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Spotify é a Netflix da música por streaming. Logo, é normal ver algumas iniciativas que tentam levar a plataforma para outras atmosferas e universos. E Per-Olov Jernberg é um desenvolvedor dessa plataforma que, em um belo dia, pensou que poderia fazer algo incrivelmente inútil e, ao mesmo tempo, muito ambicioso: criar um cliente do Spotify para um Atari 600XL, uma versão do Atari 8 bits apresentado em 1983.

Por que alguém quer isso?

Primeiro, para mostrar a sua versatilidade como programador. Segundo, para mostrar a versatilidade do próprio Spotify como plataforma. E terceiro, para divertir pessoas como eu e você, que gostam de ver esse tipo de coisa funcionando em gadgets inesperados.

Jernberg não mencionou se o port é exclusivo para esse modelo do Atari, mas desde já vale a pena dizer que ele deveria funcionar nos mais diferentes modelos do console, pois ainda que o sistema operacional passasse por diferentes modelos de hardware (recebendo algumas adições nos diferentes modelos), eles usavam a mesma CPU, uma 6520 da MOS Technology.

Ou seja, a compatibilidade entre os diferentes modelos é mais que possível. Não tem desculpa para uma exclusividade desnecessária para o port.

Para conseguir executar este cliente do Spotify no Atari, Jernberg trabalhou no projeto por apenas uma semana. Não entrou em detalhes na parte técnica do projeto, mas comentou que tudo funciona a partir de um disquete modificado (que é conectado externamente nessa máquina), junto a um simulador de SIO, que é um predecessor da porta USB que permitia conectar periféricos que, nesse caso, fica encarregado do áudio do port.

Enquanto isso, eu estou aqui pensando como e onde eu vou encontrar um disquete em pleno 2020.

 

 

Como seria a experiência do Spotify no Atari?

 

O áudio reproduzido está em downsampled, ou seja, ele só lembra de forma mínima as canções originais, e isso só acontece porque o software simplesmente acompanha as capacidades do seu hardware. O mais surpreendente de tudo isso é que, por todo o conjunto estar conectado à internet (algo imprescindível para o Spotify funcionar), o Atari aparece na lista de dispositivos disponíveis a partir do Spotify Connect.

A interface não chega a mostrar mais do que funções básicas de reprodução, que são controladas pelo joystick do videogame. Os caracteres e o logo do Spotify se mostram com uma estética de 8 bits, muito arcaica, mas que dá um ar retrô com escala de cinza (mas o logo do aplicativo é exibido em verde).

 

O desenvolvedor não tornou o seu projeto público, e o mesmo utiliza muitas APIs internas e elementos de reprodução. Por isso, este não é um projeto público e acessível para qualquer pessoa. Para essa liberação, seria necessário eliminar partes muito interessantes e importantes do projeto, o que é uma pena. Ou seja, os usuários do Atari ficam sem poder testar esse software.

Este gênio já fez o Spotify funcionar em um Macintosh SE/30, o que mostra que não é a primeira vez que migram o aplicativo de streaming para uma plataforma do passado. Porém, o Atari é um dos símbolos mais emblemáticos da nostalgia dos geeks da minha geração, e eu gostaria (e muito) de testar essa proposta inovadora, genial e, ao mesmo tempo, graciosamente inútil.


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