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Game of Thrones enganou você. E isso foi ótimo!

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A cara de muitos fãs de Game of Thrones (HBO) depois do episódio de ontem. E de muita gente que não viu o episódio, e ficou de mimimi na internet quando viu todo mundo comentando o ocorrido.

Não vou soltar spoilers para as chiliquentas não queimarem calcinhas na porta do SpinOff. Costumo respeitar essas pessoas. Mas não posso deixar de vir aqui reforçar o registro que fiz ontem em minha conta no Twitter: parabéns, HBO, roteiristas e criadores de Game of Thrones, por enganar TODO MUNDO! Sem sacanagem.

Tá, poderia sacanear um pouco, já que tem gente muito revoltada com tudo isso. Eu, particularmente, não. Estava esperando a série fazer um movimento realmente significativo, que mexesse com as estruturas da série e, principalmente, provocasse os fãs de forma mais enfática. Série que só explode cabeças no nono de dez episódios é cair muito no lugar comum, e este foi um dos motivos pelos quais muita gente acha Game of Thrones a série da pasmaceira na maior parte do tempo.

É claro que muita gente vai dizer “eu sabia o tempo todo que isso ia acontecer”. Ok. Mas não sabia como, quando ou por que. Esse mérito você precisa dar para todos os envolvidos em Game of Thrones, inclusive para a HBO, que chega a montar uma operação de guerra para que informações sobre a série não vazem antes do tempo (já falei sobre isso aqui no blog), e mudou toda a sua estrutura promocional para que a informação de ontem não vazasse antes do tempo.

Aliás, se até pedido de desculpas de um dos envolvidos rolou, é sinal que o negócio foi muito bem feito.

Logo, dessa vez, aplaudo Game of Thrones e a HBO de pé. Série boa precisa desses plot twists bem armados, de reviravoltas que mexam com o humor e o bem estar do telespectador. Chega de séries que vivem na zona de conforto na maior parte do tempo, onde os telespectadores ficam satisfeitos apenas com o que é narrado ou apresentado, muitas vezes se repetindo no lugar comum.

Viu? Falei sobre o que aconteceu ontem em Game of Thrones sem dar spoilers! 😉

A abertura de Silicon Valley mudou. Percebeu?

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Silicon Valley, comédia da HBO, é uma das minhas séries favoritas, e por motivos óbvios que dispensam maiores dissertações. É hoje uma das melhores séries da atualidade, ou pelo menos uma das mais originais.

Mas para aqueles que não sabem do que eu estou falando, vai uma breve explicação: Silicon Valley faz uma paródia sobre o mundo da tecnologia e essa nova fase de startups, mostrando como os empreendedores tentam ganhar a vida com tudo quanto é tipo de projeto no Vale do Silício. No processo, é preciso enfrentar a excêntrica forma de ver o mundo dos negócios dos líderes das gigantes de tecnologia, que querem se aproveitar das boas ideias a todo custo.

A terceira temporada veio com uma curiosa mudança na sua abertura. Os mais atentos verão algumas novidades em relação ao que foi mostrado no ano passado, mas é possível dizer que, na verdade, são várias as mudanças. E aqui trago os dois vídeos para que você descubra quantas empresas de tecnologia aparecem como novidade, e quantas mudanças você consegue detectar entre as aberturas da segunda e terceira temporada de Silicon Valley.

A abertura atual foi reformulada para refletir melhor o atual cenário de tecnologia. Boa sorte na procura!

Primeiras Impressões | The Leftovers 2ª Temporada (HBO, 2015)

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Mudou tudo.

Essa frase pode resumir o piloto da segunda temporada de The Leftovers. Mudou tanto, que nem a abertura é a mesma. É outra série. Há quem diga que é um spinoff da trama apresentada na primeira temporada. Olha, eu acredito com muita força. Talvez a salvação do projeto de Damon Lindelof e Tom Perrotta seja transformar a série em uma limited series, onde cada temporada conta um cenário diferente do mesmo evento sobrenatural, mostrando diferentes dinâmicas e motivações.

A segunda temporada só lembra a primeira na questão “onde essas pessoas foram parar?”. É o único ponto comum entre as duas tramas. The Leftovers agora tem nova abertura, novo elenco, nova cidade, nova trama inicial, novos protagonistas, novas motivações e novos mistérios.  É claro que temos alguns elos de ligação com a primeira temporada, principalmente nos novos moradores da pequena cidade texana, que a audiência da primeira temporada facilmente vai identificar quais são. A boa notícia é que dessa vez eles fizeram um primeiro episódio mais acessível e menos pedante. Sim, pois o piloto da primeira temporada é algo chato pra c*c*t* na minha opinião, por mais que digam que é “genial” e “maravilhoso”. Nesse caso, preferi ser burro, e nem ver o resto.

Já a nova temporada de The Leftovers apresenta um cenário menos complexo na apresentação dos personagens, mas mantendo o mistério que tanto alegram algumas pessoas. E não estou sendo jocoso nessa afirmativa. Uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos, cuja população tem valores religiosos fortes (pelo menos na teoria), começam a ficar com medo/pânico quando eventos totalmente inexplicáveis e aleatórios acontecem. Mas não sem antes eles terem que lidar com os seus próprios problemas, mazelas e viciações.

