Tag Archives: NetFlix

Primeiras Impressões | Marvel’s Luke Cage (Netflix, 2016)

by

luke-cage-title

Mais um acerto da Marvel com a Netflix. Para começar.

Luke Cage é mais uma das séries de heróis que prepara para o grande arco de Os Defensores, já anunciado. Atuando como uma “sequência” de Jessica Jones, mostra sua identidade própria logo de cara, com uma narrativa concisa e objetiva, e com um protagonista efetivamente presente.

Mais do que você imagina.

 

A cultura negra em estado puro

 

luke-cage

 

Uma das coisas mais legais de Luke Cage é que esta é uma série basicamente “all black”. A imensa maioria dos personagens são negros, o que é bem óbvio, já que o reduto principal da história está nesse grupo social.

Não só isso: a cultura negra é enaltecida na série. As referências culturais em profusão, a ambientação e todas as referências musicais são claramente focadas na cultura negra, o que é ótimo, já que não existem séries regulares com proposta tão positiva.

E não… não vou pensar em Black-ish nesse momento…

De qualquer forma, Luke Cage mostra o perfil psicológico e aspirações de Carl Lucas, consciente de seus poderes e de suas capacidades, mas assim como Jessica Jones, enfrentando os seus próprios problemas do mundo real e seus conflitos morais.

E seu maior problema é enfrentar o seu passado. Algo comum inclusive para quem não tem poderes.

Carl é mais um que passou por uma experimento que não dá certo por conta de uma sabotagem, e adquire super poderes. Por conta disso, ele se tornou um fugitivo, e tenta reconstruir sua vida.

Porém, o passado e algo que te persegue de tempos em tempos, e Carl vai ter que lidar com isso.

 

Mais um belo trabalho da Marvel e Netflix

 

luke-cage-4

 

Há tempos falamos em como a Netflix e a Marvel estão trabalhando bem juntas. E isso acontece não apenas pelo cuidado que o serviço de streaming tem com as produções que são próprias, mas também pela liberdade criativa que o serviço pago oferece em comparação aos projetos da TV aberta.

Basta fazer uma comparação simples e direta com Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D. (ABC), que é bem feita e bem produzida, mas que não consegue desenvolver uma história tão bem desenvolvida e fechada como as produções da Netflix apresentadas até agora.

É claro que também influi o fato da série do Agente Coulson ter mais que o dobro de episódios. Mesmo assim, os resultados são muito díspares.

Luke Cage é atraente na estética e na narrativa. O protagonista, por si, é interessante. Mesmo que Carl não tivesse poderes, muita gente gostaria de acompanhar a história daquele cara.

Mas o fato de ele ser um dos Defensores (no futuro) automaticamente o coloca em um patamar muito maior.

 

Recomendamos?

Com toda certeza.

Marvel’s Luke Cage é uma das melhores estreias da temporada, sem sombra de dúvidas.

Uma produção bem feita, um roteiro bem estruturado, um arco de temporada que rende, cenas de ação, tiro, porrada e bomba… Enfim, tudo o que se espera de uma série de herói, mas com qualidade. Nada é jogado à esmo. Tudo é pensado para que a história não caia no ridículo, tal e como acontece em outras produções.

E isso é ótimo. Seria quase um “a Marvel aprendendo com a DC como se faz”! 😉 (calma, estou zoando…)

Primeiras Impressões | The Get Down (Netflix, 2016)

by

the-get-down-topo

 

A cara do Baz Luhrmann.

Eu demorei para fazer esse post de primeiras impressões de The Get Down porque estava viajando de férias (muito proveitosas por sinal). Mas tirei um tempo para ver o piloto da nova série musical da Netflix.

E concluo que, quando um profissional deixa a sua assinatura em sua obra, isso pode ser uma faca de dois gumes. Ou a Ruth e a Raquel de todo um processo criativo.

 

A origem e ascensão do hip-hop…

 

the-get-down-netflix

 

The Get Down basicamente conta a história dos primórdios do hip-hop, que tem como cenário principal a Nova York da década de 1970, mais precisamente no bairro do Bronx.

Lá, o movimento musical era algo emergente e intenso. O hip-hop assumiria o papel da disco music na relevância cultural da época, e as vidas dos moradores do bairro seriam profundamente afetadas por conta dessa mudança.

A série mostra o processo de desenvolvimento do estilo musical, ao mesmo tempo que ilustra e relação daquelas pessoas com a arte, a música, a dança e os conflitos sociais.

Sobre esse último, The Get Down ilustra muito bem o cenário comportamental dos moradores do Bronx diante da marginalização dos jovens negros, da ação da polícia e como tudo isso se reflete na manifestação musical e cultural daquela comunidade.

 

…e romance!

 

the-get-down

 

Sem romance e conflitos pessoais? Não seria Baz Luhrmann!

The Get Down romantiza toda essa história que é tipicamente urbana (e, de certo modo, não deixa de ser urbana), combinando temas fortes com declarações de amor de um jovem artista que estava a fim de uma bela moça do bairro.

