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Primeiras Impressões | Better Things (FX, 2016)

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Meus problemas com Louis C.K. continuam. E, ao que tudo indica, não devem terminar tão cedo.

Lá fui eu assistir o piloto de Better Things, comédia criada pelo já citado no parágrafo anterior com a protagonista Pamela Adlon. E terminei o piloto com a clara sensação que eu sou burro e não entendo a piada.

Digo isso porque é mais uma das séries que os ditos “especialistas” adoraram (e eu acho que eles devem ter sua dose de razão, já que Better Things já está renovada para a segunda temporada) e eu achei um grande porre.

 

É tipo um Louie, sabe…

Better Things faz o já conhecido estilo de humor negro, onde temos que compreender e rir das ironias da vida, mesmo que estas ironias sejam coisas que não te façam gargalhar de rir.

De fato, a ideia não e essa. Esse tipo de comédia ilustra as situações que normalmente nos constrangem, mas que aos olhos dos outros pode ser algo engraçado. É a ironia da vida ilustrada, para que a gente possa rir de nós mesmos.

Louie é uma comédia que claramente aposta nessa estrutura narrativa, e Better Things segue o mesmo caminho. Vemos a vida de uma mãe (Adlon) que tenta viver com dignidade a sua vida de atriz/dubladora, além de sustentar suas duas filhas com idades e perspectivas de vida diferentes.

Uma delas é uma adolescente mala que está na fase de bebedeira e drogas. A outra, criança quase entrando na pré-adolescência, se comporta como uma birrenta, como qualquer outra.

Logo, a série mostra a vida dessas pessoas. Uma vida comum, de pessoas comuns. Que poderia ser a sua vida, só que nem você se deu conta disso.

 

Eu juro que tentei, mas…

Better Things não desceu.

Achei tudo muito chato, sem graça e desinteressante. A história de Sam Fox não me prendeu em nada, achei a maioria das piadas bem sem graça… sim, eu sei… eu sou burro.

E me chamo de burro porque provavelmente vão vir aqui dizer que a série é incrível.

Disseram o mesmo de Louie, que está no ar há anos, e eu continuo achando bem sem graça.

Na verdade, esse é o tipo de série que tem que ser do gosto da pessoa. E por isso em nenhum momento estou dizendo que Better Things é ruim (um exemplo de comédia ruim: We Are Men), mas sim que achei ela bem sem graça.

E aqui é muito mais uma questão de percepção e não de qualidade. Simples assim.

Mas recomendo que você veja o piloto pelo menos. Confesso que gostei mais de Altanta, mas vai que essa comédia do menino Louie melhora ao longo da temporada.

Vamos dar tempo ao tempo.

P.S.: só uma correção… We Are Men não é uma comédia ruim… é uma comédia horrorosa, um verdadeiro lixo televisivo. 

Primeiras Impressões | Atlanta (FX, 2016)

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O Troy de Community não existe mais.

Donald Glover tomou a sábia decisão de abandonar a comédia zumbi da NBC/Yahoo Screen para investir seu talento na sua própria série. Em Atlanta (a série), ele assume o completo controle de protagonismo, roteiro e produção, usando Atlanta (a cidade) e a música como pano de fundo.

É uma comédia de humor negro (pelo amor de Deus, isso não é um trocadilho), que lida com temas pesados, que se assemelham à realidade dos astros emergentes do rap e do hip-hom. Aliás, já repararam como a black music está em evidência no mundo das séries.

 

Sexo, drogas e rimas

Atlanta mostra a vida de um fracassado empresário do mundo do hip-hop (Glover), que está totalmente ferrado e prestes a ser expulso da própria casa pela mulher. Ele luta para se manter na família e cuidar da filha pequena. Até com a maconha ele deu um tempo, o que mostra que ele está tentando muito fazer a sua vida funcionar.

Nessas tentativas, ele decide deixar o seu emprego chato para empresariar a carreira do seu primo, que não é um grande rapper mas, convenhamos, precisa ser bom para fazer sucesso no mundo da música?

Acontece que eles precisam ter o mínimo de parcimônia na vida para não fazerem bobagens. Maneirar no consumo de drogas é um bom começo.

Fazer com que o astro se controle emocionalmente é outra medida interessante.

Tentar não agredir as pessoas então… nem se fala.

Logo, Atlanta vai mostrar as aventuras e desaventuras em série dos três personagens centrais, e a música será o elo de conexão (ou a força motriz) de todas a iniciativas que veremos ao longo dos episódios.

 

Um plot no limite

 

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Como disse, Atlanta é uma comédia adulta, onde você obrigatoriamente precisa ter um olho mais apurado para perceber as ironias da vida.

Em alguns aspectos, a série tem tons de drama, tratando de temas sérios, como a própria questão do “cuidar da família”.

Pode não ser a comédia que vai fazer você se escangalhar de rir, e nem é esse o objetivo. Mas das duas que o FX estreou nesse mês de setembro, é a que mais me agradou.

Como já está renovada para a segunda temporada, vou pelo menos monitorar os comentários de leitores e de outros veículos para decidir se assisto a temporada completa ou não.

Mas creio que vale a pena você assistir pelo menos os dois primeiros episódios.

Primeiras Impressões | American Crime Story: The People v. O. J. Simpson (FX, 2016)

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American Horror Story tem um spinoff. Não literal, onde algum personagem da franquia de horror migrou para uma série própria. Mas um spinoff conceitual, já que a estrutura narrativa base é a mesma, histórias contadas em temporadas fechadas. Dito isso, Ryan Murphy decide que é a hora de revisar os grandes crimes da história dos Estados Unidos através de American Crime Story.

A cada temporada, a nova franquia vai mostrar um grande crime visto por diferentes perspectivas, tentando apresentar ao telespectador vários pontos de vista de um mesmo incidente. No caso em particular dessa primeira temporada, o foco principal está nas estratégias da promotoria e advogados de defesa, na repercussão que a mídia dará ao caso, e os diversos conflitos de interesses envolvidos em um dos casos mais emblemáticos para a mídia e cultura pop norte-americana.

A primeira temporada de American Crime Story é baseada no livro The Run of His Life: The People v. O. J. Simpson de Jeffrey Toobin. Mostra todos os bastidores da investigação e julgamento do ex-jogador de futebol americano O. J. Simpson, acusado de ter assassinado a ex-mulher, Nicole Brown Simpson e o seu namorado. O caso por si só tem importância gigante, por O. J. ser considerado uma das lendas do esporte, e um dos atletas mais populares da nação. Mas outros aspectos influenciam ainda mais na repercussão desse lamentável incidente.

Para começar, o crime acontece em Los Angeles, onde na época a polícia local era acusada de ser altamente preconceituosa, agindo com violência contra os negros que, em muitos casos, eram considerados inocentes dos crimes. A imprensa está de olho, e tanto a polícia como (principalmente) os promotores estão sob pressão. Logo, o duplo assassinato de Nicole e do namorado não ajuda em nada. Pelo contrário, já que O. J. Simpson é um dos negros mais populares dos Estados Unidos.