Exemplos? Uma família toda envolvida em pequenos segredos já serve. O pai, bombeiro, tem um amigo que consegue prever o futuro, e decide ganhar dinheiro com isso. Porém, surta completamente quando esse mesmo amigo prevê que o futuro do bombeiro terá um incidente trágico, e que nada ele poderá fazer para evitar. O filho do bombeiro está envolvido com o maluco religioso local, onde a água batizada de um rio teria propriedades curativas.

A filha mais nova é uma baladeira convicta. Fala para a mãe que vai dormir na casa da amiga, e vai para sabe lá Deus aonde. Resultado: quando o grande evento acontece, ela é diretamente envolvida (confirmando assim a previsão do vidente, amigo do seu pai). Aparentemente, a única pessoa centrada em valores minimamente cristãos é a mãe – e toda família precisa de um ponto de equilíbrio -, que até agora tem a sensatez de manter uma vida mais ou menos correta.

Por outro lado, até ela sabe que alguma coisa muito bizarra acontece ali, envolvendo os membros de sua família. No final, fatalmente boa parte da pequena cidade está envolvida, e veremos como essa comunidade vai lidar com esses eventos inacreditáveis.

The Leftovers se reformulou para se salvar. É uma série que, de novo, muita gente gostou, mas muita gente detestou também. Não é uma série fácil de acompanhar, eu admito. Mas para muitos, se tornou impossível. E o reflexo disso foi a sua audiência apenas mediana na primeira temporada, e uma estreia de segunda temporada que registrou apenas a metade dessa média (pouco mais de 700 mil telespectadores).

Para a HBO, é pouco. Eles mesmos sabem que erraram na primeira temporada de The Leftovers. Senão, não teriam mudado tudo. E a diferença entre os dois pilotos é gritante. Como disse antes, a nova temporada é mais acessível, e mesmo contando com uma narrativa lenta, tem uma trama inicial com potencial para atrair um público maior. É uma temporada que se propõe a combinar o mistério do inexplicável com a importância da fé de cada um em não se perder diante desse inexplicável. E isso pode ser muito interessante para o público mais adulto do canal.

Os primeiros 10 minutos do piloto não apresentam qualquer tipo de diálogo, mas são tão bem detalhados, que merecem ser apreciados com atenção. Sem falar que podem explicar parte do mistério da temporada. Além disso, uma coisa que não podemos negar é que mais uma vez a produção da HBO acertou em cheio na ambientação da série, e na sua riqueza de detalhes.

Ao meu ver, The Leftovers apresentou algo diferente, o que é bom. Se vai apresentar algo melhor, uma evolução em relação ao ano passado, só o tempo vai dizer. Não vou acompanhar porque não é o meu tipo de série (para mim, já bastou a experiência com Resurrection), mas acho que para quem tem disposição e paciência para esse tipo de trama, vale a pena conferir o piloto para saber se vale a pena prosseguir.

Uma coisa é fato: se a audiência da série não melhorar, só teremos terceira temporada se a série sofrer do mesmo efeito que Halt and Catch Fire (AMC) recentemente sofreu: audiência ridícula, mas aclamada pela crítica. E isso garantiu uma renovação.

Primeiras Impressões | O Hipnotizador (HBO, 2015)

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A HBO Latin America estreou a sua primeira série bilíngue, O Hipnotizador. Um drama sombrio, com clima noir, que te coloca no começo do século passado com vários recursos técnicos, e uma história que é necessária uma boa dose de saco paciência para sobreviver aos longos 56 minutos do seu piloto.

O Hipnotizador é centrado na história de Arenas (Leonardo Sbraraglia), o hipnólogo que viaja de cidade em cidade para apresentar a sua ‘arte’ (ou charlatanismo para alguns). Porém, por onde ele passa, ele deixa rastros. Todo mundo sabe que ele é um sujeito sinistro, com poderes que a maioria não compreende. Mesmo assim: como colocar contra a parede um sujeito que, quando ameaçado, pode fazer você se matar?

Aliás, vida e morte são dualidades constantes na vida de Arenas. Sua própria existência é atormentada por conta das visões que ele tem durante as noites. Ele simplesmente não consegue dormir, já que por onde ele passa ele ‘se conecta’ com alguém que precisa de sua ajuda. Isso faz com que ele veja fragmentos dos pesadelos dos outros, e só a sua hipnose pode ajudar a desvendar a verdade.

Porém, não é todo mundo que quer saber a verdade. E não são todos que querem que a verdade venha à tona. Tem muita gente com cadáveres escondidos por aí (literalmente), e Arenas pode ser uma grande ameaça para essas pessoas. Segredos que até então estavam muito bem guardados podem ser revelados por um forasteiro que, quando entende que sua missão ali está cumprida, pode simplesmente virar as costas e ir embora. Sem olhar para trás.

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Por partes. O Hipnotizador é mais uma série que mostra a excelência da HBO nas suas produções. É muito bem ambientada, colocando o telespectador dentro de um universo que lembra mesmo o começo do século passado, tanto nas vestimentas como nos cenários. OK, temos muitos ambientes digitalizados, o que dá uma forçada de barra no negócio todo, mas ainda assim, é de se perdoar esse aspecto.

