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Primeiras Impressões | Heroes Reborn (NBC, 2015)

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Em fevereiro de 2010, eu estava feliz com o final de Heroes. Estava chegando ao fim uma das maiores picaretagens da história da televisão, onde seu criador, Tim Kring, cometeu tantos erros absurdos nos rumos da história que ele estava contando, que teve que pedir desculpas publicamente. Por três vezes. Mas como o mundo dá voltas, e tem alguém na NBC que me odeia com todas as forças (de nada, Bob Greenblatt), temos Heroes Reborn para tornar a fall season 2015 algo ainda mais “interessante”.

Antes do piloto estrear, a NBC liberou seis pequenos episódios de 7 minutos cada no seu site (formando um episódio de 42 minutos), que serviu de prequel para os eventos da temporada. “Heroes Reborn: Dark Matters” basicamente serve para apresentar o personagem Quentin Frady (Henry Zebrowski) e suas motivações, os eventos que dão início aos acontecimentos da temporada, e o reposicionamento dos personagens que serão aproveitados de Heroes nessa nova temporada, além de atualizar algumas informações relevantes sobre a história como um todo.

Recomendamos aos mais corajosos que, se ainda não viram e querem mesmo levar a sério Heroes Reborn, que vejam os episódios. Será importante para ver o piloto depois.

Em linhas gerais, Heroes Reborn dá um salto no tempo, mostrando as consequências da revelação dos poderes de Claire Bennett (Hayden Panettiere) ao mundo. Aqueles que tem poderes são denominados EVOs, e são parcialmente perseguidos pela sociedade e entidades governamentais. Muitos fogem para países que são mais tolerantes com suas propriedades especiais (nesse caso, e de forma irônica, o Canadá), enquanto que outros sem reúnem secretamente para descobrir o que fazer e como se defender dos civis que querem fazer justiça com as próprias mãos.

Dois desses justiceiros são  Luke (Zachary Levi) e Joanne (Judith Shekoni), pais de um garoto de nove anos de idade que perdeu a vida no atentado em Odessa, onde vários EVOs se manifestavam na tentativa de promover a paz e a harmonia entre os grupos de diferentes origens. Não deu certo: tudo explodiu, um monte de gente morreu, e todo mundo culpou Mohinder Suresh (Sendhil Ramamurthy) pela autoria do atentado.

O centro da ação de Heroes Reborn está em Noah Bennett (Jack Coleman), que estava em Odessa, no local onde supostamente Claire Bennett foi morta. Bennett saiu da Primatech quando a mesma foi adquirida pela Renautas, mas sabe que algo sinistro rola por lá. Mas como precisava se proteger – e, de alguma forma, proteger Claire, que pode estar viva ou não -, ele fez questão de ter sua memória parcialmente apagada pelo Haitiano. E seguiu a vida.

Enquanto isso, Quentin – que teve a sua irmã resgatada pela Renautas, e sabe que tem algo sinistro acontecendo por lá – encontra Noah, na tentativa de obter ajuda para descobrir o que está acontecendo, e como parar esse evento que pode mudar tudo.

Nesse meio tempo, vários eventos isolados acontecem, e todos devem culminar em um evento comum até o final da temporada acabar. Temos um novo EVO chave para a resolução de tudo: Tommy (Robbie Kay), um jovem que tem uma vida normal, mas que tem o poder de fazer as coisas que toca desaparecer. Do outro lado, Carlos (Ryan Guzman), um veterano de guerra, tenta ser um novo tipo de herói, mesmo não tendo poderes. Temos até uma EVO que tem o poder de se transformar em um personagem de videogame, que tenta salvar o pai no universo do jogo. Não será surpresa se o pai dela for ninguém menos que Hiro Nakamura (Masi Oka), mas não estou afirmando nada.

No final das contas, o objetivo dos EVOs não é apenas sobreviver em um mundo que é hostil em relação aos seus poderes, mas sim sobreviver à uma ameaça que está acima deles, e que envolvem poderes que todos ainda desconhecem. Quero dizer, quase todos: Noah Bennett já sabe o que vai acontecer. Só precisa descobrir tudo de novo.

