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Primeiras Impressões | Telenovela (NBC, 2016)

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A vibe latina da TV, na sua forma mais tradicional e debochada possível.

Alguém na NBC olhou com cuidado para o sucesso que Jane the Virgin (CW) estava fazendo, e imaginou que poderia dar certo criar uma série onde se tira um sarro absurdo das novelas hispânicas, que são relativamente populares nos Estados Unidos. E contar com a excelente ajuda de Eva Longoria (sem o Parker, porque esse cara rodou) pode ser decisivo para o futuro de Telenovela (antes Hot & Bothered), nova comédia da NBC.

Telenovela é uma das séries que a NBC decidiu exibir os dois primeiros episódios como preview, já que a temporada para valer só começa em 4 de janeiro de 2016. É uma boa estratégia para tapar o buraco da grade de programação do canal, uma vez que estamos em uma época do ano em que os norte-americanos gradativamente saem da frente da TV para ir aos shoppings fazer compras de final de ano ou visitar familiares em outras cidades.

Enfim, vamos ao que interessa.

Telenovela mostra os bastidores de… uma telenovela (dããã…) latina, e o dia a dia de atores e produtores desse tipo de entretenimento. Ou mais uma desculpa esfarrapada para a TV mostrar personagens atrapalhados e estereotipados, para a diversão de uma parcela da população. Vamos acompanhar tudo pela ótica de Ana Sofia Calderon (Eva Longoria), protagonista máxima da novela Las Leyes de Pasión. Sim, pois seu nome na novela é Pasión. Nada mais latino e brega, não é mesmo?

Ana não é essa atriz toda. Quase não tem falas em uma novela falada em espanhol. Aliás, ela não compreende o espanhol, mesmo sendo de origem latina. Tudo indica que está na novela por conta do seu sex appeal, de sua sensualidade, e porque galgou alguns degraus por conta de seus atributos físicos. De qualquer forma, sua vida de paz e tranquilidade na novela vai acabar com a chegada de Xavier Castillo (Jencarlos Canela), seu ex-marido, que é contratado para ser co-protagonista na novela.

O clima entre os dois esquenta rapidamente. Ana não quer perder o seu status de estrela maior, sem falar que não suporta as saliências de Xavier. Porém, acaba entendendo que a presença do ex se justifica como uma jogada de marketing para aumentar a audiência da novela, e segura as pontas… até um determinado limite. E o limite é: Xavier mostrando que seguiu em frente, e que não tem medo de mostrar isso para todo mundo. Principalmente para Ana.

Os colegas de trabalho de Ana são um capítulo à parte. O vilão da novela (Amaury Nolasco) é um ator excêntrico/maluco, sua melhor amiga/figurinista (Diana-Maria Riva) tem opiniões polêmicas sobre o comportamento de Ana, tem aquele melhor amigo gay que não pode faltar (Jose Moreno Brooks), que ironicamente interpreta o interesse amoroso de Pasión, pagando de pegador com barriga tanquinho, e a atriz rival (Alex Meneses), que era a protagonista da novela, mas que ficou velha, e perdeu espaço para Ana. Sem falar no roteirista da novela, que só consegue escrever bêbado, e sofre de amnésia alcoólica, se surpreendendo com tudo o que ele mesmo escreveu na noite anterior.

Telenovela é basicamente uma comédia besteirol, que não se leva a sério. E nem pode. Afinal de contas, o presidente do canal fictício é ninguém menos que Zachary Levi (Chuck, Heroes), o que mostra o nível da novela que eles apresentam. Bom, noves fora, até que a série se esforça em ser engraçada, brincando com todas as características de uma típica telenovela latina. Principalmente com o fato dessas produções serem as mais bregas da televisão.

Eva Longoria está… Eva Longoria. Sem tanto sotaque latino como era Gabrielle Solis em Desperate Housewives, mas sempre sexy. Alias, boa parte de suas piadas está ligado ao fato dela ser uma mulher gostosa. Até porque sua personagem é desprovida de talento, mesmo sendo muito popular junto ao público. E Longoria sabe muito bem como rir de si mesma, brincando com esse aspecto de sua carreira.

Aliás, uma das piadas que deixa claro que ela não tem problemas com isso é quando ela é colocada como mãe de uma das personagens novatas da novela. Aliás, vale a pena lembrar que Eva Longoria é uma das produtoras executivas de Telenovela, o que explica boa parte dos motivos da série existir.

No final das contas, é uma grande tentativa da NBC em tentar beber da mesma fonte da CW. Vai que cola? Vai que dá certo? Bom… o problema está na audiência da NBC, que já não sabe mais do que gosta em séries de comédia, não comprar de vez a ideia de Telenovela. Com isso, as chances da série flopar são consideráveis. Mesmo assim, para aqueles que tem uma mente aberta, e querem se divertir com o fator zoeira e escrachação em cima das bregas novelas latinas, Telenovela é uma boa pedida.

Pode não cair no gosto de todo mundo. Pode ser cancelada rapidamente. Mas… são apenas nove episódios, e dois já foram exibidos… por que não?

Primeiras Impressões | Superstore (NBC, 2016)

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Seja bem vinda de volta, America Ferrera! Eu estava sentindo sua falta.

Aproveitando a pausa de final de ano, a NBC decide ocupar a sua grade de programação com os previews de suas novas comédias. Uma delas é Superstore, protagonizadas pela atriz que, em 2007, venceu o Globo de Ouro, o Screen Actors Guild Awards e o Emmy Awards de Melhor Atriz de Comédia por sua atuação em Ugly Betty (ABC). Depois de cinco anos longe do mainstream, ela volta em uma comédia em um canal que tem crise de identidade com o gênero, depois de viver uma “era de ouro” na TV, oferecendo algumas das melhores comédias de todos os tempos.