Não acho esse aspecto de todo ruim. É uma proposta para contar uma história, de suavizar algo que teria tudo para ser muito mais pesado pelo ambiente ilustrado pela série.

Mesmo porque todo mundo viu o que aconteceu com Vinyl (HBO).

 

De qualquer forma…

 

the-get-down-4

 

The Get Down é uma ótima dica para quem gosta de música e história da música. Talvez um piloto de 1h30 seja muito para minha cabeça, mas isso não tira o fato da série apresentar elementos bons o suficiente para que as pessoas prossigam na série sem muitas dificuldades.

A riqueza de detalhes apresentados, somado com as várias referências de cultura pop, resultam em uma série muito bem feita, bem formatada e interessante para se acompanhar.

O que pode faltar é um pouco de tempo para ver tanta série. Se bem que este é tipo de série que merece ser devorada em um final de semana.

Velocidade de internet da GVT CAIU após fusão com a Vivo. Coincidência?

by

vivo-gvt

Não existe coincidência. Da mesma forma que não existe almoço grátis.

A Netflix publicou recentemente um ranking que mostra a velocidade média de internet no Brasil, indicando quais são as operadoras mais recomendadas para a utilização do seu serviço de streaming. Qual não é a minha surpresa ao ver que o estudo constata que a velocidade média de conexão da GVT registrou queda depois da fusão com a Vivo.

Vou repetir a pergunta: Coincidência?

Estou duvidando.

 

Surpresa zero

Não é preciso ser um Sherlock Holmes para perceber o que aconteceu aqui. Eu me lembro bem que, bem antes dessa fusão, já lamentava a mesma. E posso dizer isso de conhecimento de causa dos dois lados da moeda.

Enquanto morava em Araçatuba (interior de São Paulo), eu utilizei por anos os serviços de internet banda larga fixa da Vivo (antes Telefonica). Achava o serviço simplesmente um lixo, com um atendimento que era uma grande porcaria.

Ao chegar para a cidade de Ponta Grossa (PR), a compra da GVT por parte da Vivo já estava concretizada, e tentei avisar os clientes da operadora que o serviço iria piorar. Aliás, sou um cliente da finada GVT, e admito que gostei muito da qualidade do serviço, com uma velocidade muito boa, um serviço de TV aceitável, dentro das perspectivas, e um serviço de telefonia que, apesar de não usar muito, estava lá, funcionando muito bem.

Agora, vários clientes da GVT reclamam que, depois da absorção da Vivo, eles viraram “reféns” da operadora, o que não é nenhuma novidade.

Não podem trocar de pacote, porque isso seria “configuração de novo contrato, com nova fidelidade”. As quedas do serviço de internet são diárias, e a velocidade de internet registrou queda, tal e como o estudo da Netflix ilustra agora de forma clara.

O que dizer de tudo isso?

Simples: eu avisei.

 

Vivo pede para ser criticada

Mas aí a culpa não recai sobre os clientes. O serviço de internet da Vivo realmente deixa a desejar, e notícias como essa são apenas um sinal de alerta para os demais. Eu mesmo deixarei a operadora na primeira oportunidade, e não apenas pela baixa qualidade geral do atendimento ou pelas suas táticas extorsivas na hora de ofertar seus produtos e serviços.

Mas basicamente porque tem concorrência muito melhor aqui no Paraná (vem ni mim, Copel).

Pra quê House of Cards, não é mesmo?

by

house-frank

Não me entendam mal, crianças. Não estou criticando a maravilhosa série da Netflix. Acho House of Cards uma das melhores séries da atualidade. Mas depois dos últimos acontecimentos em Brasília, entendo que a série política fica realmente algo bem sem graça.

Como bem disse hoje o Sensacionalista, House of Cards virou Peppa Pig diante do nosso atual cenário político. A gente realmente achava que Frank Underwood era o “badass mothafucka” que usava de toda a sua astúcia política e manipulação para alcançar o poder. Depois, descobrimos que sua esposa, Claire Underwood, consegue ser ainda pior. Mas agora, vemos que a realidade de novo deu de dez a zero na ficção. Só que o nosso resultado não é tão legal assim.

Entendo que o que virou Brasília não é algo que poderia ser produzido por qualquer mente de Hollywood. Quando tudo isso acabar, teremos um filme fantástico, ou uma série de TV que pode ser indicada ao Emmy Awards com muita facilidade. Não falo só pelo o que aconteceu hoje, mas sim nas últimas duas semanas, pelo menos.

Pegue todas as informações da delação premiada de Delcídio do Amaral (incluindo as de ontem, envolvendo Aloízio Mercadante), os reflexos disso, Lula sendo interrogado pela Polícia Federal e declarando guerra contra tudo e todos, o clima de guerra civil formado, as manifestações nas ruas, e agora Lula como Ministro Chefe da Casa Civil (aka Dilma basicamente abrindo mão do governo).

Vai me dizer que qualquer série de TV que você tenha visto nos últimos anos teve tantos plot twists como estes apresentados pela política nacional. Nem de longe! Ah, e não pensem que Eduardo Cunha é o Frank Underwood brasileiro. Cunha é um bosta perto de Underwood, e Lula está hoje bem mais próximo dessa posição do que qualquer outro esteve nos últimos anos.

