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Primeiras Impressões | Scream (MTV, 2015)

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Quando a MTV anunciou que faria a adaptação da franquia de filmes Scream (no Brasil, ‘Pânico’) para a televisão, muita gente chiou. Talvez por conta do fato de ‘não se tocar naquilo que já está bom do jeito que está’. Dou razão para essa turma: a franquia Scream é bem feita e divertida naquilo que se propõe. Logo, uma série de TV pode ser desnecessária. Mas o piloto oferecido dessa vez deixa a impressão clara que a aposta foi certeira.

A série deve seguir a mesma linha do filme, onde um grupo de adolescentes serão atormentados, ameaçados e (se tudo der certo) assassinatos por um único psicopata (ou um grupo deles, nunca se sabe) mascarado, que usa das armas brancas para cortar suas vítimas. Scream na TV começa com a morte de uma das garotas mais populares/chatas da escola, onde o primeiro suspeito é, automaticamente, o seu ex-namorado. Porém, praticamente todo mundo poderia ter matado a menina.

Desde o nerd esquisito, passando pela menina lésbica que virou viral nas redes sociais (porque gravaram um vídeo dela se pegando com outra moça), até o aluno novato/sinistro, filho de um dos policiais da cidade. Ah, sem falar no professor bonitão, que tem quase a idade dos alunos, e é ‘muito dedicado’ para algumas alunas (se é que você me entende).

Não só isso: o assassino pode ser também um maluco que estava perseguindo algumas meninas no passado. Inclusive a mãe de uma das moças, que foi o alvo principal desse maluco 20 anos antes.

Se tudo isso não é suficiente, o nosso serial killer em questão vai lançar mão de toda a tecnologia disponível para não só ameaçar as suas vítimas, mas também dar algumas liçõeszinhas de moral nelas. Afinal de contas, na era das redes sociais, todo mundo quer mostrar uma vida perfeita, com amigos perfeitos e a popularidade lá em cima.

O que é mais irônico de tudo isso é que é justamente um mascarado que quer desmascarar todas essas princesinhas mimadas e fúteis. Da forma mais vil possível.

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Eu gostei de Scream. Mesmo. É um piloto bom, dentro de suas possibilidades. Uma das preocupações é se a série manteria os toques de humor que estão presentes nos filmes, e a boa notícia é que tal característica está mantida. Muitos não queriam uma série 100% séria e sinistra, totalmente calcada no terror trash assassino ‘estou jorrando sangue na tela’. Dar risadas disso tudo de vez em quando é bom.

E Scream tem esses toques. Não é uma série escrachadamente divertida, mas temos os alívios cômicos para você se lembrar que também existem coisas absurdas em produções desse tipo. É a arte de não se levar muito à serio. A ponto deles mesmos contarem qual será a estratégia deles para fazer uma série de terror dar certo. É um leve quebrar da ‘quarta parede’ que foi bem inteligente.

Mas acima de tudo: Scream tem bom roteiro, e bons diálogos. Pode sim ser uma série adolescente fútil, mas é bem escrita para se tornar um produto de entretenimento que vale a pena acompanhar. Tem potencial sim para ser uma boa série, dentro de suas características, e dentro da proposta de série de TV teen/trash. É um piloto redondinho, que vai atender as expectativas daqueles que apostaram em uma produção que seguisse o espírito da série de filmes.

Enfim, recomendo o piloto de Scream sem muitos receios. Entendo que quem é fã do filme tem boas chances de gostar da série. Exceto é claro aqueles mais exigentes, que queriam ver a Drew Barrymore na cena inicial. Não, não rolou. Mas da forma como eles fizeram tudo, eu gostei. E acho que você vai gostar também.

Primeiras Impressões | Eye Candy (MTV, 2015)

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Lá vem a MTV, aquele ex-canal de música, lançar a seguinte questão: ‘os aplicativos sociais podem matar?’ Poderíamos resumir o plot de Eye Candy nessa pergunta, mas tem tanta coisa acontecendo nesse piloto, que não podemos deixar você com um post de apenas um parágrafo (tem que ter pelo menos uns seis para que seja algo razoavelmente decente). Por isso, vamos aos fatos.

A série tenta pegar de jeito aquela audiência que curte ficar na internet e nos aplicativos de namoro online (que é a grande ferramenta narrativa da série), os stalkers (pois isso está na moda) e jovens com habilidades no computador (já que todo mundo que sabe fazer um post no Facebook é ‘gerente de mídias digitais’…), mais precisamente os hackers. Aqui vemos uma MTV atirando para todos os lados, e eles não estão errados nisso.

Porém… a história tem conteúdo para se segurar uma temporada toda (e ser renovada?).

A moça Lindy Sampson está curtindo uma liberdade condicional, depois de ter cometido alguns crimes cibernéticos. Teve sua irmã recentemente sequestrada, mas isso não a impede que ela siga com a sua vida, indo para baladas e sendo convencida por sua melhor amiga a se cadastrar (ou ser cadastrada) em um aplicativo de namoro online, no estilo do Tinder (mas não com esse nome), que busca os pretendentes através da geolocalização.

Depois de conhecer algumas figuras, ela começa a se envolver com alguns malucos que apareceram nos seus resultados. Até que uma série de mortes começam a acontecer, e ‘coincidentemente’, essas mortes estão associadas ao uso do aplicativo.

Lindy (que de boba não tem nada, a não ser ouvir conselhos dos amigos errados), começa a usar suas habilidades para fazer o serviço que a polícia de Nova York não consegue: investigar. E descobre o óbvio: o assassino em série usa o aplicativo para identificar pessoas e matá-las.