Superstore mostra o dia a dia da Cloud 9, uma das milhares megastores que estão espalhadas ao redor dos Estados Unidos (e no Brasil também). Toda a nossa perspectiva é centrada em Amy, veterana de 10 anos na loja, mas que não saiu do posto de supervisora do departamento de eletrônicos. Por conta disso, ela vive uma rotina um quanto tanto entediante, até porque ela mesmo se vê como alguém bem sem graça. Não tem bom humor, não se diverte no trabalho, e leva o seu emprego medíocre a sério demais.

A vida de Amy na Cloud 9 pode mudar com a chegada de Jonah (Ben Feldman), o novo funcionário da loja, e seu subordinado direto dentro do seu departamento. Jonah até parece ser uma boa pessoa, mas causou em Amy uma péssima primeira impressão, ao fazer comentários inconvenientes e cometer erros bizarros na gestão de preços da loja. Isso foi o suficiente para acontecer uma conexão entre os dois, para que no futuro (quem sabe) essa amizade vire algo mais.

É claro que tem mais gente de olho no pseudo bom partido chamado Jonah. Dina (Lauren Ash), gerente assistente da Cloud 9, é uma das interessadas, a ponto de perguntar se Jonah era solteiro e hétero. Aliás, a loja é especializada em contratar pessoas meio malucas, por conta do seu desligado gerente Glenn (Mark McKinney).

De qualquer forma, a série mostra como esses diferentes perfis convivem juntos, tentando quebrar a entediante rotina de uma loja de departamentos.

Superstore é engraçadinha, mas não hilária. É um híbrido de The Office com alguma comédia romântica que já vimos nas temporadas anteriores. Metade de toda a existência da série se justifica pela presença de Ferrera e Feldman, e felizmente os seus personagens até que recebem bons diálogos e situações minimamente interessantes. Porém, a série como um todo tende a ser de difícil aceitação para a maioria dos telespectadores.

O piloto de Superstore não é ruim. Tem algumas coisas bem sacadas, como um flashmob para pedido de casamento que começa com um assalto de mentira (e isso é culpa do YouTube) e piadas envolvendo antiácido e metanfetamina. Mas não é uma comédia que você vai rir até desmaiar. Aliás, acho que dificilmente voltaremos a ter uma comédia assim novamente.

Talvez incomode o fato de não ser algo tão surpreendente e inovador a ponto de fazer você ficar diante da TV para ver mais episódios. É uma comédia simplesinha, bobinha, que pode muito bem ser vista em maratona quando você tiver alguma chance algum dia. Mas nada de sair correndo para baixar os episódios semanais. Não há por que ter essa pressa toda, e você pode depois conferir com calma se a mesma for renovada (eventualmente) para uma segunda temporada (algo que já considero difícil, ainda mais na NBC).

De qualquer forma, para os mais desocupados (ou sem nenhuma maratona para fazer no final do ano), talvez valha a pena tentar alguns episódios de Superstore, sem muito compromisso. Muito mais pela simpatia do que pela competência apresentada. Mais pela nostalgia à Ugly Betty do amor à A to Z.

Primeiras Impressões | Chicago Med (NBC, 2015)

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Eu sei… com uma semana de atraso… mas ao menos estou no meu apartamento.

Dito isso, vamos falar um pouco de Chicago Med, terceira série da franquia “Chicago” de Dick Wolf, o mestre por trás do fenômeno chamado Law & Order. A ideia aqui é expandir o sucesso das outras duas séries, que estão devidamente consolidadas na audiência e, quem sabe, em um futuro distante, consolidar a megalomania de um crossover quádruplo entre as séries desse moço.

Mas… pouco há para se dizer sobre Chicago Med. Levando em conta que a mais complexa e densa das três é mesmo Chicago P.D. (e não poderia ser diferente, já que lida com temas bem mais pesados), a nova série médica vai mostrar a rotina de um dos principais hospitais da cidade, e como os médicos vão lidar com esses casos, na difícil missão de salvar vidas. Nesse caso, o spinoff se consolida pois, de tempos em tempos, personagens de Chicago P.D. e Chicago Fire vão transitar no ambiente do hospital, sendo que em alguns casos eles serão migrados de forma temporária ou definitiva para a nova série.

Destaque para pelo menos um personagem: Dr. Will Halstead (Nick Gehlfuss), chefe residente do pronto socorro, irmão do detetive Jay Halstead (de Chicago P.D.). Em um dos crossovers realizados na temporada passada (de Chicago P.D. e Law & Order: SVU), Will já deu as caras, e nada impede que o irmão Jay faça o mesmo. Outros personagens também contam com conexões pessoais com elementos das outras duas séries.

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Mas, enfim… Chicago Med é um drama médico genérico, sem tirar nem por, e sem muitos atrativos ou diferenciais. Se não fosse uma série de Dick Wolf, ou pertencente a uma franquia já consolidada, eu diria que seria uma série bem comum. Mesmo. Mas como é uma série de Dick Wolf (e o sangue desse homem tem poder), podemos dizer com certa dose de segurança que ela vai dar certo na NBC. As pessoas já gostam das produções dele, e o canal parece ter finalmente entendido que é isso que a sua audiência quer ver.