Porém, tudo indica que o atleta tem culpa no cartório. Todas as evidências iniciais apontam para a possibilidade de O. J. ter cometido o crime: o carro com manchas de sangue, a luva no jardim da sua casa, a falta de um álibi consistente por parte do suspeito, sua contusão no dedo e principalmente o seu comportamento de homem desesperado. Sem falar no histórico de violência de O. J. com a ex-esposa, onde cinco anos antes ele foi formalmente acusado de agredir Nicole, e só se safou por ser uma celebridade.

Aliás, a polícia de Los Angeles faz muita vista grossa em relação ao ex-jogador de futebol americano, o que dificulta o trabalho da promotoria.

Por outro lado, O. J. não se ajuda. Tem um comportamento perturbado, tem um temperamento agressivo e explosivo, e quando tudo está aparentemente perdido – ao saber que existe um mandato de prisão contra ele -, ele deixa cartas de despedida para parentes e fãs, testamento escrito à mão e tenta se matar. Como não é bem sucedido, ele foge com um dos seus melhores amigos (que vira refém porque ele está armado), e protagoniza uma das fugas mais espetaculares da TV norte-americana.

A partir daí, teremos uma das investigações mais controversas e complexas da história dos Estados Unidos. Com um resultado igualmente controverso, que mudou não só a justiça norte-americana, mas a cultura de massa como um todo. Há quem acredite que a cobertura da perseguição a O. J. Simpson é a origem do fenômeno dos reality shows na TV. E tal teoria não é tão absurda.

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American Crime Story tem um piloto que mostra todas as informações que você precisa saber para acompanhar a temporada, além de oferecer os elementos necessários para você se envolver com a trama a ponto de seguir adiante com a série. Em linhas gerais, o episódio tem pontos positivos e negativos, mas que na média consegue passar de ano.

O roteiro é bom, mas… tem muito como errar em um roteiro baseado em um livro, que por sua vez é baseado em fatos reais amplamente divulgados e de conhecimento público? Particularmente, acho que não. Aqui, não é possível inventar coisas. Basta seguir os acontecimentos. Você pode adicionar uma coisa aqui ou ali para suavizar a narrativa, ou deixar a série mais acessível para o grande público (como por exemplo a passagem que mostra o velório de Nicole e a presença de Kris Kardashian (na época, hoje Kris Jenner) nesse mesmo velório, uma vez que ela era uma das melhores amigas da falecida. Mas também é só. Logo, American Crime Story é bem roteirizada sim.

Por outro lado, a produção incomoda um pouco. Tudo tem mais cara de anos 80 do que de anos 90. As roupas estão estranhas, os cortes de cabelo também. A fotografia também tenta dar um ar retrô à série, mas é algo desnecessário. Se investisse mais na ambientação estética e na produção desses elementos, convenceria mais, sem deixar aquela impressão de viagem no tempo mal feita. Isso é uma coisa que realmente incomoda na série, mas vai explicar isso para o Ryan Murphy…

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Alguns membros do elenco principal da série merecem ser observados. Até acho que John Travolta não compromete como Robert Shappiro (apesar do botox vencido), e que David Schwimmer está na dele como Robert Kardashian. Nem falo de Selma Blair como Kris Kardashian, pois ela é tão irrelevante nessa história que nem vale perder muito tempo com ela.

Agora, sobre Cuba Godding Jr… esse será complicado de engolir.

OK, bem sabemos que O. J. Simpson é um perturbado de marca maior, com alguns parafusos a menos, e com uma personalidade que deixa uma dupla interpretação para o telespectador. Mas Godding Jr deixa a desejar. Tudo soa meio forçado, e nem mesmo nas cenas mais difíceis, onde ele precisa mostrar mais da sua capacidade de ator, ele acaba comprometendo. O que é uma pena, já que não podemos ter um Denzel Washington ou um Jamie Foxx para esse papel. Falta grana para o FX para contratar esses dois caras, sabe…

Mesmo com os pontos negativos, American Crime Story passa na nota pelo contexto geral, e pela proposta em contar as histórias desses crimes. Se a gente ignorar as atuações ruins e a ambientação na década errada, temos uma série que dá para assistir numa boa até o final da temporada. Até porque não há espaço para invenções. Teremos uma história com começo, meio e fim, onde apesar de muita gente já saber como essa história termina, ao menos poderemos ver os detalhes da investigação e do julgamento.

E, quem sabe, descobrir mais coisas pitorescas, como por exemplo que O. J. Simpson tentou se matar no quarto de Kim Kardashian…

Primeiras Impressões | American Horror Story: Hotel (FX, 2015)

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Pode fazer o check-in. Mas ninguém garante que você vai fazer o check-out.

Ano após ano, a dupla Ryan Murphy e Brad Falchuck oferecem ao mundo mais uma seção de bizarrices e perversidades emocionais/sexuais em forma de série de TV. A franquia American Horror Story ao longo dos anos chamou a atenção no começo por se propor em ser a série de terror sem limites, e nas últimas temporadas, só se tornou a série excêntrica, com um roteiro mal feito, onde apelar para o inusitado e perturbador à esmo era a palavra de ordem.

American Horror Story: Hotel é a quinta “temporada” dessa limited series, que apesar de ser questionada por muitos telespectadores, ainda é aclamada por boa parte da crítica especializada. Mesmo assim, a temporada tem o desafio de reconquistar os mais céticos, manter o interesse dos críticos, e se superar na distribuição das tramas, já que esta é a primeira temporada sem a sua “abelha rainha”: Jessica Lange (mas ainda acho que vai ter algum cartaz dessa mulher em tamanho natural em algum canto, só para ela ser indicada ao Emmy Awards).

American Horror Story: Hotel é a segunda temporada da franquia a se passar integralmente em Los Angeles, depois da primeira temporada (American Horror Story: Murder House). Parece incrível que só agora a dupla Murphy e Brad tenham escolhido novamente a cidade como centro dos acontecimentos bizarros. Mesmo porque poucas cidades são tão perfeitas para o bizarro e o inusitado como Los Angeles, também conhecida como “a vila dos malucos”. Enfim, isso é apenas um mero detalhe a ser observado.

Os eventos de American Horror Story: Hotel acontecem no Hotel Crortez, alvo do detetive de homicídios John Lowe (Wes Bentley), que vai investigar um bizarro caso de um cidadão morto/vivo encontrado dentro de um colchão de um dos quartos. O que John não sabe é que o hotel como um todo é um objeto das mais variadas bizarrices, indo de um camareiro transformista sinistro, que responde pelo sugestivo nome de Liz Taylor (Denis O’Hare), a gerente Iris (Kathy Bates), mais sinistra ainda, e os donos do hotel, que são os piores de todos. Mas falamos deles daqui a pouco.

Além disso, o hotel também guarda vários segredos. Muitos deles, sangrentos. O que vai interessar à John é que o hotel também esconde o destino de seu filho desaparecido. É claro que a sequência inacreditável de assassinatos, eventos estranhos e absurdos vão atrapalhar a investigação. Mas se tudo fosse perfeito, não haveria por que ter série.

A dona do hotel é a “Condessa” Elizabeth (Lady Gaga), a sinistrona tarada por sangue e por sexo. Se diverte com orgias sangrentas, e tem pleno controle sobre tudo o que acontece no hotel, inclusive os assassinatos. Tem como amante Donovan (Matt Bomer), filho de Iris, que foi levado ao hotel no passado por Sally (Sarah Paulson), uma drogada que foi “morta” por Iris, por conta de ter levado o seu filho para o mundo de perdição. Porém, Iris e Sally estão condenadas a ficarem no hotel por tempo indeterminado.