Por outro lado, não dá para dizer que O Hipnotizador é uma série acessível para todos os tipos de público. Apesar de oferecer um plot bem simples, e seu piloto ter uma resolução nada complexa para uma série que se propõe a desvendar ‘casos importantes’, a sua narrativa é excessivamente lenta e arrastada. Os diálogos não fluem com tanta naturalidade, e para aqueles que preferem uma série mais movimentada e ágil no desenvolvimento da trama, as chances de você pegar no sono ao longo do piloto são enormes.

Some o tal clima ‘noir’, onde até a fotografia é preparada para que tudo tenha uma estética dos tempos da sua bisavó, com uma trilha sonora calma, onde em várias partes temos apenas um violino tocando… em cenas com segundos intermináveis sem falas. Como ‘cereja do bolo’, temos um protagonista que hipnotiza pessoas com as frases de código que todo mundo já sabe quais são (‘você está com sono… suas pálpebras estão pesadas…’).

O resultado? Vontade de dormir mesmo!

O Hipnotizador é uma série feita para o chamado ‘público selecionado’. Para muitos, vai soar uma série ‘pedante’, onde tudo ali foi pensado para que os ditos ‘especialistas’ digam para os meros mortais: ‘você é burro, e não entende o lirismo da metalinguagem adotada pelos criadores da série’. Bom, nesse caso, prefiro ser burro e economizar alguma coisa na conta de luz, pois mesmo entendendo bem o piloto, não é uma série que vale o meu tempo gasto.

Mesmo assim, o piloto não é ruim nos aspectos técnicos. É bem feito, bem produzido, e reforça o conceito “It’s Not TV, It’s HBO”. Mas não é para todo mundo, inclusive para mim.

Se vai seguir em frente, boa sorte. Te desejo o melhor, de verdade.

Primeiras Impressões | True Detective – 2ª Temporada (HBO, 2015)

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A fórmula aclamada pela crítica e público está de volta. A HBO estreou a segunda temporada de True Detective, com uma trama completamente nova, com novos personagens, um novo cenário, e uma nova proposta de drama investigativo com temas pesados, personagens intensos, e um novo mistério a ser desvendado em apenas oito episódios. É tudo o que queremos ver em uma excelente série.

Nessa temporada, ao que tudo indica, a lista de malucos e perturbados triplicou. Temos aqui Ray (Colin Farrell), um ‘detetive’ que nada mais é do que um maluco com problemas de controle da raiva, Ani (Rachel McAdams), uma xerife da divisão de investigação criminal com problemas com os homens por conta de uma péssima orientação paterna, e Paul (Taylor Kitsch), um policial rodoviário que é outro maluco que tem problemas com as mulheres.

Nessas eu me pergunto: a polícia não faz exame psicológico para admitir seus profissionais? Basta segurar uma arma e gritar que basta para ser contratado? É isso?

Deixando essas piadinhas infames de lado, o fato é que as vidas desses três se cruzam quando um cidadão dado como desaparecido é encontrado morto em uma estrada. Até aí, beleza. Porém, o cadáver é encontrado com características de quem foi executado por criminosos. Um dos maiores suspeitos é Frank (Vince Vaughn), um investidor afundado no mundo da criminalidade.

Porém, Frank tem como ‘aliado’ o nosso amigo Ray, uma vez que os dois são cúmplices de longa data. E isso deve complicar um pouco a vida dos outros dois oficiais da lei, que por sua vez precisam lidar com os seus próprios problemas em forma de casos em andamento. Ani, por exemplo, investiga uma rede de prostituição onde sua própria irmã é uma das ‘mercadorias’ oferecidas pela internet.

A ideia geral da temporada não se limita a acompanhar a investigação dos três protagonistas, mas principalmente mostrar as dificuldades que eles vão ter por conta dos seus problemas e interesses pessoais nesse caso. Afinal de contas, ninguém ali bate muito bem, e eles ainda são obrigados a trabalhar juntos para descobrir quem cometeu aquele crime bárbaro.

O que vai prevalecer no final das contas?

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Mais uma vez, Nic Pizzolatto mostra o seu valor e talento, e o piloto da segunda temporada de True Detective é muito bom. Talvez pode parecer um pouco mais complicado para se acompanhar para algumas pessoas, já que temos algumas transições de tempo e eventos acontecendo simultaneamente, onde nada se conecta muito bem. Porém, no final do episódio, tudo se alinha, e apresenta a proposta geral da série de forma bem clara.

Temos mais uma série da HBO com texto e roteiro apurados, com excelentes atuações. É um elenco equilibrado, e Vince Vaughn nunca esteve tão contido em sua vida (afinal de contas, ele é bem mais conhecido como um ator de comédia, e não de drama). Colin Farrell também merece destaque positivo como o maluco Ray. Ele é bem crível nesse tipo de papel.

Sem falar que o trabalho de produção é, mais uma vez, algo impecável. Uma produção gigante, complexa, que imerge o telespectador naquela atmosfera pesada e intensa que True Detective propõe. E podemos dizer que a série será ainda mais pesada no futuro (quem acompanhou as notícias publicadas no SpinOff sabe do que eu estou falando), e não poderia ser por menos: estamos falando de uma produção que trata de temas adultos, com uma proposta adulta. Não dá para esperar menos que isso.

Nem preciso dizer que True Detective é altamente recomendado. A primeira temporada exibida em 2014 foi algo surpreendentemente excelente, com uma produção e trama que a qualificam como uma das melhores temporadas de séries de todos os tempos. Com essas credenciais, ver a segunda temporada é algo quase obrigatório para quem gosta de ver séries de qualidade.

