Los Angeles, 18 de junho de 2012. Nesse dia, a Microsoft oficialmente entrou no cobiçado mercado de tablets, no melhor estilo “se quer fazer bem feito, faça você mesmo”. O novo Microsoft Surface (engraçado, esse nome não era para a tal mesa digitalizada?) se mostrou em duas opções claramente voltadas para dois segmentos distintos de usuários, e é a principal aposta da empresa para colocar o Windows 8 como alternativa real de sistema operacional para tablets e desktops (principalmente para tablets). Mas… será que essa proposta pode mesmo bater de frente com todo o universo de tablets Android e, principalmente, com o onipresente e onipotente iPad?

Antes de qualquer coisa, a primeira coisa que devemos dizer é: “agora o Windows 8 faz o total sentido”. Mesmo. Pense bem: a Microsoft cria versões diferentes do seu sistema operacional, para processadores diferentes… a troco de nada? Tudo bem, tem gente que vai dizer que são para equipamentos diferentes, e eu concordo. Mas o principal motivo para essa decisão está nos modelos apresentados ontem nos Estados Unidos. Dois tablets muito específicos, com propósitos e objetivos diferentes, para públicos diferentes, atendendo aos usuários “normais” e ao mercado corporativo.

É cedo para dizer o que esses novos tablets são capazes de fazer em termos de performance. O que sabemos é que o Windows 8, até o momento, se apresenta como um sistema que cumpre o que promete: ser simples e funcional na sua proposta de uso. A interface Metro segue sendo minimalista e funcional, e a aposta da Microsoft em integrar essa experiência de uso em todas as suas plataformas é uma atitude inteligente da empresa. Se apoiar nisso para oferecer uma mesma experiência de uso é uma aposta que pode gerar resultados positivos nas vendas dos produtos.

Isso, sem falar que a tendência natural é que a maioria daqueles que já contam com o sistema operacional Windows acabem aderindo ao Windows 8. Usuários com necessidades específicas e grandes empresas devem permanecer com o Windows 7 ou versões anteriores, até que a Microsoft prove que o Windows 8 é capaz de atender tais necessidades. Mas esta é uma tarefa que a empresa de Steve Ballmer terá que enfrentar nos próximos meses.

Mas… será que o Microsoft Surface é capaz de bater de frente com o iPad? Ou sequer com os outros tablets Android?

A resposta é: “por enquanto, não. Mas, quem sabe mais para frente?”.

Mesmo que o Windows 8 com sua interface Metro esteja convencendo uma boa quantidade de usuários de desktops em relação à sua experiência de uso, é fato que o novo sistema “começa do zero” no mercado de tablets. A Microsoft aposta muito na integração da interface de usuário. Por outro lado, essa integração é um processo relativamente lento, e não só no desenvolvimento de produtos, mas principalmente, na mudança de filosofia dos usuários que já usam as suas plataformas.

Além disso, o grande desafio do Surface for Windows RT (com processadores ARM), que é pensado no grande público, é ser competitivo não só no seu desempenho, mas principalmente, no seu preço. A gigante de Redmond terá que pensar muito bem na sua estratégia mercadológica para oferecer um produto com um valor competitivo o suficiente para roubar clientela do iPad e do Kindle Fire, o principal tablet Android do mercado (pelo menos no número de vendas). Está mais que provado que desempenho não é tudo nesse mundo. Preço também faz a diferença.

A Microsoft fez uma revolução visual no seu sistema operacional em 1995, e se deu muito bem com isso, dominando o mercado de sistemas operacionais. Se prepara para fazer a mais radical mudança até então, e aposta muitas fichas na palavra mágica do momento: integração. Tudo o que foi feito no Windows Phone e no software do Xbox foram estágios preparatórios para aquilo que vai acontecer no final do terceiro trimestre de 2012. E os tablets são parte fundamental desse processo.

Mas a missão de Steve Ballmer e sua turma é árdua. O sucesso do Surface depende da eficiência da própria Microsoft em mostrar para consumidor que o sistema é confiável, consistente e eficiente o suficiente para garantir a mesma usabilidade existente nos desktops. Se conseguir, a Microsoft crava o seu lugar no mercado de tablets, pois acredito que aquilo que os usuários novos (que é o mercado que todas as empresas querem conquistar) mais desejam hoje é poder ter vários produtos em casa, mas que todos funcionem exatamente da mesma forma.