Não há muito o que falar da produção de Chicago Med. Tudo é bem feito, com uma certa dose de simplicidade, o que não é ruim nesse caso. O elenco também é bem equilibrado, contando com alguns nomes conhecidos do grande público (Colin Donnell, Oliver Platt), mas com alguns atores com atuações um tanto quanto canastras. Mas não podemos pedir muito de um procedural genérico, não é mesmo?

Estou brincando. Podemos pedir sim. Sempre queremos algo melhor.

Mas o que o amigo leitor precisa entender é que, definitivamente, não podemos esperar de Chicago Med algo muito além do que vimos nos dois primeiros episódios. Será uma série “caso do dia”, onde as coisas vão acontecendo semana apos semana, sem uma sequência definida. Talvez determinados arcos mais estruturados ou crossovers com as outras séries possam mostrar roteiros um pouco mais complexos. Mas na maior parte do tempo, a série vai se manter em uma constante de mostrar a rotina daqueles profissionais, lidando com os casos que precisam lidar. E nada além disso.

Mas Chicago Med está aprovada. É uma aposta segura da NBC. Nós, que não apostávamos nada em Chicago Fire, vimos como ela chegou longe. Podemos dizer o mesmo da nova série médica do canal.

P.S.: Não vamos comparar Chicago Med com Grey’s Anatomy. Até porque temos Heartbreaker chegando aí! 🙂 

Primeiras Impressões | Truth Be Told (NBC, 2015)

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É melhor fazer essa review antes que a série seja cancelada. Porque o potencial de cancelamento é enorme!

Mark-Paul Gosselaar saiu de Saved by the Bell, foi para Franklin & Bash, e agora volta para a NBC em Truth Be Told (que antes se chamava People Are Talking), sitcom que entra na cruel noite de sexta-feira para tentar se consolidar na já problemática programação do canal do pavão. Aliás, essa é uma das apenas três comédias que o canal tem no ar na fall season 2015. Ou seja, é melhor dar certo. Caso contrário…

Nem sei se é melhor dar certo. Mas enfim, vamos lá.

Truth Be Told mostra o relacionamento de dois casais que tem em comum a diversidade. Mitch (Grosselaar) e Russell (Tone Bell) são melhores amigos. Mitch é casado há cinco anos com Tracy (Vanessa Lachey), com quem tem uma filha, enquanto que Russell é casado com Angie (Bresha Webb), com quem não tem filhos. Mitch é judeu, Russell é negro, e os dois são vizinhos.

Até aí, tudo normal. O problema é que Mitch e Russell são piores do que duas mulheres fofocando. Eles falam de tudo e de todos, sem qualquer tipo de preconceitos ou limites. Questionam absolutamente tudo: desde o sotaque da atendente do restaurante chinês até a babá gostosa que vai trabalhar na casa de Mitch (que, por sinal, é uma atriz pornô).

O “elevado poder de observação” (se é que podemos dizer assim) dos dois amigos acaba colocando os dois em situações um tanto quanto constrangedoras, complicando suas vidas e, por tabela, causando aquele sentimento de vergonha alheia nas suas respectivas esposas. Baseado na vida do produtor-executivo e criador da série DJ Nash, Truth Be Told é, literalmente um “verdade seja dita” sobre o cotidiano nosso de cada dia, com uma visão mais escrachada do limite entre a sinceridade e a avacalhação.

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A gente pode resumir que Truth Be Told é outra comédia da NBC que nasceu morta. Os índices de audiência de estreia foram fraquíssimos, e como não é uma série da Amy Poehler ou da Tina Fey, não conta com o prestígio da crítica para sobreviver. De fato, não achei o piloto ruim. Só achei ele comum demais para se manter no ar por mais tempo.

A série não tem nada de especial. É uma comédia de situação bem rasa, com piadas meio óbvias e alguns risos forçados. Algumas piadas até que funcionam, mas você vai ter que fazer muita força para rir das mesmas. Já outras não funcionam mesmo, e você se pergunta por que entraram na série. De um modo geral, não há uma estabilidade de ser uma série só boa ou só ruim. É uma daquelas séries onde pouco ou nada sentimos.

Até as atuações de Truth Be Told parecem ser forçadas. Talvez porque nada soe muito espontâneo na série. A gente sente claramente que é uma forçada de barra constante, onde o roteiro engessa tudo, ou faz tudo parecer um esquete de standup comedy com cenário. Mesmo as situações mais inusitadas, que deveriam ser mais engraçadas, não funcionam.

Enfim, Truth Be Told é dispensável. Deve ser cancelada em breve. Logo, não se apeguem muito. Nem todo amor que você tinha por “Galera do Barulho” (saudades, SBT moleque…) podem ajudar a ver mais uma comédia da NBC naufragando nessa fall season.

Primeiras Impressões | The Player (NBC, 2015)

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Alguns canais de TV precisam ter o timing certo para lançar uma série. Saber aproveitar o momento, identificar uma boa ideia e apresentar essa boa ideia ao público, antes que alguém faça antes. Ou antes que as pessoas não se importem com a história que você quer contar. Ok… vejo que a NBC não pensou em nada disso quando lançou The Player só agora.

A série tem uma das premissas mais rasas e mais inúteis que eu já vi em toda a minha vida, mas vamos lá falar sobre essa maravilha. Alex Kane (Phillip Winchester) é um ex-agente do FBI, hoje especialista em sistemas de segurança para altos executivos e chefes de estado. Leva a sua vida normalmente, até que a sua ex-esposa aparece, e eles tentam reatar.