Paralelo à isso, Lindy tem que lidar com o seu stalker particular. O mesmo que sequestrou sua irmã, matou o carinha que ela estava pegando, e quase põe fim na vida de sua amiga. O camarada segue os seus passos, tem a voz sinistra, e está disposto a cortar a garganta da nossa protagonista a qualquer momento.

Só não faz isso logo por motivos de: 1) ele certamente é um tarado que sente prazer em ver Lindy em pânico, e 2) se ele matar ela, não há motivos para ter série.

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E sim… eu já acho que o stalker de Lindy é o seu colega de trabalho latino e gordinho. Me xinguem, mas não será nenhum absurdo se no final isso acontecer.

O piloto de Eye Candy é um tanto quanto confuso. Não, eu não sou burro. O piloto é que é meio mal estruturado mesmo. Existe o plot principal, o plot secundário, o crime que ficará esquecido ao longo da temporada (o sequestro da irmã de Lindy), mas tudo na série grita um ‘eu não me importo com nada do que eu estou vendo nesse piloto’. Victoria Justice não está a moça mais carismática do mundo, e convenhamos: que sorte ela encontrar uma divisão inteira de policiais que são modelos de cuecas Calvin Klein, não?

Talvez o maior problema do piloto de Eye Candy seja a obviedade. Não imagino essa temporada com um final surpreendente, e ao que tudo indica, teremos uma série policial na MTV no estilo ‘caso do dia’ para o público adolescente. Sem fazer com que eles se concentrem muito no que está acontecendo, deixando os mesmos entretidos com as cenas onde computadores e smartphones aparecem para se conectar com os elementos dessa jovem geração de telespectadores.

Deixo aqui dois registros do piloto. O primeiro é um erro de continuidade grotesco logo no minuto 7 (cena do sequestro da irmã de Lindy), e o segundo é apenas a melhor cena do piloto: o morto com um celular entalado na boca. Mais: o celular começa a tocar. GE-NI-AL! 😀

Por fim, vou passar batido por Eye Candy. Pode até convencer o público-alvo da MTV na tentativa de ser a série mais sombria já lançada pelo canal, mas corre o sério risco de cair na galhofa completa por não saber conduzir direito a trama. Não é um plot confuso, mas não cativa logo de cara.

Tem gente que vai achar o piloto incrível, e eu entendo que é justamente esse público que a MTV quer: aquele que se impressionou facilmente com o fato de ser uma série do serial killer do Tinder. Ou do stalker da hacker.

Primeiras Impressões | Faking It (MTV, 2014)

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A MTV – a “Millennium Television”, e não a “Music Television” – estreou mais uma produção original, e dessa vez, eles decidiram abalar as estruturas da sociedade cristã ocidental. Faking It tinha tudo para ser mais uma comédia aborrescente, com todos os esteriótipos e dramas existenciais (que só são dramas para os adolescentes) que já estamos acostumados a ver em várias e várias séries que já resenhamos aqui no blog. Porém, felizmente, tenho que dizer que, nesse caso, temos um sonoro “só que não”.

Na verdade, Faking It começa com um tema que é mais batido que o bife que sua mãe preparou para você no almoço de hoje: a popularidade no ensino médio. Alguns adolescentes simplesmente não querem mais viver no insosso mundo do anonimato, e querem se destacar entre os diferentes grupos sociais previamente estabelecidos por eles mesmos, custe o que custar.

E é exatamente isso que Karma Ashcroft (Katie Stevens) pensa. Para sair do anonimato colegial, e se tornar visível para os demais em seu colégio, Katie convence sua melhor amiga, Amy Raudenfeld (Rita Volk), que realmente valia a pena para a dupla fingir que elas são um casal lésbico, pois isso daria a tão sonhada visibilidade e ascensão social. De fato, o plano dá certo: de forma inusitada, elas se tornam da noite para o dia o “casal” mais popular do colégio, e as portas naturalmente começam a se abrir.

Porém, Karma não consegue segurar a onda da farsa por muito tempo. Não só se apaixona por um dos gatinhos do colégio, Liam Brooker (Gregg Sulkin), como a ex-garota mais popular da escola começa a pegar no pé das duas, depois de descobrir que tudo isso que está acontecendo é uma armação.

Sem falar que a coisa vai ficar tensa mesmo quando Karma descobrir que Amy também está fingindo… mas para a própria Karma. E sentimentos ocultos se manifestarão ao longo da temporada.

O que dizer sobre Faking It? Que, antes de qualquer coisa… eu gostei da ideia geral da série.

A MTV já sacou o que o seu público quer ver nas suas comédias: as minorias adolescentes sendo representadas. Mais: de alguma forma, essas minorias dando a volta por cima, ficando em evidência. Já vimos essa fórmula funcionar em Awkward e The Hard Times of RJ Berger. Em Faking It, os gays estão em evidência, e o mais legal de tudo isso, é que eles se destacam em Austin, Texas. Uma cidade que, segundo dizem, “nem parece que é no Texas”, já que recebe a influência dos estudantes que aparecem de vários locais dos Estados Unidos.

Além disso, a série também trata com bom humor de uma constante nos plots adolescentes, que são os grupos segmentados e segregados. Como Karma e Amy são as mais populares, elas conseguem, de alguma forma, driblar tudo isso, e em alguns casos, está unificando esses grupos. Sim, pois (quase) todos acabam apoiando o casal lésbico.