A realidade deu, de novo, uma surra na ficção. Infelizmente, vamos pagar o pato. Ou não. Vamos ficar quietos?

Ah, só para lembrar. Tem uma frase que Frank Underwood ensinou para todos nós, que é muito pontual para os momentos atuais.

Cdrj2c5WIAA1U54

Primeiras Impressões | Marvel’s Jessica Jones (Netflix, 2015)

by

netflix-jessica-jones

Eu sei que alguns blogs parceiros já escreveram resenhas de praticamente todos os episódios. Sei que a série está completa na Netflix desde o dia 20 de novembro, mas como estava de mudança de casa (de novo), só tive tempo de ver os primeiros cinco episódios de Marvel’s Jessica Jones ontem (23). Bom, com essa bagagem em mente, venho aqui escrever minhas impressões da nova produção original do serviço de streaming.

A série introduz mais um personagem da Marvel Cinematic Universe, e a segunda integrante do grupo Os Defensores (o primeiro é o Demolidor). Jessica Jones (Krysten Ritter) é, hoje, uma detetive particular. Tem uma vida normal, com um trabalho até relativamente burocrático, amigos normais, parentes problemáticos… tudo normal, certo? Errado. Nada é tão simples quanto parece.

Jessica Jones é, na realidade, uma ex-heroína. Com poderes e habilidades que ela já controla muito bem. E quando necessário, ela usa esses poderes para ajudar nas investigações em curso. Nada que vise machucar alguém (na maioria dos casos), mas sim para intimidar aqueles que não querem colaborar com o trabalho. Tudo dentro da lei e da ordem.

Porém, a vida de Jessica não é nada fácil. Ela sofre de estresse pós-traumático depois de sua breve carreira de heroína se encerrar de forma trágica. Por conta disso, ela assumiu para si um comportamento totalmente desenfreado, desregrado e auto-destrutivo, bebendo muito, consumindo certas substâncias perigosas e fazendo sexo com desconhecidos.

Para completar, ela ainda ouve as “vozes do além”, que a induzem em algumas de suas atitudes dentro de seu ofício. Pior: não só Jessica é influenciada por certas entidades, mas algumas das pessoas mais próximas de sua vida, o que pode resultar em eventos sem precedentes. E Jessica terá que tomar uma atitude drástica para mudar tudo. Não apenas os casos que ela investiga. Mas a sua própria existência também.

Jessica-Jones-Netflix-Marvel-3

Marvel’s Jessica Jones é mais um ótimo trabalho da Netflix. É impressionante como o serviço de streaming valoriza o dinheiro dos seus assinantes, oferecendo conteúdo de qualidade final acima do esperado, com uma estética visual impecável, e uma proposta de série madura, bem organizada e bem formatada. Para quem não assina a Netflix, a parceria deles com a Marvel é mais um motivo para fazer a assinatura, e considerar o investimento.

Também nem precisava destacar muito o talento de Krysten Ritter. Já gostava da moça desde os tempos de Apartment 23, e o papel de Jessica Jones cai como uma luva para ela. Aliás, Ritter ganhou 4.5 kg de músculos para poder incorporar a heroína. Tudo bem, não se mede a dedicação de um ator apenas por isso, mas essa é uma informação que precisava ser destacada, apenas para ilustrar algo que achei interessante.

Aliás, um dos méritos de Marvel’s Jessica Jones é contar com um elenco bem equilibrado, com nomes de peso como Carrie-Anne Moss, David Tennant, Rachel Taylor, entre outros. Aliás, a série mais uma vez mostram como Marvel e Netflix estão alinhadas e sincronizadas no objetivo de oferecer um resultado final de qualidade, atendendo aos anseios e expectativas dos exigentes telespectadores.

Comparando com Marvel’s Daredevil, o que pode (talvez) incomodar aos telespectadores de Marvel’s Jessica Jones é que a série demora um pouco para engrenar. O piloto é bom, interessante, apresenta bem a trama da série, mas é um pouco mais arrastado e descritivo do que o piloto de O Demolidor. E isso segue ao longo dos demais episódios. Mas a série começa a pegar ritmo a partir do quarto episódio, e as coisas começam a ficar mais interessantes para o grande público.

Mas nem por isso a série deixa de ser boa. Pelo contrário. Como disse antes, o resultado final oferecido pela produção é realmente excelente. Porém, li algumas pessoas reclamando desse detalhe na minha timeline. O meu conselho para eles? Insista mais um pouco. Acho que vale a pena permanecer para acompanhar mais uma série que tenta sair do lugar comum.

Marvel’s Jessica Jones é mais um presente da Netflix para todos os seus assinantes. Altamente recomendado para ser vista em maratona, e para encaminhar os acontecimentos para o grande evento em conjunto que está por vir.

Beasts of No Nation (2015) | Cinema em Review

by

beasts-of-no-nation

Os horrores da guerra que nós não vemos. A política que consegue ser mais corrupta que a nossa. Uma infância inteira se perdendo por conta do egoísmo e insensibilidade de homens que matam por muito pouco.