Um novo elemento entra na trama: Will Drake (Cheyenne Jackson) quer comprar o hotel, e certamente vai medir forças com a “Condessa”. Pena que ele não sabe os poderes que Elizabeth tem. Inclusive o de usar o filho de Will na sua trama perversa.

 

No meio de isso tudo, é importante dizer que, até agora, quem entrou no hotel, não saiu vivo de lá. Pelo menos duas ameaças podem tirar a vida dos hóspedes: um serial killer que baseia suas mortes nos ensinamentos bíblicos, e um maluco que tem uma broca no lugar do pinto. E confesso que a cena envolvendo esse cara foi a única onde realmente eu gargalhei de rir ao longo de todo o piloto.

Sim, eu sei… foi perverso perverso da minha parte.

American Horror Story: Hotel é previsível. Há muito tempo que essa franquia abandonou a proposta de terror autêntica para ser a série do bizarro, mostrando as perversões sexuais de Ryan Murphy e Brad Falchuck a troco de nada. E o piloto dessa temporada é basicamente isso. Você não fica com medo de nada. Você não fica assustado com nada. Absolutamente nada traz medo de verdade. É apenas o sexo bizarro, com várias referências, e nada mais.

Entendam, crianças. Não é apenas a discussão se é bom ou ruim. É a discussão da série se desconectar completamente de sua proposta. Nas duas primeiras temporadas (principalmente em Asylum, que considero a melhor), o elemento “medo” foi apresentado como principal, com vários toques de humor. Sim, o bizarro estava lá, mas a ideia central do terror estava muito viva.

Em American Horror Story: Coven, a coisa começou a mudar. Por mais que a temporada tenha começado muito bem, a sua segunda metade foi sofrível. Aí veio American Horror Story: Freak Show, e a dupla Ryan/Brad resolveu assumir o que queria fazer o tempo todo: o bizarro, e nada mais. E isso continua em AHS: Hotel.

A boa notícia é que, aparentemente, eles tentam dessa vez inserir uma trama onde os personagens estão mais interconectados à trama geral. Há pelo menos duas grandes tramas acontecendo, que podem render alguma coisa no final da temporada. Quero dizer, se minimamente trabalhados, podem valorizar alguns personagens interessantes. O problema é que a série tem 13 episódios na temporada.

E aqui está a má notícia: é muito tempo para que Murphy e Brad encham linguiça com as excentricidades que saem do nada e vão para lugar nenhum. Sem falar que o elenco dessa temporada é enorme, ou seja, muita gente para morrer a troco de nada. Muitas formas medonhas de matar pessoas que só vão aparecer na série para morrer. Tudo bem que o tema “morte” em uma série com sua premissa deve ser um elemento considerado básico. Mas eles precisam desenvolver tramas para a história andar.

Pois bem…. as cartas estão na mesa. American Horror Story: Hotel está aí, e as primeiras impressões são um “mais do mesmo”. E não é nem isso o que desanima. O que realmente desanima é que, ao que tudo indica, a trama bem desenvolvida vai dar lugar (de novo) ao sangue e sexo sem muitos propósitos. Apenas para chocar.

Aliás, é chocante saber que Lady Gaga participa de uma orgia sem tirar a calcinha.

Primeiras Impressões | The Bastard Executioner (FX, 2015)

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A fall season 2015 começou de forma oficial. The Bastard Executioner, nova série Kurt Sutter (de Sons of Anarchy) para o canal FX, foi esperada com certa expectativa pela audiência e pelos críticos. Afinal de contas, a sua série sobre os motoqueiros criminosos foi muito elogiada do começo ao fim. Logo, todos esperavam algo com a qualidade similar ou pelo menos muito próxima.

Bom… então…

The Bastard Executioner é um drama histórico ficcional, ou seja, combina fatos históricos com uma narrativa fictícia, com o objetivo de contar uma história própria. Não chega a ser uma releitura da história, já que apenas a base dos acontecimentos são contatos. Os eventos reproduzidos em tela não são uma reprodução modificada de tudo o que aconteceu, mas sim uma história completamente nova, baseada nos eventos considerados chave daquele momento.

Dito isso, The Bastard Executioner conta uma história de poder e vingança. Mas principalmente, matança desenfreada. Um líder do exército do Rei Eduardo I da Inglaterra se depara com um problema muito comum do século 14: a violência. Na época, as pessoas matavam por matar, seja pelas dívidas acumuladas, ou porque olhou torto para a mulher do outro, ou porque a grama daquele vilarejo era mais verde.

Então, esse líder do exército decide tomar a decisão ‘mais inteligente do mundo’: matar todo mundo do vilarejo que ele suspeita que o líder daquela comunidade é um dos tais ‘bastardos executores’. Ninguém é poupado, e crianças e mulheres grávidas perdem a vida por conta de uma decisão que violava os propósitos do reino ou de Deus.

Quando os homens daquela comunidade retornam, e encontram todos mortos, o líder daquele grupo toma a decisão mais óbvia do mundo: vingança.

No meio de tudo isso, temos uma bruxa sinistra, que tem interesse e envolvimento direto no conflito.

E é isso.

Olha, respeito os fãs de Sons of Anarchy, e apenas os fãs de Sons of Anarchy. Entendo que a produção de The Bastard Executioner foi esforçada, com várias cenas de externas, lutas bem coreografadas e todo o resto. Porém, a trama em si só vai agradar quem está no clima de ver esse tipo de série. Um piloto de 1h29 é completamente desnecessário, onde eles poderiam muito bem contar tudo em um episódio menor. Sem falar que o ritmo do desenvolvimento dos acontecimentos é sofrível.

Uma coisa que me desagradou muito foi o uso errado dos efeitos visuais. Vocês podem achar que isso é bobagem da minha parte, mas… se vai jogar dragão digitalizado na minha cara, ou cortar a cabeça de alguém… FAZ DIREITO, P*RRA! Me convence que aquilo não foi feito por computador, porque se eu perceber que rolou a intervenção de um software na hora que a cabeça de alguém cai, eu vou xingar com toda a minha força!

Mas o que mais me incomodou em The Bastard Executioner é que o ploto da série é fraco. É uma história rasa, com alguns personagens interessantes, mas que não vão além de pessoas com sede de vingança por nada. O único motivo para tudo acontecer é a matança desnecessária de pessoas. Não existe a busca pelo poder. Apenas a morte.

Nesse aspecto, Sons of Anarchy foi muito mais complexa, apresentando não só a hierarquia a ser respeitada e desafiada, mas também as diversas motivações pessoais para os acontecimentos. A gangue de motociclistas não estava ali apenas pelo crime. As similaridades com a máfia tornavam a história mais dinâmica e atraente.

Em The Bastard Executioner, tudo vai ficar no plano da vingança pessoal. Ok, a baronesa pode deixar as coisas mais interessantes, ajudando os injustiçados (talvez pelo puro objetivo de trair o rei). Mesmo assim, não vejo uma história tão atraente assim para acompanhar semana após semana.