Heroes-Reborn-Poster

E temos mais um piloto que grita Tim Kring por todos os lados, minha gente. Tecnicamente, Heroes Reborn é um bom piloto, e eu já previa isso – falei sobre isso por diversas vezes no SpinOff Podcast -, uma vez que é a tática perversa do nosso showrunner preferido: fazer um piloto para enganar os trouxas, para depois c*g*r bonito na sequência dos acontecimentos da série. E é por isso que eu digo: Tim Kring não vai me enganar dessa vez.

Mas, deixando a minha linha de raciocínio hater de lado, acredito que os fãs de Heroes Reborn vão se identificar com a estrutura narrativa da série. Não dá pra dizer que não é Heroes o que você está assistindo. É Heroes, tanto na proposta estética, como na narrativa, como no desenvolvimento dos personagens e acontecimentos. Não é um ritmo tão ágil assim, até porque Tim Kring abre tanta ponta nas histórias paralelas, que é preciso ter muita paciência para conhecer todos os personagens e situações propostas por ele.

Por outro lado, não posso dizer que não era o que eu esperava. Pelo menos nesse início, Heroes Reborn apresenta todas as suas tramas, seus personagens e suas aspirações. Tem alguns plot-twists interessantes, algumas coisas bem absurdas, e uma delas bem risível: um personagem que não abriu a boca em Heroes acaba falando em Heroes Reborn… mas só sobrevive na série por apenas três minutos… Sério, chamaram gente para voltar por TRÊS FUCKING MINUTOS na série… aí você vê como o personagem era “relevante”.

Mesmo assim, Heroes Reborn não tem um piloto pior do que – por exemplo – The Bastard Executioner, que tem a mesma 1h29 da série da NBC, mas que te faz desejar a morte a todo instante. Seja pelo entretenimento, ou pelo prazer sádico de ver tudo acabar em m*rda por conta de um showrunner que não sabe desenvolver uma série, o piloto de Heroes Reborn não é cansativo a ponto de fazer você desistir.

Acredito que quem gostava de Heroes voltou para conferir qual é a de Heroes Reborn, e deve ficar satisfeito com o que viu. A audiência nos EUA da estreia da série foi considerada “OK” (6 milhões na geral, 1.9 na demo 18-49 anos), onde a mesma audiência qualificada praticamente voltou para ver qual é a do piloto. Acho que essa audiência vai cair ao longo dos episódios – até porque é impossível bater de frente com Grey’s Anatomy na ABC e o futebol americano na CBS), mas qualquer coisa que tenha demo de 1.5 ou superior para essa série já pode ser considerado uma vitória.

Muito bem, crianças… Heroes voltou, em forma de Heroes Reborn. Eu vou acompanhar até o final, só pelo prazer de falar mal. Se for bom, eu conto para vocês. Mas de cara, eu digo: Tim Kring, você não me engana. Não vou elogiar você de graça. Vai ter que fazer muito para me convencer que realmente aprendeu as lições dos erros do passado.

Porém, se Heroes Reborn for renovada para uma segunda temporada, a minha surpresa será zero. Cantei essa bola antes mesmo da série estrear.

[Resenhas] Hoje é Dia da Vovó. Logo, vamos relembrar as adoráveis velhinhas da TV

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Hoje, 26 de julho, é dia da vovó. Ok, mais uma data para o comércio faturar, mas que foi tomando força nos últimos anos. Primeiro, porque as novas gerações estão, aos poucos, redescobrindo a beleza do convívio entre avó e neto. Depois porque, em virtude da evolução da medicina, nossos avós estão vivendo cada vez mais conosco. Mas, fato é que, no mundo das TV, as avós são, em alguns casos, aquela “cereja do bolo” em uma história, nos oferecendo momentos inesquecíveis e surpreendentes.

E vamos tentar mostrar isso neste post, relembrando algumas das adoráveis velhinhas da televisão. Também queremos mostrar que o esteriótipo de “avó sentada na cadeira de balanço, fazendo tricô” foi pro espaço a um bom tempo. Algumas da lista nem estão tão velhinhas assim, outras, nem são tão amadas assim, mas todas são avós no seu universo televisivo.