Beasts of No Nation é o primeiro longa metragem original da Netflix, que há tempos entendeu que a fórmula do sucesso de sua plataforma está nas produções originais, e não necessariamente na oferta de conteúdos já exibidos em outras mídias. Só que dessa vez, eles dão um passo além. Não apenas em apresentar o maior investimento da plataforma (até agora) em um produto de entretenimento, mas também por lançar esse filme tanto por streaming como nos cinemas tradicionais.

O filme recebeu três indicações no 72º Festival de Cinema de Veneza, onde o jovem Abraham Attah levou o prêmio Marcello Mastroianni por sua interpretação do protagonista Agu. E por ser um filme que vai entrar no circuito tradicional dos cinemas, não será nenhum espanto ou surpresa se ele receber alguma indicação ao Oscar 2016. Até porque motivos para isso não faltam.

Beasts of No Nation fala de um país africano qualquer (o nome não foi revelado), que vive em plena guerra civil. Agu é uma criança que simplesmente quer viver sua vida com seus pais e brincar, sempre que possível. Isso é possível porque a sua região é protegida por tropas que tentam manter o controle de tudo. Porém, quando o governo do país cai, tomado pelas tropas rebeldes, Agu e sua família precisam sair dali, por entender que isso não é mais seguro.

Na tentativa de fuga, Agu, seu pai e sua família fica para trás, e as tropas rebeldes capturam os retardatários. Antes de ser executado, o pai de Agu fala para ele e seu irmão fugirem. O irmão de Agu morre na tentativa de fuga, mas nosso protagonista consegue fugir. Em compensação, uma guerrilha armada rebelde acaba encontrando o garoto, e o adota para suas tropas.

beasts-of-no-nation

Essa guerrilha é liderada pelo “O Comandante” (Idris Elba), que submete Agu à um processo de inicialização brutal e violento, com o objetivo de torná-lo o lider de sua milícia. Ao longo do filme, o jovem sera forjado a ser mentalmente mais forte, mas de tempos em tempos ele se depara com o passado que á viveu, e com o desejo de voltar a ser uma criança normal. Ao mesmo tempo, com o avançar do conflito, e com o seu envolvimento cada vez mais profundo com a morte e o cenário de horror, vemos como Agu luta para não deixar morrer a sua humanidade, se tornando apenas um objeto da morte por uma causa que ele não consegue compreender, até mesmo por causa de sua pouca idade.

Na verdade, Agu entende uma coisa: que ele só entrou nesse conflito por ter a esperança no seu coração de reencontrar a sua mãe, que foi separada dele quando as forças rebeldes dominaram o país.

O filme também mostra como a política do país pode ser corrupta na hora de se envolver no conflito. Quem está no poder não toma qualquer tipo de medida para que o conflito seja resolvido (também, não possui recursos para isso), e acaba negociando com os diversos lados envolvidos. Mostrando que quando o interesse existe, os que contam com o poder negociam até com os criminosos.

Beasts of No Nation é um relato chocante de uma realidade que a maioria do mundo não vê. Crianças envolvidas em zonas de conflito, sendo usadas como escudo humano ou máquinas de combate. A narração de Agu sobre o conflito torna tudo ainda mais dramático e triste. Até porque é uma interpretação muito honesta e sincera de Abraham Attah. Você realmente se importa com os seus testemunhos, sofre com as situações onde ele é inserido contra a sua vontade, e termina o filme com o coração dilacerado com tudo o que aconteceu.

Não resta a menor dúvida que Beasts of No Nation é o maior investimento da história da Netflix (até agora) em uma produção original (US$ 6 milhões). Se você ficou impressionado com o trabalho feito em Narcos no que se refere à produção e ambientação, o filme de Cary Jodi Fukunaga vai te deixar ainda mais embasbacado. Rodado em Ghana, a maior parte das cenas foram gravadas no meio da mata, ou em comunidades locais. Ou seja, é uma ambientação 100% imersiva, onde você quase não vê cenas de estúdios hollywoodianos.

As cenas são absurdamente realistas e chocantes. Beasts of No Nation não é um filme fácil de se ver. Mulheres sendo estupradas, várias cenas de morte, crianças atirando em adultos, crianças espancando um recém-nascido que está chorando de fome, e crianças consumindo drogas. Estas são algumas coisas que o filme mostra para narrar o quão terrível é a situação do local. Mas esta é a ideia do filme: chocar, mexer com o íntimo de cada um, e mostrar uma realidade que muitos não conhecem. Outros tantos não querem ver.

O filme tem uma narrativa envolvente e ágil. As 2h17 de duração passam correndo, e o envolvimento com os eventos apresentados é tão grande, que o telespectador jamais vai achar um filme como esse longo ou arrastado. Aliás, o próprio plot em si impede isso. Também vai o destaque para momentos pontuais da edição e produção, com detalhes de fotografia que ajudam a ilustrar ainda mais o sentimento de horror de Abu e dos demais envolvidos, com o uso pontual da cor vermelha em determinadas cenas.

idris-elba-beasts-of-no-nation-trailer-2-01

Nem preciso destacar Idris Elba no filme, mas temos que fazê-lo, senão, não faz sentido.  Elba já é muito elogiado pela crítica e pelo público por conta de sua dedicação aos papéis que recebe, e nesse filme, isso não foi diferente. Porém, entendo que para a proposta apresentada, todo o elenco está simplesmente impecável, principalmente o elenco mirim. É preciso ser mentalmente forte para interpretar um cenário tão triste e desolador.

