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Primeiras Impressões | Kevin Can Wait (CBS, 2016)

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Podia ser o sequel de The King of Queens sem maiores problemas.

Kevin James sendo Kevin James. E todo mundo gosta disso. Dito isso, Kevin Can Wait estreou na CBS nove anos depois de The King of Queens, também exibida no canal, trazendo de volta a boa vibe do pai de família bonachão que precisa segurar as barras da família inteira.

Uma sitcom clássica, com formato simples e direto, bem do jeito que a CBS sabe fazer.

 

O arroz com feijão bem feito

 

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Kevin Can Wait não tem nada de muito espetacular. É a sitcom “arroz com feijão” bem feito, algo que a CBS se tornou especialista.

Kevin James faz o policial gordo e recém aposentado, que imaginava que iria aproveitar a vida de forma tranquila e descolada. Mal sabia ele que agora sua vida ia dar uma volta turca.

Não bastando o fato que ele terá que resolver as pequenas coisas de sua casa (algo que todo marido deve encarar), tem que cuidar dos filhos que ainda estão crescendo, e da barra de vida da filha mais velha que decide largar a faculdade para ficar noiva do nerd que sonha em ficar rico com um aplicativo de smartphone.

Agora, Kevin vai ter que adiar parte dos seus planos para voltar a trabalhar para alimentar duas bocas a mais em casa. Por prazer ou por necessidade, o fará. Porque ser pai é isso (e inventar o kart-paintball).

História engraçadinha

 

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Kevin Can Wait diverte de forma simples e direta. Sua narrativa é de fácil identificação, e o tema dos filhos voltarem para casa após deixar a faculdade é atual e recorrente na sociedade norte-americana.

Além disso, vale a pena repetir que as pessoas gostam do Kevin James. Na TV e no cinema. Lembro sempre que The King of Queens durou quase o mesmo número de temporadas da sua série de origem, Everybody Loves Raymond.

E Kevin James funciona muito bem nesse tipo de papel. Ele organicamente consegue fazer o pai que muita gente gostaria de ter.

No caso em especial de Kevin Can Wait, tudo funciona como deve ser. O elenco é bom, o texto funciona de forma simples, com piadas atuais e que tiram o riso com certa facilidade.

Obviamente, não dá  para esperar algo revolucionário aqui. E nem falo pelo formato de sitcom clássica (até porque o revival de Will & Grace mostra que até nesse tipo de comédia é possível escrever textos vanguardistas).

Mas pela própria natureza da proposta, a série não ousa tanto. Parte mais para o humor mais simples e da situação em si do que pelo inusitado da mesma.

 

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Enfim, Kevin Can Wait não deve ter muitas dificuldades em ser renovada na CBS. Só se o canal for muito exigente com a comédia. Além do que as demais comédias do canal.

Para quem gosta do gênero, pode ser terreno seguro para a nova temporada.

Primeiras Impressões | BrainDead (CBS, 2016)

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A série poderia acontecer em Brasília, sem maiores problemas.

Robert e Michelle King, criadores de The Good Wife, apresentam BrainDead, drama (quase dramédia) com toque de terror/ficção da CBS para a summer season, onde mostra a história de políticos que são infectados por insetos que chegam do espaço, através de um meteorito que caiu na Rússia. Ou como também gosto de tratar como “a teoria mais aceita para que Donald Trump fale tanta m*rda durante a campanha para presidência dos Estados Unidos”.

Antes de mais nada, não devemos levar a sério os acontecimentos da série e sua linha narrativa, que tropeça na galhofa e no absurdo o tempo todo. Porém, a série é menos bizarra do que eu imaginava, e eu ainda não sei se isso é uma coisa boa ou ruim. Talvez eu descubra até o final desse post.

 

Do que se trata?

“Pilot” – on BRAINBEAD,Tuesday, March 22 (10:00-11:00 PM, ET/PT) on the CBS Television Network. Photo: Jeff Neumann/CBS ©2016 CBS Broadcasting, Inc. All Rights Reserved

BrainDead se centra inicialmente em Laurel Healy, uma documentarista frustrada, que acaba aceitando ser assistente do seu pai em Washington, D.C., para conseguir os US$ 200 mil que precisa para concluir o projeto cinematográfico de sua vida. Por sua vez, ela é obrigada a trabalhar para o seu irmão, o senador sênior democrata Luke Healy, um cara que aparentemente não quer nada com nada. Até aí, nada de anormal.

Enquanto isso, um meteoro (ou meteorito, porque se fosse um meteoro já teriam chamado o Bruce Willis) cai na Rússia. Como os russos não contam com recursos para lidar com esse problema vindo do espaço, o corpo celeste é mandado para os Estados Unidos. E como esse pequeno artefato precisa ser mantido em segredo, ele é transportado em um simples navio comercial, desprovido de qualquer tipo de segurança reforçada para evitar que materiais que nem conhecemos entrem em contato com seres humanos.

Esses “pequenos deslizes” são necessários. Sem isso, não temos série, não é mesmo?

O que ninguém sabe é que o meteorito é uma espécie de “cavalo de Troia alienígena”, abrigando uma imensa colônia de formigas alienígenas que conseguem escapar e infectar todo mundo que vê pela frente. A esposa do engenheiro que estudava o corpo celeste avisa Laurel que algo está estranho com o seu marido (como, por exemplo, parar de beber… algo anormal para uma pessoa adulta que bebe pacas). Laurel descobre que seu irmão Luke está envolvido na migração do meteorito para a América.

Nesse meio tempo, o congresso reduz o orçamento do governo antes do meteorito se tornar oficialmente uma propriedade do próprio governo dos Estados Unidos. Para evitar que isso aconteça, Laurel arma um encontro entre Luke e o rival, o senador republicano Red Wheatus, e um acordo acontece. Porém, Red é infectado, e obviamente muda de ideia, persuadindo outros senadores a seguirem sua posição.

Então, Laurel decide investigar o que está causando esse comportamento estranho dos políticos e de seus assessores. E tudo isso ao som de The Cars, uma banda da década de 1980 que só ficou conhecida por roubar de Michael Jackson o prêmio de melhor videoclipe do ano no primeiro MTV VIideo Music Awards da história.

 

Vale a pena?