Celia “CeCe” Rhodes (Caroline Lagerfelt, Gossip Girl, CW/Warner Channel)

A distinta senhora Celia “CeCe” Rhondes, de Gossip Girl é ambiciosa, egoísta, e quase ferra com a vida de sua filha, Lily Humphrey, e de sua neta, Serena van der Woodsen. Fez de tudo para que a filha ficasse vivendo em seus regimentos, e quase fez com que a neta se envolvesse com um playboy de procedências questionáveis.

Mas, como em toda história de ficção, nada como uma doença terminal para era perceber que ela só poderia ser “apenas” avó de Serena e Eric. Ou, pelo menos, para parar de atrapalhar a vida dos outros. Uma avó elegante, tradicional, que até que é bom, pra gente ser um pouco mais sofisticado e refinado.

Angela Petrelli (Christine Rose, Heroes, NBC/Universal)

Esta é uma avó que você certamente não gostaria de ter. Manipuladora, super protetora a ponto de desejar que os outros morram no lugar de seus filhos e netos, mal dorme à noite (por causa de seus poderes) e entra na lista do “pra quem esta senhora não deu na série?”.

Imagine ter uma avó que pode sonhar com o futuro? Péssimo. Ainda bem que Claire Bennett não sofreu muito nas mãos dela, uma vez que Heroes foi cancelada. Ah, de quebra, vale o registro de que a senhora que você vê acima, também é mãe de Ted Mosby (How I Met Your Mother, CBS/Fox Life), ou seja, é avó em dobro (nem que seja no futuro).

Lucile Bluth (Jessica Walter, Arrested Development, FOX)

Essa aí é aquele tipo de avó que está ficando cada vez mas presente nas nossas vidas: a avó perua. Se veste de forma sofisticada, não tem papas na língua, faz o que lhe vem a cabeça, e é muito mais socialmente ativa do que você, que passa o dia diante do computador, no Orkut ou Twitter.

Lucile Bluth foi várias vezes motivo de vergonha alheia para seu neto, George Michael, mas ainda assim, é aquele tipo de avó que é sempre bom ter por perto. Afinal, nunca se sabe quando você vai precisar dela para espantar a jaburu que dá em cima de você no shopping, não é mesmo?



Camile Braverman (Bonnie Bedelia, Parenthood, NBC/LIV)

Esta é aquela avó que já aguentou tudo nesta vida, mas teve o seu prêmio: a serenidade. Tanto que compreende tudo o que acontece com os seus netos adolescentes, ajuda a minimizar as barreiras do seu neto com Síndrome de Asperger, e até acolhe na família o neto que ela nem conhecia. É a avó que passa calma e tranquilidade quando é necessário. Daqui a 20 anos, Camile será uma avó ainda mais adorável.



Evelyn Harper (Holland Taylor, Two And A Half Men, CBS/Warner Channel)

Sabe a Lucile Bluth? Multiplique por 5 e você tem Evelyn Harper. A diferença é que a mãe de Charlie Harper aproveita ainda mais os prazeres da vida do que Lucile: bem sucedida profissionalmente, é elegante, atraente, inteligente, e sexualmente ativa. Um típico modelo da avó moderna.

Moderna a ponto de se vestir de colegial para um dos seus “ficantes”, e não esconder isso do seu próprio filho. E moderna a ponto de fazer o próprio neto de mordomo. Resumindo: para ser neto de Evelyn Harper, seja, pelo menos, tão inteligente e sagaz quanto ela é.

Jessica Fletcher (Angela Lansbury, Murder, She Wrote, CBS)

Aqui temos o melhor exemplo de “como você pode aproveitar uma velhinha curiosa e bisbilhoteira”. Jessica Fletcher, como boa parte das nossas vovós, não se limitou a cuidar de sua própria vida, e resolveu cuidar da vida dos outros, mas de uma forma muito construtiva.

