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Sim… Jimmy Kimmel foi CENSURADO

Enquanto Donald Trump for presidente dos Estados Unidos, não coloco meus pés naquele país. Mesmo porque sou um fodido que não tem grana nem mesmo para chegar até a Palhoça (e quem mora na região da Grande Florianópolis sabe do que estou falando).

O programa “Jimmy Kimmel Live!” foi retirado do ar indefinidamente pela ABC após comentários -do apresentador sobre o assassinato do comentarista conservador Charlie Kirk, em mais um episódio descarado de censura da gestão do homem laranja.

A TV norte-americana está enfrentando uma escalada de ameaças contra a liberdade de expressão, com Stephen Colbert e Jimmy Kimmel como as duas primeiras grandes vítimas.

Vamos entender o que está acontecendo.

 

Comentários que geraram a controvérsia

Jimmy Kimmel fez declarações em seu monólogo da última segunda-feira (15) sugerindo que o assassino de Charlie Kirk pertencia ao próprio meio conservador, contrariando a narrativa inicial que caracterizava o atirador como uma pessoa trans de esquerda.

O apresentador afirmou que a “gangue MAGA” estava tentando caracterizar o responsável pelo crime “como algo diferente de um deles”, criticando também a resposta de Trump sobre o incidente.

Brendan Carr, presidente da Comissão Federal de Comunicações, exerceu pressão direta sobre as emissoras que transmitiam o programa de Kimmel. Carr ameaçou penalizar as estações caso não “mudassem de conduta”, utilizando sua posição regulatória para influenciar o conteúdo editorial das redes de televisão.

A Nexstar, empresa que controla 33 estações afiliadas à ABC em mercados como Nashville e Nova Orleans, anunciou oficialmente que não transmitiria mais o programa.

Em comunicado, a empresa declarou forte oposição aos comentários de Kimmel, considerando-os “ofensivos e insensíveis” em um momento crítico do discurso político nacional.

Dessa forma, a distribuição do programa do Kimmel foi seriamente afetada em mercados menores, o que fez com que a ABC tomasse a decisão de retirar o seu programa do ar “por tempo indeterminado”.

As afiliadas que ainda transmitem o show estão exibindo reprises.

Nem preciso dizer que o governo dos Estados Unidos está censurando os canais de TV, controlando de forma inédita o discurso midiático e punindo aqueles que são vozes contrárias às premissas e visões de mundo estabelecidas pelo atual presidente norte-americano.

Traduzindo tudo o que eu disse no parágrafo anterior: censura.

 

A repercussão do caso

Donald Trump comemorou publicamente o cancelamento através de sua rede Truth Social, chamando a decisão de “ótima notícia para a América”. O presidente criticou duramente Kimmel, afirmando que ele possui “zero talento” e audiências piores que Stephen Colbert.

Trump também direcionou suas críticas para Jimmy Fallon e Seth Meyers, da NBC, sugerindo que a emissora deveria tomar medidas similares.

O cancelamento de Kimmel, ocorrendo apenas um mês após Stephen Colbert ter sofrido destino similar, estabelece um precedente preocupante para o futuro do entretenimento político nos Estados Unidos.

Personalidades como Ben Stiller e Chris Hayes da NBC denunciaram a situação como um ataque direto à liberdade de expressão. E o ex-presidente Barack Obama classificou as ações governamentais como uma escalada “nova e perigosa” da cultura do cancelamento, alertando para o uso de ameaças regulatórias contra empresas de mídia.

 

“Só pode o discurso que eu quero”

Donald Trump se comporta como… Donald Trump.

Ele é o filho de pai rico, que começou a sua fortuna porque ganhou US$ 1 milhão de dólares para iniciar o seu império, cresceu no reino do machismo e da misoginia, para agora se tornar um velho ex-amigo de Jeffrey Epstein, que acredita que pode calar todo mundo à força.

O único ponto onde Trump perdeu foi mesmo ter uma pele laranja, o que o torna uma minoria detestável: o Cheetos gigante.

E não conheço ninguém que gosta de Cheetos.

Normalmente eu advogaria a favor da premissa do “todo povo tem o governo que merece”, mas nem mesmo o norte-americano médio, que é um idiota completo e torcedor do Dallas Cowboys merece essa desgraça que está acabando com a nação norte-americana.

É curioso como a hipocrisia domina a retórica do grande amigo do Diddy.

Para Trump, o discurso livre só pode ser à favor dele, independentemente de qualquer coisa. Caso contrário, é faca no pescoço de todo mundo.

E me surpreende ver os grandes grupos corporativos de mídia, entretenimento e até de tecnologia se curvando diante de um homem com visão de mundo tão rasteira.

Quando dizem que a democracia nos Estados Unidos está esfarelando, jamais poderia imaginar que isso aconteceria a olhos vistos, com os pedaços do discurso livre escapando pelas mãos de apresentadores que, no passado, contavam com enorme credibilidade e relevância cultural.

No caso de Jimmy Kimmel, são mais de duas décadas de serviços prestados, sem falar nas participações como host do Emmys e do Oscar.

Pelo roteiro descrito, o correto aqui é dizer: “te cuida, Fallon… te cuida, Meyers”.

E a cultura dos talk shows nos Estados Unidos está mais do que ameaçada de extinção. Ela pode ser exterminada por um ser tão abjeto quanto a barata que eu acabei de esmagar antes de terminar este artigo.

 

Via Variety