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Todo mundo ama a nostalgia, mesmo que não admita isso.

O passado é muito mais seguro do que o presente e o novo, pois os dois últimos são desafiadores, enquanto que o primeiro entrega uma falsa sensação de estabilidade. Por outro lado, vivemos em um presente onde os fabricantes de smartphones não podem correr para lado nenhum, ou tal e como aconteceu como cinema e a TV, a criatividade de design está morta e enterrada. Não existem conceitos novos a serem apresentados, ou todos estão com medinho em apresentar algo muito diferente e fracassar.

Saudades da Nokia ROOTS, Nokia raiz… aquela Nokia moleque, pé no chão e que jogava bola com os coleguinhas de pés descalços na terra batida. A Nokia era tão Pelé nesse jogo da telefonia móvel, que se dava ao luxo de lançar celulares com design de gosto duvidoso e, ainda assim, pessoas como eu achavam o máximo, ficando embasbacadas com produtos que, hoje, soam quase como um absurdo.

Agora, em pleno 2020, eu sou obrigado a encarar um mundo que não tem carros voadores, não tem hoverboards (aqueles skates voadores fodas do De Volta Para o Futuro 2) e ainda sou obrigado a ver o revival do telefone flip, uma vez que a Samsung quis imitar a Motorola ao lançar oficialmente o Galaxy Z Flip.

 

 

 

Isso mesmo… é cópia descarada do Motorola RAZR V3 (pronto, falei!)

 

Você até pode dizer que não foi a Motorola quem inventou lá atrás os celulares em formato flip, mas não pode negar que o RAZR V3 é a primeira coisa que vem na sua cabeça quando você lê o termo FLIP em qualquer blog de tecnologia. Logo, a mãe da criança é mesmo a Motorola, e não a Samsung, Nokia, Ericsson ou seja lá qual fabricante que existia na época.

Caso contrário, diz aí qual celular flip que a Samsung lançou na década de 2000 que você (e só você) considera mais lendário que o RAZR V3, e aí a gente começa a conversar (ou não, pois entendo que você está errado em todos os níveis).

Ou seja, por mais que a turma nova que acompanha a tecnologia desde 2010 entenda que o que Motorola e Samsung fizeram com o Motorola Razr e o Samsung Galaxy Z Flip foi “uma inovação” (por causa da tela dobrável e flexível, que já existe faz tempo, mas ninguém tinha a coragem de colocar essa tela em um produto final), eu lamento dizer mas… é melhor essa galera nova estudar.

Em termos de design, esse negócio tem pelo menos uns 20 anos.

 

 

 

Vamos falar do presente: o que pensar do Galaxy Z Flip?

 

Que, assim como a Motorola, a Samsung está pelo menos tentando apresentar uma proposta de design que sai um pouco do lugar comum, além de dar um uso útil à tela flexível e dobrável. Insisto que vale muito mais pela tentativa do que pelos resultados práticos: ele até pode ser um produto melhorado em relação ao Galaxy Fold (espero que a Samsung tenha aprendido com os erros da primeira versão do seu primeiro smartphone com tela dobrável), mas ainda não é um produto maduro e pronto. Ainda.

Quero dizer… ele é mais maduro que o Galaxy Fold, mas ainda não está aquele produto pronto e completo que muitos esperam. Eu ainda vejo com certo ceticismo a proposta de smartphones com telas dobráveis e flexíveis, pois outros aspectos que giram ao redor dessa tecnologia ainda precisam ganhar mais corpo e maturidade. Por outro lado, ao menos aqui vemos um produto que é melhor que o Motorola Razr (seu concorrente direto e inevitável) nos aspectos técnicos, mas custando um pouco menos caro. E só por causa disso deve atrair alguns olhares mais curiosos.

 

Mas é preciso ter muita coragem para investir quase US$ 1.400 em um produto que, mesmo com um acabamento melhor e conceitualmente mais definido, ainda mais parece uma proposta de protótipo do que um produto final e amadurecido. Eu não arriscaria (e nem poderia arriscar na compra desse, pois me falta dinheiro até para pagar as minhas pizzas de final de semana), mas como eu sei que vai ter muito early adopter desejando ter um Galaxy Z Flip no bolso…

Eu só peço encarecidamente que teste o produto antes de colocar a mão no bolso para tirar a carteira e, posteriormente, o cartão de crédito American Express Black Platinum. Pelo menos certifique-se que é isso mesmo o que você deseja para a sua vida para os próximos anos.


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