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Como disse, BrainDead não é para ser levada a sério. É quase um plot no estilo “Marte Ataca”, se a gente parar para pensar de forma mais fria. Mesmo assim, se pegarmos por uma perspectiva mais metafórica, a série faz uma grande crítica ao cenário político atual dos Estados Unidos, onde temos candidatos do nível de Donald Trump, que fala um arsenal de bobagens que só seriam explicados se o topetudo tivesse sido possuído por alienígenas.

Aliás, uma das cenas que deixa isso bem claro é quando Red Wheatus (Tony Shalhoub) retira o seu cérebro pela orelha, se tornando um “cabeça oca”. Na verdade, não um cabeça oca: as formigas alienígenas controlam o cara. Mas o seu cérebro não mais comanda seus raciocínios. E muitos políticos daqui e de lá se tornaram isso: um bando de acéfalos.

Por conta disso, BrainDead chega em um momento certo para a grade de programação. As eleições presidenciais nos Estados Unidos acontecem em novembro, e muitos entendem que nem Hillary Clinton e muito menos Donald Trump são as escolhas ideais para governarem o país. Mas que os norte-americanos serão obrigados a escolherem entre um e outro. Pensando nisso, a série é bem sacada e chega à grade da CBS com um timing perfeito.

É inegável que eles vão apostar no bizarro para conquistar seu público. Diferente de The Good Wife que era 100% séria, BrainDead pode ir para a galhofa com muita facilidade. Mas é uma galhofa consistente. Pode não agradar aos fãs da série da boa esposa, mas ao menos mostra um pouco de versatilidade da dupla King.

 

Recomendada?

De certo modo, sim. Que mal há em ver esse piloto? Não acho que serão 43 minutos absolutamente perdidos. Você pode não comprar a ideia, o que é algo absolutamente compreensível. Por outro lado, se você entender que essa é uma série do Syfy dentro da CBS, já está com meio caminho andado para se divertir.

 

Ideias para o programa após o Super Bowl 50 da CBS em 2016

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O Super Bowl 50 só acontece daqui a três meses, e um dos grandes mistérios envolvendo a final da NFL é: qual será o programa que a CBS vai exibir depois desse grande jogo?

Todo mundo sabe que o programa exibido após o Super Bowl consegue capitalizar em cima da audiência do grande jogo. Tudo bem, nem tudo agora consegue dar números espetaculares, mas para quem não sai dos dois dígitos de audiência (quase) nunca, é bem legal ver a sua série sendo vista por um público bem maior que aquele que regularmente acompanha a trama.

Recentemente, o Super Bowl ajudou séries como The Blacklist (NBC), Brooklyn Nine-Nine (Fox) e Elementary (CBS) a pelo menos se consolidarem no ar. Em comum, todas essas séries ou eram promissoras, ou já eram produções com audiência estabilizada. Baseado nisso, podemos dar alguns palpites sobre o que a CBS pode fazer nesse aspecto.

Sem falar que algumas surpresas e inovações podem aparecer. Afinal de contas, muita gente quer ver uma reunião do elenco de Everybody Loves Raymond, não é mesmo?

Então, esse post mostra alguns palpites sobre as séries que podem figurar após o Super Bowl 50, que acontece no dia 7 de fevereiro de 2016.

 

The Big Bang Theory e Mom

A Fox fez uma dobradinha em 2014, exibindo as séries New Girl e Brooklyn Nine-Nine. A CBS pode se dar bem exibindo duas das suas mais populares comédias. É claro que Mom vai se beneficiar muito mais, por conta da grande audiência que vai receber. Sem falar que o formato das duas séries permite que os dois episódios sejam produzidos ao vivo.

 

O revival de Everybody Loves Raymond

A adorável família pode ser ressuscitada para um episódio duplo, apenas para mostrar como eles vivem depois da morte do patriarca da família, Frank (Peter Boyle). Libera a rapadura aí, Ray Romano!

 

Um mega crossover de NCIS

Um episódio especial de 90 minutos, com um caso épico, e em um crossover triplo de NCIS, NCIS: Los Angeles, e NCIS: New Orleans. Com Mark Harmon liderando a bagaça toda!

 

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Rush Hour

A última vez que um canal aproveitou o Super Bowl para estrear uma série foi a própria CBS em 2010 (Undercover Boss). Bom, se tem uma das novas séries que podem aproveitar muito bem a final da NFL é Rush Hour, adaptação da franquia de filmes protagonizada por Jackie Chan e Chris Tucker. Afinal de contas, boa parte do potencial público-alvo da série estará vendo a final do futebol americano.

 

Scorpion encontra Os Mercenários

Em uma batalha de cérebros versos músculos, o esquadrão geek enfrenta veteranos da NFL como convidados especiais, que obviamente serão os vilões do episódio.

 

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Limitless + Bradley Cooper + ?

Limitless já tem boa audiência. Pode optar por trazer Bradley Cooper para mais uma participação especial. Por tabela, pode aproveitar nomes da lista de amigos do WhatsApp de Cooper para enriquecer ainda mais o elenco convidado do episódio, com (por exemplo)… Jennifer Lawrence?

Supergirl encontra Superman

Se a CBS tem a Kara em suas mãos, não seria uma má ideia o Superman fazer uma aparição em sua série. Quem sabe o herói poderia ser interpretado por Matt Bomer, não? (não… nada de Henry Cavil, muito menos Tom Welling…).

Primeiras Impressões | Code Black (CBS, 2015)

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Um dos dramas mais promissores e esperados da temporada 2015-2016 estreou nessa semana nos Estados Unidos. Code Black é mais uma tentativa da CBS em fugir do lugar comum dos procedurais, apostando em um drama médico pesado, onde os médicos estão em uma situação limite a maior parte do tempo.

A primeira informação que o piloto oferece é o que é o tal do “code black”. O “código negro” é o cenário onde o centro de emergência (ou pronto socorro) está com um ou mais casos considerados graves ou críticos, que normalmente não poderiam ser atendidos naquele pronto socorro, por conta da falta de recursos médicos adequados para atender aquele caso da forma mais adequada. Mesmo assim, os pacientes são atendidos e os procedimentos realizados. Até porque se não forem feitos, o paciente morre. Simples assim.

