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Cada vez são mais frequentes os rumores sobre o fim da divisão de smartphones da Sony, assim como o departamento de TVs. O caso da linha Xperia é o mais emblemático – e porque não dizer dramático – nesse processo de desaparecimento (ou de criação de ‘spinoffs’ de divisões) que pode acontecer ainda em 2015. Mas… o que aconteceu, dona Sony?

Em 2014, a Sony desistiu da sua lendária divisão de computadores VAIO, que ofereceu produto à frente do seu tempo, considerados tops de linha, bem conceituados e que deixavam os fãs de tecnologia simplesmente salivando com o poderio técnico oferecido por desktops e notebooks da Sony. Todo o potencial técnico era combinado com designs ajustados, materiais de alta qualidade e a promessa de uma experiência de uso única.

No final das contas, bateram de frente com fatores cruciais para o segmento, como por exemplo o crescimento do mercado de tablets, os concorrentes com dispositivos com especificações similares e preços menores, e a Apple, que oferecia produtos até inferiores nas especificações… mas era a Apple. Por que comprar um computador com Windows quando você poderia ter um MacBook Pro, não é mesmo?

Já na linha Xperia, a equação é mais complexa. A Sony até oferece produtos excelentes, principalmente entre os modelos top de linha. Porém, além deles não serem a Apple, não perceberam que os demais concorrentes ofereciam o mesmo por muito menos. Sabe, não era apenas uma experiência de uso da Sony, mas era a oferta de diferenciais que não justificavam um preço tão maior do que os concorrentes.

Em se tratando de dispositivos com o sistema operacional Android, a relação custo/benefício precisa ser convincente. Não são todos os usuários que priorizam um sensor de câmera de alta qualidade, ou uma interface pensada nos aspectos multimídia. Muita gente quer uma autonomia de bateria, um design bem ajustado, e uma tela ampla e de qualidade.

A Sony oferece isso com a linha Xperia. Mas os demais também ofereciam. E por muito menos. Aí, não há empresa que aguente.

A Sony se esqueceu que eles não estavam sozinhos no universo Android. E para complicar ainda mais a sua situação, os fabricantes menores surgiram para devorar parte do mercado de todo mundo. Inclusive o mercado deles, que já não era tão expressivo assim em relação aos concorrentes. A fatia de mercado dos japoneses sempre foi muito menor do que os principais concorrentes do mercado mobile, e a mesma foi canibalizada pelas ‘atrevidas’ Xiaomi e ZTE.

Resultado: são sete trimestres consecutivos de prejuízos. A Sony  investiu muito no segmento de smartphones e tablets, e é justamente a mobilidade que se tornou o grande calcanhar de Aquiles da empresa.

Agora, eles querem lucrar a todo custo. Nem que para isso eles tenham que vender essa divisão mobile, focando esforços naquilo que realmente dá dinheiro para a Sony: a divisão de imagem (sensores de câmeras e telas/componentes para TVs), a divisão do PlayStation, e a divisão de entretenimento (Sony Pictures e Sony Streaming). As demais divisões podem virar ‘spinoffs’ da empresa principal, com gestão e vida própria, ou simplesmente serem vendidas para outras empresas que desejam seguir adiante com essa divisão, tal como aconteceu com o segmento de computadores VAIO.

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Seria uma pena ver a linha Xperia desaparecer. De verdade. Entendo que tem mutia gente que é fã dos dispositivos móveis da Sony, e com razão, já que a maioria dos produtos conseguem convencer pela qualidade e experiência de uso singular. Mas o fato é que a Sony sofre há tempos do mal que a Nokia e a Motorola já sofreram: não ‘olhar para os lados, e observar o que os demais estão fazendo’.

É inegável que outros podem oferecer o mesmo ou algo melhor que a Sony oferece com a linha Xperia, e custando muito menos. Não vou nem discutir os benefícios de um Xperia Z3, já que esse é um dos dispositivos mais completos do mercado. Porém, a maioria dos usuários não precisam de tudo isso. Não vão aproveitar todo esse potencial. E a Sony ‘desistiu’ dos mercados de entrada, que é onde o volume de vendas é maior.

Na verdade, eles não se esqueceram. Eu preciso ser justo com a Sony. Eles decidiram oferecer produtos intermediários e de entrada com recursos um pouco acima da média, mas que custam um valor consideravelmente maior do que os concorrentes, que apostavam no simples e barato para convencer o consumidor.

Em muitas oportunidades eu vi dispositivos da Sony custando valores que não eram capazes de competir com os concorrentes da categoria, e os japoneses ainda acreditavam que seus diferenciais poderiam convencer o consumidor sobre sua proposta.

Não deu certo.

Agora, a linha Sony Xperia está ligada por aparelhos. Kazuo Hirai tem a difícil missão de salvar a Sony no seu aspecto financeiro, e entendo que ele não poupará esforços para fazer tudo isso dar certo. Nem que para isso ele precise se desfazer daquilo que ele não mais considera como lucrativo na empresa.

Meu conselho? Se você tem um smartphone Xperia ou pretende ter, comece a pensar no que vai acontecer com o suporte do seu produto. Não será nenhuma surpresa se a linha Xperia virar uma marca de um passado que deixará saudades em muitos fãs da empresa japonesa.