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Sim, os videogames ajudam no tratamento de depressão em adolescentes (e eu já sabia disso faz tempo…)

Como eu queria que meus pais soubessem disso no meu passado…

Não posso reclamar. Eles ainda me deram alguns videogames. Só que fizeram isso meio na base da obrigação, ou por dever de ofício.

Sei que estou reclamando de barriga cheia, mas para mim é importante que eles saibam que sempre defendi a validade dos videogames para a saúde mental do indivíduo por saber o bem que os jogos eletrônicos fizeram para a minha existência.

E é sempre edificante saber que, de tempos em tempos, a ciência me dá razão.

Para os pais que vão ler a este artigo a partir de agora, o conselho é sempre o mesmo: estimulem os seus filhos a se interessar mais pelos videogames desde cedo.

Eles só vão ganhar com isso.

 

Os videogames podem ter mais benefícios do que imaginamos

Um estudo recente publicado no JAMA Network Open investigou o uso de videogames como ferramenta terapêutica para reduzir sintomas de depressão em adolescentes.

O assunto me interessa de forma direta, pois sou um ser humano com esse diagnóstico.

A pesquisa acompanhou 532 estudantes do ensino médio durante seis semanas e comparou dois grupos: um que jogou PlaySmart, um jogo desenvolvido com objetivos educativos e clínicos, e outro que jogou um game comum, sem conteúdo terapêutico.

Os resultados mostraram que os jovens que utilizaram o PlaySmart apresentaram uma redução significativa dos sintomas depressivos, medida pelo questionário PHQ‑8, e também maior disposição para buscar ajuda psicológica tradicional.

O efeito não foi apenas imediato. Ele se manteve ao longo de 12 meses.

É claro que estamos falando apenas e tão somente de um estudo. Mas sempre existe um ponto de partida para uma análise mais profunda.

Não é de hoje que sei como os videogames me acalmam. Em diversas oportunidades, jogar Street Fighter foi algo terapêutico. E, obviamente, impediu que eu enfiasse a porrada na cara de algumas pessoas.

O que me surpreende é pensar que, mesmo com tantos estudos revelando o mesmo que já sei por experiência prática ao longo de décadas, algumas pessoas insistem em negar esses benefícios.

Na verdade, isso não deveria me surpreender.

Os idiotas sempre existiram. E vão permanecer no planeta por muito tempo, contrariando (em partes) a teoria da evolução das espécies.

 

O que a ciência já sabia sobre isso?

O novo estudo se alinha com os resultados de pesquisas anteriores, que já sugeriam que jogos eletrônicos podem ter impacto positivo na saúde mental, embora geralmente com efeitos modestos.

E aqui, prefiro pensar que é melhor ter pequenos benefícios do que ganho nenhum. E, mesmo assim, relativizar as conquistas apenas porque elas não são tão expressivas quanto se espera ainda pode ser encarado como uma forma equivocada de abordar a questão.

É importante ressalta que, de acordo com o que esses estudos revelam, nem todos os jogos funcionam da mesma forma: títulos casuais tendem a aliviar sintomas gerais, enquanto jogos educativos ou aplicados podem ajudar no desenvolvimento de habilidades cognitivas e sociais.

Exemplos como SPARX e Moving Stories mostram que o design do jogo é determinante para que ele realmente produza benefícios terapêuticos. Ou seja, ainda é correto dizer que The Elden Ring tem muito mais chances de te deixar estressado do que calmo.

No conjunto, embora ainda seja cedo para tratar videogames como uma solução universal, há evidências crescentes de que eles podem ser uma ferramenta complementar valiosa no cuidado da saúde mental de adolescentes.

E essa é, para mim, a parte mais importante de tudo isso.

 

É uma alternativa, não a tábua de salvação

Ter a ciência de que funciona, mas que não deve funcionar para todo mundo é uma parte importante desse estudo. Pois ao menos abre o caminho para que estudos mais sérios identifiquem em quais grupos de adolescentes os videogames vão funcionar como terapias para os problemas de saúde mental.

O mais importante aqui é não descartar ou invalidar os jogos eletrônicos como uma alternativa. Porque ter ferramentas para deixar o indivíduo melhor consigo mesmo é o que realmente importa.

É óbvio que os pais precisam monitorar o uso dos jogos eletrônicos de forma constante. E entendo aqui que é a obrigação de todo adulto que tem um ser dependente fazer isso.

E a partir de agora, espero que você, pai, mãe, avô e avó que chegou até o final do artigo, que tenha um pouco mais de abertura para deixar o seu filho algumas horas se divertindo com GTA VI…

…desde que você tenha dinheiro o suficiente para pagar a pequena fortuna que a Rockstar vai cobrar por ele.