Dito isso, Code Black é uma série baseada em um documentário de Ryan McGarry (que também atua como produtor executivo da série), e conta a história do Angels Memorial, um pronto socorro de Los Angeles que tem o absurdo recorde de passar por enfrentar 300 cenários de “code blacks” por ano, quando a média dos hospitais norte-americanos é de apenas cinco. Falta dinheiro, falta estrutura, falta equipamentos, mas não falta boa vontade e dedicação para os profissionais envolvidos.

Aliás, dedicação e boa vontade até sobra. A ponto dos médicos começarem a se estapear (não literalmente) para defender os seus pontos de vista. A Dra. Leanne Rorish (Marcia Gay Harden) é a diretora da residência do hospital. É quem manda no grupo de quatro residentes que acabou de chegar ao Angels Memorial. O piloto mostra o primeiro plantão desse grupo liderado por Rorish, que há três anos passou por uma perda traumática, mas dedica seus esforços em salvar vidas. Com competência e métodos inusitados.

Os residentes são gerenciados por Jesse Salander (Luis Guzman), que na ausência da Dra. Rorish, faz as coisas funcionarem. Porém, o ambiente no pronto socorro está bem longe de ser tranquilo, quando o Dr. Neal Hudson (Raza Jaffrey) começa a questionar os métodos de Rorish diante dos seus novos residentes. Detalhe: Neal já foi um residente de Rorish.

Já os residentes…. bem, são residentes. São médicos, mas precisam aprender os paranauês de lidar com situações consideradas limite, como por exemplo estancar um corte profundo na garganta com um dedo, aprender que soro gelado dentro do corpo do paciente ajuda na perda de sangue, e fazer um parto dentro de uma ambulância.

Entre erros e acertos, esse grupo de profissionais dedicados vão correr contra o tempo, na nobre missão de salvar vidas, mesmo sem ter as condições ideais para isso.

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Não me entendam mal, crianças. Eu entendi qual é a de Code Black. Até gostei do piloto. É bem feito, bem produzido, e como os promos venderam, é pesado. Sombrio até. A morte está mais perto em Code Black do que em qualquer outra série médica que temos em exibição hoje. E acho que um dos grandes méritos da série – ser diferente de Grey’s Anatomy – será, talvez, a sua grande ruína (sem ser pejorativo, por favor).

Eu entendo que Code Black quer ser um ponto de quebra de paradigma entre os dramas médicos. Sair do lugar comum para oferecer algo diferenciado. É a CBS tentando dizer: “olha, nós somos diferentes, nós queremos mostrar um drama médico de forma mais visceral e real”. Sim, isso é um lado positivo do piloto. A veracidade dos fatos e um ar mais documental para a série são pontos que merecem ser observados de forma positiva.

Por outro lado, a missão de Code Black é muito complicada. Historicamente, temos como parâmetros nas séries médicas a combinação de casos memoráveis, personagens carismáticos, e uma carga dramática muito maior do que aquela apresentada pelo piloto do drama da CBS. Séries como St. Eselwhere, E.R./Plantão Médico e Grey’s Anatomy fizeram sucesso e estão na história porque conseguiram combinar esses elementos de forma perfeita. “Romantizaram” (por assim dizer) o ambiente hospitalar, e mesmo utilizando uma terminologia técnica, tornaram esses dramas acessíveis para o grande público.

Porque conseguiram tornar a luta pela vida algo ainda mais edificante. Algo com que as pessoas se importem a ponto de chorar quando um filho morre nos braços do pai, ou quando um médico perde a vida em uma praia ao som de “Somewhere Over The Rainbow”. Ou fica p*to quando um neurocirurgião morre porque não tinha um neurocirurgião para operá-lo depois de um acidente de carro estúpido.

Em Code Black, o senso de urgência está lá. O fator edificante do ato de salvar vidas, também. Mas falta a conexão emocional com o público. Os personagens principais são desprovidos de qualquer carisma. Até mesmo a personagem de Marcia Gay Harden, que é uma atriz que muita gente gosta: é preciso fazer força para gostar ou se importar com ela. Com os demais médicos, o apego é zero. Parece que quase todos estão desprovidos de personalidade.

Diferente de E.R. e Grey’s Anatomy, onde no piloto você identifica quem é quem, e mesmo em um elenco grande nos dois casos, você consegue visualizar a personalidade de cada um. Tudo muito bem definido.

A impressão que dá sobre Code Black é que tudo era para ser tão frio e visceral, que ficou frio demais. Sim, amigos, a série é boa, mas falta algo para torná-la mais acessível para o grande público.

E como a audiência de estreia já não foi das melhores (e depois desses detalhes identificados), é uma pena dizer que Code Black já nasce com grandes chances de não ter vida longa na CBS. Para os padrões que o canal tem para a sua audiência média, vai ter que remar muito para recuperar terreno. Se bem que a briga é basicamente com Chicago P.D. (NBC).

Enfim, Code Black despertou sentimentos mistos. Eu vou continuar a ver, porque gosto de dramas médicos. Mas não será surpresa se a CBS anunciar o cancelamento da série no final da temporada.

Espero estar errado.

CSI deixa um legado inestimável para a TV

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Pouco falamos sobre CSI no SpinOff ao longo de sete anos de blog. Talvez porque a série nunca foi uma das mais populares junto ao público-alvo, apesar de ser por anos a mais vista do planeta. Entendo que algumas pessoas pegaram uma certa “birra”, por ser mais um procedural da CBS. Porém, agora que acabou – e depois de assistir ao seu episódio final -, fica aquela sensação de “não precisava ter acabado”.

A obra criada por Anthony E. Zuiker e produzida por Jerry Bruckheimer será eterna por vários aspectos. Antes dela, a TV americana – e o gênero “série dramática” era dominado pelas séries policiais. Várias delas ganharam o Emmy Awards de Melhor Série Dramática meio que “sem merecer”, porque os demais concorrentes da categoria também eram procedurais. Todos genéricos. Hoje, esse gênero caiu no lugar comum porque temos dramas mais interessantes e bem elaborados. Mas não é disso que quero falar nesse post.

CSI se diferenciou das demais porque, para começar, mostrou uma faceta mais interessante da investigação criminal. Veja bem: os procedurais genéricos tem o policial f*dão (ou a dupla de policiais badass), que segue as pistas mais evidentes, interrogam os suspeitos (em alguns casos, com muita coação física), para depois chegar ao verdadeiro bandido do episódio para dar voz de prisão.