Durante 11 temporadas, Jessica ajudou a traduzir mistérios dos mais diversos, com os métodos mais divertidos e deliciosos possíveis: dançando animadamente em um bar cheio de marmanjos, apostando em corrida de cavalos, e até se aventurando no mundo dos esportes. Nem James Bond faria tanto o que ela fez  e tão bem, em Assassinato Por Escrito. E um ótimo exemplo do “vou caçar o que fazer quando me aposentar”.

Karen McCluskey (Kathryn Joosten, Desperate Housewives, ABC/Sony)

A senhora McCluskey é uma das provas que é sim possível que alguém possa mudar em idade avançada. Veja bem: ela saiu de uma típica “velha da janela”, que reclamava de tudo e de todos, vivia bebendo e tomava sorvetes do freezer de casa, onde guardava o finado marido congelado, para ser a “avó de Wisteria Lane”, sendo babysitter dos filhos de Lynette Scavo, e indo além, salvando os filhos dela no incidente do tornado. Neste meio tempo, maneirou na bebida, teve câncer, se curou, e redescobriu o amor, aos 70 anos de idade.

Marie Barone (Doris Roberts, Everybody Loves Raymond, CBS/Sony)

Marie Barone é a avó que certamente você gostaria de ter. Mas, veja bem: eu disse avó, e não qualquer outro tipo de parentesco. Como avó, Marie é o exemplo a ser seguido: amorosa, beijoqueira, carinhosa, muito boa de cozinha, e sempre muito atenciosa. É a personificação da avó um pouco mais tradicional.

Mas, ao mesmo tempo, ela é o terror das noras, por achar que elas simplesmente não são as mulheres ideais para seus filhos. E isso faz com que a vida das pobres noras seja um inferno. Logo, torça para você ser apenas neto de Marie. E torça para que você nunca cresça.

Dona Benta (Zilka Salaberry, Sítio do Pica-Pau Amarelo, TV Cultura/Rede Globo)

Nem Monteiro Lobato conseguiu imaginar uma Dona Benta tão perfeita como Zilka Salaberry. Ela é a avó da TV brasileira. Todos queriam ser netos dessa Dona Benta. Lembrar dela é lembrar dos nossos melhores tempos de criança (para aqueles que hoje tem mais de 30 anos de idade), das coisas simples, das brincadeiras simples.

Se dizem que “avó é a mãe com açúcar”, a Dona Benta de Salaberry é a prática desta teoria. Até para repreender o fazia com candura. E o mais importante: fez com que seus netos viajassem no mundo da imaginação e das lendas, embarcando com eles neste universo, sendo personagem participativo do mundo deles. Uma avó bem tradicional, mas que é aquela avó que a gente tem vontade de visitar todo o fim de semana, para ouvir suas histórias, e compartilhar de sua sabedoria e companhia.

Cloris Leachman (pelas avós feitas em Malcolm In The Middle, FOX, e Blue Mountain State, Spike TV)

Legal estes posts que vão de Dona Benta para Cloris Leachman com apenas algumas linhas de diferença. Leachman é o oposto de Dona Benta. Ok, a gente olha pra Dona Benta, com sua doçura, candura… e não consegue pensar que ela ainda, digamos, “se interessa pelo esporte” (if you know what i mean).

Bom, Cloris em quase todos os papéis que ela vem fazendo nesta década, tem desafiado crítica e público justamente por mostrar que, aos 84 anos de idade, a última coisa que ela está  neste mundo é morta. Afinal, qual avó neste mundo manda o neto dar um soco nela com toda a violência? E qual avó acaba virando a alegria de um time de futebol americano universitário inteiro apenas usando as mãos? Quer saber? Melhor a Cloris assim do que ser uma velha reumática e desiludida da vida. Aliás, ela fará outra avó tresloucada em Raising Hope, nova série da FOX da próxima fall season.

E agora… a vovó “hour concour” da televisão…

Betty White (por Rose Nylund, The Golden Girls, NBC, e pelas demais vovós que ela já fez e ainda vai fazer)

Eu nem precisava explicar muito o porquê dela estar nesta lista, mas, basicamente, Rose Nylund era a mais amada das “suepr gatas”, e conquistou uma geração de telespectadores ao redor do mundo. Esse papel definiu Betty White como a avó da TV e, por muitas vezes, acabamos confundindo personagem com a própria atriz.