Para resumir: se você curte esse tipo de plot, vale a pena arriscar ver o longo piloto de The Bastard Executioner. Se você não tem paciência para isso, nem precisa chegar perto, pois não vai perder nada.

Duas temporada de American Horror Story por ano? Está com tempo livre, hein, Ryan Murphy…

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Ryan Murpy… nós gostamos de você. E é justamente por isso que estamos preocupados com a sua pessoa. Como assim duas temporadas de American Horror Story por ano? Você mal dá conta de uma!

Ok, você disse que serão duas equipes de roteiristas, cada um cuidando de uma temporada em específico. Mesmo assim, a decisão final é sua! E, convenhamos: ultimamente você não foi muito sábio em tomar decisões. Muito do que Glee se tornou é ‘culpa sua’ (ok, sérios problemas aconteceram, mas quem toma as decisões na bagaça?), e as duas últimas temporadas de Horror Story ficaram abaixo do esperado, onde você muito mais apostou no excêntrico/bizarro do que em construir uma temporada minimamente estruturada.

Sem falar que American Crime Story está chegando, Scream Queens também, e outros projetos em desenvolvimento. É muita coisa para um único ser humano (a não ser que você seja um dos alienígenas dos Simpsons, cheio de tentáculos… nunca se sabe).

Nem a sua alter ego Shonda Rhimes assume tantos projetos assim. Os últimos projetos aprovados da Shondaland ela só atua como consultora, ou empresa o seu nome para garantir o sucesso da macumba. Só isso. Não entra mais como produtora executiva, assumindo assim grande responsabilidade do sucesso ou fracasso do projeto. Até porque Shondão aprendeu a lição disso rapidinho, em Off The Map.

Sabe, Ryan… você deve estar com muito tempo livre. Não é possível. Não ter Open aprovada pela HBO deve ter liberado um espaço imenso na sua agenda. Quer um conselho? Vai ler um livro. Vai namorar com o marido. Vai plantar uma árvore, ter um filho, ver uma maratona de Keeping Up With The Kardashians… sei lá, qualquer coisa. Mas NÃO TENTE DUAS TEMPORADAS DE AMERICAN HORROR STORY NO MESMO ANO!

Por favor!

Não que a gente não queira. A gente até quer. Mas a gente quer temporadas de qualidade, como foi a espetacular segunda temporada (saudades de Irmã June e Mary Capeta). Ou temporadas lineares, como foi a primeira. Coven já foi uma temporada que prometia muito, mas se perdeu de tal modo, que ninguém nem se importou muito com o final. E Freak Show foi literalmente ‘um show de aberrações’ sem sentido, que também não despertou o interesse daqueles que até gostariam de ver o camarada com a mão cheia de pintos, ou a moça de duas cabeças.

Foco, Ryan Murphy. Foco.

A tradição de ferrar com suas séries na terceira temporada continua, e sua ganância (alimentada pela ganância do grupo Fox) podem te conduzir ao posto que Tim Kring tem hoje em nossos corações. Você não quer isso, certo? Aliás, você não quer entrar no mesmo grupo que Kevin Williamson entrou por causa de The Following e Stalker, certo?

Então… ser zoado por nós do SpinOff por fazer séries ruins não é a melhor forma de ser lembrado na história da televisão. E já estamos nos esforçando para deixar você fora desse patamar. Logo, me ajude a te ajudar, sossega o brioco, se afaste desse computador e vá curtir a vida.

E este é um conselho de amigo. Acredite.

Obrigado pela atenção.

Primeiras Impressões | Sex&Drugs&Rock&Roll (FX, 2015)

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Por que eu demorei tanto para escrever sobre essa série? Porque eu estava de mudança de cidade e estado. Mas felizmente eu vi o piloto de Sex&Drugs&Rock&Roll, e me diverti muito com essa comédia escrachada, cretina e regado à tudo o que o rock mais quer. Zoando muito o mundo do rock, é claro. Tá bom, eu sei, a série estreou em julho. Mas como só teve quatro episódios exibidos, acho que vale a pena você ler essa review e correr atrás para assistir o que já foi ao ar.

Sex&Drugs&Rock&Roll é criada e protagonizada por Dennis Leary (de Rescue Me), e mostra o que sobrou da vida de Johnny Rock, vocalista da banda fictícia The Heathens, que deveria ser um grande sucesso na década de 1990. Eu disse deveria, pois o ego (inflado a base de drogas) de Johnny não deixou. Egocêntrico, egoísta, narcisista e burro, nosso protagonista achou que tudo girava em torno dele, que ele era Deus e o escambau. Resultado: a banda acabou no dia do lançamento do seu único disco, e virou mais uma referência esquecida do passado, ou uma promessa que nunca virou realidade.

25 anos depois, Johnny se tornou um velho roqueiro bêbado, drogado e desempregado. Ele não consegue uma oportunidade nem como produtor de jingles para comerciais, e o mais próximo que ele está de uma banda de rock de verdade é como integrante de uma banda de tributo ao Bryan Adams, ou vocalista de uma banda cover do Jon Bon Jovi. Ou seja, ele está destinado ao ostracismo e fracasso. Ele e as suas fiéis companheiras.

Até que em um belo dia, uma moça dos seus 25 anos de idade cruza o caminho de Johnny. Diz ser sua filha, fruto de um relacionamento do passado, e fala a coisa mais importante para o nosso roqueiro: está nadando em dinheiro. A ponto de querer contratar o próprio pai para que ela possa entrar no mundo da música, e pede que a finada banda – onde os integrantes não conseguem se olhar direito – toque para ela em uma jam session.

No final, Johnny, que queria passar a própria filha para trás para ficar com a grana dela, descobre que será obrigado a fazer dela um sucesso, já que a menina tem talento. Mais talento do que ele, inclusive.

Sex&Drugs&Rock&Roll é o que precisa ser: divertida e cretina. Tem uma visão escrachada do universo do rock and roll, se inspirando em tantas bandas do passado que tinham tudo para ser um grande sucesso, mas que se tornaram um fracasso pelo simples fato dos seus integrantes se perderem completamente no sucesso repentino. O bom humor como eles fazem isso nos leva a crer que algumas bandas que bem conhecemos devem ter passado pelas mesmas situações em algum momento nas carreiras.

A série é bem produzida, com um ótimo texto (sim, recheado de palavrões), e apesar de ser muito mais ‘drogas e rock and roll’ do que necessariamente ‘sexo’, ela é relativamente acessível para o grande público. Não é uma série pesada, mesmo apresentando o comportamento desregrado de Johnny. Você olha para aquele cidadão totalmente perdido por ser um zé ninguém (detalhe: seu guitarrista faz mais sucesso que ele por ser um membro da banda de apoio de Lady Gaga) e ri de tudo aquilo. É um rir da desgraça alheia (ou da vergonha alheia nesse caso).

Enfim, Sex&Drugs&Rock&Roll é recomendada para quem gosta do humor bagaceira. Para quem simplesmente quer se divertir com o humor de situações chulas, e com a simplicidade e objetividade que um bom punk rock oferece. Entendo que é diversão garantida para quem tem o espírito livre, e decide comprar a proposta pela pura diversão.