Beasts of No Nation levanta no telespectador questões morais, conceituais e políticas que não nos fazemos todos os dias. Não se limita a levantar a discussão sobre quem é o bonzinho ou quem é o vilão, ou por que eles estão lutando. Aliás, é um dos poucos filmes que mostram o cenário de conflito na África onde nem as Nações Unidas, nem os Estados Unidos, nem qualquer grande potência europeia aparece para resolver o conflito. Não existe o país “salvador do mundo” nesse cenário. Os eventos e acontecimentos precisam se resolver por si, pelo próprio conflito.

É um filme que não se limita a mostrar a dor de um conflito. Expõe à carne viva o horror que muitas crianças passam nessas regiões. Em terras sem lei, em pleno século 21. A maioria de nós passou uma infância e adolescência longe de tudo isso, sem conhecer essa faceta cruel de parte da humanidade, que entende que o poder a todo custo é o que realmente importa. Mesmo que seja para controlar quem não tem praticamente neda.

Beasts of No Nation é um favor que você faz para o seu caráter. Um filme excelente.

 

Primeiras Impressões | Club de Cuervos (Netflix, 2015)

by

cuervos

Eu aproveitei o embalo da semana onde assisti mais pilotos de séries em espanhol na minha vida, e fui conferir Club de Cuervos, dramédia mexicana da Netflix que mostra as excentricidades que podem envolver os relacionamentos familiares, usando o futebol como plano de fundo. Além disso, essa série estreou em 7 de agosto na plataforma, e já estava na hora de escrever sobre ela (se bem que 7 de agosto eu estava chegando na minha nova cidade, então… enfim, é o que temos para hoje).

Club de Cuervos mostra o relacionamento de dois irmãos com perfis completamente diferentes. Salvador “Chava” Iglesias Jr. é o mais novo, um playboy imbecil e totalmente irresponsável, filho do segundo casamento de Salvador Iglesias, dono do time de futebol dos Cuervos de Nuevo Toledo. A cidade praticamente cresceu em torno do time, mas quem disse que Chava liga pra isso. Enquanto ele estiver festejando, bebendo e cheirando drogas nos peitos de mulheres, está tudo certo.

Já Isabel Iglesias é a mais velha, filha do primeiro casamento, e é quem realmente pensa no gerenciamento do time. Altamente responsável, foi quem ajudou o pai a transformar o time em um dos mais bem sucedidos do México. Seria uma escolha natural como futura presidente do time, mas deu o ‘azar’ de ser uma mulher – e do seu irmão ser considerado um ‘amuleto da sorte’ para o pai, já que Chava nasceu no dia em que os Cuervos subiram para a primeira divisão.

O destino de Chava e Isabel se torna um só a partir do momento em que Salvador, o pai, morreu. Os irmãos entram em uma disputa direta pelo gerenciamento do clube, onde Chava é eleito presidente, mas Isabel não vai deixar barato. No meio disso tudo, veremos interesses pessoais e muitas trapalhadas dos dois. Com o objetivo comum de evitar que o time deixe a cidade.

club-de-cuervos-netflix

Club de Cuervos é bem intencionada e até divertida. Tem algumas pitadas do que chamo de ‘humor tonto’, com falas um tanto quanto imbecis vindas de um personagem imbecil (Chava), sem falar na cena da morte de Salvador, que tem um humor negro muito cretino. Se bem que nem todo o alívio cômico fica por conta do irmão de Isabel. A série tem algumas tiradas espalhadas por alguns personagens pontuais.

Talvez pelo fato de ter assistido Narcos minutos antes, eu tive a sensação de Club de Cuervos ser uma série um pouco mais arrastada. Mas essa pode ser apenas uma impressão. O piloto consegue caminhar bem na sua ideia de contar a história proposta. Não é uma série sobre futebol, e o esporte só está como pano de fundo para tratar basicamente do relacionamento de dois irmãos com personalidades diferentes. E essa é toda a graça da série.

A gente sabe como dois irmãos podem ser diferentes, com personalidades diferentes, modos de viver a vida, percepções, hábitos, costumes e decisões diferentes. E sabemos como isso pode ser engraçado em alguns momentos. Mesmo diante da tragédia pessoal, que é o ponto de partida da série. É claro que Chava e Isabel vão ter que lidar com a barra de vida em conviver com a periguete que o pai engravidou, e correr o risco de ter a herança dividida com ela e o filho bastardo.

Mas no final das contas, isso não importa muito. A primeira preocupação da dupla é não deixar o time dos Cuervos sair da cidade, pois apesar de serem bem diferentes, eles contam com a mesma percepção e compreensão de que aquele é o maior legado do pai. E que manter isso vivo é a missão dos dois. E isso só é possível quando se relaciona em família.

