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Em quem você acredita? No que você acredita? Quais são as coisas que te fazem crer em alguém, em alguma coisa, ou em uma força superior, mesmo sem ter como provar sua existência?

Eu tenho fé. Tenho fé em Deus, tenho fé na vida… mas antes de ter fé na humanidade, eu tenho fé em mim. Tenho minhas crenças e convicções inabaláveis, ou me encontro naquelas filosofias que me oferecem uma lógica racional, que não me parecem absurdas ou que descambam para a prioridade financeira. Não imponho minha fé a quem quer que seja, pois acredito que fé é um estado d’alma muito individual, e nenhuma pessoa ou religião pode impor isso. Cada um deve sentir no coração que aquela religião oferece as respostas para suas dúvidas mais conflitantes, o amparo nos momentos de desespero, e o caminho a seguir nas dúvidas existenciais.

Para mim, religião é um caminho de conexão íntima com algo maior. Não pode ser cabresto. É preciso crer nesses ensinamentos. Acreditar que esses ensinamentos vão te tornar alguém melhor.

Crer e acreditar.

Eu creio em Deus. Creio em Jesus Cristo. Sou um ser cristão, pois entendo que Cristo foi um exemplo a ser seguido. Um exemplo de amor e bondade, e que pela lição maior dividiu o tempo entre antes e depois. Estava muito a frente do seu tempo. Tão a frente, que não foi compreendido. Não foi entendido. Muitas vezes não foi ouvido por quem não queria ouvir.

Mas… a pergunta que eu gostaria de fazer é: o que você faria se Jesus Cristo voltasse à Terra nesse exato momento?

Sim. A resposta é surpreendentemente conflitante. Para muita gente.

Apesar de muitos esperarem pela volta do salvador, muitos dentro desse grupo simplesmente não acreditariam no seu retorno à Terra agora. Nós, seres humanos, somos céticos para vários eventos que fogem do nosso senso comum. E a volta de Jesus Cristo seria algo absurdamente fora dos padrões. A grande maioria iria buscar a mídia para confirmar a notícia e, mesmo que o tal “homem vindo das estrelas” mostrasse provas incontestáveis de seu retorno, muitos com certeza o perseguiriam.

Jesus Cristo hoje teria grandes chances de ser humilhado, achincalhado, perseguido, preso, torturado, julgado, condenado e morto pela insensibilidade de muitos humanos. Não falo exatamente da individualista geração das redes sociais, mas de um grupo de falsos profetas, de falsos crentes. Daqueles que, mesmo acreditando em sua filosofia de vida, não perceberiam sua presença, por não aprenderem a profundidade de suas lições.

Na verdade, não admitiriam que outro alguém viesse à Terra pregando a mesma mensagem de amor e perdão. Porque, no fundo, é bem difícil fazer essas lições se tornarem verdades vivas dentro de nossa essência. É muito difícil amar alguém que nos ofende. É muito difícil perdoar aquele que nos prejudica.

Das coisas que eu acredito, uma delas é que Jesus Cristo “nunca foi embora”. Seu exemplo se tornou tão significativo, que ele está aí até hoje, através de parábolas e ensinamentos. Das lições que ele deixou, e que a grande parcela cristã da humanidade ainda procura compreender para aprender e assimilar. Acredito que Cristo vive a cada momento que olhamos para o próximo como próximo, quando estendemos a mão para quem precisa de ajuda de forma espontânea, quando ouvimos um amigo que tem problemas, quando abraçamos alguém que precisa ser consolado.

Sabe, nós como humanidade ainda engatinhamos na marcha do progresso, em vários aspectos. Jesus Cristo está nas pequenas coisas que podemos fazer para nós e para o próximo quando temos só um pouquinho de amor no coração. É claro que dói ser traído, passado para trás, enganado… mas o tal “perdoai 70 vezes sete vezes” não quer dizer “tenha amnésia e fique amiguinho daquela pessoa que te prejudicou”. Basta você simplesmente esquecer, ou não desejar o pior para quem te prejudicou. Não trazer mágoas no coração. Limpar o lixo interno, e permitir que novos e bons sentimentos entrem dentro de você.

A discussão sobre a fé que trazemos dentro do coração é polêmica e controversa. Não queremos contrariar nossas crenças e convicções, não queremos questionar o que acreditamos. Queremos crer. Queremos acreditar. Mas… em quem acreditamos, e no que acreditamos? Eu sei que a fé é o “acreditar naquilo que eu não posso ver”, mas… Será que eu realmente o aceitaria se ele voltar?

Nessas horas, é ótimo ter extraterrestres como David Bowie para nos lembrar que a fé é algo que vem do coração. Que fé raciocinada é uma poderosa ferramenta para a paz interior e, com um pouco de sorte, para a prosperidade coletiva.

E, se em algum momento, a sua fé acabar… olhe para as crianças.

Elas não são o futuro do mundo por acaso. Na sua inocência perfeita, elas não só acabam crendo naquilo que não podem ver ou tocar (pois o pensamento lúdico permite essa abertura de “raciocínio inconsciente”), mas acreditam que, no final, seus próprios pais (nós, os adultos) estarão lá para protegê-las no perigo, abrigá-las da chuva e conduzí-las ao caminho do bem através do amor.

Tal e como Deus faz por todos nós, todos os dias.

Por isso, Bowie clama sabiamente pelas crianças. Sugere inclusive que aprendamos com o descontrole delas a voltar ao nosso controle. A recobrar nossa fé.

As crianças são um ótimo motivo pelo qual podemos e devemos crer que sempre tem alguém lá em cima velando por nossos passos.

É difícil o “amar ao próximo como a ti mesmo” o “perdoar os nossos inimigos” e o “oferecer a outra face”. Mas foi justamente por conta dessas lições que Cristo entrou para a história. Não era um discurso de fácil assimilação prática naquela época, e continua sendo de difícil execução até hoje. Nós, seres errantes, lutamos todos os dias contra os nossos monstros internos que desejam o tempo todo dar o troco, fazer justiça com o revide. É mais fácil agir pelo impulso do que ouvir a voz de Cristo dentro de nós.

Se estamos no momento de sua ressurreição ou de renascimento… que renasça em nós os verdadeiros propósitos positivos. Que a nossa fé seja algo sincero, de coração. Que essas máximas se tornem causas vivas dentro de nós. Que elas possam honrar a frase “creio em ti” de forma inabalável. Que renasça em nós a fé que vem do amor fraternal, sem a mágoa ou rancor. Sem remorsos. Sem dores. Sem medos.

Com amor. O amor ao próximo.

Eu acredito que David Bowie não morreu.

Ele simplesmente foi embora. Voltou para o planeta dele. Voltou para casa.

No caminho, foi se encontrar com o Starman. Aquele que muitos creem que voltará um dia.

Simples assim.

“Starman”

(David Bowie)

David Bowie, 1972


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