Primeiras Impressões | The Comedians (FX, 2015)

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Toda pessoa de bem deve saber rir das suas próprias desgraças. E é com essa filosofia de vida em mente que The Comedians, a nova comédia do FX, tenta oferecer 22 minutos semanais de vergonha alheia para o telespectador. E tudo patrocinado por uma lenda da comédia, e um novato promissor.

A série é praticamente uma obra semi-autobiográfica no formato de documentário fictício, onde Billy Crystal, um dos maiores nomes da comédia de todos os tempos, se vê obrigado a voltar para a televisão. Ele tem um projeto de série aprovado pelo FX, mas com uma condição: o canal entende que o programa vai fluir melhor se contar como co-protagonista o jovem comediante Josh Gad.

Cada um tem a sua própria desgraça para dar risada. Billy Crystal fez vários filmes de sucesso, e apresentou o Oscar por diversas vezes, mas fato é que ultimamente ninguém mais falava nesse moço, caindo no ostracismo. Josh Gad, apesar de participar de projetos de sucesso no cinema, já tem no seu currículo um retumbante fracasso, a comédia 1600 Penn (NBC), onde ele não só era protagonista, mas também produtor executivo e co-criador. E como vocês bem sabem, a série foi cancelada na primeira temporada.

Logo de cara, Crystal e Gad não encontram qualquer tipo de afinidade. O mais velho é um babaca escroto, que demite o diretor do fictício programa logo após o piloto produzido, tudo porque Gad improvisou uma piada que ele não gostou. Já o mais jovem é um babaca sem noção, com pouco conhecimento histórico sobre o seu ofício, mas tem toda a visibilidade que Crystal não tem hoje.

Logo, os atritos são inevitáveis, e as situações decorrentes desses atritos são simplesmente vergonhosas.

Olha, eu li algumas críticas negativas sobre o piloto de The Comedians, e no final das contas, até que não achei algo tão ruim assim. Veja bem, não estou dizendo que esta é a nova comédia que você vai passar a amar com todas as suas forças. Se você não vai com a cara do Billy Crystal ou do Josh Gad (ou dos dois), pode esquecer. Você vai simplesmente detestar, e nem recomendo que você veja o piloto.

Por outro lado, é possível compreender os objetivos do FX com a produção. Indo na pegada de 30 Rock (um pouco, nem tudo), The Comedians quer mostrar os bastidores de um programa de TV e, ao mesmo tempo, mostrar que a vida de comediantes não é algo tão feliz assim o tempo todo. Principalmente quando os dois comediantes passam por momentos complicados em suas vidas profissionais.

Outro ponto positivo da série é explorar os fracassos pessoais de Crystal e Gad na tela, mostrando que eles estão mesmo dispostos a rirem de si mesmos. Crystal por diversas vezes é mostrado como o velho decadente e esquecido, enquanto que Gad é lembrado por papéis que ele não fez, e pelo desastre que foi o 1600 Penn. Nesse aspecto, para aqueles que gostam dessa característica de combinar fatos reais com o humor sarcástico, vale a pena dar uma olhada.

Alguns momentos do piloto são um pouco constrangedores, mas nada muito ofensivo ou que me fizesse parar o piloto naquela hora. O piloto de The Comedians trata de forma direta com o constrangimento que é trabalhar com alguém que você não gosta, algo que é comum tanto na TV como em qualquer outro segmento profissional. Porém, nesse caso, tem o objetivo de mostrar como é possível fazer as pessoas rirem mesmo com esses conflitos internos.

No final das contas, eu não esperava nada de The Comedians, e o piloto me entregou alguma coisa. Recomendo que veja, mas com um pé atrás. Existe sim as chances de você não gostar. Mas… vai que, não é? Não custa nada dar uma olhada.

Primeiras Impressões | American Horror Story: Freak Show (FX, 2014)

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Depois de 528 teasers, promos, cartazes promocionais e fotos de elenco, estreou American Horror Story: Freak Show. O novo ciclo das histórias da mente doentia de Ryan Murphy (ou quarta temporada) mostra o universo de um circo dos horrores, com todas as peculiaridades que você já conhece da temporadas anteriores, com todas as características de roteiro e produção da dupla Murphy/Falchuck. Então… vale ou não a pena ver essa série?

Teoricamente, a série acompanha a vida das irmãs Bette e Dot Tattler (Sarah Paulson), uma mulher com duas cabeças (e partes duplicadas do seu organismo), que vivia uma vida reclusa pela mãe, que não queria que as filhas fossem alvo (óbvio) da sociedade. Não deu muito certo, pois uma delas – louca pra sair de casa e conhecer o mundo lá fora -, matou a própria mãe. Depois uma irmã tentou matar a outra, e depois de tantos homicídios e tentativas, as duas foram parar em um sanatório.

A dupla é encontrada por Elsa Mars (Jessica Lange), que gerencia o tal circo dos horrores. Por saber do passado das irmãs, Elsa ‘convence’ as duas a se mudarem para o circo onde as demais aberrações se encontram. E tem gente bizarra de tudo quanto é tipo: mulher barbada, a melhor mulher do mundo, uma mulher muito forte, um cara muito forte, e o melhor de todos: o jovem e bonitão Jimmy Darling (Evan Peters), que tem como ‘particularidade’ ter dedos tão grossos que se assemelham à genitálias masculinas. Aliás, ele usa os dedos tal como se fossem pênis avantajados, para satisfazer as donzelas da região.

Se a bizarrice já não fosse a suficiente, Gloria Mott (Frances Conroy), uma madame maluca aparece no circo com o seu filhinho (da mamãe), disposta a comprar a (agora) principal atração do circo, a mulher de duas cabeças. Como elas não topam, essa senhora vai criar problemas para a trupe do circo.

Mas tudo piora quando o circo começa a ser perseguido pela polícia local e, ‘para se defenderem dessa injustiça’, eles começam a contra-atacar. Ao mesmo tempo que um maluco disfarçado de palhaço começa a cometer crimes dos mais diversos, e vai encontrar no circo dos horrores o álibi perfeito para ocultar o rasto de suas atrocidades.

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Por partes…

O lado positivo de American Horror Story: Freak Show é que a qualidade da produção continua a ser impecável. Aliás, nesse aspecto, você sabe que a série tem a assinatura de Ryan Murphy: algumas cenas muito coloridas, pessoas extremamente maquiadas, personagens sexualmente ambíguos, alguns gays declarados e muito glamour em algumas personagens femininas. E, deixando o meu sarcasmo de lado, esse é um lado muito positivo da franquia.

Porém (e sempre tem um porém)…

A impressão que dá é que podemos estar diante de mais uma temporada de ‘mais do mesmo’da série, por conta do resultado não muito satisfatório que a temporada anterior (American Horror Story: Coven) entregou. Não me entendam mal: até acho que a história do circo dos horrores pode render mais do que a temporada das bruxas (que abandonei na metade quando não me importei mais em saber quem era a tal bruxa suprema). Até porque alguns personagens precisam ser apresentados, e um assassino precisa ser pego nessa temporada. Logo, tem algumas histórias para render.