Não perca essa oportunidade. True Detective é uma das melhores experiências televisivas que você pode ter nessa summer season 2015.

Primeiras Impressões | The Brink (HBO, 2015)

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Eu entendi qual é a ideia de The Brink. Só não sei se entendi sé uma ideia realmente engraçada. O piloto de 33 minutos foi, em partes, um desafio tão complexo quanto encontrar a paz em um país em crise. A série criada pelos irmãos Roberto e Kim Benabib tenta combinar humor com política. Não que isso seja errado. Mas… será que eles fizeram da forma certa?

Cada temporada de The Brink vai mostrar uma diferente crise política ao redor do planeta, onde os mesmos personagens principais estão envolvidos para resolver esse conflito. Nessa primeira temporada, temos um grave problema no Paquistão, com uma população que se manifesta de forma raivosa contra o exército local e os norte-americanos. E esse problema deve ser solucionado por pessoas que não são consideradas as mais aptas para a missão.

De um lado o Secretário de Estado dos EUA Walter Larson (Tim Robbins), um homem que odeia o seu trabalho, tem uma vida desregrada, que normalmente te traz problemas na hora de gerenciar as crises internacionais que ele precisa administrar. Por outro, temos Alex Talbot (Jack Black), que foi enviado para Islambad para ser o embaixador dos Estados Unidos no Paquistão. Tem um comportamento egocêntrico, e totalmente indiferente aos que estão ao seu redor, desde que os problemas não o atinjam.

Esses dois mundos em algum momento vão se encontrar, aumentando de forma considerável os problemas do presidente dos Estados Unidos, gerando situações de vergonha alheia constante, mas que no final devem resultar em uma solução pacífica. Ou não.

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Apesar de entender a proposta de dar uma visão mais escrachada e bem humorada ao sério tema de resolução de conflitos internacionais, eu achei o piloto de The Brink bem chato. Já entendo que o tipo de humor de Jack Black é de difícil assimilação, e no piloto, ele não pode fazer todas as suas caras, bocas e trejeitos de outras produções.

Porém, o que complica mesmo na série é o seu desenvolvimento geral. Algumas piadas são tão óbvias que acabam não funcionando dentro do contexto geral da série. Algumas propostas de humor são mais diretas, com piadas mais pesadas, mas na tentativa de beirar ao absurdo, ela fica sem graça e um pouco previsível.

Não que eu me incomode com piadas de sufocamento durante o sexo, ou de militares viciados em drogas (pois sabemos que isso existe na vida real). Mesmo assim, não é feito de uma forma tão espontânea como acontece em outra novata da HBO (Ballers, que já comentamos no blog). Tudo é meio jogado na nossa cara, e o fato da gente pensar que ‘é o Jack Black’ que está fazendo isso não ajuda muito.

E eu até gosto do Jack Black, que fique bem claro.

No final das contas, The Brink tem que mostrar a que veio. A audiência da estreia foi considerada ‘ok’, mas pode cair no esquecimento rapidamente se manter esse ritmo meio insosso. Ou não: as pessoas podem acompanhar por conta do ‘fator Jack Black’, e a série continua no ar sem muita razão de ser.

Se vai conferir esse piloto, faça-o com algumas ressalvas. Há boas chances de você não gostar do que vai ver.

Primeiras Impressões | Ballers (HBO, 2015)

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Dwayne Johnson usando terno. Mas não é só isso. Tem mais. Ballers é a nova comédia da HBO que usa como pano de fundo os bastidores do futebol americano, mostrando que os atletas profissionais da América são pessoas comuns, que falam besteira e fazem muitas burrices. Tal como qualquer pessoa. Especialmente os jogadores de futebol daqui.

A série mostra Spencer Strasmore (Johnson), jogador aposentado que atua como intermediário para negociações de contratos com atletas em atividade. Spence, também conhecido como ‘golden boy’, tem um passado conturbado, onde dá a entender que sua carreira foi interrompida precocemente. Mesmo assim, anda na linha e tenta orientar os jogadores ativos a terem uma carreira produtiva, inclusive sem passar por problemas financeiros, tal como ele passa hoje.

Spence trabalha para Joe (Rob Corddry), conselheiro financeiro dele e desses atletas, que usa o prestígio de Spence para ampliar a sua clientela. No piloto, pelo menos dois atletas são os focos principais da dupla. Um deles é ultra-competitivo, mas só se mete em confusão (transar com uma mulher no banheiro da boate, espancar um cara que não gostava do time que ele jogava no universitário), enquanto que o outro estava com problemas financeiros, mas não se importava em dar grandes festas para amigos e pessoas que estão na sua casa, mas que ele nem conhece.

A missão de Spence é colocar essa turma no bom caminho, ao mesmo tempo que ele resolve os seus problemas financeiros e emocionais. Tudo isso, com o futebol americano como pano de fundo.

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Eu me diverti muito com o piloto de Ballers. Produzida por Dwayne Johnson e Mark Whalberg, a série tem um texto inteligente, tiradas rápidas e ágeis, e as piadas são bem encaixadas dentro do universo deles, mas ainda assim acessíveis para aqueles que não acompanham de perto o mundo da NFL.