Ou seja, tudo muito raso, superficial e acessível, correto?

Já em CSI, por se tratar da equipe que investigava a cena do crime, a perspectiva é outra. Muitas vezes era necessário compreender o perfil psicológico do criminoso para chegar até ele. Em alguns casos, montando o quadro geral do crime, através de ferramentas que ou envolviam a alta tecnologia, ou em alguns casos, envolvia técnicas inusitadas, que jamais seriam imaginadas pelo policial f*dão, que prefere usar as armas no lugar do cérebro na maioria dos casos.

CSI era uma série envolvente e inteligente. Aliás, é espantoso como uma série que, em muitos episódios, era difícil de se acompanhar o raciocínio da equipe de investigadores e, mesmo assim, conseguiu se tornar uma verdadeira febre junto ao norte-americano médio. Entre 2000 e 2015, a série foi um fenômeno, não apenas de audiência, mas de mobilização dessa audiência, que não perdia nenhum episódio, pelo simples fato de que, apesar de ser a série do “caso do dia”, a cada caso, a cada crime, uma perspectiva diferente era apresentada. Uma forma diferente de solucionar o crime era utilizada. E isso fez com que CSI se tornasse um caso único na TV norte-americana.

É claro que o tempo passa, e o gosto do telespectador muda ao longo do tempo. Hoje, séries procedurais contam com audiência cativa, mas não são aquelas que levam prêmios. CSI mesmo só levou prêmios Emmy nas categorias técnicas. Mas isso não importa. CSI tinha todos os elementos que a tornavam uma grande série. Além daquele item principal. Aquela peça que fazia toda a engrenagem funcionar.

Gil Grissom.

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O entomologista interpretado por William Petersen é um personagem que entrou para a história da TV, e sem chamar a atenção para os atributos físicos. O que tornava Grissom atraente para o público era sua inteligência única, sua capacidade de ver o que os outros não viam. E fazendo isso de forma discreta, sem estardalhaços. O “seu Grisso” era tão f*da, que assumiu a liderança da equipe de CSIs em Las Vegas nos primeiros episódios, e essa foi a melhor decisão que os roteiristas da série tomaram na época. Era a liderança discreta, firme, pontual.

O episódio final de CSI foi feito para os fãs que acompanharam as 15 temporadas da série, ou pelo menos boa parte dela (muitos afirmam que a série acabou depois da saída de Grissom). Trazer de volta Gil Grissom e Catherine Willows (Marg Helenberger) é uma forma de dar um final de série digno para os fãs. Mas o mais legal é que tudo foi feito de forma bem pensada, conectando passado e futuro dos personagens e da própria franquia.

Trazer de volta os personagens mais icônicos da franquia não era o suficiente. Eles trouxeram também Jim Brass (Paul Guilfoyle), o homem que foi substituído por Gil Grissom como supervisor do time de CSIs, e “Lady” Heather Kessler (Melinda Clarke), pivô da separação entre Gil e Sara Sidle (Jorja Fox). A relação entre Gil e Sara sempre ficou mal resolvida, e o episódio final tem como principal objetivo encerrar essa história.

E mesmo aqueles que não acompanharam toda a longa jornada televisiva de CSI vai identificar perfeitamente a genialidade que a série possui. No final das contas, vemos o crescimento de alguns personagens, a modificação de tantos outros, a mudança de D.B. Russell (Ted Danson), que foi para CSI: Cyber, e a volta de Catherine para Las Vegas.

Mas a grande modificação veio com Gil Grissom mesmo. O personagem, que antes não tinha fé alguma na humanidade, só acreditando naquilo que a ciência (e os cadáveres) diziam, admite finalmente que se abriu para os sentimentos por alguém. Entendeu que, nessa vida, não é possível seguir em frente sem se permitir ser mais humano.

Esse talvez é o grande prêmio para os fãs de CSI. Não que eles quisessem ver Grissom diferente do que ele sempre foi. Mas porque a máxima da evolução humana prevaleceu. As pessoas evoluem. E nessa evolução, elas mudam, e se transformam em algo melhor. Isso acontece com todo mundo. Inclusive com alguém que conversa com abelhas.

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Pode parecer clichê ou hipocrisia, mas CSI vai fazer falta. Nos resta o consolo que a franquia continua viva com CSI: Cyber, mas não acredito que a série protagonizada por Patricia Arquette terá vida longa. Espero estar enganado.

O legado que CSI deixa para a TV é oferecer uma série inteligente, que fazia o telespectador pensar, e que virou febre mundial por conta de sua inteligência. Oferecer um olhar diferente aos procedurais. Fazer com que o telespectador se viciasse em uma produção que estimulava o cérebro, apresentando soluções inusitadas e criativas. Por 337 episódios, CSI construiu algo que poucas séries conseguiram: um legado único.

CSI chegou ao fim, para ser colocada no lugar que merece: a imortalidade.

Primeiras Impressões | Life in Pieces (CBS)

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Modern Family é, hoje uma das séries mais importantes e relevantes da TV norte-americana. Goste você ou não. Venceu cinco Emmys consecutivos pelas suas primeiras cinco temporadas (essa sequência foi interrompida em 2015 por Veep), e apesar de muitos considerarem que a série perdeu fôlego e timing de comédia nos últimos anos, tem uma audiência sólida e consolidada, algo que todo canal deseja. Principalmente a CBS.

Oferecer uma série que pode ser assistida por qualquer pessoa, que fale sobre família de uma forma dinâmica e criativa, e com uma linguagem moderna e que prenda o telespectador pela identidade das situações apresentadas. Modern Family conseguiu tudo isso, e agora a CBS tenta (de novo) oferecer à sua audiência uma série familiar com uma família moderna. Com isso, temos Life in Pieces, nova comédia do canal para a temporada 2015-2016.

A ideia geral de Life in Pieces é basicamente a mesma do piloto de Modern Family, só que em todos os episódios. Explico: são quatro pequenos segmentos, mostrando quatro núcleos diferentes de uma mesma família, com situações aparentemente distintas, mas que se encontram no último segmento, montando uma história única. Na verdade, é uma única história, mas com quatro perspectivas diferentes, que se combinam no último segmento do episódio.