Tudo vai muito bem, até que o amor da vida de Alex é assassinada por um braço armado do crime organizado do Oriente Médio. Na tentativa de descobrir quem matou sua mulher e por que fez isso, Alex cruza o caminho de Cassandra King (Charity Wakefield) e Mr. Johnson (Wesley Snipes), uma dupla que tem um negócio peculiar: um complexo sistema de apostas nos crimes que acontecem em todo o planeta.

A organização de Mr. Johnson é composta pelos principais bilionários do planeta, que entendiados e de saco cheio de jogar dadinho em Las Vegas, decidem apostar nas probabilidades de um justiceiro como Alex resolver crimes dos mais diversos, enfrentando aqueles que são considerados a escória da humanidade. Para isso, eles criaram um sistema que calcula as possibilidades de um crime acontecer em algum lugar e pelas mãos de alguém. E isso só é possível porque eles contam com um sistema de vigilância e espionagem que utiliza todas as tecnologias disponíveis no planeta para armazenar dados e monitorar pessoas.

Com sede de vingança, Alex se aproveita dos recursos financeiros e tecnológicos de Mr. Johnson para participar da brincadeira, onde ele é “um lado da aposta”, ou seja, o jogador onde as pessoas apostam ou não nas chances dele prevenir ou resolver um crime.

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Ok… The Player foi considerada pelos críticos norte-americanos como uma série “inútil e desnecessária”. Não acho. Para mim, ela deixa a lição de como um canal de TV pode chegar bem atrasado em relação a outro.

Sim, é verdade. Basicamente, temos aqui uma versão alternativa de Person of Interest, com a diferença que temos aqui um bando de bilionários que fingem que fazem algo de bom para o planeta, mas apenas alimentam os seus egos em uma jogatina com a desgraça alheia. Se pararmos para pensar, apesar de visualmente bem produzida e até descolada em algumas de suas propostas, The Player é de um mau gosto absurdo. Completamente desnecessária.

E não adianta tratar isso como falso moralismo, pois isso eu sei que eu não sou. Gosto do politicamente incorreto, aceito e faço piadas de tudo, e sei entender quando um plot de uma série tenta ser mais ousado. Eu compreendo tudo isso. Mas no caso de The Player, soa até arrogante a forma como Wesley Snipes explica como o jogo funciona. Honestamente? Nem f*d*nd* eu participaria de um sistema desses, mesmo que se eu estivesse cego pela vingança, como Alex estava.

The Player funcionaria se fosse lançada na temporada 2011-2012, e aqui nem é tanto em função com a similaridade do plot com Person of Interest, já destacado nesse post. É pela própria proposta geral da série. Antes, as pessoas aceitavam com mais facilidade absurdos como ser procurado e buscar pistas no primeiro computador que encontrar pela frente (que foi sabiamente formatado depois do seu uso investigativo) ou uma porta de geladeira à prova de balas.

Hoje, a exigência é maior. As séries precisam ser mais estruturadas na sua proposta geral, para não cair no desnecessário. Até acho que o piloto de The Player foi bem menos pior do que imaginei – até porque o plot era muito vago -. Mas a série é bem produzida, tem boas cenas de ação e perseguição, e com algum cuidado na ambientação e nas cenas externas.

Por outro lado, nem isso salva The Player do status de “potencialmente cancelada”. Além da má vontade da crítica especializada, que malhou a série de tudo quanto é jeito antes de sua estreia, a audiência do primeiro episódio não foi expressiva, onde pouco mais de 5 milhões de telespectadores estavam ligados na estreia da série.

Meu conselho? Não se apeguem. As chances de The Player ser cancelada antes do tempo são gigantescas. E para acompanhar uma série desse porte, com esses assuntos tratados, é mais fácil acompanhar a Person of Interest, que já está no ar há quatro temporadas. Ou não, já que tem muita gente atrasada na série.

Fato é que: com The Player, vai ser bem difícil ver a NBC decolar.

Primeiras Impressões | Heroes Reborn (NBC, 2015)

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Em fevereiro de 2010, eu estava feliz com o final de Heroes. Estava chegando ao fim uma das maiores picaretagens da história da televisão, onde seu criador, Tim Kring, cometeu tantos erros absurdos nos rumos da história que ele estava contando, que teve que pedir desculpas publicamente. Por três vezes. Mas como o mundo dá voltas, e tem alguém na NBC que me odeia com todas as forças (de nada, Bob Greenblatt), temos Heroes Reborn para tornar a fall season 2015 algo ainda mais “interessante”.

Antes do piloto estrear, a NBC liberou seis pequenos episódios de 7 minutos cada no seu site (formando um episódio de 42 minutos), que serviu de prequel para os eventos da temporada. “Heroes Reborn: Dark Matters” basicamente serve para apresentar o personagem Quentin Frady (Henry Zebrowski) e suas motivações, os eventos que dão início aos acontecimentos da temporada, e o reposicionamento dos personagens que serão aproveitados de Heroes nessa nova temporada, além de atualizar algumas informações relevantes sobre a história como um todo.

Recomendamos aos mais corajosos que, se ainda não viram e querem mesmo levar a sério Heroes Reborn, que vejam os episódios. Será importante para ver o piloto depois.

Em linhas gerais, Heroes Reborn dá um salto no tempo, mostrando as consequências da revelação dos poderes de Claire Bennett (Hayden Panettiere) ao mundo. Aqueles que tem poderes são denominados EVOs, e são parcialmente perseguidos pela sociedade e entidades governamentais. Muitos fogem para países que são mais tolerantes com suas propriedades especiais (nesse caso, e de forma irônica, o Canadá), enquanto que outros sem reúnem secretamente para descobrir o que fazer e como se defender dos civis que querem fazer justiça com as próprias mãos.