Tudo o que ela fez depois (até mesmo a velha bruxa louca de My Name Is Earl), ela acabou colocando a simpatia e carisma criados em The Golden Girls. É a avó que todo fã de séries gostaria de ter (e, depois de tudo o que aconteceu de positivo com ela em 2010, é a avó dos fãs de séries, definitivamente). E é centro das atenções até hoje, fazendo a doidinha da Elka Ostrowsky, de Hot In Cleveland (TV Land).

Por fim…

Este longo post é mais forma do SpinOff homenagear as vovós da TV e as nossas vovós do mundo “fora da telinha”. Algumas de nossas melhores memórias da infância estão ligadas a aquelas que tem muitas memórias pra contar. Avós fazem com que nossas mães sejam “suportáveis”, pois estão lá para adoçar nossa vida, e não fazer com que a gente se perca nos desencontros da vida.

Avó é aquela peça de porcelana que temos que tratar com todo o cuidado, pois são seres únicos, especiais. Sei que este blog não é o melhor lugar para dar conselhos, e longe de nós em fazer isso, mas, fica a dica: saia um pouco deste computador hoje e vá dar um abraço e um beijo bem gostoso na sua avó. Nada de telefone, nada de MSN ou Skype: a melhor forma de homenageá-la hoje é você lembrá-la que, para você, ela é uma parte muito importante daquilo que você é hoje. E porque carinho de avó faz muito bem.

O SPINOFF DESEJA UM FELIZ DIA DA AVÓ PARA AS AVÓS INTERNAUTAS QUE ACOMPANHAM O BLOG! VOCÊS MERECEM!

[Editorial] Heroes e Flash Forward: o adeus à duas grandes picaretagens da TV

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Estamos nas duas últimas semanas da Fall Season 2009-2010. Em uma temporada de TV tão intensa, mas com tantas coisas ruins que foram ao ar, chega a ser uma vitória moral quando duas produções que recebiam destaque em diversos blogs/sites de TV justamente pela baixa oferta ao público em termos de qualidade (a.k.a. histórias que qualquer um de nós, com boa vontade e bom senso, faríamos melhor) são canceladas. E mais: foram muito mais comemoradas do que renovações de séries que muita gente gosta. Este post é a homenagem do Spin-Off para estas séries que tanto conteúdo inútil nos deram para achincalhar produtores, roteiristas e atores, e que, honestamente, vamos sentir saudades de baixar o porrete nelas. Vamos começar pela mais nova.

Flash Forward (ABC/AXN). Eu, Eduardo Moreira, fui um daqueles que foi estupidamente enganados pelo conceito, e mais ainda, pelo seu episódio piloto, que é um dos melhores que eu vi na vida. Mas, a vida ensina a não julgar nada pelas aparências. Mesmo que seja um julgamento positivo. E todas as vezes que eu penso em Flash Forward, me vem junto o sentimento de revolta contra mim mesmo. Por ter acreditado em um piloto muito bom, por ter ficado para ver o que iria acontecer depois de 6 meses, no que representavam estes 2 minutos e 17 segundos… enfim, descobri no episódio 07 o que tudo isso significava: que eu era um perfeito idiota por continuar a assistir a trama.

Personagens sem o mínimo de carisma, episódios absurdamente arrastados, respostas sem sentido e sem nexo logo de cara, com revelações e argumentos que, para uma série que só estava no começo, beiravam ao patético. Flash Forward era um dos melhores argumentos possíveis para uma série de TV, pois aliava ciência, mistério, ação policial e dramas pessoais, mas tudo isso foi rasgado de forma quase que imoral por roteiristas incompetentes e atores que davam a impressão que foram agrupados para fazer algo que não estavam nem um pouco a fim de fazer.