Essa mecânica se repete em todos os episódios, mostrando as diferentes personalidades, perspectivas, situações e emoções diante de um mesmo tema. A ideia geral é que a audiência identifique que, apesar dos pedaços da família estarem separados na maior parte do tempo, elas podem se unir em um único evento, onde no final das contas, família é tudo igual, só muda de endereço.

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Bom… o que dizer de Life in Pieces?

Eu entendi a ideia geral de Life in Pieces, apesar de ser uma fórmula que, se não for bem feita, vão mostrar quatro segmentos a esmo a cada episódio. O elenco tem nomes conhecidos do público, como Colin Hanks, Betsy Brandt, Thomas Sadoski, James Brolin e Dianne Wiest, e tem um texto ágil dentro de cada segmento. E precisa ser assim, já que como a série tem um comercial a mais que as outras, os acontecimentos precisam acontecer de forma mais dinâmica dentro dos 20 minutos de episódio (em média, cinco minutos para cada fragmento de história).

E esse pode ser o grande problema de Life in Pieces. Tudo feito às carreiras, correndo, como se tirasse a mãe da forca.

Eles repetirem a fórmula do piloto de Modern Family em todos os episódios nem é o grande problema. O que deixa tudo muito complicado para a comédia da CBS está no fato que a comédia da ABC fez isso apenas uma vez, e de forma impecável. O piloto de Modern Family  é muito bem construído, onde o desenvolvimento da trama acontece de forma orgânica, e o final do episódio, onde acontece a revelação que aqueles três núcleos fazem parte da mesma família, é algo simplesmente espetacular. O “fator surpresa” aparece, funciona de forma perfeita, e coloca esse como um dos melhores pilotos de comédia dos últimos 10 anos.

Já no caso de Life in Pieces, além do fator surpresa simplesmente não existir (uma vez que a premissa geral da série revela o que você pode esperar dela), os segmentos resultaram sem a mesma empatia que a que detectamos na comédia da ABC. Algumas piadas até que funcionaram em momentos pontuais, mas tudo soou muito “a CBS quer ter o seu Modern Family de qualquer maneira”, e isso tirou boa parte do interesse que a série poderia ter.

Nas últimas temporadas, já me acostumei a ver uma comédia nova da CBS fracassando miseravelmente, e tudo indica que a bola fora da vez do canal é mesmo Life in Pieces. O que é uma pena. Nem achei a ideia da série tão ruim assim, mas é impossível não terminar o piloto sem ter aquela sensação do “já vi isso antes”, e não se apegar aos eventos ali apresentados.

Se é para ser assim (uma tentativa forçada de cópia), prefiro ficar com Modern Family, que já está aí a sete anos, e está de bom tamanho.

Primeiras Impressões | Limitless (CBS, 2015)

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No mundo da TV, nada mais se cria. A temporada de reboots e remakes começou, e Limitless chegou nas nossas vidas antes do tempo, em mais um dos ‘vazamentos’ produzidos pelos canais. Ok, a série estreia hoje (22) nos Estados Unidos, mas como o canal decidiu liberar a mariola antes, vamos dar nossos pitacos.

Limitless é baseada no filme de mesmo nome (no Brasil, Sem Limites), baseado na graphic novel The Dark Fields. A história da série acontece depois dos eventos do filme, centrando sua narrativa em Brian Finch (Jake McDorman). Brian é um cara aparentemente comum, sem objetivos concretos na vida, mas muito inteligente, o que entrega à ele um potencial enorme de raciocínio. Mas quando esse potencial não é explorado, isso acaba se perdendo.

Quando o seu amigo descobre que ele está trabalhando em um departamento qualquer da sua empresa, ele oferece uma misteriosa droga chamada NZT-48, que faz com que o QI de Brian aumente para quatro dígitos, transformando o seu cérebro em uma poderosa ferramenta de armazenamento de dados. A partir daí, ele pode memorizar tudo o que ele lê, ouve ou vê. O sonho de qualquer estudante, mas na vida adulta.

Não só isso. Brian não só consegue memorizar tudo, mas consegue raciocinar melhor sobre qualquer coisa, já que ele tem um maior volume de informação para decidir sobre as diferentes situações que aparecem na sua frente. Por conta disso, ele consegue tomar a decisão mais adequada em milésimos de segundo, vendo todas as possibilidades das alternativas disponíveis.

Além disso, Brian também é capaz de enxergar evidências onde a maioria das pessoas não conseguem ver, e isso o torna um recurso muito valioso para o FBI.

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O problema é que o NZT-48 provoca efeitos colaterais sérios para Brian. Não só os físicos (cólicas e náuseas insuportáveis) como também as ameaças da corporação que detém o controle da droga. Nisso, entra no seu caminho ninguém menos que Eddie Mora (Bradley Cooper), protagonista dos eventos do filme, e agora potencial candidato a presidente dos EUA.

Eddie promete ajudar Brian com os efeitos do NZT-48, desde que Brian o ajude com algumas missões específicas, que serão reveladas ao longo da temporada.

Limitless é o que eu chamo de piloto ‘redondo’. Cumpre com o seu papel de apresentar os personagens e o plot geral da série, sem muitas enrolações, e de forma que o telespectador se importe com as motivações do seu protagonista. Levando em conta que estamos falando da CBS, o canal especialista em séries procedurais, as chances dessa produção engrenar são enormes.

Mas, diferente de Intelligence, que tem basicamente o mesmo plot (o cara que tem uma espécie de computador no cérebro), Limitless parte do princípio que o protagonista é um cara comum, e não o Josh Holloway (que tem sempre aquela cara canastra de quem saiu de um comercial da Gillette). Isso torna o seu personagem mais acessível. Sem falar que Jake McDorman ‘até lembra’ (veja bem, eu disse ATÉ LEMBRA) um pouco Bradley Cooper em alguns dos seus traços físicos e corporais.

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Uma das preocupações de muitos era justamente o fato da série não ter como protagonista Bradley Cooper. Acho que Limitless não vai ter problemas com esse aspecto em específico. Mesmo porque o elenco da série conta com nomes de peso como Jennifer Carpenter e Mary Elizabeth Mastrantonio.