Mas é claro que um irmão não quer perder para outro. E um vai atacar o outro, como corvos brigando.

No final das contas, Club de Cuervos é mais um acerto da Netflix. Pode ser um acerto ‘discreto’ para muitos de nós, já que temos séries bem melhores lançadas em 2015 pela plataforma. Mesmo assim, não tiro a sua validade. É bom ver produções latino-americanas vingarem, apresentando resultados satisfatórios.

Primeiras Impressões | Narcos (Netflix, 2015)

by

Narcos-Official-Netflix-Logo

Pablo Escobar. Quando fiquei sabendo que a Netflix iria fazer uma série baseada na história desse cara, eu confesso que não achei que poderia dar certo. Depois que vi o nome de José Padilha no projeto, comecei a me animar. E ver que Narcos é algo completamente diferente do que minha ignorância concebeu, é a melhor coisa que poderia ter me acontecido em 2015 no que se refere à televisão. E falo sério!

Narcos conta a história de um dos maiores traficantes de drogas da história. Pablo Escobar não só foi conhecido por estabelecer um império das drogas na Colômbia, mas principalmente por mostrar a engenhosidade para expandir as suas operações nos Estados Unidos. No começo da década de 1980, isso era considerado ousado demais, mas a mente de Pablo era tão à frente do seu tempo, que ele fez dar certo, usando como porta de entrada a cidade de Miami.

Com a droga tomando conta da cidade da Flórida, a polícia local – que até agora só estava preocupados com a maconha – vê a cocaína tomando conta de Miami. A criminalidade aumentando, e os casos de morte por overdose envolvendo a droga – inclusive com algumas ‘mulas’ de Pablo morrendo na tentativa de colocar a droga no país -. Um policial norte-americano do departamento de Narcóticos se interessa pelo desafio de destruir o império de Pablo lá dentro da Colômbia, algo considerado quase impossível, já que nosso protagonista praticamente mandava em tudo por lá.

Pablo só conseguiu a sua ascensão meteórica graças a uma cocaína de alta qualidade, que fatalmente deixaria os norte-americanos altamente dependentes. E isso aconteceu. Escobar viu o potencial de negócio do material, e desenvolveu um dos mais complexos e eficientes esquemas de transporte de drogas da história, onde a mesma entrava nos Estados Unidos sem deixar vestígios.

Ao longo da série, Narcos vai mostrar a ascensão e queda de Pablo Escobar, e como uma das histórias mais inusitadas do mundo do crime é apresentada ao mundo.

narcos-season-01

O piloto de Narcos é, talvez, o melhor de 2015. São 57 minutos que fluem naturalmente. A série adota o sistema de narrativa, onde o policial norte-americano descreve os fatos de forma quase didática, tornando os acontecimentos acessíveis para todos. O resultado disso é um excelente texto, que acompanha muito bem o formato de documentário que a série possui em vários momentos.

Aliás, tal narrativa torna Narcos uma experiência de alta qualidade, colocando o telespectador dentro dos acontecimentos, como alguém que é convidado a ver tudo de perto, e em alguns casos, de perto até demais. Mas não que isso seja ruim. Pelo contrário. O que mais chama a atenção na série é o tom de realidade que ela apresenta. Não ter medo de apresentar uma execução de várias pessoas, chacinas, consumo de drogas e derivados.

Narcos é uma das séries mais bem produzidas do ano. Gravada majoritariamente na Colômbia, temos várias cenas de externas, onde a Netlix não poupou dinheiro em esforços em oferecer a maior imersão possível ao telespectador. Tudo foi pensado nos mínimos detalhes, e visualmente falando, temos aqui uma experiência impressionante. É positivamente chocante ver como eles adaptaram com riqueza de detalhes a história de Pablo Escobar, e a ambientação de todos os cenários da história tem um papel fundamental para o sucesso da produção.

Nesse caso, temos que parabenizar também à José Padilha, que mais uma vez mostrou a sua competência em uma produção televisiva. Apesar de Wagner Moura não ser visualmente parecido com Pablo Escobar, isso não tem muita importância, pois ele está muito bem no papel. Alias, a série aparenta ter um elenco equilibrado, o que só ajuda no sucesso da série.

Narcos oferece um resultado final excelente. É uma série envolvente, com uma estética impressionante, um texto ótimo, e uma agilidade mais do que necessária para contar esse tipo de história. Pode ser a série que vai colocar Pablo Escobar ao lado de outros grandes criminosos da história da humanidade. Não que ele já não estivesse. Mas acho que só agora o mundo vai conhecer a sua história com riqueza de detalhes.

Obrigado por mais uma graça alcançada, Netflix!

Todos no estilo Netflix: canais liberando temporadas completas de suas séries na internet

by

Da Vinci's Demons 2013

É a Netflix fazendo escola, e o formato tradicional de televisão tentando se adaptar aos novos tempos. O canal Starz é mais um que adota a iniciativa de liberar todos os episódios de uma de suas séries na internet, para que a audiência tenha a liberdade de escolher quando quer assistir, na hora que quer, e na ordem que quiser.