Você não precisa ser um especialista em futebol americano para assistir ao piloto. Basta você ter em mente que boa parte dos atletas que você conhece não contam com um QI muito elevado, que o ego deles é maior que o Maracanã, e que a somatória desses dois fatores aumentam o potenciômetro da c*g*d* a níveis elevadíssimos. Não só as situações produzidas, mas as coisas que saem da boca de alguns deles são tão absurdas quanto evidentes. São bobagens que qualquer um poderia dizer… só que não, pois eu e você somos um pouco mais espertos que isso.

A produção de Ballers é cara. Muito cara. Carros de luxo, jóias, roupas luxuosas. A HBO entregou o cartão black platinum na mão dos produtores, e eles fizeram a festa nesse aspecto. Logo, espere algo impecável nesse aspecto.

Mas o ponto mais positivo do piloto é que ele tem ritmo. Está na dose certa, não te deixa com sono, não força nas situações. Não deixa os mais leigos perdidos, e aqueles que gostam do esporte vão se escangalhar de rir com as situações cretinas apresentadas.

O piloto de Ballers foi aprovado com louvor. Na minha opinião, um dos melhores da temporada. Vou assistir fácil a temporada da série, e recomendo que você ao menos assista ao piloto. As chances de diversão garantida são enormes.

Primeiras Impressões | Togetherness (HBO, 2015)

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Sabe aquela comédia ‘pé no chão’, que não te faz rir na maior parte do tempo, mas que, mesmo assim, tem alguma coisa ali que pode render? Pois é… essa foi a minha primeira impressão com Togetherness, nova comédia ‘PNC’ da HBO, que logo de cara não é indicada para a maioria dos leitores do SpinOff. Mesmo assim, apresenta uma proposta tão palpável, que acredito que alguns adultos podem se interessar.

A série fala sobre perspectivas de vida e crises de identidade na fase adulta. De um lado, Brett e Michelle, um casal aparentemente estável, com filhos e uma vida encaminhada, mas que vivem uma crise conjugal que se reflete na falta de interesse sexual da esposa pelo marido. Isso rende situações um pouco risíveis, mas que podem acontecer no dia-a-dia de qualquer casal (exemplo: o marido flagrar a esposa se masturbando no quarto enquanto lê ’50 Tons de Cinza’).

Por outro lado, temos Tina e Alex. Ela achava que estava com a vida nos eixos, até ser deixada pelo ‘namorado’ através de uma mensagem de texto no celular. Ele é um ator frustrado, que não consegue nenhum trabalho decente em Los Angeles (acabou de ser despejado) e, mesmo assim, não consegue ter o mínimo de programação na vida para fazer o seu caminho dar certo.

Tina e Alex ainda estão se encontrando. Vão descobrir que, juntos e sem qualquer tipo de programação futura, eles podem dar certo, por explorar as novas possibilidades que estão por vir. Já Brett e Michelle precisam trabalhar a relação, e redescobrir o que está errado para que o interesse sexual tenha se anulado. O fato do casal ter uma filha pequena com certeza influencia nesse resultado, mas existe algo mais que afeta nessa relação.

E a grande questão é: Tina e Alex podem ajudar Brett e Michelle de alguma forma?

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Togetherness não é um dos melhores pilotos da temporada. Longe disso. Muitos vão achar a série extremamente sonolenta (e com certa dose de razão), enquanto que outros vão simplesmente entender que mais uma vez temos a HBO agradando o público ‘PNC’, com uma comédia que pouco faz rir nas suas poucas piadas de humor negro.

Por outro lado, mesmo não achando o piloto lá essa maravilha, entendo que é possível render para o público-alvo que eles querem alcançar, ou seja, aqueles adultos que já tem filhos, e que certamente vão se identificar nas situações apresentadas pela série. Como eu já disse antes: alguns dos argumentos exibidos no piloto podem acontecer na vida de qualquer pessoa. Logo, a identificação com tais plots pode ajudar a segurar audiência.

Mesmo assim, acho muito difícil. Togetherness não é uma série para todo mundo. Eu mesmo não imagino um fã de 2 Broke Girls (beijo, @edu_sacer) assistindo essa série, mesmo que a temporada só conte com oito episódios. A não ser que a pessoa queira mesmo conhecer um pouco mais dos relacionamentos adultos, e em como aquelas situações que parecem simples e bestas podem ser até constrangedoras quando exibidas na tela.

De qualquer forma, esse é um piloto que não vou dizer para vocês não assistirem. Gastem os 27 minutos para conferir qual é a da série. Porém, estejam avisados: as chances da maioria dos leitores não gostarem do que vão ver são enormes. Não venha aqui no post dizer que recomendei série ruim para vocês.

E tenho dito.

A nudez feminina está se transformando em um grande problema na HBO?

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Eu não precisava lembrar disso, pois os leitores do SpinOff são muito inteligentes. Mas como preciso de um primeiro parágrafo para esse post, é preciso lembrar para a audiência que… vocês já perceberam que tem muita nudez na HBO, mas com a esmagadora maioria de nudez feminina? Pois é… pode surgir aí um grande problema para o canal.

Um artigo assinado por Sezin Koehler na The Society Pages afirma que séries como True Blood, Hung e Game of Thrones exploram por diversas oportunidades a nudez frontal feminina para “ilustrar” as motivações de personagens e as próprias tramas como um todo. Porém, o mesmo não acontece com a nudez frontal masculina, que não é tão vasta assim.

