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Primeiras Impressões | The Returned (A&E, 2015)

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E temos aqui Carlton Cuse trabalhando mais uma vez com o seu tema favorito: o mistério. Só que para não ter muito trabalho, ele decidiu adaptar uma série francesa, ‘Les Revenants’. Brincadeiras à parte, The Returned estreou pelo A&E, e como fatalmente me veio à cabeça a sonolenta Resurrection, eu fui encarar o piloto pronto para dormir. E surpreendentemente, não foi isso o que aconteceu.

Para quem não conhece a trama, The Returned mostra como a vida dos habitantes de uma pequena cidade vai mudar completamente quando os mortos começam a ‘voltar para casa’. Tudo começa com uma jovem que foi para uma excursão escolar, cujo ônibus despenca de um barranco. Ela é dada como morta, mas volta quatro anos depois da tragédia.

Um detalhe importante é que pelo menos esse evento do ônibus não é algo isolado. Um dos ‘retornados’ é um garoto chamado Victor, que basicamente provocou o acidente no passado, e agora reaparece para comer e dormir às custas de uma psicóloga. Além desses, uma esposa que morreu a 13 anos reaparece na cama do marido, que basicamente surta com a situação. Um jovem um tanto quanto perturbado decide procurar a noiva, que agora está casada e com filho. E por aí vai.

Não só isso: a volta desses entes vai trazer à tona os segredos que alguns deles guardavam na época, e o confronto direto e inevitável com a nova realidade, já que alguns deles decidiram reconstruir suas vidas. A trama deve pelo menos movimentar as peças do jogo dos vivos e dos mortos. Os dois grupos vão ter que lidar com o fato que as suas histórias de vida mudaram sensivelmente durante o tempo de separação. E precisam descobrir como tudo isso pode culminar em um futuro mais promissor para todos.

Cada episódio vai mostrar esse processo de retorno, e como essa volta afeta cada uma das pessoas próximas à essa pessoa. Em cada episódio, a história se centra em cada um dos retornados.

Então… eu gostei do piloto de Resurrection, e achei o piloto de The Returned mais movimentado, com uma história mais promissora. Talvez parte do elenco da série peque um pouco nas interpretações, mas não podemos ter tudo nessa vida. Entendo que o roteiro desse primeiro episódio foi bem competente na hora de retratar essa história, e já considero isso um ponto positivo da série.

Como não vi a original francesa, não tenho o parâmetro para saber se a versão de Carlton Cuse faz justiça ao original. Mas vendo o piloto isoladamente, eu acredito que o A&E não fez um mal negócio colocando The Returned no ar. É uma série que sempre vai correr o risco de desafiar o plano do crivo, onde muita gente vai pensar ‘é impossível as pessoas começarem a reviver’. Eu sei disso, mas… compra um pouco a ideia da série, vai!

Fazendo um comparativo bem raso, me empolga mais ver The Returned do que voltar a assistir Resurrection (resisti bravamente pela primeira temporada da série). Não devo assistir a nova série do A&E por pura falta de tempo (e interesse), mas posso dizer que você tem mais chances de ser feliz com essa série. É claro que as resoluções absurdas podem aparecer aos montes – e não me responsabilizo se isso acontecer.

Mas não custa tentar.

Primeiras Impressões | Those Who Kill (A&E, 2014)

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O A&E mais uma vez propõe um drama psicológico em formato de uma série procedural. Those Who Kill é uma adaptação de uma série dinamarquesa, e pode render frutos muito interessantes para aqueles que buscam séries com essa pegada. Sem falar que, diante de tudo o que foi apresentado nessa midseason, essa série está bem acima da média.

A série mostra a vida ferrada de Catherine Jensen (Chloë Sevigny), uma detetive especializada em casos envolvendo serial killers. Catherine tem em seu passado o desaparecimento do irmão, que não teve uma solução definida. Apesar dela acreditar que o seu padrasto estar envolvido no crime, não há uma prova clara sobre esse envolvimento. Além disso, a própria Catherine apresenta traços sociopatas, o que pode representar no futuro o envolvimento da mesma em outros crimes.

Catherine terá que trabalhar ao lado do Dr. Thomas Schaffer (James D’Arcy), psiquiatra forense, que vai traçar o perfil dos criminosos dos casos. Catherine não confia plenamente em Shaffer, apesar de entender que ele é importante para chegar aos criminosos. E ela tem motivos para desconfiar dele: afinal de contas, Shaffer também mostra traços de alta periculosidade (e isso ficou claro para nossa protagonista logo de cara).

O problema é que Catherine é obrigada a se aproximar de Shaffer… pois ele está diretamente envolvido com o desaparecimento do seu irmão.

Duas almas perturbadas e até perigosas, trabalhando juntas para tentar resolver crimes de outras mentes perigosas. Essa é a síntese de Those Who Kill.

Como disse antes, diante do que foi apresentado nessa midseason, o piloto da série é muito melhor do que a maioria das séries apresentadas. O piloto engrena depois do minuto 20, se tornando interessante até o final (o episódio tem 49 minutos de duração). A série é bem produzida (apesar de uma cena com um chroma key bem pequeno), com boa ambientação e boa composição dos personagens. Quem gosta de trillers desse tipo deve ficar bem satisfeito com o piloto, e não deve ter muitos problemas em continuar.