Como bônus, a própria produção mostra um grupo de alunos de mente aberta, que vão se divertir na festa cujo anfitrião é um dos alunos abertamente gays. E lá, vemos figuras de todos os outros grupos: os esportistas, as patricinhas, os malucos, os nerds, os excluídos… e o casal lésbico, é clado (que acaba sendo incluído na sociedade estudantil).

No final das contas, achei a proposta de Faking It mais interessante do que as demais comédias apresentadas pela MTV até agora. Trata de forma bem humorada e inusitada alguns dos tabus e preconceitos que não estão presentes apenas na vida do adolescente médio norte-americano, como também dos adultos. Vai causar barulho? Com certeza (ainda mais quando os pais desses jovens começarem a tomar conhecimento do que os seus filhos andam fazendo na escola). Mesmo assim, vale a pena dar uma olhada no piloto.

Se você gosta de Awkward, certamente vai gostar de Faking It. E lembre-se “open your mind”, porque, no final das contas… “girls just want to have fun”.

Primeiras Impressões | Papito in Love (MTV, 2013)

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O que não fazemos por vocês, audiência do SpinOff… enfim, a nova MTV estreou ontem (01), cheia de vida e novidades. Além de Fiuk como apresentador (falaremos mais sobre isso no podcast da próxima semana), tivemos a estreia de Papito in Love. Sim, amigos… Supla está procurando um novo amor, e vamos aqui expressar nossos mais sinceros sentimentos sobre o episódio piloto dessa preciosidade.

Que fique claro: a ideia de colocar um famoso para encontrar um novo amor não é algo novo ou original. Aliás, nem o suposto fator bizarro que envolveria o nome Supla pode ser considerado como inédito. Papito in Love nada mais é do que a versão brasileiro do ultra-bizarro Flavor of Love, exibido pelo VH1 nos Estados Unidos, que tinha exatamente o mesmo plot, só que com Flavor Flav, do grupo de rap Public Enemy como protagonista.

Ah, você não sabe quem é o Sr. Flavor Flav (que tentou por cinco vezes “encontrar o amor”, sem sucesso)? Vamos então prestar o serviço de utilidade pública para vocês.

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De nada.

Agora que vocês sabem mais ou menos do que estamos falando, vamos falar da mecânica do programa. Deixando de lado o teatrinho combinado dos primeiros minutos (primeiros 25 minutos, vai…), onde vemos Supla “indeciso” se aceita ou não participar do novo programa da MTV, incluindo uma participação do papai do Beetlejuice brasileiro, Eduardo Suplicy (que até questiona ao filho se ele vai avaliar o conhecimento futebolístico das candidatas… afinal, isso é importante para você conhecer o amor da sua vida nos dias de hoje), a mecânica de escolha da “felizarda” começa a ser montada.

Um comitê de avaliação das pretendentes é formado pelo melhor amigo do roqueiro, a sua governanta (desculpa, gente, não vou me lembrar dos nomes), e sua ex-namorada, Maria Eugênia). O trio convoca as candidatas para um galpão, que passam por uma entrevista bizarra, onde a pergunta mais genial dos últimos tempos é feita, saindo da boca do melhor amigo do papito:

O que você acha da música ‘hoje eu só quero comer você’?

Todas as espécimes de mulheres aparecem para a entrevista, incluindo um que tenta ser mulher, mas não consegue por causa de um “Y” a mais (entendedores entenderão). As 12 escolhidas são enviadas para a tal mansão (alugada pela MTV, que nas mãos da Viacom, passa a ter dinheiro), para um primeiro contato com o papito, que canta animadamente os seus hits, distribui calcinhas para as suas preferidas no primeiro contato, e até xaveca uma das candidatas com rimas que envolvem “tocar certas partes do seu corpo”… se é que vocês me entendem.

Um detalhe importante: no final do programa, a “vencedora” (depende do ponto de vista) será colocada à prova, diante de um dilema ético: ficar com Supla, ou com uma mala com R$ 100 mil? O próprio Supla escolheria o dinheiro, e a partir disso, você já pode concluir o que seria namorar com um cidadão como ele.

Sobre Papito in Love… é difícil falar sobre o assunto. Na verdade, eu sei que tem gente que vai gostar, apenas pelo fator “bagaceira” do programa. Para quem espera o melhor do pior, o programa é um prato cheio, e tem tudo para agradar as mentes livres, que adoram ver propostas absurdas na TV (como o próprio Patrick Maia disse no primeiro programa da nova MTV, o “Coletivation” – é um programa de ficção quando o tema é “Supla em busca do verdadeiro amor”). Se você realmente não se importa com critérios e quer apenas se divertir, vá em frente. E boa sorte.

Particularmente, achei o programa fraco e cansativo. Não consegui me concentrar no programa o suficiente para me importar com ele, e acho que a moda “Supla Papito Billy Idol Wannabe Beetlejuice Na Real” já deu. Foi legal ver o seu “renascimento” através dos Piores Clipes do Mundo na finada MTV Brasil. Hoje, a gente sabe que o Supla taí, ganhando o seu dinheiro nos realitys e programas do gênero. De novo: eu sei que tem gente que vai gostar. Não foi o meu caso (e olha que eu sou uma mente aberta para tais experiências antropológicas).

Enfim, novos tempos. Novos programas, nova MTV… o mesmo Supla. C’mon, kids!

