
Tive a oportunidade de ver o Wozniak falar ao vivo na Campus Party Brasil, e ele já era feliz naquela época.
Imagine agora.
Steve Wozniak, cofundador da Apple, completou recentemente 75 anos e voltou a ser tema de debate devido a uma antiga decisão: vender a maior parte de suas ações da Apple na década de 1980.
Se tivesse mantido esses papéis, Wozniak seria hoje um bilionário, mas ele afirma não se arrepender. Para ele, a vida nunca foi sobre acumular riqueza ou poder, mas sobre encontrar felicidade e diversão ao longo do caminho.
O desapego como segredo de felicidade
Em declarações recentes, Wozniak ressaltou que usou o dinheiro obtido com a venda para apoiar causas culturais e educacionais, especialmente em San Jose, sua cidade natal.
Ele financiou museus e grupos artísticos, ganhou o nome de uma rua em reconhecimento a suas contribuições e construiu uma carreira como palestrante, atividade que lhe rendeu uma vida confortável, sem preocupações excessivas com patrimônio ou investimentos.
Wozniak estima ter acumulado cerca de US$ 10 milhões e algumas propriedades, tudo fruto de seu próprio trabalho, o que pode parecer pouco para um homem que ajudou na fundação de um império tecnológico, mas é mais do que suficiente para a maioria dos meros mortais.
Wozniak também destacou sua filosofia de vida, formada ainda na juventude, que basicamente se pauta por não buscar conquistas apenas por status, mas valorizar os momentos que trazem alegria genuína.
Ele enfatiza que nunca tentou evitar impostos, chegando a pagar mais de 50% de sua renda em tributos, e vê nisso um reflexo de seus valores éticos.
E essa é uma prova (também) que ele não é brasileiro, já que não tentou “dar um jeitinho” de se esquivar de suas responsabilidades fiscais.
Para ele, felicidade é medida por sorrisos, não por conquistas materiais. E é como deveria ser para todo mundo.
Mas como temos que pagar contas, ou fomos criados por uma vida totalmente pautada no materialismo selvagem…
Um Woz feliz… e bem-humorado
Além de sua postura em relação ao dinheiro e à vida, Wozniak é conhecido por seu humor e excentricidade, características que lhe renderam algumas críticas das mentes mais ignorantes.
Um exemplo citado foi seu hábito de dar gorjetas com notas de US$ 2 compradas em folhas especiais, o que chegou a chamar a atenção do Serviço Secreto. Afinal de contas, Wozniak estava fabricando o seu próprio dinheiro (o que é ilegal nos Estados Unidos)?.
Esses episódios, assim como suas contribuições para a tecnologia e cultura, ajudam a pintar o retrato de um homem que, apesar de ter cofundado uma das empresas mais valiosas do mundo, escolheu levar uma vida simples e focada naquilo que realmente o faz feliz.
Quem sabe nós, meros mortais que ainda estão ralando para vencer na vida, podemos aprender com alguém que foi o extremo oposto de Steve Jobs, algo que foi extremamente positivo para os primeiros passos da Apple.
Que os 75 anos de Steve Wozniak sejam sim celebrados pelo meio tecnológico como o marco de alguém que soube e sabe viver da melhor forma. Que sua existência seja inspiração em um mundo tão pragmático e materialista.
Parabéns pela sua existência, Woz. E muito obrigado pelos bons exemplos.
Via TidBITS

