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Dois iPhones de uma vez só. Muita gente estranhou esse movimento da Apple. A maioria nem imaginava que eles poderiam fazer manobra tão arriscada, e alguns pensavam que Tim Cook seria aquele que exploraria as principais virtudes de Steve Jobs ao máximo: ser um hábil gerenciador, que sabia o que era preciso fazer para a sua empresa ser mais e mais rentável. Nada disso.

Tim Cook adotou o seu estilo próprio de gerenciamento, mudando muitos elementos e valores até então considerados intocáveis na Apple. E um deles é lançar dois iPhones de uma vez. No keynote da Apple realizado em setembro de 2013, os novos iPhone 5s e iPhone 5c foram apresentados. O primeiro era uma evolução daquele smartphone que a gente já conhecia (o iPhone 5). O segundo era… colorido, informal, despojado…

Com vários rumores sobre um iPhone de baixo custo, muitos ficaram decepcionados com um iPhone que era apenas “colorido” e com carcaça de plástico (ou altamente inspirados nos smartphones populares da Nokia… ou inspirados nas sandálias Crocs…). No final das contas, o lançamento não era para brigar no mercado de entrada, ou até mesmo de linha média. Mas… então, qual era o propósito do lançamento do iPhone 5c?

Para ninguém. Essa é a impressão que eu tenho.

Tim Cook errou, e quem fala isso não sou eu, e sim, o próprio mercado. De acordo com os últimos dados divulgados pela empresa de análise de mercado Mixpanel, o iPhone 5c entrou na perigosa zona de estancamento de vendas. Com poucos meses de disponibilidade no mercado, ele conta com discretos 6% da base instalada de iPhones no planeta. Os números de vendas do iPhone 5c não mudam desde dezembro de 2013. Se considerarmos que o iPhone 5s, que foi lançado no mesmo dia, já conta com quase 20% do market share global (mesmo custando mais caro do que o seu irmão plastificado), a leitura que a Apple deve fazer nesse momento sobre sua aposta no smartphone colorido de plástico é uma só…

“Falhamos”.

Então… o que aconteceu para que a estratégia falhasse?

Provavelmente o erro da Apple foi em acreditar que o mercado abraçaria uma variante estética de um produto que já existia. Nesse caso, o iPhone 5c nada mais era do que o iPhone 5, mas em outra roupagem, feita de materiais cujo custo de produção eram menores para a Apple, mas que para o consumidor final, era mais caro. Uma manobra brilhante para a empresa de Cupertino, que estava dando o pulo do gato, com grande potencial de enganar um bando de trouxas fanáticos dar certo junto à uma base de consumidores fiéis dos produtos da empresa.

Por outro lado, ao que tudo indica que, diferente do que a Apple imaginava, alguns deixaram de ser otários os consumidores em potencial não enxergaram essa proposta como interessante, ainda mais que (lá fora) a diferença entre o iPhone 5c (um iPhone 5 de plástico, inclusive nas especificações técnicas) e o iPhone 5s (esse sim, com hardware atualizado e mantendo as mesmas características de fabricação do modelo anterior) era relativamente pequena.

Em resumo: nem mesmo a Apple, considerada intocável por muitos, pode acertar sempre. Fica a expectativa em saber se Tim Cook aprendeu a lição, e não comete o mesmo erro na próxima geração de smartphones da empresa. Caso contrário, vamos ter que fazer bullying com o executivo que tinha tudo para seguir o legado de sucesso de Steve Jobs, mas que pode apenas se destacar como aquele que iniciou novos tempos (um tanto quanto duvidosos) para a Apple.

Só o tempo vai dizer o que vai acontecer.