[Top 15] Videoclipes que vi na MTV Brasil | #1 O Rappa, “A Minha Alma (A Paz Que Eu Não Quero)”

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O Rappa | A Minha Alma (A Paz Que Eu Não Quero) | Lado B, Lado A | 2000

às vezes eu falo com a vida
às vezes é ela quem diz
qual a paz que eu não quero conservar
pra tentar ser feliz

Esse é o meu videoclipe definitivo na MTV Brasil. Nenhum videoclipe nacional é tão impactante e tão bem sucedido quanto “A Minha Alma”. Foi lançado no auge do videoclipe nacional, em um momento onde as gravadoras injetavam muito dinheiro para produzir clipes como esse. E, nesse caso em especial, é o que posso chamar de videoclipe perfeito.

A proposta de apresentar toda a narrativa em preto e branco reforça a proposta de videoclipe documentário, aumentando ainda mais a imersão de quem está vendo nas ações do clipe. Além disso, a banda quase não aparece (mais: não aparece tocando ou cantando a música), e isso foi perfeito. Apenas trilhou as cenas, com um testemunhal de um dos problemas mais graves da nossa sociedade: a violência. Que, em muitas vezes, acontece à troco de nada. Ou quase nada.

Eu confesso que tenho mais medo de levar um tiro do que de morrer. Para não levar um tiro, eu ando direito, e tento não me envolver com as pessoas erradas. Porém, nunca sabemos quando que o tumulto vai acontecer e onde. Isso me preocupa, mesmo morando em uma cidade do interior. Aliás, morar do interior não me deixa livre da violência. Ela só é mais focalizada em situações específicas. Mas ela existe, infelizmente.

Três detalhes tornam esse clipe muito especial para mim. O primeiro é que a banda O Rappa contou com atores e membros da comunidade para participarem das gravações. Nenhum grande ator foi chamado para participar do clipe, pois a banda queria que tudo acontecesse de forma natural e orgânica. E isso gerou consequências (e o meu segundo item): a cena de quebra-quebra que aparece no videoclipe, em um determinado momento, se tornou um quebra-quebra real, já que a maioria das pessoas no local não sabiam que era uma gravação de um videoclipe. A polícia e os bombeiros foram chamados para contornar um caos que se tornou real.

E o terceiro, e o que mais me fez gostar desse clipe: a entrega daquelas pessoas para a realização do videoclipe.

Uma das “atrizes” do clipe era uma das mães da própria comunidade. Em uma das cenas, ela encontra o seu filho que foi morto por um dos policiais. É claro que ninguém morreu ou se feriu nas gravações, mas a mãe se envolveu tanto com a situação, que ela se emocionou de verdade. Permaneceu chorando de forma sofrida e copiosa depois que a cena terminou, e por muitos minutos. Precisou ser amparada para sair do local da gravação.

Ou seja, é o sinal claro que a arte imitou a triste realidade daquele local.

É, para mim, o videoclipe que, de tempos em tempos, precisa ser visto, para que todos se lembrem que esse quadro precisa ser mudado.

 

A MTV Brasil chegou ao fim. Depois de 23 anos ajudando a formar duas gerações de fãs de música, o canal original chega ao fim, para iniciar uma nova fase como canal da TV paga, se chamando apenas “MTV”. Me permito ser saudosista, pois vi e vivi essa história nascer, crescer, evoluir e decair, passo por passo. Não vou aqui dizer que a MTV do passado é ou será melhor que a que está por vir. Mas que essa nova fase represente o efetivo renascimento de uma nova fase até mesmo no cenário musical brasileiro.

Eu sei que a “geração millenium” (público-alvo da nova MTV) não vai voltar a ver os seus videoclipes preferidos na TV. Mas que a MTV seja um ponto de referência para que o grande público encontre entretenimento e música, com a chancela de uma das marcas mais fortes do mundo.

E, quem sabe, que ela volte a ser um pouco a “Music Television”. Nem que seja por algumas horas por dia.

Quem gosta de música em qualquer lugar vai agradecer, e muito.

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[Top 15] Videoclipes que vi na MTV Brasil | #2 Os Paralamas do Sucesso, “Ela Disse Adeus”

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Os Paralamas do Sucesso | Ela Disse Adeus | Hey Na Na | 1998

(Now the deed is done)
(As you blink she is gone)
(Let her get on with life)
(Let her have some fun)

Eu fiquei com muitas dúvidas sobre qual videoclipe dos Paralamas do Sucesso eu incluiria nessa lista. Só sabia que tinha que incluir uma das músicas de uma das bandas que melhor exploraram a ferramenta do videoclipe na MTV Brasil. Acabei escolhendo “Ela Disse Adeus” pelo fato de achar que seria impossível eles fazerem algo ainda mais legal do que o vídeo de “Busca Vida”, que é simplesmente impecável. E, no final das contas, eles conseguiram.

Na verdade, essa escolha seria de “Busca Vida”, naturalmente. É o melhor videoclipe dos Paralamas, de longe. Porém, esse aqui combina não só o fator de relevância musical (é uma das minhas músicas preferidas do disco Hey Na Na), além de ser um dos clipes mais divertidos que já vi.

Impecavelmente bem feito, na linguagem de cinema mudo, conta com Fernanda Torres “matando” os seus “maridos”, como ato de vingança pelos maus tratos e descasos provocados pelos rapazes. É a vingança que toda mulher maltratada pelo marido sonha em realizar. Não que eu ache que toda mulher deve fazer isso… bom, deve sim, vai…

Mas o mais importante é que é mais um daqueles videoclipes que despertam as minhas melhores memórias do final de minha adolescência. Mais uma daquelas canções que fazem parte da trilha sonora da minha vida, que me lembram das minhas decisões certas ou erradas, do começo da faculdade, do final de juventude e começo de vida adulta. Um começo de vida adulta divertido. Pop. Ao som dos Paralamas.