Dois desses justiceiros são  Luke (Zachary Levi) e Joanne (Judith Shekoni), pais de um garoto de nove anos de idade que perdeu a vida no atentado em Odessa, onde vários EVOs se manifestavam na tentativa de promover a paz e a harmonia entre os grupos de diferentes origens. Não deu certo: tudo explodiu, um monte de gente morreu, e todo mundo culpou Mohinder Suresh (Sendhil Ramamurthy) pela autoria do atentado.

O centro da ação de Heroes Reborn está em Noah Bennett (Jack Coleman), que estava em Odessa, no local onde supostamente Claire Bennett foi morta. Bennett saiu da Primatech quando a mesma foi adquirida pela Renautas, mas sabe que algo sinistro rola por lá. Mas como precisava se proteger – e, de alguma forma, proteger Claire, que pode estar viva ou não -, ele fez questão de ter sua memória parcialmente apagada pelo Haitiano. E seguiu a vida.

Enquanto isso, Quentin – que teve a sua irmã resgatada pela Renautas, e sabe que tem algo sinistro acontecendo por lá – encontra Noah, na tentativa de obter ajuda para descobrir o que está acontecendo, e como parar esse evento que pode mudar tudo.

Nesse meio tempo, vários eventos isolados acontecem, e todos devem culminar em um evento comum até o final da temporada acabar. Temos um novo EVO chave para a resolução de tudo: Tommy (Robbie Kay), um jovem que tem uma vida normal, mas que tem o poder de fazer as coisas que toca desaparecer. Do outro lado, Carlos (Ryan Guzman), um veterano de guerra, tenta ser um novo tipo de herói, mesmo não tendo poderes. Temos até uma EVO que tem o poder de se transformar em um personagem de videogame, que tenta salvar o pai no universo do jogo. Não será surpresa se o pai dela for ninguém menos que Hiro Nakamura (Masi Oka), mas não estou afirmando nada.

No final das contas, o objetivo dos EVOs não é apenas sobreviver em um mundo que é hostil em relação aos seus poderes, mas sim sobreviver à uma ameaça que está acima deles, e que envolvem poderes que todos ainda desconhecem. Quero dizer, quase todos: Noah Bennett já sabe o que vai acontecer. Só precisa descobrir tudo de novo.

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E temos mais um piloto que grita Tim Kring por todos os lados, minha gente. Tecnicamente, Heroes Reborn é um bom piloto, e eu já previa isso – falei sobre isso por diversas vezes no SpinOff Podcast -, uma vez que é a tática perversa do nosso showrunner preferido: fazer um piloto para enganar os trouxas, para depois c*g*r bonito na sequência dos acontecimentos da série. E é por isso que eu digo: Tim Kring não vai me enganar dessa vez.

Mas, deixando a minha linha de raciocínio hater de lado, acredito que os fãs de Heroes Reborn vão se identificar com a estrutura narrativa da série. Não dá pra dizer que não é Heroes o que você está assistindo. É Heroes, tanto na proposta estética, como na narrativa, como no desenvolvimento dos personagens e acontecimentos. Não é um ritmo tão ágil assim, até porque Tim Kring abre tanta ponta nas histórias paralelas, que é preciso ter muita paciência para conhecer todos os personagens e situações propostas por ele.

Por outro lado, não posso dizer que não era o que eu esperava. Pelo menos nesse início, Heroes Reborn apresenta todas as suas tramas, seus personagens e suas aspirações. Tem alguns plot-twists interessantes, algumas coisas bem absurdas, e uma delas bem risível: um personagem que não abriu a boca em Heroes acaba falando em Heroes Reborn… mas só sobrevive na série por apenas três minutos… Sério, chamaram gente para voltar por TRÊS FUCKING MINUTOS na série… aí você vê como o personagem era “relevante”.

Mesmo assim, Heroes Reborn não tem um piloto pior do que – por exemplo – The Bastard Executioner, que tem a mesma 1h29 da série da NBC, mas que te faz desejar a morte a todo instante. Seja pelo entretenimento, ou pelo prazer sádico de ver tudo acabar em m*rda por conta de um showrunner que não sabe desenvolver uma série, o piloto de Heroes Reborn não é cansativo a ponto de fazer você desistir.

Acredito que quem gostava de Heroes voltou para conferir qual é a de Heroes Reborn, e deve ficar satisfeito com o que viu. A audiência nos EUA da estreia da série foi considerada “OK” (6 milhões na geral, 1.9 na demo 18-49 anos), onde a mesma audiência qualificada praticamente voltou para ver qual é a do piloto. Acho que essa audiência vai cair ao longo dos episódios – até porque é impossível bater de frente com Grey’s Anatomy na ABC e o futebol americano na CBS), mas qualquer coisa que tenha demo de 1.5 ou superior para essa série já pode ser considerado uma vitória.

Muito bem, crianças… Heroes voltou, em forma de Heroes Reborn. Eu vou acompanhar até o final, só pelo prazer de falar mal. Se for bom, eu conto para vocês. Mas de cara, eu digo: Tim Kring, você não me engana. Não vou elogiar você de graça. Vai ter que fazer muito para me convencer que realmente aprendeu as lições dos erros do passado.

Porém, se Heroes Reborn for renovada para uma segunda temporada, a minha surpresa será zero. Cantei essa bola antes mesmo da série estrear.

Primeiras Impressões | Best Time Ever with Neil Patrick Harris (NBC, 2015)

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Se Barney Stintson tivesse um show de variedades, como ele seria?