Mas o mais importante do que tudo isso é que a série tem ritmo. Consegue alternar bem as cenas de ação/corre-corre com aquelas que mostram o potencial criativo de Brian para resolver os problemas com a sua inteligência acima da média/turbinada com uma droga poderosa. Isso pode ajudar a manter o telespectador entretido na série, ainda mais quando pensamos em um público que já está acostumado a ver esse tipo de série no canal.

Limitless é uma das candidatas a se dar bem nessa temporada. Não estou afirmando que será um sucesso estrondoso, mas pelo menos começa com a eficiência já conhecida da CBS em produzir uma série que se comunica bem com o seu público. É claro que muita gente vai torcer o nariz pelo fato de ser mais uma série do tipo ‘caso do dia’ na TV norte-americana. Mas se a galera da CBS gosta… fazer o que?

De qualquer forma, está aprovada, considerando todos os aspectos discutidos nesse post.

Modern Family e The Big Bang Theory ‘ignoradas’ no Emmy Awards 2015

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Sinal dos tempos, meus amigos. Duas das grandes figurinhas carimbadas do Emmy Awards entre as séries cômicas foram praticamente ignoradas na lista dos indicados desse ano: Modern Family e The Big Bang Theory. Podemos dizer aqui um ‘finalmente’, e com gosto.

Não me entenda mal, amigo(a) leitor(a). Eu gosto de Modern Family. Não gosto tanto de The Big Bang Theory, e não ignoro a importância e relevância das duas. Porém, já havia passado da hora dos velhinhos da Academia de Ciências e Artes Televisivas ‘olharem para os lados’, buscando outras opções. Há anos a lista de indicados ao Emmys vivia da mesmice de sempre indicar os mesmos, não dando chance para que novidades nas categorias de comédia recebessem alguma visibilidade na premiação.

É… parece que os velhinhos aprenderam como usar o controle remoto.

Modern Family não foi absolutamente ignorada. Ainda está presente em muitas das categorias principais, incluindo Melhor Série de Comédia, Melhor Ator Coadjuvante de Comédia e Melhor Atriz Coadjuvante de Comédia. Porém, diferente dos outros anos, acabou aquela ‘farra do boi’, onde basicamente bastava estar no elenco adulto da série para ser indicado ao Emmys.

Em 2015, foi indicado quem merecia ser indicado em Modern Family: a série em si (pode torcer o nariz, leitor), Ty Burrell e Julie Bowen, como Phil e Claire Dunphy, que são hoje a melhor coisa que a série tem.

Já foi o tempo em que Cameron e Mitchell chamavam a atenção positivamente, e o momento do casal na série já passou (até se casaram, ou seja, não tem mais o que contar). Graças ao Senhor finalmente entenderam que Sofía Vergara só é uma gostosa que faz ela mesma (que todo episódio tem que falar ‘maaaaaanyyyyyy’). E Ed O’Neil está mais preocupado em fazer o seu e ganhar o seu salário, que é o mais alto do elenco. E pronto.

Unbreakable Kimmy Schmidt, que tem apenas uma temporada, recebeu mais indicações de Modern Family. E quem sabe não é ela que pode impedir que a série receba o sexto Emmy consecutivo como Melhor Série de Comédia em seis anos?

Vamos aguardar.

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Já o caso de The Big Bang Theory é mais flagrante e, ao mesmo tempo, mais recompensador. Pois entendo que há muito tempo ela é apenas a ‘comédia mais vista dos EUA’, e não uma das melhores comédias da atualidade.

A série vive de piadas recicladas, ou das excentricidades do Sheldon, ou das piadas em cima do Sheldon. Tudo bem, a história da série andou um bocado: gente se casou, gente foi para o espaço, a mãe de um morreu… mas o grosso da história está engessado no mesmo lugar. A série vai para a nona temporada, e salvo um detalhe ou outro, qualquer um de nós que abandonamos lá atrás podemos retomar, que vamos poder acompanhar sem problemas.

E parece que algumas pessoas entre os votantes da Academia perceberam isso.

Não só TBBT não foi sequer indicada como Melhor Série de Comédia, como Jim Parsons também não entrou na lista de Melhor Ator de Comédia. A única indicação relevante que a série recebeu foi para Mayim Bialik como Melhor Atriz Coadjuvante de Comédia.

Sinal dos tempos.

Os fãs de The Big Bang Theory que me desculpem, mas nesse caso, a ‘amnésia’ do Emmy é mais do que merecida. Demorou até para que a série caísse no lugar comum dessa premiação. Vocês podem questionar alguns nomes da lista para Melhor Ator de Comédia (eu deixo), mas a pelo menos três temporadas Jim Parsons não merecia estar nela (mesmo vencendo o Emmy na categoria nos últimos dois anos).

E sobre a Melhor Série de Comédia, por favor… faz muito tempo que The Big Bang Theory não é digna de estar nessa categoria. Com séries do porte de Veep, Silicon Valley, Transparent e Unbreakable Kimmy Schmidt, não havia espaço para a série dos nerds. E isso porque eu ainda colocaria Orange Is the New Black em seu lugar, se a mesma fosse elegível (nesse ano, o Emmy Awards cometeu a burrada de colocá-los na categoria de drama).

Não quero ficar jogando mau agouro nas duas séries. Se ambas conseguem te fazer rir, ótimo. Objetivo alcançado. Mas já faz um tempo que as duas precisavam ser deixadas de lado no Emmy Awards, pois não eram mais capazes de entregar uma qualidade que dignificassem as indicações.

Modern Family ainda pode vencer o Emmy Awards 2015 como Melhor Série de Comédia? É claro que sim! Afinal, está indicada na categoria. Mas é fato: não merece.

E The Big Bang Theory só sofreu daquilo que está bem claro nos dias de hoje: tem comédias melhores na TV. Apenas isso.

Primeiras Impressões | Zoo (CBS, 2015)

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Cuidado com os instintos animais… e cuidado com uma série que resolve mostrar o que acontece quando os animais se voltam contra os humanos. Apesar de quase achar que vi um documentário do National Geographic ou do Animal Planet, Zoo tem uma premissa bem fácil de se compreender, mas que pode se tornar esquecível para muita gente. Mas… será que pra summer season não dá para o gasto?

A premissa de Zoo é tão simples, que pode ser resumida rapidamente: os animais se revoltaram – especialmente os leões -, e começaram a atacar os humanos em diferentes locais do planeta. Até aí, ‘tudo bem’ (???). O que torna tudo ainda mais bizarro é que os ataques estão ficando mais ‘coordenados’.