 

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[Top 15] Videoclipes que vi na MTV Brasil | #3 Racionais MCs, “Diário De Um Detento”

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Racionais MC’s | Diário De Um Detento | Sobrevivendo No Inferno | 1998

Cada sentença um motivo, uma história de lágrima, sangue, vidas e glórias.
Abandono, miséria, ódio, sofrimento, desprezo, desilusão, ação do tempo.

O massacre da penitenciária do Carandirú aconteceu em outubro de 1992, e só agora, em 2013, mais de 20 anos depois, e os envolvidos são julgados e condenados. Alguns deles não podem pagar pelos seus crimes, pois faleceram antes da questão ser devidamente julgada pelo judiciário brasileiro. E o fato de uma música (e videoclipe) como “Diário De Um Detento” ainda ser tão atual, mesmo falando de um assunto que já tem duas décadas, só mostra para mim como as coisas estão erradas no Brasil, em várias esferas.

Os Racionais MC’s contam com o mérito de se transformarem em um dos maiores fenômenos fonográficos do Brasil. Se o cenário do rap nacional estava em expansão, eles representam o ápice, uma vez que eles conseguiram a façanha de vender mais de meio milhão de cópias oficiais dos seus CDs, vindo de uma gravadora pequena, e sem contar com o apoio da grande mídia. O único canal que passava o seu videoclipe na íntegra em horário nobre (detalhe: o videoclipe tem aproximadamente 8 minutos de duração) era a MTV Brasil.

Isso, sem falar nas cópias piratas, que o próprio grupo admitia que existiam no mercado. Eles estimavam que, com as cópias não oficiais, eram pelo menos mais de 2 milhões de cópias de “Sobrevivendo No Inferno”. E eu não duvido disso.

Talvez essa música tenha me causado mais o impacto de engajamento do que de qualquer outra coisa. Obviamente, a letra pesada e as imagens fortes chamaram a atenção, e isso torna o videoclipe sensacional. Mas a consciência que o assunto que a música aborda é inegavelmente acionada. Ainda mais quando os réus do massacre do Carandirú ainda são julgados. E alguns deles ainda podem recorrer da pena, e continuarem livres.

Tem muita coisa errada no judiciário brasileiro. A prova disso está nos tais “recursos infringentes” que foram recentemente aceitos pelo STF aos réus do Mensalão. Aliás, vivemos em uma democracia que se sustenta através de uma máquina “democrática” viciada, onde os mais poderosos tem todos os recursos para não irem para a cadeia, e os mais pobres acabam ficando entregues ao próprio destino.

Não me entendam mal. Assassino, sequestrador e autor de crimes hediondos devem responder pelos mesmos na cadeia. O problema é o sistema prisional brasileiro, a nossa justiça, o sistema de reintegração do indivíduo à sociedade, a violência e corrupção que se faz presente na polícia e nos órgãos responsáveis pela segurança pública… ou seja, eu sei que bandido tem que ficar preso. Mas também sei que nenhuma rebelião pode ser contida com AR15 e bombas de efeito moral.

 

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[Top 15] Videoclipes que vi na MTV Brasil | #4 Skank, “Resposta”

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Skank | Resposta | Maquinarama | 2000

Ainda lembro que eu estava lendo
Só pra saber o que você achou
Dos versos que eu fiz
Ainda espero Resposta…

Tá, eu sei. O Skank fez vídeos melhores, mais bem produzidos e com maior rotatividade na MTV Brasil. Mas “Resposta” eu considero a música que virou a chave da história da banda. E foi a música que marcou o início da mudança mais importante da minha vida.

Em 2000, eu já estava apaixonado por Dalva Teruel Pavan. E pelas inúmeras dificuldades da vida (e das nossas respectivas existências, cada um com suas famílias, impedimentos e preconceitos), a forma que a gente se comunicava um com o outro era através de cartas. Na verdade, antes disso, a gente já se comunicava por cartas, no tempo que ela precisou ficar em Campinas por outros motivos da vida. E, mesmo depois disso, mantivemos esse costume. Pela nossa conveniência, e pelo prazer de ler as palavras escritas um para o outro.

Então, quando ouvi essa música no rádio pela primeira vez, eu fui fisgado de imediato. As primeiras frases da música se encontravam diretamente com os meus desejos, propósitos e sentimentos. Foi inevitável não ter aquele sentimento de saudade inexplicável de quem já faz parte de sua vida, mesmo não estando na sua vida todos os dias.

E quando vi o videoclipe, tudo se encaixou. O fato de tudo acontecer em um simples atravessar de rua em um semáforo, onde no nosso mundo real só aconteceria em 30, 40 segundos no máximo. Mas são desses poucos segundos que o destino precisa para atuar e poder fazer com que duas almas se encontrem, se conectem. Uma concepção simples, conceitual, em um preto e branco que não é bem um preto e branco. De qualquer forma, é direto, objetivo. Artístico.

Sabe, de certo modo, uma parte de mim ainda espera as respostas das cartas que não obtive resposta. As respostas das cartas que escrevi para Dalva, mas que nunca foram enviadas. Ou que nunca chegaram. A outra parte de mim já teve a resposta: um casamento que vai completar 10 anos de existência em 11 de outubro.