Porém, depois de ver o interminável piloto de 64 minutos, eu tive a nítida impressão que estava iniciando mais uma temporada para Jessica Lange e (quem sabe) Sarah Paulson levarem os seus respectivos Emmy Awards por suas interpretações… e nada mais. Como eu disse antes, talvez eu estou sendo pessimista demais por conta da temporada anterior, mas fico com aquela sensação de que já deu essa história de série para dar sustinho nos outros (ou mostrar os fetiches bizarros do Ryan Murphy).

De qualquer forma, American Horror Story: Freak Show está aí, e não vou deixar de recomendar por conta das minhas crendices pessoais. Só vou assistir essa temporada com dois pés atrás, e se os próximos episódios não me convencerem sobre o que a série se propõe a fazer, vou cancelar a mesma com relativa facilidade.

Primeiras Impressões | Politicamente Incorreto (FX, 2014)

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Estreou ontem (15) no canal FX a série Politicamente Incorreto, protagonizada por Danilo Gentili. Eu poderia muito bem passar batido pela série, mas como tenho que tocar a lojinha aqui A SÉRIO, decidi assistir ao piloto, para deixar as minhas primeiras impressões. Que já antecipo para vocês que são um tanto quanto conflitantes. Mas não muito.

A série recebe o mesmo nome do show de stand-up comedy que Gentili apresentava antes de se torar um repórter do CQC (Band) – aliás, ele apresentou esse espetáculo um pouco depois disso. Enfim, isso não vem ao caso agora. Politicamente Correto conta a história do deputado federal Atílio Pereira (Gentili), um não tão jovem político que está no seu quarto mandato, mas pouco fez pela nação (na verdade, nada fez), já que como a imensa maioria dos políticos brasileiros, ele não passa de um corrupto/ladrão/desonesto. Um belo dia, ele é flagrado em um vídeo que denuncia um grande esquema de corrupção, onde seus colegas são pegos com a boca no dinheiro vivo. Dinheiro público. Algo que já cansamos de ver no mundo real.

Porém, como Atílio é meio c*g*d* (em vários aspectos), nas hora que ele vai colocar a mão na sua parte do bolo, as câmeras registram ele recusando o dinheiro com veemência (depois é explicado por que ele faz isso). Quando as imagens vão para a imprensa, Atílio acaba recebendo automaticamente a imagem de “político honesto” (ou melhor, de “o único político honesto do Brasil… mesmo sendo um medíocre”).

O partido de Atílio rapidamente tenta tirar proveito dessa situação, e escolhe o “deputado honesto” para ser o seu candidato à Presidência da República. Porém, a missão não é nada fácil: além de desonesto nato, nosso amigo é realmente medíocre, atrapalhado, patético nas suas ideologias (que são quase nulas), altamente preconceituoso… enfim, um babaca completo. Logo, o presidente do partido escolhe uma assessora de imagem, a Duda (pegaram a referência? Hein? Hein? Ah, você é esperto e antenado em política… sei que pegou essa referência, vai…), que pretende conseguir o milagre de transformar Atílio no candidato ideal para ser eleito.

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Sobre o piloto, como série, é bem mais ou menos. Talvez o grande mérito da série é a proposta de, durante o período eleitoral, fazer um humor com tom de denúncia/crítica, falando sobre as práticas de corrupção que existem no Brasil, e que nós já estamos cansados de saber. Não creio que Gentili e os roteiristas de Politicamente Incorreto precisaram fazer qualquer tipo de laboratório em Brasília (para isso, basta ser uma pessoa antenada – alienados não se enquadram nesse aspecto, que fique claro).

Porém, o que me incomodou o tempo todo é o fato do meu cérebro ficar pensando o tempo todo: “Danilo Gentili não é ator”. E, de fato, não é. Era o próprio Danilo Gentili fazendo ele mesmo, mas como se fosse um político babaca. Nem sei se falo em tom de crítica, mas me beirou o “é o que temos para hoje”.

O texto também não ajuda muito. Algumas piadas deixam a impressão que a série fica aguardando a “claque”, típica em sitcoms (as risadinhas de fundo, para quem não está por dentro dos termos técnicos). Faltou timing para várias piadas, e foram poucas vezes que algumas sacadas funcionaram. Bom, também pode ser a minha primeira impressão, já pré-concebida por conta do que o protagonista da série realmente é (um comediante stand-up, e não um ator).

Provavelmente não vou continuar com Politicamente Incorreto. Entendo que é um dos casos de ideia bem intencionada, mas mal executada. Talvez melhore, porque não é de todo uma porcaria (acho que qualquer produto de mídia que use um discurso mais crítico para levantar a discussão sobre o quão ruim é a política brasileira merece algum crédito). Mas de largada, eu considerei fraca naquele quesito que deveria ser o mais importante para uma série de comédia: o humor.

Primeiras Impressões | Fargo (FX, 2014)

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Sangue na neve. É o que você pode esperar do piloto de Fargo, aposta do FX em oferecer uma série criminal, com algumas pitadas de humor negro e uma narrativa intrigante sobre personagens interessantes e suas motivações para matar pessoas. Aliás, mostra as motivações e principalmente quem motiva todo mundo a fazer isso. E essa combinação é, no mínimo, bem interessante.

A série é baseada no filme de 1996, escrito e dirigido pelos Irmãos Cohen. Logo, a premissa é basicamente a mesma: o interior dos Estados Unidos, em um cenário nevado, em pequenas cidades, Lorne Malvo (Billy Bob Thornton) é um perigoso assassino que não só decora o gelo com o seu rastro de sangue, mas também instiga os pacatos moradores locais a despertarem os seus instintos mais primitivos, para que eles também cometam as suas atrocidades, como por exemplo matar desafetos e até pessoas que amam. Pelos mais diferentes motivos.

Uma das vítimas da mente perigosa de Malvo é Lester Nygaard (Martin Freeman), pacato vendedor de seguros da cidade de Bemiji, Minnesota, que nunca fez mal a ninguém. E é justamente aí que está o problema. Lester é considerado um perdedor por todos, inclusive por sua esposa – que por achá-lo “menos homem” do que deveria, acabou realizando “trabalhos manuais” (se é que você me entende) para o maior desafeto de Lester dos tempos de colégio. 

Coincidência ou não, esse tal desafeto é assassinado logo depois do primeiro encontro entre Malvo e Lester em um hospital. Depois dessa, não só outras pessoas morrem pelos mais diferentes motivos, como irmãos são colocados em situação de embate, tanques de combustível de carros são inundados com urina… e mais mortes acontecem. Tudo isso, patrocinado por Malvo.

Fato é que: a sequência de acontecimentos vai colocar lado a lado dois policiais muito interessados em descobrir quem é o real responsável pelo derramamento de sangue. Molly Solverson (Allison Tolman) e Gus Grimly (Colin Hanks) terão os seus caminhos cruzados por conta do mesmo assassino. 

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Partindo do princípio que eu não vi o filme de 1996, posso dizer que gostei muito do piloto de Fargo. Ele é bem feito na sua produção, possui uma estética e estrutura cinematográfica (aliás, é quase um filme, pois tem 68 minutos de duração), e os personagens são bem estruturados. Aliás, o piloto não chama a atenção apenas pela matança produzida, mas principalmente pela forma como a série apresenta os personagens e suas motivações. O fato do personagem central não apenas matar, mas instigar os pacatos cidadãos a matarem também faz toda a diferença na narrativa da série. Até porque Malvo esconde seus rastros com a ajuda dos crimes realizados pelos demais.