Essa pergunta poderia resumir o que é Best Time Ever, novo programa de variedades comandado por Neil Patrick Harris na NBC. Porém, vai um pouco além disso. Confesso que quando veio a proposta de um programa desse porte, eu fiquei me perguntando o que poderia estar por vir, já que vimos o nosso protagonista fazer praticamente de tudo na TV, apresentando todas as principais premiações do entretenimento norte-americano (Tony Awards, Academy Awards, Emmy Awards…). Ou seja, o que mais faltava esse moço inventar?

E depois de ver o piloto desse programa, eu digo: muita coisa.

A ideia de Best Time Ever é oferecer para a audiência em casa ou na plateia do programa “a melhor hora de sua vida”, onde Neil Patrick Harris não vai medir esforços para esse objetivo ser alcançado. Para isso, ele vai se deslocar em diferentes cidades, se disfarçar de tudo quanto é jeito, fazer pegadinhas com celebridades, contar com a ajuda de celebridades no palco e distribuir alguns prêmios, que é o que todo mundo gosta.

O programa de estreia ofereceu um bom aperitivo do que está por vir ao longo da temporada. O anunciante vai se alternar a cada semana, e para o programa de estreia, Neil conseguiu ninguém menos que a atriz Reese Whiterspoon. Os quadros se alternam entre o apresentador participar de forma escondida ou disfarçada de momentos inesquecíveis de um casal ou de alguém (interagindo com a pessoa, sempre que possível), promover um karaokê com três famílias em três cidades diferentes dos EUA, ser desafiado por qualquer pessoa para alguma tarefa maluca, ou um simples jogo de perguntas e respostas valendo prêmios.

Tudo isso sob o comando de um animado Barney Stin… ops, desculpe… Neil Patrick Harris.

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Para quem viu nove anos de How I Met Your Mother, é inevitável ver a simbiose entre o personagem e a pessoa física. De fato, Best Time Ever seria o show de Barney se ele tivesse um programa na NBC. Ao mesmo tempo, bem sabemos o quão Neil Patrick Harris é um cara ‘awesome’. Logo, também é possível imaginar a pessoa física pensando em tudo o que acontece em seu programa de variedades.

E, de fato, ele é uma das mentes pensantes de tudo aquilo. Neil é um dos produtores executivos do programa que, de forma curiosa, não é uma produção da NBCUniversal, mas sim da ITV, o que pode indicar o certo pé atrás do canal do pavão em não oferecer uma temporada mais longa para o programa.

De qualquer forma, Best Time Ever cumpre com o seu papel. É divertido, consegue entreter e é o tipo de programa que a família inteira pode assistir, e eu acho que era exatamente isso que a NBC queria com esse programa de variedades. Nem preciso dizer que Neil Patrick Harris está excelente como apresentador, e a sua competência faz com que as chances de sucesso do programa aumentem consideravelmente.

A NBC recentemente está se dando bem com os seus programas de variedades e/ou programas ao vivo. The Voice, The Sing Off, America’s Got Talent e American Ninja Warrior são provas do que estou falando. Esse prospecto favorece e muito ao Best Time Ever, e fico na torcida para que o programa engrene. Potencial para isso existe. Vamos ver se a audiência norte-americana quer ter uma hora ‘legen – wait for it – dary’ a cada semana.

Primeiras Impressões | Mr. Robinson (NBC, 2015)

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Eu sei que a temporada de Mr. Robinson já foi exibida. Mas ninguém se atreveu a dar os pitacos sobre essa comédia. E depois de ver todos os seis episódios da série, eu entendi muito bem porque ninguém ousou chegar perto de comentar o que viu.

Craig Robinson faz uma versão musical dele mesmo, onde ele é um músico de Chicago de uma banda de bar que só quem mora ali no bairro do bar conhece. Para pagar as contas, ele se trasveste de professor substituto de música, em escolas que não tem muita verba para contratar professores decentes. Um belo dia, a menina que ele deu um toco no passado (ou deu um bolo nela, não levando a menina ao baile) apareceu no bar onde ele se apresenta. E descobre que a mina virou uma gata. E todo o mundo de Craig passa a girar em torno dela. Nada mais importa.

Isso chega ao ponto dele descobrir onde essa gata leciona – sim… por ironia do destino, ela também é professora -, e decide ir dar aulas na mesma escola. Por ser descolado, Craig se dá bem ao ponto de ser efetivado e, com isso, passar mais tempo tentando convencer a sua amada a deixar o seu atual namorado, e dar uma chance para ele e o ‘amor verdadeiro’.

No meio do caminho, temos professor de educação física maluco, o professor de química nerd/virgem/sincero, a professora de matemática que é stripper à noite, e a diretora que está doida para dar para Craig, mas não quer admitir isso.

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Eu li em algum lugar que ‘Mr. Robinson seria uma boa comédia se fosse lançada em 1995’. Eu até concordo. Mas como eu estou em 2015, ela só é uma comédia… de erros.

Veja bem, não foi uma temporada para se jogar no lixo absoluto, mas foi muito fraca, abaixo do necessário para sobreviver na grade. A própria série é bem datada, e essa vibe do Craig em cantar músicas com batidas dos anos 70 e 80 não ajuda muito. E olha que eu gosto do Craig Robinson (principalmente em The Office).

Porém, a trama da série não é o único problema. Mr. Robinson é bem irregular, se alternando entre piadas bem sacadas e situações bobas e descartáveis. A piada com a música de Iggy Azalea é previsível, assim como as situações envolvendo a diretora da escola e até mesmo o supervisor de ensino (chefe da diretora, e fã de Craig). Mas em alguns momentos o texto até que flui bem. Mas como a série como um todo é mal estruturada, não consegue estabelecer um ritmo bom o suficiente para engrenar e divertir o telespectador mais exigente.