 

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[Top 15] Videoclipes que vi na MTV Brasil | #5 Titãs, “Epitáfio”

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Titãs | Epitáfio | A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana | 2002

Queria ter aceitado as pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria, e a dor que traz no coração…

Foi difícil escolher um trecho dessa música para colocar nas aspas. É difícil até hoje assistir esse videoclipe. Talvez, de toda a lista, esse é o clipe mais objetivo, pessoal, emocional. Ainda mais com todos os aspectos envolvidos.

Em 2002, eu estava decidido a dar o passo mais importante da minha vida: me casar. Ser feliz com a mulher que eu amo. Correr os riscos de uma convivência a dois, com uma diferença grande de idade, com a não aprovação dos meus pais (na época), com o preconceito das pessoas com mente pequena. Eu estava disposto a tudo para ficar ao lado da Dalva.

Mas tinha medo.

Medo de como a minha vida iria mudar, de como seria depois, das dificuldades, das brigas. De perdê-la. De me perder no meio do processo. Medos talvez condizentes com a minha idade na época (22 anos), ainda mais pelo fato que aconteceu tudo o que eu previ que aconteceria, e em alguns aspectos, até pior. Porém, nada disso foi suficiente para fazer com que eu me perdesse, ou perdesse o amor da minha vida (completamos 10 anos de casamento em outubro).

Então, eu vi “Epitáfio” pela primeira vez.

Esse videoclipe estreou depois da morte de Marcelo Fromer. Mesmo com uma clara conexão com essa perda, o vídeo também foi um recado claro, direto, sem meias palavras (ou imagens): aproveite o hoje, não perca o seu tempo.

E sim. Eu realmente devia ter amado mais, ter chorado mais (mais até do que eu choro, pois sou um chorão). Deveria ter aproveitado mais o meu tempo ao lado da pessoa que hoje me ama do jeito que eu sou. Me aceita com minhas virtudes e defeitos. Deveria ter dito o “eu te amo” antes, para ter mais histórias para contar.

Sim. Deveria ter respeitado mais as pessoas como elas são. Tenho o grave defeito de exigir um “padrão de qualidade” que não existe em mim. Devia ter recebido mais pessoas na minha vida, ao meu redor. Devia ter olhado para o Sol, nascendo e se pondo todos os dias, mostrando que a vida continua, apesar das perdas.

Hoje, não perco mais tempo na vida. Vivo intensamente. Busco de forma incansável aqueles que querem estar ao meu lado. Afinal de contas, nunca saberei se a qualquer momento eu estarei diante do epitáfio dessas pessoas.

Não tenho mais medo da morte. Porque procuro celebrar a vida a cada segundo.

 

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[Top 15] Videoclipes que vi na MTV Brasil | #6 Planet Hemp, “Queimando Tudo”

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Planet Hemp | Queimando Tudo | Os Cães Ladram, Mas a Caravana Não Para | 1997

Não adianta armadilha, mermão, eu não caio
E muito menos cabeça de pobre é pára-raio
A mente aguçada, mermão, eu sei que isso te espanta
Mas eu continuo queimando tudo até a última ponta

Vocês podem não acreditar no que eu vou dizer, mas: eu não bebo nada alcoólico, não fumo, e nunca usei nenhum tipo de drogas ilícitas (mas sei quando alguém está fumando maconha… acredite, tem gente que não sabe identificar o cheiro). E você não acreditar em mim não faz a menor diferença, pois é a minha palavra contra a sua. Sou contra a legalização das drogas (mas sou a favor de uma regulamentação específica para usuários não serem presos por motivos torpes). Mas, independente de qualquer posicionamento pessoal sobre o assunto… eu acho o Planet Hemp o máximo!

Veja bem: essa talvez foi a banda que a MTV Brasil mais brigou pelo direito de colocar os seus videoclipes no ar. Foi proibida de exibir o clipe de “Legalize Já” (por motivos óbvios), mas isso não impediu que o canal promovesse não só a sonoridade do grupo, que recebia várias influências musicais (indo do rap, passando pelo rock, pegando um pouco do eletrônico, uma pitada de samba, etc), mas principalmente o espírito transgressor, que foi o que me chamou a atenção neles.

Não é difícil de explicar esse ponto. Tá, eu sei que durante a ditadura militar, o Planet Hemp sequer existiria. Mas ver em 1996 uma música sendo censurada era um tanto quanto pesado demais. E, quando você imaginava que eles fossem pegar pesado com tudo e todos pela censura de “Legalize Já”, eles foram para o bom humor, com a ótima “Queimando Tudo”.

E isso, em uma música de protesto. Que começa com uma das frases mais engraçadas da música brasileira: “eu canto assim porque eu fumo maconha…”. Na hora, a minha mente falou “caraca, esse cara está falando isso em rede nacional… DE NOVO?”

Talvez nós ficamos todos muito sérios, e não entendemos a piada que o Planet Hemp queria fazer. Não era a pura e simples apologia à maconha (até porque eu entendo que entra nessa quem quer, e não é uma música que vai me fazer usar a tal Cannabis Sativa), mas sim aquele desejo de dizer “como vocês são hipócritas! Não estamos dizendo para você fumar maconha. Queremos dizer que não queremos ser discriminados e presos por fumar maconha”.

Sim, eu sei. Eu não gostaria que meu filho um dia começasse a usar drogas, e não é nenhum incentivo que as crianças vejam os adultos fumando maconha. Da mesma forma que não vejo como bom exemplo adultos fumando cigarro e bebendo cerveja diante dos filhos. Mas esse não é o tema desse post.

