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Pelo visto, o departamento subterrâneo que a Microsoft construiu para manter os seus projetos mais secretos longe do mundo está funcionando muito bem. Não é a primeira vez que a gigante de Redmond esconde uma novidade de todo mundo, e o Surface Book pegou todo mundo de surpresa na apresentação de hoje. E por algumas vezes.

Para começar, este é o primeiro notebook da história da Microsoft. Eles levaram muito tempo para fazer algo que poderiam ter feito há pelo menos dez anos. Mas eu entendo a Microsoft. A empresa não tinha a filosofia que tem hoje, e era focada mais no software (sistemas operacionais e pacotes de escritório) do que qualquer outra coisa. Hoje, a empresa dirigida por Satya Nadella tem outros propósitos, objetivos, desafios. Aliás, o principal deles é seguir sendo relevante no mundo da tecnologia.

Digo isso porque o Surface Book também representa a aposta definitiva da Microsoft que eles podem efetivamente liderar o mercado de computadores tradicionais, sendo o ponto de partida de uma reinvenção de conceito e uso. Nem tanto pela proposta de um notebook no formato 2 em 1, pois isso já existia há tempos. Mas fazendo bem o que a Apple fez com outros segmentos de produto: sendo o parâmetro, a referência, o exemplo a ser seguido e copiado.

O Surface Book é vendido como o “notebook definitivo”, e não por acaso. É um dos computadores portáteis mais potentes de todos os tempos, e que não tem um design pensado para um público específico. Não é um notebook com design exclusivamente pensado nos gamers, ou nos usuários com perfis de trabalho pesado, para tarefas pesadas de produtividade, apesar de ser um computador perfeito para essas tarefas. “Qualquer pessoa” poderia usar o Surface Book no seu dia a dia, por conta de suas linhas elegantes, e sua proposta de versatilidade.

E isso, sem deixar de lado a alta performance. Temos outros produtos no mercado com propostas similares, mas poucos (ou nenhum) são tão completos no hardware como o Surface Book. Aqui, a Microsoft deixa claro que o público que ele quer alcançar com esse produto é o usuário mais exigente, o profissional, que certamente compraria um MacBook Pro pela experiência combinada, mas que não consegue ter um hardware tão poderoso.

Eu bem sei que um MacBook Pro continua a ser uma excelente opção para os mais produtivos. Acho até que quem já tem um MacBook Pro não vai deixar esse produto para comprar um Surface Book. Mas entendo que quem ainda não fez uma opção, e já pensava em um computador com esse nível de versatilidade com o Windows 10, vê na opção apresentada pela Microsoft hoje como uma opção real e válida para atender essas necessidades de produtividade, combinadas com a versatilidade de uso.

Eu mesmo gostaria e muito de ter um Surface Book. Não tanto pela versatilidade que o produto oferece (que seria bem vinda sim em diferentes situações), mas principalmente pelo desempenho. É um dispositivo muito completo, que deve ter um desempenho impecável com um sistema operacional tão flexível e otimizado como é o Windows 10. Poderia sim ser o meu notebook definitivo para todas as minhas principais atividades de produtividade.

É claro que o Surface Book não é para todos. Seu preço inicial sugerido de US$ 1.499 é pensado nos profissionais, nos criativos, nos produtivos e nos gamers. Para esse público, e por esse preço, ele entra na briga sim pelo título de melhor notebook de 2015. Pode parecer estranho para muita gente ver a Microsoft lançando um notebook 2 em 1 no mesmo dia em que apresenta ao mundo um novo Surface Pro 4, mas entendo que é a empresa chamando para si a responsabilidade de tentar revitalizar o mercado de PCs tradicionais, que dá sinais de declínio evidente nos últimos anos.

Quem sabe a Microsoft não consegue esse objetivo. Não exatamente com o Surface Book, mas com a diversidade dele com o Surface Pro 4. Oferecer alternativas para diferentes públicos, e combinar o melhor do tablet e do notebook em um único produto. E dar a liberdade de escolha para o usuário, que vai decidir o que usar, na hora que quiser.