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O iPad Pro chegou ao mercado, com as suas primeiras unidades chegando aos compradores. Logo os veículos de tecnologia vão inundar a internet de reviews, e a própria Apple começou a fazer intervenções um tanto quanto polêmicas para promover o dispositivo.

Recentemente, Tim Cook disse ao The Telegraph que se perguntava por que as pessoas queriam comprar um PC quando “o iPad Pro é o substituto de um destkop ou notebook”. Olha, Tim… temos vários motivos, que serão explicados nesse post.

Para começar, se o iPad Pro é uma ameaça para o PC, ele também é uma ameaça para o iMac e o MacBook. Mesmo assim, Cook se mostrava confiante sobre o assunto, dizendo que a hipotética canibalização do mercado “não importava (a Apple), sempre e quando somos nós que estamos canibalizando”. Logo, vamos descartar essa possibilidade por alguns instantes.

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Em 2010, Steve Jobs participou do evento D8, e falou que as caminhonetes dominaram o parque automobilístico durante décadas nos EUA, mas que no perímetro urbano, os carros foram mais populares. “Os PCs serão como caminhonetes”, garantiu na época o co-fundador da Apple. “Continuarão entre nós, terão muito valor, mas serão utilizados por uma em cada X pessoas”.

No caso do iPad Pro, ele é visto como um carro. O problema é que hoje o iPad Pro está mais para moto mesmo. Muito útil em certas situações, mas pouco apropriado para muitas outras. Você não pode fazer com uma moto o que faz com um carro. Mesmo assim, Cook acha que tem espaço para todos, mesmo com claras quedas nas vendas dos tablets.

O debate sobre a validez desse dispositivo não faz muito sentido quando falamos do hardware. fato é que, em termos de especificações, o iPad Pro é realmente muito bom, com uma CPU e GPU que deixam para trás muitos dos desktops e notebooks do mercado atual.

Essa atenção ao detalhe já é uma constante da Apple, que salvo nas câmeras ou na tela, o iPad Pro é difícil de se criticar. E, de fato, o grande problema desse produto não está no seu hardware, mas sim no software.

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A decisão mais polêmica em relação ao iPad Pro está no fato do produto contar com o iOS, um sistema operacional móvel, e não um sistema operacional completo, tal como acontece em um notebook ou desktop. De fato, algumas coisas justificam essa decisão.

Para começar, os desenvolvedores. O modelo de negócio da Apple Store colocam esses profissionais como o centro das atenções. O crescimento do setor está nas plataformas móveis, e estimular isso é um movimento lógico por parte da Apple. Além disso, mais e mais aplicativos e serviços são executados na nuvem. Aqui, os aplicativos móveis são protagonistas, e o grande catálogo da Apple Store favorece a decisão da Apple.

Outro fator importante é impor uma maior distinção entre smartphone, tablet e computador. É claro que isso pode se voltar contra a Apple no futuro. Por fim, o usuário mudou, e esse é o principal argumento para a manutenção do iOS. O smartphone é o único computador pessoal de muita gente. Esse conceito foi aproveitado pela Microsoft para o Windows 10, e o mesmo é válido para o iOS, plataforma que quer validar esse conceito, além de querer as próximas gerações de tablets e smartphones mais familiares que os PCs tradicionais.

Uma coisa é clara: o tempo parece jogar a favor dos sistemas operacionais móveis. Porém, pode demorar para que os sistemas operacionais completos se consolidem nesse formato mobile. Mas deve acontecer. Ninguém acerta de primeira. Vide o Windows RT e os primeiros Surface. A Apple tem razão em tudo, menos em usar um sistema operacional móvel em um dispositivo com hardware tão poderoso e capaz. É uma decisão quase inexplicável.

O mais grave é que o iOS não é nem preparado ou maduro para competir em produtividade com um notebook tradicional. A gestão de multitarefa é um problema real, mas também é o suporte para a conexão de outros dispositivos, ou algo aparentemente inócuo, como explorar o sistema de arquivos (este último impossível de ser feito em dispositivos iOS).

Não só isso: como acontece com o Android, o iOS não está pensado em fazer uma transição suave até esse paradigma. Tira o uso do mouse/trackpad/touchpad, omitindo um dos métodos de interação mais poderosos e muitas áreas produtivas.

Já o Windows 10 ainda tem o Continuum, que permite uma convergência mais simples dos modos portátil para desktop. Até porque ele é um sistema operacional completo, puro e simples.

Provavelmente nenhum desses conceitos poderão substituir o PC, mas são duas formas diferentes de constatar algo muito claro: o PC mudou. Para sempre.