Fato é que: sem a MTV Brasil, jamais entenderia as piadas do “Quem Tem Seda”, do “Ex-Quadrilha da Fumaça”, e muito provavelmente perderia o jeitão de drogados de Marcelo D2, B-Negão, Black Alien e companhia.

E, de novo: ouvir o Planet Hemp não me torna um drogado, ok, pais? Até porque vocês ouviram Caetano Veloso, Gilberto Gil, Os Mutantes, Tom Zé e tantos outros na década de 1960, e nem por isso saíram por aí usando substâncias alucinógenas, certo?

Ou eu estou enganado?

 

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[Top 15] Videoclipes que vi na MTV Brasil | #7 Raimundos, “Eu Quero Ver o Oco”

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Raimundos | Eu Quero Ver o Oco | Lavô, Tá Novo | 1995

Eu quero é ver o oco

Essa foi uma das bandas que eu efetivamente conheci assistindo a MTV Brasil. Talvez essa seja uma das maiores contribuições do canal musical para o cenário musical brasileiro. Afinal de contas, quando o Raimundos não era nada, foi a MTV Brasil que foi lá fazer matéria com eles. E foi o canal o primeiro a exibir os seus videoclipes.

Esse não é o melhor videoclipe dos Raimundos. Existem outros muito melhores (I Saw You Saying, Andar na Pedra, Mulher de Fases, Deixa eu Falar…). Porém, esse é, basicamente, o videoclipe que colocou a banda no mapa em definitivo, mostrando o que eles poderiam fazer musicalmente. Gravado em um ferro velho de Los Angeles (EUA), com uma mecânica bem simples, e sem nenhum grande chamativo estético (pelo contrário; é um clipe visualmente primitivo nas imagens), chamou a minha atenção por justamente se conectar com a proposta da música.

O som de “Eu Quero Ver o Oco” é ruidoso. É um rock com guitarras distorcidas, uma linha de baixo bem marcada, uma bateria poderosa, e um Rodolfo fazendo o que ele sabe muito bem fazer: interpretar a canção, que é a narrativa de um moleque que tinha a “simples” missão de trazer o carro novo da família para casa.

“Eu Quero Ver o Oco” é mais uma daquelas músicas que lembra a minha rebeldia de juventude. É aquela música que se comunica com aquele desejo de mostrar ao mundo que pode. Mesmo sem poder. Lembra as peripécias juvenis, as pequenas delinquências escolares (sim, aprontamos algumas nos tempos de colegial). Lembra o meu tempo de estudante colegial. Aquele desejo de fazer o que não devia, o que não pudia, mas o que queria ser feito.

O clipe foi exibido à exaustão na MTV Brasil, mas ninguém se cansava dessa música. Como disse, colocou o Raimundos no mapa, e nos apresentou uma das melhores bandas da história do rock nacional. Hoje, não é mais a mesma. Falta alguém (e vocês sabem quem) para completar esse casamento perfeito, que culminou no “forrocore”, que foi muito bem recebido pela audiência.

Enfim… bons tempos de “semi-delinquente juvenil” que não voltam mais…

 

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[Top 15] Videoclipes que vi na MTV Brasil | #8 Legião Urbana, “Perfeição”

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Legião Urbana | Perfeição | O Descobrimento do Brasil | 1993

Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha, que o que vem é Perfeição!…

Eu confesso que esse é um dos clipes escolhidos nessa lista que está posicionada muito mais pela música do que pelo videoclipe em si. Admito que quando vi o clipe dessa música pela primeira vez na MTV Brasil, me decepcionei. Esperava algo mais conectado com aquilo que a letra da música passa. Porém, entendi que a banda queria mesmo promover a capa do disco cuja música pertencia. Mais: entendi também que “nem tudo é perfeito nesse mundo”.

A Legião Urbana, com o passar do tempo, gera sentimentos difusos entre as gerações. Tem gente que ama a banda, e entende que Renato Russo é o Deus Salvador do rock nacional. Já outros simplesmente não suportam mais ouvir a frase “é preciso amar as pessoas como se não houvesse o amanhã”, e amaldiçoa o seu compositor.

Apesar de entender os dois lados, em mim, a Legião Urbana foi realmente muito importante, e aí quem viveu aquela época vai entender os sentimentos e motivações para o jovem se aproximar daquelas composições. É mais ou menos como a série Lost: só vai entender o que foi quem viu a série no momento que ela foi exibida. Dito isso, a letra de “Perfeição” é um choque moral para todos. Você não consegue passar indiferente diante de uma letra que mete o dedo na ferida de todo mundo, despertando alguns dos piores defeitos comuns do ser humano (e do brasileiro, em específico), e colocando tudo dentro da nossa perspectiva pessoal, mostrando que todos nós temos essas mazelas dentro de nós.

Eu não sou perfeito. Estou bem longe disso. Talvez a letra dessa música seja aquele grito de alerta que cada um precisa ter para ser a cada dia um pouco melhor. O problema não é ter defeitos, mas sim, não enxergá-los em si. Por conta do orgulho, da vaidade, da arrogância. Confesso que não sei aceitar muito bem as críticas que me são dirigidas (pois só eu sei o quanto eu luto todos os dias para fazer o que faço). Por outro lado, eu sei que preciso reconhecer essas críticas como mecanismos de melhora para minha vida profissional e pessoal.

E o que torna essa música especial: mesmo com tantas mazelas, vícios e deficiências naturais de todo e qualquer ser humano, a letra se conclui com um voto de esperança que, no final, com tudo isso, nós temos a vida perfeita. Ou aquela vida que deve ser. E ter o controle para mudar tudo isso, recomeçar, refazer os passos. E ser feliz no final da jornada.