No artigo Koehler cita como primeiro exemplo a série True Blood, que conta com dezenas de exemplos de nudez frontal feminina ao longo de sua sexta temporada. E isso, tanto dos membros do elenco principal como dos coadjuvantes e extras. Em compensação, só aconteceram duas cenas de nu frontal masculino EM TODA A TEMPORADA. Em diversas oportunidades, apenas mulheres apareciam nuas nas cenas, mesmo que o argumento não fosse o sexo.

Em Game of Thrones então… a série tem momentos de soft porn, claramente voltado aos homens (talvez por isso tantos nerds punheteiros gostam da série). Koehler destaca que frequentemente as mulheres aparecem nuas na série, mesmo quando os seus parceiros sexuais na trama não estão em cena. Também destaca que, até agora, só teve uma cena de nu frontal masculino na produção. Até agora.

Mas o caso mais irônico é o de Hung. Só pra lembrar a premissa da série: Ray (Thomas Jane) é um professor de educação física, que faz muito sucesso com as mulheres por contar com um pênis muito acima da média dos demais homens. Ok… as parceiras sexuais de Ray aparecem o tempo todo nuas em cena. Mas… alguém já viu se o “pacote” de Ray é tudo isso que a premissa da série vende?

Ah, tá… você entendeu onde quero chegar.

Ou seja, mesmo quando a série fala de um órgão sexual masculino, ainda são as mulheres que se mostram por inteiro em cena.

No final do post, Koehler destaca que a nudez feminina não é apresentada nas séries da HBO como parte da trama, mas sim como uma clara forma de posicionar as mulheres como objetos sexuais, e não como seres humanos. Seria um problema “sistêmico”, onde os corpos das mulheres “existem par servir os homens dos diferentes mundos da séries da HBO”.

E você? O que acha de tudo isso? Deixe sua opinião (respeitosa, é claro) na área de comentários do blog.

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Primeiras Impressões | The Leftovers (HBO, 2014)

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Confesso que eu não consigo entender o que se passa na cabeça do senhor Damon Lindelof, co-produtor executivo da estreante The Leftovers (HBO). Mesmo. E eu não sou burro. O citado senhor, em uma recente entrevista sobre a sua nova série, praticamente pediu para que a audiência se concentre nos personagens, e não nos mistérios. Ok… eu vi o piloto com isso em mente… apesar do CAMINHÃO de perguntas sem resposta que o piloto apresenta. Então…

O que acontece, Lindelof? Quer usar o mesmo truque duas vezes?

Sim, pois da última vez que ele falou algo semelhante, um monte de gente fez o que ele pediu, e muitos desse monte de gente se ferrou bonito! Não esqueço até hoje que ele e J.J. Abrams, na coletiva de apresentação de Lost (ABC) para a imprensa, afirmaram categoricamente que “o personagem principal da série é a ilha”. No final das contas, as pessoas eram o que mais importava, a ilha era uma rolha, e o final foi aquele negócio que vocês viram.

Em The Leftovers, o principal motivo para contar a história já é o primeiro mistério da mesma. Tudo no mundo ia muito bem nesse mundão véio sem fronteira, até que 2% da população mundial simplesmente desaparece do planeta Terra repentinamente, e sem maiores explicações.

Vai me dizer que você não quer saber como e por que isso aconteceu… certo?

Três anos depois, você tem uma seita religiosa, que acredita que esses desaparecidos vão voltar para a Terra (e voltam) com a missão de salvar o planeta de uma grande ameaça, a própria população da cidade de Mapleton, que ficou completamente modificada com esse evento sobrenatural, alguns personagens que mudaram suas vidas para sempre, e todas as suas motivações posteriores (óbvio) – com alguns deles quase surtando, e outros surtando mesmo -, e se não bastasse tudo isso, um velho que fica matando os cachorros da cidade. Que ele alega que não são da cidade.

Ora, Lindelof… se você não jogou um monte de perguntas a serem respondidas na Terra, eu sou o Bryan Cranston!

Tudo bem, eu entendo o que ele quer dizer. The Leftovers até levanta questões interessantes, como “a fé vs o ceticismo”, o que esse desaparecimento coletivo causou naqueles que ficaram, e como isso transtornou a vida de todos. O piloto deixa isso muito claro. Porém, já aí temos perguntas sem respostas, até mesmo para que exista uma história a ser contada. De nada adianta ver essas pessoas sofrendo ou se drogando e praticando felação uma nas outras (no caso dos jovens da cidade principalmente) se não entendermos como elas chegaram naquele ponto.

Nesse ponto, Lindelof já se traiu.

Independente disso… a seita religiosa, o maluco caçando cachorros, e o desaparecimento de 2% da população mundial… como ignorar isso, Lindelof? IMPOSSÍVEL!

Tenho que ser justo aqui. The Leftovers é assinada por Damon Lindelof e Tom Perrota na posição de produtores executivos principais. Porém, foi o co-criador de Lost que mais apareceu na mídia especializada para defender sua série. Que por sinal, tem a cara dele: o piloto se arrasta, com personagens pouco interessantes, e uma trama que apenas esboça o que aconteceu e como aquelas pessoas vivem. É evidente que muita gente ficou curiosa com os mistérios levantados pela série, e nem pode ser diferente, pois é o que sobra de interessante nessa história.