Além disso, o ritmo do piloto é excelente. Os tais 68 minutos de duração passam voando. Você não sente a trama, e mesmo que alguns detectem um ritmo lento na narrativa (algo que, na minha opinião, não aconteceu), a forma como os acontecimentos são contados não é maçante. Ou seja, a tendência é que você não sinta sono quando for assistir ao piloto. Pelo contrário.

Talvez o meu único ponto de discordância com o FX é a classificação da série como dramédia. Ok, o humor negro está lá, e você consegue rir de algumas coisas sim, mas de leve. A maior parte do piloto é denso, mais voltado para o drama, e sempre convidando o espectador a questionar os acontecimentos apresentados na tela, e por que aquilo está acontecendo.

Sem falar que, como bônus, você pode matar as saudades de alguns queridos do público de outras produções, como Kate Walsh, Bob Odenkirk, Adam Goldberg, Oliver Platt, Keith Carradine e Colin Hanks… não, pera… esse último nem tão querido assim.

No final das contas, eu recomendo que você veja o piloto de Fargo. Evite fazer comparações com True Detective (HBO), pois a nova série do FX vai em um caminho bem diferente. Porém, é uma aposta que pode efetivamente agradar aqueles que gostam de um drama criminal cheio de alternativas, com bons protagonistas, e um enredo de primeira.

Primeiras Impressões | American Horror Story: Coven (FX, 2013)

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E lá vamos nós para mais uma temporada de American Horror Story (tá bom, mais uma minissérie de American Horror Story…), ou como gostamos de chamar aqui no SpinOff, “mais uma viagem da mente doente e perturbada de Ryan Murphy… que nós adoramos embarcar, de forma cega e inconsequente”. Dessa vez, a dupla Ryan Murphy e Brad Falchuk parece ter pegado mais leve nos fetiches sexuais (apesar deles permanecerem), e levou a coisa mais para o lado da fantasia. Logo, vamos conhecer do que American Horror Story: Coven realmente se trata.

Tudo começa em uma Nova Orleans de 1834, onde Madame LaLaurie (Kathy Bates) vivia a sua vidinha pacata de socialite, abrindo sua casa para se mostrar para a sociedade local e, nas horas vagas, e escravizar negros (tudo porque o seu marido a traiu com uma escrava). A madame é meio louca, pois acredita que um dos segredos de rejuvenescimento é passar uma solução sangrenta dos órgãos dos negros que ela mantém escravizada. Até que um belo dia, LaLaurie é vítima de um feitiço de uma especialista em vudu, Marie Laveau (Angela Bassett), que a mantém morta (ou presa em um estado catatônico) por, pelo menos, 300 anos.

No tempo presente, temos uma escola para crianças e jovens especiais (não confundir com a mansão do Professor Xavier, pelo amor de Deus), gerenciado por Cordelia Foxx (Sarah Paulson), que tenta fazer com que as jovens bruxas orientem os seus poderes para causas positivas (ou menos destrutivas do que natural), além de aprender a se proteger dos perigos do mundo exterior, inclusive delas mesmas. Sua mãe, Fiona (Jessica Lange), considerada uma Bruxa Suprema, não concorda muito com a metodologia da filha, e quer orientar as jovens bruxas para a iminente batalha entre elas e os mortais, uma vez que Fiona prevê que o tempo das caças das bruxas de Salém está voltando, e com força total.

A coisa se complica quando Zoe (Tassia Farmiga), outra jovem bruxa, entra para o colégio de Cordelia, guardando consigo um terrível segredo: ela mata as pessoas durante o ato sexual. Sim, isso mesmo: uma viúva negra. Zoe ainda não se dá conta do que é direito, e nem mesmo do quão poderosa ela pode ser. Ela e suas novas “colegas de colégio” até vão tentar viver uma vida normal, pegando garotos da faculdade e se metendo em problemas típicos da sua idade. Porém, com Fiona por perto tentando fazer de tudo para proteger a “Coven”, a vida dessas moças (e principalmente, a vida de Zoe) está bem longe de ser considerada algo normal.

Eu nem preciso dizer que Ryan Murphy, quando quer, faz algo bem feito. Acho que diante de tudo o que já vimos ele fazer em American Horror Story, podemos esperar algo minimamente interessante com American Horror Story: Coven. E é isso o que temos: uma história mais uma vez bizarra, com uma proposta que tem a assinatura das mentes doentes da dupla Ryan/Brad, com um ótimo elenco… enfim, está tudo lá.

Talvez algumas pessoas podem ficar um pouco decepcionadas por conta de uma mudança que o próprio Ryan Murphy afirmou que faria: uma série um pouco mais “leve”. Apesar de contar com cenas de extração de órgãos, escravos com olhos e bocas costuradas, e até um minotauro (ou tentativa de), Coven se mostra mais leve e até descontraída do que a temporada anterior (Asylum), onde a proposta é oferecer uma série que alcance um grupo maior de pessoas.

Muita gente também vai associar a premissa de jovens bruxas com o filme Jovens Bruxas (é óbvio), e com a série Charmed. Não se enganem: pode lembrar, mas não é similar. Até porque já dá para imaginar essas quatro jovens bruxas completamente diferentes nas suas personalidades se metendo em encrencas das grossas. Afinal, são jovens, impulsivas e inconsequentes, como devem ser.

Sem falar que Jessica Lange já chegou tocando o terror, e penso que Kathy Bates pode fazer algo semelhante. Afinal de contas, o que ela fazia com os escravos é algo digno dela mesma ser queimada viva na fogueira, algo que essas bruxas terão que evitar no tempo presente.

Ou seja, American Horror Story: Coven parece promissor. Talvez não tenha o mesmo impacto de Asylum no seu começo (que, convenhamos, foi “pé na porta, tapa na cara” total), mas não podemos duvidar de Ryan Murphy. Vai saber o quão mentalmente doente ele está nessa temporada. Para a nossa sorte.

Primeiras Impressões | A Vida de Rafinha Bastos (FX, 2013)

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O projeto foi anunciado no meio do ano passado, mas só agora tem a sua estreia oficial concretizada. E como não escrevi a respeito da pré-estreia da produção quando exibida em 2012, é hora de falar da estreia pra valer. A Vida de Rafinha Bastos promete mostrar o lado do humorista, com sua imagem “peculiar” sobre o mundo e, principalmente, sobre as polêmicas que rodeiam a sua vida. Porém, a pergunta que fica é: será que vamos rir de tudo isso?

A série já mostra em seu começo um Rafinha Bastos preso pelas suas palavras e atitudes. Preso mesmo, tal como você vê na foto acima. O comediante começa então a compartilhar as histórias que conduziram ele ao xilindró, mostrando a sua versão dos fatos, e principalmente, mostrando por que a sua imagem se tornou tão mal vista pelo público e crítica.

Situações do seu cotidiano, que resultaram em piadas de gosto duvidoso, que vão desde o fato do jornalista distorcer alguns contextos de suas piadas (e posteriormente esse mesmo jornalista morar no mesmo prédio de Rafinha, se tornando presidente do conselho de moradores, e tornando a vida do comediante um inferno) até o suposto bullying que o comediante sofre daqueles que não se simpatizam com o seu tipo de humor.