“Perfeição” me lembra que o primeiro passo para a dita felicidade é o perdão. Mas o perdão à nós mesmos. Ninguém é capaz de perdoar ninguém se não se perdoar, se não se aceitar. Trabalhar nos erros latentes em nosso caráter é uma forma de nos perdoarmos. Não se acomodar com os louros do sucesso. Não se envaidecer com os elogios. Persistir na observação interna daquelas características que nos tornam pequenos diante das possibilidades de um melhor convívio com aqueles que nos amam, e uma maior compreensão com aqueles que nos odeiam.

E, no final das contas… “venha, que o que vem é perfeição” (que é sempre relativa, nunca absoluta… mas aprenda a ser feliz com isso).

 

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[Top 15] Videoclipes que vi na MTV Brasil | #9 Pato Fu, “Made in Japan”

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Pato Fu | Made in Japan | Isopor | 2000

Hotondo no buhin wa, Nihon-sei
Watashi wa, omotta no “Aa, shikataganai”

ou

Fiquei estarrecido ao perceber
Que metade das peças eram japonesas! “É o começo do fim!”

A tecnologia sempre fez parte da minha vida. Desde pequeno, quando ganhei os meus primeiros brinquedinhos “high tech” (naquelas, porque eram apenas brinquedos. O brinquedo que me despertou o interesse por esse mundo tecnológico foi um Pense Bem (TecToy), que não era um computador de verdade, mas fiquei por horas e horas brincando com o produto, detonando várias pilhas de tamanho médio durante o uso.

Da mesma forma como eu amo o processo de criação musical, a organização das notas, a estrutura musical de uma partitura, eu simplesmente amo escrever nos dias atuais sobre tecnologia. Comecei bem novo com a parte de programação (BASIC, DBASE III e Cobol, no começo; Turbo Pascal na faculdade), mas depois mudei para o lado da editoria de tecnologia, que era uma área mais promissora. Hoje, vi que fiz a coisa certa, mas em partes. Entendo que comecei nesse mundo dos blogs mais tarde do que o ideal. Se tivesse começado antes, minha vida daria mais certo.

De qualquer forma, “Made in Japan” está aqui por ser um dos clipes mais tecnológicos que o Brasil já viu. Eu já gostava do Pato Fu pelos vídeos anteriores, pela musicalidade, pelo bom humor nas músicas, e pela proposta de fazer uma música pop com sonoridades diferenciadas, mas sem abrir mão da modernidade e da tecnologia.

E, quando vi o videoclipe de “Made in Japan” pela primeira vez na MTV Brasil, eu fiquei feliz. Para a época, era a prova que o videoclipe nacional havia chegado em um ponto de maturidade incrível. Não era só a criatividade, mas também todos os recursos técnicos, gráficos e computacionais que um dia precisavam ser utilizados por alguma banda nacional.

Eu fiquei simplesmente embasbacado com a estreia do videoclipe, e considerando que a TV em alta definição ainda estava engatinhando no Brasil, foi o máximo ver o resultado gráfico desse videoclipe. Hoje, para alguns, ele pode parecer um videoclipe mais “básico”, onde é possível ver algumas imperfeições nos recursos utilizados para sua produção.

Para mim, nada disso importa. “Made in Japan” segue sendo um daqueles videoclipes que eu assisto, e penso: “isso é sensacional”. É um daqueles clipes que me lembram por que é legal viver em um tempo onde os recursos tecnológicos são avançados o suficiente para chegar aos resultados que temos hoje.

E como foi ótimo ver o começo disso tudo.

 
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[Top 15] Videoclipes que vi na MTV Brasil | #10 Câmbio Negro, “Esse é o Meu País”

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Câmbio Negro | Esse é o Meu País | Círculo Vicioso | 1999

Brasil, primeiro mundo, todo mundo feliz!

Era um cenário muito favorável para o rap nacional. Os bons grupos de rap estavam se consolidando, acompanhando o sucesso do Racionais MCs, que no ano anterior obteve a façanha de vender meio milhão de cópias de um único CD (Sobrevivendo no Inferno), sem aparecer na grande mídia. E isso, sem contar os CDs piraras (palavras da própria banda).

Então, em 1999, o pessoal do Câmbio Negro decidiu levar a sério essa história de videoclipe, e nos entregou um dos clipes mais legais da história da MTV Brasil. Eu confesso que não conhecia direito o som deles, mas fiquei fã dos caras por causa de “Esse é o Meu País”, que possui uma edição muito bem feita, uma direção de arte, e uma letra matadora.

Aliás, aqui está fechada (por enquanto), uma “trinca”, pois os dois últimos clipes que indiquei foram “canções de protesto”. Essa aqui é mais uma, mas com uma viés diferente. Já que tudo o que se passa na letra da música é um sonho, a perspectiva é como se tudo fosse uma doce realidade. Uma realidade que eu ainda quero.

Realidade que a maioria quer. De novo: só a minoria está feliz e satisfeita com os dias atuais. Queremos mesmo é mais hospitais, mais escolas, profissionais melhores, uma educação melhor… queremos um país de primeiro mundo! Pode chamar a gente de “insatisfeito”. Qualquer um fica insatisfeito quando o governo adota placebos para resolver problemas, arrancando do cidadão comum mais de R$ 1 trilhão em impostos – em 2012. Em 2013, essa marca já foi superada.

Então, de tempos em tempos, temos que ver esse videoclipe. Pra gente se lembrar de qual é o objetivo final das manifestações e protestos.

 

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