Particularmente, eu não vou cair nesse truque. Não estou aqui dizendo para você não assistir The Leftovers. Só estou deixando o aviso: Damon Lindelof está usando da mesma estratégia de desviar o foco para depois justificar os seus erros no desenvolvimento da trama. Tirar o foco agora para quando não conseguir amarrar as pontas soltas.

Quer seguir em frente com The Leftovers? Boa sorte. Você foi avisado.

Primeiras Impressões | Sillicon Valley (HBO, 2014)

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Ser nerd ou geek está na moda. Os dois grupos nunca foram tão populares como é hoje, e isso se reflete no mundo das séries, com o sucesso de The Big Bang Theory, que é “apenas” a série mais vista da TV. Logo, por que não uma comédia focada no mundo dos geeks, das startups e das gigantes do mundo tech? Por isso, a HBO apresentou ao mundo Sillicon Valley.

A comédia faz clara referência ao Vale do Silício, região dos Estados Unidos onde se concentram as principais empresas de tecnologia e as startups (empresas pequenas e/ou iniciantes, compostas por poucas pessoas, mas com grandes ideias de soluções tecnológicas). A série tenta mostrar que, ao mesmo tempo que esse grupo de pessoas podem mudar o mundo com um novo aplicativo social ou sistema operacional revolucionário, eles são excêntricos e bizarros o suficiente para oferecer uma visão mais que peculiar sobre os responsáveis pelo próximo aplicativo que você vai utilizar no seu smartphone.

Sillicon Valley é focada em um grupo de desenvolvedores liderados por Richard Hendricks, que criou um site de buscas de música, que é capaz de entregar as músicas com alta taxa de compressão, mas mantendo a qualidade final de áudio. Isso poderia revolucionar a indústria musical, e essa ideia pode valer milhões de dólares. Porém, ele precisa lidar com alguns obstáculos pelo caminho para a sua ideia prosperar.

A primeira está nos seus próprios colegas programadores, que são menos centrados que Richard no progresso do site, desviando suas atenções para outras causas menos relevantes (não conseguirem pegar mulher, o último jogo lançado para o Xbox, etc). O segundo obstáculo está em Erlich Bachmann, o dono da “encubadora” que Richard desenvolve o seu projeto.

Bachmann é um esquisitão, que já teve sua ideia de aplicativo, mas acabou vendendo seu projeto para viver do nada. Quando o dinheiro acabou, criou a encubadora, na esperança que uma boa ideia aparecesse.

Por fim, Richard ainda tem que lidar com programadores concorrentes, que estão de olho no seu algoritmo, e nos CEOs das gigantes de tecnologia, que querem o seu algoritmo a todo custo, e não poupam esforços (e ofertas generosas de dinheiro) para seduzir nosso protagonista, que por sua vez quer garantir que sua ideia realmente torne a vida das pessoas algo melhor.

Muito bem, por partes.

Sillicon Valley se apresenta como uma boa série. Tem piadas bem sacadas, diversas referências que mostram que Mike Judge fez um belo trabalho pesquisando o mundo da tecnologia, e o tema pode render. Como já disse antes nesse post, o mundo geek nunca esteve tão em evidência, e isso pode se refletir na audiência da série (que foi boa nos dois primeiros episódios, levando em conta que uma queda no segundo episódio é algo natural).

Por outro lado, até eu reconheço que Sillicon Valley, assim como outras séries da HBO, é bem nichada. As piadas são muito específicas, onde você precisa ter um conhecimento razoável do atual cenário do Vale do Silício (e da história da informática e tecnologia de consumo como um todo) para sair gargalhando por aí das tirações de sarro com esse universo.

Nem todo mundo sabe como são os bizarros programadores e desenvolvedores de aplicativos e sistemas, ou onde fica Palo Alto (ou o Vale do Silício), ou como são excêntricos os CEOs das gigantes do setor. E sem conhecer detalhes desse universo, a série fica sem graça mesmo.

Logo, vejo que Sillicon Valley tem todas as chances de agradar o seu público alvo: os nerds/geeks que entendem do assunto. Para quem não está minimamente inteirado sobre o assunto, vai realmente achar a série um saco. E não posso culpar ninguém por tal efeito. Afinal de contas, Veep (que eu acho a melhor comédia da atualidade) sofre do mesmo problema: fala de política de forma muito específica. É até recomendado dar uma olhada na Fox News antes de ver a série da Selina Mayer.

Enfim, fica a dica: dê uma olhada em um bom blog de tecnologia antes de conferir Sillicon Valley. Caso contrário, as chances de você detestar o piloto são enormes.

Primeiras Impressões | Looking (HBO, 2014)

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Confesso que demorei para escrever sobre o piloto de Looking, da mesma forma que demorei para concluir os 29 minutos do mesmo piloto. Não me entenda mal, amigo leitor. Não achei o piloto da série ruim. Só que esperava bem mais.

Looking mostra o cotidiano de três amigos homossexuais em San Francisco. Patrick (Jonathan Groff) é o mais bem sucedido deles, atuando como um desenvolvedor de videogames. Ao se dar conta que os seus outros dois amigos, Agustín (Frankie J. Álvarez), um artista assistente, e Dom (Murray Bartlett), um garçom, estão começando a se virar na vida e nos seus respectivos relacionamentos amorosos (bom, naquelas, já que na prática nenhum deles conseguiu juntar as escovas de dentes com alguém), Patrick começa a pensar no seu futuro, e no futuro do seu coração.