A série em questão é a já cancelada Da Vinci’s Demons, que por sinal eu desconfio que eles se esqueceram que ela existe, já que a terceira e última temporada vai estrear 18 meses depois do término do segundo ciclo. Tá, você pode até falar ‘também, pudera: eles nem ligam mais para a série, e querem que acabe logo’. Ok, eu concordo. Mesmo assim, reforça o movimento de mudança da TV tradicional, no que se refere à oferta de episódios para a audiência.

Não precisava lembrar isso, mas recentemente a NBC fez o mesmo movimento: liberou todos os episódios da primeira temporada (sim, acreditem… essa ‘maravilha’ foi renovada) de Aquarius logo depois do primeiro episódio ser exibido na TV. De novo, jamais teremos 100% de certeza se o canal do pavão estava ou não apostando no sucesso da série. Fato é que o movimento foi feito e, pelo visto (e de alguma forma que não conseguimos compreender), deu certo.

Os dois casos podem ser considerados pontuais, ou de séries que nem são tão badaladas assim. Mesmo assim, insisto que mostra a mudança de filosofia dos canais tradicionais diante dos novos tempos da TV. Apostar em flexibilizar a forma de distribuição dos episódios, buscando atender ao novo público que tão bem assimilou a proposta de oferta de conteúdo da Netflix, é uma prova que os canais buscam a sobrevivência na visibilidade junto ao telespectador, independente da plataforma que ele vai utilizar para ver esse conteúdo.

Eu me lembro bem do que aconteceu quando o TiVO apareceu, lá no começo dos anos 2000. O TiVO é o ‘avô’ dos DVRs atuais, já que era uma caixa maravilhosa que gravava os conteúdos da grade de programação dos canais, e permitindo que o telespectador pulasse os comerciais e outros trechos do programa, se assim desejasse.

Na época, fez um barulho tremendo. Muitos canais protestaram, já que os anunciantes poderiam simplesmente desistir de investir dinheiro na compra do espaço comercial dos seus programas. Afinal de contas, ninguém ia ver o que eles estavam anunciando.

Quase 15 depois da chegada do TiVO, os DVRs são mais do que populares. As principais operadoras de TV por assinatura do planeta oferecem receptores com a opção de gravação de programação, e a TV tradicional teve que se adaptar aos novos tempos.

O mesmo acontece hoje com a proposta de oferta de episódios. Foi-se o tempo que o fã de séries ficava em frente do sofá esperando aquela série que ele tanto gosta começar (salvo em raríssimas exceções). Hoje, a competição na grade de programação é enorme, sem falar que existe um mundo lá fora e a internet. E isso porque não menciono o desrespeito de alguns canais, que anunciam uma atração para um horário, e estouram a grade pelos mais diversos motivos.

Logo, se a TV tradicional quer sobreviver e ter alguma relevância, precisa se adaptar aos novos tempos. Se reinventar. Liberar todos os episódios de uma vez para quem se acostumou a ver na hora e na ordem que quiser é dar a liberdade para esse público. Quem prefere ver na TV tradicional certamente vai seguir assistindo no horário determinado pelo canal.

Acompanhar a evolução. Todos mundo precisa fazer isso. Por que não a TV também?

Primeiras Impressões | Wet Hot American Summer: First Day of Camp (Netflix)

by

wet-hot-american-summer

Antes de qualquer coisa, eu te peço, amigo leitor: não leve Wet Hot American Summer a sério. Até porque nem eles mesmos se levam a sério. O negócio aqui é totalmente gerenciado pelo fator zoeira, e se você quer encontrar o mínimo de coerência nesse tipo de série… você precisa rever os seus conceitos, ok?

Dito isso, a Netflix apostou na adaptação para o formato de série do filme (quase) cult de 2001, que para muitos era um ilustre desconhecido, mas que voltou a ficar em evidência pelo fato de contar com praticamente todo o elenco do longa, que na época não era tão famoso assim. Ironicamente (ou não), a grande maioria deles decolaram suas carreiras depois do filme, a ponto de retornarem para essa história, ‘só pra brincar’.

Sim, amigos. Estamos falando de nomes que são hoje de peso no cinema e na TV, mas que em 2001 não eram considerados superastros como hoje. Exemplos: David Hyde Pierce (talvez o mais famoso da lista na época, por conta de Fraiser), Michael Ian Black, Zack Orth, Paul Rudd, Chris Meloni, Molly Shannon, Ken Marino, Joe Lo Truglio, Amy Poehler e Braldey Cooper. Todos eles contam hoje com carreiras consolidadas, e toparam voltar para fazer os oito episódios da série da Netflix.

Sem falar nos amigos dos caras, que são igualmente famosos, e que decidiram participar da brincadeira: Jon Hamm, John Slattery, Josh Charles, Kristin Wiig, Jason Schwartzman, Chris Pine, Micael Cera, Jayma Mays, Weird Al Yankovic, entre outros. E esse é mais um chamariz natural para que qualquer pessoa se interesse em assistir a série.