Sem falar que é possível detectar falhas grosseiras na edição, o que mostra que nem a NBC estava dando muita bola para a série quando decidiu colocar a mesma no ar. Apenas seis episódios e no final da summer season. Ou seja, tinha tudo para ser apenas um ‘tapa buraco’ da grade.

Mr. Robinson só serve para quem está com muita preguiça de mudar de canal. Ou para aqueles que gostam MUITO das sitcoms clássicas. E eu até gosto desse formato de comédia. E, mesmo assim, não me convenceu. De fato, se essa série fosse lançada na mesma época que Friends estreou, ela teria grandes chances de dar certo. Mas o tempo passou, e hoje, ela é apenas uma série boba, de um cara que ficou preso no tempo. Uma pena.

Primeiras Impressões | Blindspot (NBC, 2015)

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blindspot

A fall season começou com o vazamento de Supergirl, e a NBC decidiu surfar na mesma onda, e testar no mundo real uma das suas séries mais promissoras para a temporada que vai começar. Blindspot não é só a série da Lady Sif tatuada. Também não é uma série ‘meu Deus, é a nova Breaking Bad’. Mas dentro da sua proposta – e naquilo que o canal do pavão deseja apresentar para essa série -, é muito promissora, com grandes chances de vingar.

A série é centrada na personagem de Jaimie Alexander, que no começo é denominada como ‘Jane Doe’ (ou ‘Joana Ninguém’, a derivação feminina de John Doe – João Ninguém -, termo utilizado para denominar uma pessoa com identidade desconhecida nos Estados Unidos). Ninguém sabe quem é ela, nem ela mesma. Porém, ela foi encontrada no meio da Times Square de Nova York, dentro de uma sacola de viagem. E cheia de tatuagens.

As tatuagens de Jane foram feitas recentemente, e na verdade são pistas de ameaças que precisam ser evitadas. Essas ameaças estão conectadas à uma grande conspiração que será revelada mais adiante, e a primeira grande pista desse mistério é um nome: Kurt Weller (Sullivan Stapleton), agente do FBI. O nome dele está tatuado em letras garrafais nas costas de Jane, logo, rapidamente se entende que eles precisam trabalhar juntos.

E isso acontece. Até porque, sem isso, não tem série.

Com o avanço das missões, Jane vai descobrindo mais e mais detalhes sobre ela mesma, o seu passado, e o que representa tudo aquilo em seu corpo. Sua memória vai revelando flashes do seu passado, assim como ela vai descobrindo as suas habilidades, algo que será bem útil para solucionar as tramas e os mistérios que envolvem os dois (e outras pessoas dentro do FBI, já que nem todo mundo é santinho).

Particularmente, gostei de Blindspot. A trama em si não tem nada de muito especial ou inovador, mas se destaca positivamente por ser muito bem produzida, contar com um roteiro bem montado, com bons diálogos e personagens interessantes. É claro que tem todas as chances do mundo de oferecer inconsistências nos seus plots e alguns absurdos nas suas resoluções. Mas pelo menos o piloto é bem redondo nesse aspecto, não oferecendo grandes problemas.

O elenco principal é crível e carismático. As pessoas já gostam muito da menina Lady Sif, e esse pode ser mais um fator para atrair a audiência. Deve se aproveitar muito bem do fato que será exibida nas noites de segunda-feira, logo após o megahit The Voice, e isso deve ajudar a série a obter uma renovação sem maiores dificuldades.

Por outro lado, vamos aguardar. As coisas são sempre muito estranhas na NBC, e as chances do grande público não entender qual é a de Blindspot existem. Mas acredito que este será um dos acertos do canal do pavão para a próxima temporada. Não apenas um acerto por aprovarem uma série como essa, mas também a escolha de horário. Sem falar que o piloto é bom o suficiente para que muita gente diga ‘quero ver o próximo’.

Blindspot é a série que grita Fabiano Costa. Recomendaria para ele de olhos fechados, por acreditar que ele se apegaria à mesma sem maiores dificuldades. Porém, diferente de outras produções de gosto duvidoso que o próprio Fabiano assiste, o drama da NBC oferece argumentos suficientes para que permaneça no ar com méritos. Não chama o telespectador de imbecil, oferece uma trama minimamente razoável, é bem feita… tem tudo para dar certo.

E olha que eu nem sou muito chegado aos procedurais genéricos.

Mas esse ao menos tem a Lady Sif! 🙂

Todos no estilo Netflix: canais liberando temporadas completas de suas séries na internet

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Da Vinci's Demons 2013

É a Netflix fazendo escola, e o formato tradicional de televisão tentando se adaptar aos novos tempos. O canal Starz é mais um que adota a iniciativa de liberar todos os episódios de uma de suas séries na internet, para que a audiência tenha a liberdade de escolher quando quer assistir, na hora que quer, e na ordem que quiser.

A série em questão é a já cancelada Da Vinci’s Demons, que por sinal eu desconfio que eles se esqueceram que ela existe, já que a terceira e última temporada vai estrear 18 meses depois do término do segundo ciclo. Tá, você pode até falar ‘também, pudera: eles nem ligam mais para a série, e querem que acabe logo’. Ok, eu concordo. Mesmo assim, reforça o movimento de mudança da TV tradicional, no que se refere à oferta de episódios para a audiência.