E tudo começa na busca que um novo colega de quarto. Tá, ele começa procurando no site OkCupid (para fazer um “combo” no quesito “preenchimento de suas necessidades”), que não é o melhor lugar para você começar essa procura. Mesmo assim…

Direto ao ponto? O piloto de Looking me decepcionou. De verdade. A série, que se vendia como algo mais adulto ou ousado, acabou sendo relativamente leve. Trata de temas adultos sim, mas pelo menos no piloto, a impressão que tive foi que o roteiro foi o tempo todo trabalhado com o freio de mão puxado.

Veja bem, eu não estou aqui defendendo a baixaria televisiva. Só estou dizendo que, para um canal cujo slogan é “it’s not TV, it’s HBO”, eles até que fizeram um piloto tranquilo. Sossegado. Acomodado. Acomodado até demais.

Foi um piloto para apresentar o trio central de personagens, mostrar um pouco do seu cotidiano, dos seus dramas, e como eles lidam com isso de formas diferentes. O “Looking” do título pode ser interpretado pela “comunicação no primeiro olhar”. O primeiro flerte de Patrick com o seu interesse amoroso da vez (um avulso que ele encontra no metrô) acontece pelo olhar.

Além disso, Looking pode dar uma visão 100% urbana do universo dos gays na cidade com maior concentração de homossexuais nos Estados Unidos. Nesse aspecto, pelos comentários que li nas redes sociais, o grupo GLBT parece ter aprovado a série. Só me preocupo com os esteriótipos que a série pode apresentar, ou da produção ficar marcada por ser uma série apenas de esteriótipos. E aí, eu conto com a comunidade GLBT para dizer qual é a real da série.

Pra finalizar, achei o piloto de Looking comum. Eu espero que a série, ao longo de sua temporada, aborde temas mais contundentes e presentes no cotidiano de qualquer pessoa (hétero, homo, bi, trans, José Genoíno, corinthianos, entre outros), como por exemplo monogamia, doenças sexualmente transmissíveis, as dificuldades em viver em uma cidade de grande porte com pouca grana, preconceito, entre outros.

Se for só a série do “ai, bofe… te achei uma delícia… deixa eu abrir o zíper de sua calça?”, será uma grande perda de tempo.

Primeiras Impressões | True Detective (HBO, 2014)

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“O homem é o animal mais cruel que existe”. É com esse pensamento em mente que temos True Detective, a nova proposta da HBO que promete reinventar as séries policiais. De saída, é possível dizer que ao menos há potencial para isso acontecer. Até porque a premissa é, no mínimo, bem louca.

A história se se centra em em dois detetives com perfis psicológicos muito diferentes. Tão diferentes, que chega a assustar um deles. O detetive Martin Hart (Woody Harrelson) é descrito como “o cara comum”, com esposa e filhas. Faz o seu trabalho e pronto, sem envolvimento emocional com os casos, e vivendo uma vidinha pacata. Porém, tudo começa a mudar quando ele passa a conviver com o seu novo parceiro, o detetive Rustin “Rust” Cohle (Matthew McConaughey)… que é exatamente o oposto de Hart.

Cohle é uma alma perturbada. Solitário, sem esposa, sem filha, sem ninguém. Livre para sair por aí bebendo, consumindo substâncias ilícitas e com tempo de sobra para ler livros sobre crimes sexuais e teorias conspiratórias das mais diversas. Se envolve profundamente com os crimes que investiga, interpretando os códigos mais macabros nas vítimas e pistas. E todos esses elementos fazem de Cohle um ser muito estranho. Aliás, estranho perto dele é um ser absolutamente normal.

A série viaja em diferentes janelas de tempo. No tempo presente, Hart precisa ajudar a polícia a interpretar o perfil de Cohle, que em um passado não muito distante, deve ter feito alguma m*rda gigante, para que outros policiais procurem compreendê-lo (ou compreender o que ele fez). E, como toda história tem um começo, um terceiro salto para o passado é dado, para mostrar a origem de tudo.

True Detective é uma série da HBO, e não nega isso. Desde sua premissa fora dos padrões até a estética da série, tudo isso mostra a qualidade empregada na produção. Também vale a pena destacar as atuações de Harrelson e McConaughey (que também são produtores executivos da série), que estão muito bem no piloto, fazendo papéis mais profundos do que qualquer coisa que eles já tivessem feito antes.

Alguns podem achar que o piloto da série possui um ritmo lento e sonolento. Particularmente, discordo. A proposta de mostrar um detetive perturbado a ponto de achar que a humanidade deveria “dar as mãos a caminho da extinção” é interessante demais para você sequer cochilar. Entendo que, tal como outras séries da HBO (e da TV paga em geral), eles precisam contar uma história antes de ir para a ação. E, nesse caso em particular, essa história precisa ser contada com o máximo de detalhes possível.

Por fim, entendo que True Detective tem um bom potencial para ser a nova série “queridinha” da HBO. Pelo menos todos os elementos para isso estão lá. Se você gosta de séries do gênero, as chances de gostar dessa são enormes. Pretendo acompanhar para ver onde essa história vai dar. Até porque estou curioso para saber qual foi o nível da m*rda feita por Cohle.

E até temo por isso.