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Recentemente eu escrevi um post falando em sobre como o mercado de smartphones estava se aproximando de forma perigosa da marca dos US$ 2.000 de preço final para um dispositivo que deveria custar bem menos. Pois bem… não é que a Huawei mostrou para todo mundo que um telefone dobrável é a desculpa perfeita para superar essa faixa de preço?

O Huawei Mate X se transformou no ano passado no telefone móvel mais caro desde 1996. Agora, o seu sucessor, o Huawei Mate Xs, que custa nada menos que 2.499 euros (200 euros mais caro), é o detentor do novo título.

Como chegamos nesse ponto?

 

 

 

A exclusividade tem um preço

 

 

Essa é uma das lições mais fortes que o mundo capitalista deixa para nós, meros mortais que precisam lutar pelo miojo nosso de cada dia. E o mundo da telefonia não foge dessa regra.

O iPhone, por exemplo. É um produto exclusivo, pois só a Apple tem o iPhone, só a Apple tem o iOS, e só a Apple entrega esse ecossistema fechado que muita gente ama. Logo, um smartphone da maçã mordida vai naturalmente custar o seu rim sadio (e não aquele que você detonou comendo Cheetos ao longo de uma vida inteira), e muita gente procura o mercado negro para traficar o seu órgão vital para comprar esse smartphone.

O mesmo vai acontecer com os smartphones dobráveis.

Nesse momento, pouca gente pode ter essa nova tecnologia, porque ela é cara por natureza… e também porque os fabricantes estão supervalorizando a brincadeira. Enquanto tiver early adopter corajoso o suficiente para colocar o seu American Express Black Platinum na roda, os fabricantes vão se aproveitar deles, cobrando preços astronômicos por um produto exclusivo.

E um produto que é supervalorizado pelo valor cobrado.

 

 

 

Smartphones de super luxo

 

 

Nos últimos anos, foi criado um novo segmento para os smartphones: os telefones de super luxo.

Antes, era assim: telefones de entrada, de linha média e top de linha.

Agora, temos: dumbphones (ou feature phones), smartphones de entrada, linha média, linha média premium, linha alta, top de linha, top de linha premium e super luxo.

Ou seja, o céu é o limite para os fabricantes, enquanto que para a maioria dos usuários o limite é aquele imposto pelo banco ou pela bandeira de cartão de crédito. Ou até pela esposa, que acaba segurando o comichão dos geeks mais inconsequentes e compulsivamente gastadores.

São modelos que tentam convencer não apenas pelas elevadas especificações, mas também pelo tratamento diferenciado que o fabricante dá para o produto, dando a entender que aquele dispositivo em questão só pode ser utilizado pelos megavips ou usuários muito exclusivos.

Aqui, mais uma vez, identificamos a questão da sensação de exclusividade para um produto, onde a marca agrega o preço que for apenas para o usuário se sentir alguém ‘especial’ ou ‘diferenciado’.

Infelizmente, o mercado de smartphones está perdendo a noção da realidade. Os fabricantes estão forçando a barra de preços cada vez mais para cima nos modelos considerados de ‘super luxo’, e se valem disso para influenciar no preço dos telefones das categorias inferiores.

Tudo bem, os modelos de linha média estão ficando cada vez melhores, recebendo os recursos que antes estavam presentes em dispositivos mais completos. Mesmo assim: o efeito cascata é inevitável, e a sensação que temos é que os fabricantes vão querer sempre empurrar os modelos mais caros e mais completos para que um grupo seleto de usuários se convença que vale a pena o investimento.

Para quem quer se mostrar, pode até valer a pena. Para a maioria de nós, meros mortais, não vale de jeito nenhum!

Carro é carro. Carro de luxo anda do mesmo jeito que carro normal. Para smartphone é a mesma coisa. Deixa de ser besta e pensa dez vezes antes de comprar um smartphone que pode custar mais de R$ 10 mil no Brasil com muita facilidade.


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