Isso mesmo: os animais estão se organizando para atacar em grupos, pois eles entendem (???) que, dessa forma, as chances de sucesso são maiores (como se um leão digitalizado – isso mesmo – não tivesse força suficiente para acabar com um humano). Esse comportamento foi detectado primeiro por Jackson Oz (James Wolk), um zoologista que oferece safaris na África, começou a detectar esse comportamento em Botsuwana, e decidiu investigar a causa para encontrar uma solução do problema.

 

Enquanto isso, em Los Angeles, o tal leão digitalizado que te falei um pouco antes matou um, e ao que tudo indica, é ele que está fazendo com que os gatos da cidade fiquem todos agrupados, como um bando. Mas é claro que essa parte só foi descoberta por uma sagaz jornalista, que tem que investigar e fazer uma matéria sobre o desaparecimento dos gatos da região.

Isso mesmo. Tem isso no piloto.

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Olha… não quero criticar gratuitamente o piloto de Zoo. Até porque seria muito fácil, e nem haveria motivos para escrever um post. Mas é inevitável dizer que essa série é totalmente desnecessária. Não há nem motivos para a série existir. O plot é tão fraco e desinteressante, que você passa os mais de 40 minutos do piloto pensando e fazendo outras coisas, e mesmo que você assista de forma vaga e descompromissada, entende tudo o que acontece.

O piloto nem é tão ruim assim na sua parte técnica. Apesar de leões e rinocerontes digitalizados, as cenas na África são bonitas, e o piloto até tenta ter um ritmo na sua edição e roteiro. Porém, nem Aaron Sorkin salvaria Zoo do buraco negro do tédio implantado por um plot totalmente desinteressante, insípido, que não acrescenta absolutamente nada.

Eu até gostaria que Zoo partisse para o bizarro, ao menos para conseguir dar risada de algo. Nem isso foi possível. A série (infelizmente) se leva a sério, e isso só atrapalha. Ah, e antes que esse post acabe: é, James Wolk… você vai entrar para o mesmo grupo exclusivo onde estão verdadeiros mestres na nobre arte de cancelar séries na primeira temporada, como Jason O’Mara, Jerry O’Connel e outros.

Aliás, o menino James Wolk é um dos poucos que já cancelaram uma série no segundo episódio. Lembram de Lonestar? Então…

No final das contas, você pode viver muito bem sem Zoo. Levando em conta que a premissa é desnecessária, já que ou o Tarzan, ou o George O Rei da Floresta, ou o Ace Ventura poderiam resolver o problema com relativa facilidade, podemos dizer que essa série será um dos grandes fiascos da temporada, com chances enormes de cancelamento.

Nem perca seu tempo.

Primeiras Impressões | Supergirl (CBS, 2015)

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Eu sei que a gente não devia passar as impressões de um piloto que vazou na internet 6 meses antes da sua estreia. Mas como eu acho que o piloto definitivo não será muito diferente do que vimos, acho que nesse caso vale a pena. Supergirl foi o primeiro piloto que “vazou” da temporada 2015-2016 – e coloco “entre aspas” pois já é difícil de acreditar que isso foi um acidente -, e por ser uma das grandes apostas da CBS para a próxima temporada, vale a pena dar alguns pitacos sobre os 46 minutos desse primeiro episódio.

O piloto conta os primeiros passos de Kara Zor-El/Kara Danvers (Melissa Benoist) como Supergirl, seguindo assim os passos do primo mais popular, e o seu destino como heroína. Aos 24 anos de idade, Kara vive em National City, e se cansou de ser apenas uma funcionária de um conglomerado de mídia comandado pela excêntrica Cat Grant (Calista Flockhart), e quer algo mais na vida. Sente a necessidade de contribuir positivamente com a humanidade, e decide ser uma heroína.

O que Kara não sabe é que, junto com essa decisão, um mundo novo de possibilidade se abriria diante dos seus olhos. Sem falar no mundo novo de problemas que ela teria que encarar. Uma dessas possibilidades está diretamente ligada ao fato de não apenas salvar vidas, mas a necessidade de proteger os mortais dos segredos que envolvem as suas origens.

Um desses segredos são os prisioneiros/inimigos dos Kryptonianos que encontram a sua localização na Terra, e prometem não dar trégua. Com sede de vingança, eles vão tentar de tudo para destruir a filha daquela que prendeu todo mundo. E todos estão à mando da própria tia de Kara. Sim, amigos… sangue do sangue dela querendo ver o sangue dela jorrando…

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Porém, Kara vai contar com a ajuda da própria irmã humana, Alex Danvers (Chyler Leigh), que dedicou a sua vida a compreender como o corpo e a mente de sua irmã alienígena funciona. Isso fez com que ela se tornasse funcionária do DEO, um departamento do governo que monitora aqueles com poderes especiais. Eles não só sabiam da existência – e dos poderes – de Kara, mas também que criminosos de outro planeta se aproximaram da Terra.

Na série, vamos a curva de evolução da Supergirl, onde ela vai aprender a lidar com os seus poderes e com ela mesma, nessa nova fase da vida como um todo.

O piloto de Supergirl é bom. Muito bom. Surpreendentemente bom. Muita gente subestimou a série por conta do promo, que poderia dar a entender que seria ‘uma série de menininha’. Sério, tem gente que é chata pra c*r*lh* nesse mundo: estamos falando de uma personagem que tem apenas 24 anos de idade. Logo, algo que seria absolutamente normal. Mas não é bem assim.

É claro que Kara vive alguns dos dilemas típicos de sua idade, principalmente quando ela conhece um certo James Olsen (ou melhor, Jimmy Olsen), novo fotógrafo da editoria…. mandado pelo primo Superman para acompanhar as ações da moça. Kara tem uma quedinha por ele. Será que engata o romance entre os dois?

Não apenas isso. Logo de cara, Supergirl já cita a necessidade do herói em ter que superar as derrotas, para voltar mais forte e proteger as vidas inocentes. Rapidamente a protagonista se dá conta disso, e do quanto isso se alinha ao seu desejo de salvar vidas.