Tudo isso vai tentar mostrar a “vida de Rafinha Bastos”, de forma inspirada (ou não) na sua vida real, e nas suas mais recentes controvérsias.

Sim, eu não tinha muito para falar da premissa da série.

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Talvez o grande problema do piloto de A Vida de Rafinha Bastos é que ele é engessado. Nem estou falando tanto da carisma (ou falta dela) do protagonista, uma vez que ele é uma das celebridades mais detestadas pela audiência brasileira hoje. Alguns coadjuvantes da prisão (como o gay que está na mesma cela que ele) até funcionam, mas o todo não dá liga, sendo assim 22 minutos de um episódio que tenta colocar o comediante como vítima de uma sociedade que ele considera AINDA MAIS BABACA que ele.

Bom, talvez o único grande mérito da série é que partimos do princípio que Rafinha Bastos se assume o babaca que muita gente o vê hoje. Não estou dizendo com isso que ele tem consciência que fez merda. Estou dizendo que ele sabe que tem muita gente encarando algumas de suas piadas como algo escroto, e que nessa série ele está explorando isso. E que não concorda com as pessoas que enxergam isso como algo escroto. Para ele, é só humor, e a maldade está nos olhos e ouvidos de quem vê e ouve.

Não concordo com a teoria de Rafinha Bastos, mas isso é o que menos importa nesse post. Fato é que achei o piloto da série fraco. Você pouco ri com a situação do próprio comediante ser perseguido por um jornalista que distorce as coisas (todo mundo passa por isso), pouco se surpreende quando descobre a condição do jornalista (e as motivações para sua perseguição ao comediante), e se importa menos ainda com a solução dada para o episódio.

No final das contas, o piloto vale pela homenagem ao Marcelo Rubens Paiva. Bom, espero que Paiva consiga se sentir homenageado com tudo aquilo que o piloto apresentou.

Dificilmente eu vou continuar com A Vida de Rafinha Bastos. É o tipo de humor que não me agrada há tempos. Acho desnecessário calcar uma série em um monte de palavrões à esmo e situações que não fazem o menor sentido em um contexto geral.

Alguns afirmam que Rafinha Bastos está tentando ser o “Louis C.K. brasileiro”. Muitos estão revoltados com isso. Apesar de achar Louis C.K. um “babaca com grife” (e gosto não se discute, logo, não venham discutir o meu), eu entendo que os fãs do comediante norte-americano fiquem bravos com tais comparações. Até porque Louis C.K. tem especial na HBO, enquanto que Rafinha Bastos nem pode mais falar de bebê por aí.

Primeiras Impressões | Legit (FX, 2013)

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Eu precisei de três episódios para entender qual é a real proposta de Legit, nova comédia do FX, criada por Peter O’Fallon e por Jim Jefferies. Sem ler nenhum tipo de sinopse prévia, você pode ficar meio perdido e achar o piloto sem sentido algum. Porém, quando você vê o segundo e terceiro episódio, entende que a série tem um propósito, que vai além de mostrar apenas a escrotidão (quase) peculiar de um stand-up comedy. A seguir, minhas impressões.

Legit é baseada na história do comediante de stand-up australiano Jim (Jefferies), que se muda para Los Angeles depois de sua vida na Austrália virar uma grande porcaria. Na esperança de viver dias melhores, ele vai se encontrar com seu melhor amigo, Steve (Dan Bakkedahl), um recém divorciado de um casamento de oito anos, que é neurótico, e passa a maior parte do tempo cuidando do seu irmão, Billy (DJ Qualls), que sofre de distrofia muscular. Ao ver esse cenário, Jim, que não consegue se relacionar direito com as pessoas, entende que precisa fazer alguma coisa para deixar a sua vida menos tediosa e, de quebra, tirar os amigos das tragédias de suas próprias vidas.

E qual é a melhor forma de fazer isso? Simples: Jim entende que precisa levar Steve e Billy para uma viagem de “carpe diem do capiroto”, regada por bebidas, prostitutas e drogas. Literalmente.

Jim faz isso não só para colocar um sentido na sua vida. Na verdade, Jim não quer sentido nenhum. Só quer ganhar dinheiro e pegar algumas mulheres. Mas entende que uma das formas de fazer isso é apresentando um novo foco de vida para os dois melhores amigos. É claro que isso deixa algumas “sequelas” pelo caminho. A principal delas é que Janice (Mindy Sterling), mãe de Steve e Billy, fica praticamente louca com a hipótese do irresponsável do Jim cuidar de seu filho (ou dos dois, pois Steve é uma criança crescida), mas não pode fazer nada, uma vez que Billy acredita que com Jim ele vai viver de forma muito mais intensa do que preso em uma cama de uma casa de repouso… que, por sinal, ele foi expulso, depois de Jim o “sequestrá-lo” de lá.

Você pode achar a premissa de Legit dramática em muitos pontos, mas posso te garantir que não é. Estamos diante de uma comédia do FX de verdade, bem bagaceira, com diálogos e situações adultas. O personagem de Jim beira ao escroto em algumas situações, mas a condição de Billy o coloca em uma condição onde ele tem que fazer coisas que nem ele imaginava que fosse capaz de realizar para que seu amigo possa ver e viver o mundo por outra perspectiva. A mais branda (acredite em mim, é mesmo a mais branda) foi colocar o amigo deficiente no carro, viajar por quilômetros apenas para que ele tivesse a sua primeira vez (com prostitutas, é claro). E lá, Jim descobre que “Billy é bem mais do que aparenta” (para ser bem discreto, pois esse é um blog de família).

O grande mérito de Legit é combinar as situações escrotas ou piadas típicas de um stand-up comedy em um cenário relativamente dramático, e não simplesmente fazendo piadas escrotas e constrangedoras, sem objetivo algum. É mais branda que Louie no sentido “vamos ser bagaceiros”, mas a série tem os seus momentos de “pé na jaca”. Mas, mesmo assim, a história tem uma continuidade, ou ao menos um objetivo linear: mostrar como Jim e Steve vão fazer para tornar a vida de Billy melhor, mesmo que por mais algumas semanas, já que tudo indica que o rapaz pode morrer a qualquer momento, caso não receba os cuidados adequados. Na verdade, não é nada disso: é apenas a neurótica da mãe dele, que acreditava que sabia o que era melhor para Billy, e deixava o coitado em uma cama de uma casa de repouso, sem ter uma vida.

Particularmente, recomendo que você veja pelo menos os três primeiros episódios de Legit. Não se baseie pelo primeiro, pois ele não passa toda a ideia geral da série. Cheguei a imaginar que a série seguiria o mesmo ritmo de outras produções, onde a cada semana é abordado um personagem diferente, uma situação diferente, ou um grupo de personagens diferenciados. Nada disso. Só o fato de saber que vou continuar a ver como Jim vai dar ao Billy “a vida que ele pediu a Deus”, já vale a pena. E acho que a série pelo menos faz a tentativa de mais uma vez mostrar ao telespectador que uma distrofia muscular não vai acabar com a sua vida. Só impossibilita que você segure o bong de maconha em momentos específicos.