Um baita tiro no pé da ABC, que prometeu a série como “o novo Lost”, e não chegou nem perto de ser “o novo Chisperito”. A lição que fica é que um canal de TV nunca, JAMAIS deve prometer algo sem ver qual a reação do público diante deste algo. Tem gente afirmando que, nestes últimos episódios, a série melhorou muito do marasmo que era quando a pausa aconteceu. O que eu posso dizer é que “essa é a melhora da morte” do paciente que, quando foi internado, já dava a impressão que iria morrer, entrou em estado crítico, e melhorou para receber a extrema-unção.

Além disso, para quem abandonou a série no começo, não iria mais voltar agora, e pelos números da audiência, a série só agradou a alguns poucos: na premiere da série, ela teve mais de 12 milhões de média; quando voltou da pausa, já eram menos de 6 milhões, e seu último episódio exibido nos EUA teve pouco mais de 4 milhões de média. Ou seja, Flash Forward não passa de um dos maiores fracassos, fiascos, tentativas de enganação, eventos de vergonha alheia da história da TV.

Heroes (NBC/Universal) é um caso de amor e ódio. Amor porque eu amava detonar esta série no Spin-Off Podcast. Ódio porque, a cada vez que vejo um promo, um teaser ou qualquer coisa da série, logo me vem à mente “como uma série pode ter um promo tão bom e, ao mesmo tempo, ser uma série tão lixo?”. Mais ainda: é sempre bom lembrar que a série de Tim Kring teve a honra de ser indicada ao Emmy de Melhor Série Dramática de 2006, em sua primeira temporada, o que é um feito para poucas séries. E isso ocorreu com justiça, pois a Season 1 de Heroes é realmente muito boa. Porém, depois disso, em compensação…

Uma sequência inacreditável de eventos desnecessários e totalmente desencontrados com a linha de tempo que a própria série criou foi jogado na nossa tela, como se fossem baldes de coliformes fecais na nossa cara (como diria André Zuil). A amostra de que seria ridícula a sequência das temporadas veio no final da primeira, quando um vilão huge-motha-fucka é derrotado com uma faquinha de pão Pullman, empunhada por um japonês que ficava gritando “Yatta”. Depois, o mesmo japonês é jogado para outro século, e fica preso lá, sem servir pra nada, durante UMA TEMPORADA INTEIRA.

Nesse meio tempo, o mega-vilão recobra a memória, se vira contra a tal Companhia, o copiador de poderes continua sem saber usá-los, tem o irmão ganancioso, a cheerleader que quer ter vida normal, o policial babaca, o tempo passa… e aí eles descobrem que os culpados disso tudo são os pais deles.

Aí, os filhos vão à luta (sem antes ouvir as desculpas de Tim Kring pelo conteúdo apresentado). Rapidamente, percebemos que os vilões são bem mais interessantes do que os heróis, que se revezam em trapalhadas de roteiros e argumentos, além de viagens no tempo e linhas alternativas que nunca se concretizaram. Chegam os vilões, tocam o terror na série, dá-se a impressão que a série iria melhorar… até que, não mais do que de repente, eles estragam tudo de novo, criando uma brincadeira de gato e rato, entre o governo dos EUA e os nossos heróis (até mesmo colocando um clone de Barack Obama na série). Tim Kring, de novo, pede desculpas.

A brincadeira de gato e rato é o que há de pior na série: heróis que morrem com tiro na barriga, todo mundo podendo pintar o futuro, pessoas que não tem poder acabam desenvolvendo poderes… e no final, o vilão huge-motha-fucka é derrotado. Como? Ele é induzido a ser um outro personagem, apenas pela força do pensamento. Mas… POR QUE NÃO FIZERAM ISSO ANTES??? Beleza, vamos pra próxima: novos vilões. Na verdade, apenas um deles, que usa cajal no olho e vive em um circo mambeme. Aliás, circo mambembe foi o a tônica da temporada derradeira de uma das maiores decepções que os fãs de séries tiveram em todos os tempos.

De Heroes se esperava muito, e se encerrou de forma patética, com o vilão mega-poderoso virando um herói. Por que? Porque ele simplesmente pensou: “eu quero sair desta vida de matar pessoas e catalogar poderes que, ao longo das temporadas, eu nem me lembrei de metade deles, para me livrar das emboscadas de roteiros que me colocaram”. É, tinha mesmo que acabar. Era o sofrimento por todos os lados. Tem algumas pessoas que rumoram que a NBC ainda vai produzir 4 ou 5 episódios para contar o final da história. Honestamente, eu duvido.