Aliás, a composição da série e dos dois protagonistas são dois pontos muito positivos da série. Os protagonistas são “provocativos”, o que faz com que você se importe em querer ver como essa trama vai ser conduzida ao longo da temporada. É difícil defender um dos lados nessa história (acredite, você tende a fazer isso pelo próprio perfil da série), mas uma coisa é certa: não tem bonzinhos entre Catherine e Thomas. Os dois tem muito a esconder, e muito a revelar ao longo dessa temporada.

Devo continuar com Those Who Kill. Até porque tende a ser algo promissor. Como o canal A&E tem crédito comigo, com mais acertos do que erros, eu recomendo que você ao menos veja o piloto, e tire suas próprias conclusões. Nesse primeiro teste, a série passa. E com louvor.

Primeiras Impressões | Bates Motel (A&E, 2013)

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O A&E é mais um canal que decidiu apostar em séries originais de qualidade (e não apenas em reality shows com propostas inusitadas) para conquistar o tão disputado telespectador. E não fez feio com Bates Motel. A história apresentou um piloto simples na assimilação de sua proposta, mas bem feito para oferecer uma boa série. Agora, se vai virar uma boa série, só o tempo vai dizer. Mas é a nossa torcida. Vamos aos detalhes.

Bates Motel é baseada no livro de suspense Psycho, escrito por Robert Bloch, que por sua vez inspirou o clássico filme de sucesso de Alfred Hitchcock, de 1960. Os eventos da série são uma espécie de prequel da história do filme, ou seja, mostra a relação de Norman Bates (Freddie Highmore) com sua mãe, Norma Louise (Vera Farmiga), durante a sua adolescência, a partir do momento que o seu pai morre (ou melhor é assassinado – tudo leva a crer que pela própria esposa), e ele se muda com sua mãe para uma pequena cidade, White Pine Bay, onde Norma compra um motel e tenta reconstruir sua vida.

Não há muito do que dizer sobre a história apresentada pelo piloto. Para quem viu o filme de Hitchcock (veja, é um clássico do suspense), a frase “isso explica tudo” é uma constante. A relação de Norma e Norman é algo realmente doentio. Norma é super protetora em relação ao filho, que já tem 17 anos, e quer ter uma vida minimamente normal, indo para a escola, tendo amigos, namoradas, baladas e derivados. Norma não só quer proteger o filho pelo receio que ele siga o mesmo caminho que ela, mas ao mesmo tempo ela praticamente o vê como o único homem de sua vida. E Norma só confia em Norman para qualquer coisa.

Por outro lado, Norman até tenta ter uma vida normal, ou fazer coisas que qualquer adolescente da sua idade quer fazer. Mas o passado, e principalmente o presente com sua mãe torna o processo algo inviável. E nesse relação conturbada e emocionalmente dependente dos dois, se constrói toda a trama de Bates Motel.

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O piloto de Bates Motel é bom, muito bom. Não é aquele piloto ágil, onde as coisas acontecem o tempo todo, nem com cenas de tensão extrema. Por outro lado, também não é aquele piloto que você fica com sono 15 minutos depois de dar o play. É claro que duas cenas acabam dando a conotação de que “vai dar merda” (o estupro de Norma pelo ex-dono do motel, e a visita do xerife da cidade, Alex Romero – Nestor Carbonell – ao motel de Norma), mas de um modo geral, não é um piloto “pesado”. Tem essas duas cenas fortes, mas existem momentos “meigos”. A cena do quase primeiro beijo de Norman na nova cidade foi uma das melhores do piloto.

Outra coisa que vale ser observada no piloto é a imersão de diferentes ambientes de acordo com o local onde a ação acontece. Enquanto estamos no motel da família Bates, temos a clara sensação que estamos em um cenário da década de 1960, que só se desfaz quando os seus personagens estão fora do motel. Até cheguei a pensar que a série teria o seu tempo narrativo na mesma época que o filme Psicose foi criado. Essa impressão foi desfeita quando vi o primeiro iPhone em cena.

Por fim, recomendamos Bates Motel. Pelo trabalho apresentado no piloto, pela estética visual do piloto, e pela promessa de ser uma série que pode segurar o telespectador com o suspense natural da sua origem (Psicose), e com aquele fator que sempre vai passar pela cabeça quando acontecer alguma coisa na tela: “como eles vão sair dessa?”.

O único pé atrás que devemos ter é que essa é uma série assinada por Carlton Cuse. Sim, amigos… aquele… aquele mesmo que não é o especialista na hora de agradar o público no quesito “dar respostas”. Pior: jogou um festival de respostas esdrúxulas, sem sentido e banais. Até uma rolha ele colocou no meio (entendam como quiser).

De qualquer forma, ele tem mais uma chance de agradar o público dessa vez. É só ele não se perder dentro de uma das premissas mais emblemáticas da história do cinema: “Like Mother, Like Son”.