e prédios nos diferentes cenários da vida.


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