Não precisava lembrar isso, mas recentemente a NBC fez o mesmo movimento: liberou todos os episódios da primeira temporada (sim, acreditem… essa ‘maravilha’ foi renovada) de Aquarius logo depois do primeiro episódio ser exibido na TV. De novo, jamais teremos 100% de certeza se o canal do pavão estava ou não apostando no sucesso da série. Fato é que o movimento foi feito e, pelo visto (e de alguma forma que não conseguimos compreender), deu certo.

Os dois casos podem ser considerados pontuais, ou de séries que nem são tão badaladas assim. Mesmo assim, insisto que mostra a mudança de filosofia dos canais tradicionais diante dos novos tempos da TV. Apostar em flexibilizar a forma de distribuição dos episódios, buscando atender ao novo público que tão bem assimilou a proposta de oferta de conteúdo da Netflix, é uma prova que os canais buscam a sobrevivência na visibilidade junto ao telespectador, independente da plataforma que ele vai utilizar para ver esse conteúdo.

Eu me lembro bem do que aconteceu quando o TiVO apareceu, lá no começo dos anos 2000. O TiVO é o ‘avô’ dos DVRs atuais, já que era uma caixa maravilhosa que gravava os conteúdos da grade de programação dos canais, e permitindo que o telespectador pulasse os comerciais e outros trechos do programa, se assim desejasse.

Na época, fez um barulho tremendo. Muitos canais protestaram, já que os anunciantes poderiam simplesmente desistir de investir dinheiro na compra do espaço comercial dos seus programas. Afinal de contas, ninguém ia ver o que eles estavam anunciando.

Quase 15 depois da chegada do TiVO, os DVRs são mais do que populares. As principais operadoras de TV por assinatura do planeta oferecem receptores com a opção de gravação de programação, e a TV tradicional teve que se adaptar aos novos tempos.

O mesmo acontece hoje com a proposta de oferta de episódios. Foi-se o tempo que o fã de séries ficava em frente do sofá esperando aquela série que ele tanto gosta começar (salvo em raríssimas exceções). Hoje, a competição na grade de programação é enorme, sem falar que existe um mundo lá fora e a internet. E isso porque não menciono o desrespeito de alguns canais, que anunciam uma atração para um horário, e estouram a grade pelos mais diversos motivos.

Logo, se a TV tradicional quer sobreviver e ter alguma relevância, precisa se adaptar aos novos tempos. Se reinventar. Liberar todos os episódios de uma vez para quem se acostumou a ver na hora e na ordem que quiser é dar a liberdade para esse público. Quem prefere ver na TV tradicional certamente vai seguir assistindo no horário determinado pelo canal.

Acompanhar a evolução. Todos mundo precisa fazer isso. Por que não a TV também?

RIP Community (para sempre, de uma vez por todas, de verdade)

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community_emotionalconsequencesofbroadcasttelevision

Agora vai! Podemos dizer sem medo de errar que Community (Yahoo Screen) está cancelada de uma vez por todas, e para sempre. E não me entendam mal, fãs da série. Não estou aqui comemorando o cancelamento da série que vocês tanto amam (mentira, estou sim), mas essa série esteve à beira da morte ou morta tantas vezes, que já estava na hora de terminar mesmo. Não fazia mais sentido a série continuar no ar.

Eu tive que dar duas ou três chances para Community antes de seguir por mais de uma temporada com a série. No começo, achava a comédia de Dan Harmon apenas algo chato e pedante. Mas depois de 18 episódios na primeira temporada (ou seja, quase uma temporada inteira), eu aceitei a proposta da série e continuei. Até a quarta temporada, quando entendi que aquilo tudo perdeu completamente o sentido.

Aliás, por mais que se diga que Community é uma boa série, ela passou por problemas dos mais diversos. Saída de Dan Harmon, pitis do Chevy Chase, saída de Donald Glover, saída de Yvette Nicole Brown, baixíssima audiência na NBC, cancelamento na NBC… De fato, temos que encarar essa série como uma sobrevivente. Em outros canais, ela já teria sido cancelada há muito tempo. Só ficou no ar porque a NBC quis muito. E quando o canal do não quis mais, eles ainda tiveram a sorte de ser salva pelo Yahoo Screen.

Logo, o cancelamento até que demorou para acontecer. E, por incrível que pareça, dessa vez esse cancelamento não veio por conta de uma baixa audiência, mas sim porque os envolvidos no elenco tiveram suas carreiras valorizadas, e seus respectivos salários aumentaram a ponto de não mais se encaixarem na estrutura orçamentária da produção.

Veja bem: Ken Jeong ganhou a sua própria série na ABC, Joel McHale já tem o The Soup e está no elenco do revival de Arquivo-X. Tudo isso acaba pesando no orçamento de qualquer série.

Ou seja, só não tem Season 7 porque falta grana para isso. E aí não é culpa de baixa audiência.

Isso pode servir de consolo para os fãs. Mais ainda quando o próprio Joel McHale afirma que existe sim a possibilidade do ‘andamovie’ acontecer. Basta esperar para que os membros do elenco possam usufruir das suas carreiras consolidadas para que eles voltem e façam um ótimo filme.

Enfim, Community finalmente parte desse mundo. Conseguiu cumprir a sua missão do ‘SixSeasons’. Aos trancos e barrancos, mas conseguiu. Espero que os fãs tenham ficado satisfeitos com tudo o que aconteceu, e com os desfechos que a série teve. Da nossa parte, fica um ‘aqui jaz’, e dessa vez (assim espero), de uma vez por todas.

Vá em paz, Community. Descanse em paz.