Heroes e Flash Forward tiveram seus cancelamentos anunciados, e isso foi mais comemorado do que várias renovações que vi ao longo dos anos. Aliás, poucas vezes vi uma manifestação tão festiva em torno de um cancelamento, e no caso de Heroes, foi tão falado que foi parar no Trending Topics Brasil do Twitter.

De qualquer modo, vão para nunca mais voltar, mas lá no fundo, todos nós vamos sentir falta do sentimento incontido de detonar, sem dó nem piedade, produções que, em seu enredo, revelavam o quão infeliz pode ser um canal de TV que investe nestes produtos. Fica aqui o registro do Spin-Off que, apesar do alívio de não precisar mais colocar estas séries no upfront 2010-2011, teremos sempre um lugar especial no nosso pensamento, pois serão casos a serem lembrados sempre de “como jamais um canal de TV deve fazer”.

R.I.P.

Heroes (2006-2010)
Flash Forward (2009-2010)

[Editorial] Sem Bryan Fuller, agora sim… podia acabar!

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Sabe quando uma coisa perde MESMO a noção de quando deve parar? Pois é… Heroes (NBC/Universal/SciFi) começa a ultrapassar, lentamente, este limite, prorrogando algo que já está declarado desde o término da 2da temporada. Seu fim.

Depois do anúncio oficial (tanto pela NBC quanto pelo Twitter de Greg Grumberg a.k.a. Matt Parkman/criador de gadgets para o iPhone) de que Bryan Fuller está mesmo fora da série dos heróis atrapalhados, imediatamente me veio na cabeça a rase “agora sim, está na hora de parar”. Tá, beleza, ele está produzindo dois novos pilotos para a NBC… e isso seria uma boa desculpa, se ele não tivesse usado a célebre frase “diferenças criativas com Tim Kring”. É, amigo… a diferença criativa é perigosa e já marcou dois gols contra o Brasil no jogo passado.

Fato é que: diferenças criativas podem significar outras duas frases: 1) “eu não concordo em nada com o que você faz” ou 2) “eu ganho muito pouco para salvar a besteira que você fez”. Sim, isso é fato. Tim Kring começou muito bem com a série. 90% de nós concordamos com isso. Só que aí, o caldo desandou… desandou… desandou… e deu no que deu. Chamaram Bryan Fuller para tentar salvar os heróis. De fato, a série deu uma melhorada do tal dito S03E20, que foi o primeiro que teve a intervenção de Bryan, mas a esta altura dos acontecimentos, o estrago estava feito e não tem mais como a NBC recuperar o povo que caiu na real, e entendeu que Heroes não tem mais conserto.

Mas devo lembrar aqui também que Bryan Fuller usou a “saída pela direita”, pegando dois novos pilotos para desenvolver. O fato é que… Bryan Fuller não deu conta de segurar as pontas de sua própria série, Pushing Daisies (ABC/Warner/SBT), que era igualmente promissora na sua primeira temporada, mas que na segunda desandou por completo, se focando em qualquer abelha que aparecesse no cenário, e não em Ned e Chuck. Logo, Bryan já tem um score negativo no seu histórico. Passar por Heroes conta como meio ponto negativo na caderneta, ok?

Por fim, eu creio (quer dizer, torço, espero, desejo…) que este seja o golpe de misericórdia para acabar com isso de uma vez por todas. Mesmo que isso, por tabela, acabe com uma das minhas maiores diversões que é falar mal de Heroes (e também acabe com o divertimento do mercado de países emergentes, onde a série está bombando), acho que o telespectador deve sim ser resguardado de um produto televisivo que cada vez mais ofende a inteligência de quem assiste séries, com uma história sem pé nem cabeça, um roteiro cheio de falhas, e um contexto de série que só um verdadeiro milagre pode salvar.

E eu espero que este milagre não aconteça desta vez.

E TENHO DITO!!!