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Mas um dos pontos mais legais abordados no piloto é a questão do papel da mulher na série. Em Supergirl, as mulheres são poderosas, e isso não fica subentendido apenas nos papéis que elas ocupam. Duas cenas da série deixam isso muito claro, onde citam que o fato de uma mulher ser jovem, bonita e feminina não quer dizer que ela não tenha poder. Ela pode ser tudo isso e muito mais.

Aliás, esse é um recado claro dos produtores e roteiristas da série aos discursos machistas que apareceram logo após o projeto de Supergirl ser anunciado pela CBS. Algumas pessoas de mente mais fraca acham que uma ‘menininha’ não pode ser uma boa heroína. Tolos! As pessoas se esquecem que ‘força’ é algo que vem de dentro. É uma motivação que não se define pelo exterior, mas sim pela capacidade de suportar as dores, de reagir às dificuldades, e pelo desejo de transformar a sua vida em nome de um bem maior.

E tudo isso não se define pelos músculos que você tem no braço. Ou pelo fato de você ainda ouvir One Direction no seu iPhone.

Falando dos aspectos técnicos, a CBS deu uma caprichada nos efeitos visuais desse piloto. Salvo uma coisa aqui e outra ali, você não fica chocado/traumatizado com a estética e os efeitos visuais (diferente da ABC, o pessoal da CBS/Warner parece que sabem utilizar o Chroma Key sem parecer um bando de amadores que querem me cegar).

O roteiro também merece elogios. Tudo é explicado de forma bem didática, os diálogos são ágeis (e, em alguns casos, divertidos), e o piloto não cansa. Não perde o ritmo. É tudo feito na medida certa, para um resultado final bem ajustado. Nesse aspecto, Supergirl vai bem, e deve agradar até mesmo os mais chatos exigentes.

Por fim, muita gente se perguntou por que o projeto de Supergirl foi para a CBS, e não para a CW – canal que já tem algumas séries da DC e que, teoricamente, seria mais adequada para a temática de um herói protagonista -. O piloto da série é a resposta: porque Supergirl é boa demais para a CW (sem ofensas).

Não dá pra dizer que será um megahit instantâneo, mas entendo que levando em consideração todos os riscos envolvidos, o piloto de Supergirl justifica a sua presença na grade de programação da CBS nas noites de segunda-feira a partir do mês de novembro. Acredito que a maioria ficará satisfeita, e que a série tem boas chances de dar certo no canal. Vamos ver se consegue manter o ritmo ao longo da temporada.

Fico na torcida para que sim.

Primeiras Impressões | CSI Cyber (CBS, 2015)

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E temos mais um CSI para os fãs chamarem de ‘seu’. Com a iminência do fim da franquia principal – que está no ar desde 2000 (15 temporadas), CSI Cyber é o primeiro spinoff a não receber um nome de uma cidade, e é o primeiro a ter um tema como pano de fundo: os crimes cibernéticos.

A série mostra a divisão do FBI instalada em Quantico, Virginia, que é especializada nos crimes cibernéticos – e, nesse caso, entra nessa lista os crimes que usam qualquer tipo de tecnologia conectada, e não necessariamente os crimes pela internet. Essa divisão é chefiada pela Agente Avery Ryan (Patricia Arquette), psicóloga de Nova York que, no passado, foi vítima de um hacker, que vazou as informações de todos os seus pacientes, fazendo inclusive com que um deles fosse assassinato.

O time inclui o agente sênior de campo Elijah Mundo (James Van Der Beek), que além de ser envolvido em tecnologia, é o cara que não tem medo de pegar em armas e atirar. Mas nas horas vagas adora jogar um videogame. O chefe de Avery, Simon Sifter (Peter MacNichol) é um pouco cético sobre as suas intuições para os crimes, mas ainda assim acredita na sua capacidade investigativa.

Completam a equipe o gordo hacker, o negro novato e a viciada em computadores de cabelo esquisito. Ou seja, todas as cotas e esteriótipos são democraticamente cobertos na série. E todos eles contam com o mesmo objetivo: pegar os criminosos que usam a internet e a tecnologia para violar a lei. E eles vão usar de muita tecnologia para pegar esses criminosos.

Bom, o que dizer de CSI Cyber? Eu sou viciado em tecnologia, trabalho com isso, e isso paga as minhas contas. Logo, não será surpresa para vocês eu dizer que gostei do piloto (e surpreendentemente ter detestado o piloto de Scorpion, que tem a mesma temática). Mas vou deixar de lado o meu lado geek, e analisar a série como uma série de TV.

Estamos diante de mais um CSI, mas dessa vez com um tema muito específico de pano de fundo. A estrutura básica da série é a mesma das outras franquias: caso do dia, cena do crime, buscam pistas, vão atrás dos suspeitos, pegam os suspeitos, resolvem o caso do dia. A série não tem nenhum elemento inovador para se diferenciar das demais. E até entendo a escolha da CBS nesse aspecto: ninguém mexe em time que está ganhando.

E como estamos falando da audiência da CBS, que já comprou esse formato de série há décadas, não há por que mudar, certo?

Um detalhe interessante que foi observado no piloto. Assim como em Scorpion, boa parte da resolução dos problemas acontecem em ações de campo, e não atrás de um computador. Acho legal a série tentar dar o recado que, apesar dos crimes serem cibernéticos (ou utilizarem a tecnologia para que os criminosos realizem os delitos), as resoluções envolvem a ação real, o que torna a série um pouco mais dinâmica.

Obviamente, não espero ver alguém conectando um computador em um avião através de um cabo de rede.

Outro elemento que pode fazer CSI Cyber dar certo é o seu elenco. Se não bastasse contar com nomes de peso, a série tem a atual vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante – Patricia Arquette -, o sempre carismático James Van Der “eterno Dawson” Beek e o ótimo Peter MacNichol. Isso deve ajudar na visibilidade da série, e por tabela, uma renovação para uma segunda temporada sem maiores dificuldades.

Por fim, CSI Cyber tem tudo o que o seu público-alvo deseja: uma série investigativa com vários computadores e smartphones, e alguma ação para complementar. Entendo que muita gente esperava algo mais, mas estamos falando de CSI e da CBS. E essa é uma dupla que dá certo na TV norte-americana há 15 anos.

Parabéns, Jerry Bruckheimer, por mais uma série em exibição na TV.