WHAS-3940.CR2

Mas falando de Wet Hot American Summer. A série mostra um dia no acampamento Firewood, onde os pais deixam os pré-adolescentes e adolescentes durante o verão para comprar um pouco de paz e sossego nas suas vidas. O problema é que não estamos falando de um dos mais organizados acampamentos de verão do mundo, onde os instrutores contam com interesses particulares bem peculiares, pouca habilidade com os pais e acampados, e muito desejo de fornicação entre os funcionários. E tudo isso atrapalhava um pouco.

Mas espere. piora.

O acampamento está cercado de algumas ameaças, além dos próprios monitores e alunos. A pior delas é uma ação governamental que está jogando lixo tóxico na região, e a descoberta desse material pode levar a uma conspiração envolvendo a mais alta esfera do poder dos Estados Unidos. E eles vão ter que lidar com isso, ou derrubar Ronald Reagan do poder.

Ok, eu sei que isso não tem nada a ver com um acampamento de verão. Mas como disse, nada disso tem qualquer sentido. E é por isso que a série é tão legal.

Wet Hot American Summer é ambientada na década de 1980. Logo, temos todos os clichês da época, assim como a trilha sonora que coloca o telespectador na atmosfera proposta. Sem falar que a adaptação que a Netflix fez na estética visual da série grita o tempo todo os anos 80, mostrando mais uma vez que eles sabem o que estão fazendo.

Por outro lado, quando falamos da estética do elenco, ela é tosca, e de propósito. Afinal de contas, todo mundo do elenco original está 14 anos mais velho, e seria ridículo ver esses personagens fazendo papéis com quase a metade da idade que eles possuem hoje. A solução aqui foi, de novo, ‘assumir a zoeira’: gente gorda usando camiseta com número menor, várias perucas, caras e bocas… enfim, qualquer coisa para deixar a coisa bem escrachada, e de propósito.

Outro detalhe a ser destacado é que aqueles que são mais atentos vão perceber como eles solucionaram a questão de colocar tanta gente boa em uma única série. Não só isso: atores com agendas muito diferentes, e alguns deles com projetos em atividade. Nesse caso, a solução encontrada foi distribuir esse elenco em diferentes núcleos. Alguns deles simplesmente não se encontram ao longo de toda a temporada. Já outros grupos de atores tem praticamente todas as cenas compartilhadas em seus respectivos plots.

Isso mostra a complexidade da produção nesse aspecto. Vários sets de gravação, um tempo maior gravando as cenas para que todos pudessem participar, e por tabela, um trabalho maior na pós-produção. A série conta com um trabalho muito bom de edição, roteiro e montagem. Para colocar tudo isso de forma coerente na trama, foi necessária uma grande habilidade técnica dos profissionais envolvidos.

WHAS-3971.CR2

Mas… Wet Hot American Summer vale a pena?

Sim. E Muito.

A série é um besteirol completo, com piadas bem sacadas e algumas mais absurdas, bem no estilo ‘filme que não se leva a sério’. Foi feita para fazer você rir de forma fácil e descompromissada, sem precisar ligar o cérebro para entender uma piada. Talvez a geração mais nova perca uma ou outra referência da época, e até entendo que os mais velhos vão se divertir ainda mais. mesmo assim, é o tipo de série que a audiência de todas as idades poderá conferir.

Como a Netflix disponibiliza todos os episódios de uma vez, foi muito fácil e rápido assistir todos os oito episódios da série em um final de semana (quatro no sábado, quatro no domingo). Para quem está disposto, fica realmente muito fácil conferir a série de uma tacada só.

Wet Hot American Summer é altamente recomendada para quem gosta de comédia pastelão, ou para quem curte um humor que não faz o menor sentido. Para quem curte piadas estúpidas e imbecis, um texto que é ágil e direto, que não te deixa entediado.

E o mais importante: é uma grande brincadeira entre os profissionais envolvidos. Todo mundo resolveu se divertir diante das câmeras. E o resultado é diversão garantida para o telespectador.

Primeiras Impressões | Grace and Frankie (Netflix, 2015)

by

GF_EP101_MM_080814_0804_R

Viver não é uma tarefa fácil. E fica ainda mais difícil quando você descobre que o seu marido tem um caso há 20 anos com o sócio dele. Piora ainda mais quando ele decide te largar para se casar com ele. É isso mesmo: Grace and Frankie, nova comédia da Netflix, fala dos desafios de recomeçar em uma idade avançada, de vencer preconceitos, e principalmente: de se encontrar em um cenário que você não se encaixa mais.

Grace Hanson (Jane Fonda) era casada com Robert (Martin Sheen). O casamento não era lá grande coisa, mas ao menos eles mantinham o status e a aparência de um casamento estável. Robert é há mais de 20 anos sócio de Sol Bergstein (Sam Waterson), que por sua vez é casado com Frankie (Lily Tomlin). Sol e Frankie formam um casal mais harmonioso – bom, pelo menos ela declaradamente ama o marido -, onde os dois se entendem apesar de suas diferenças evidentes (ele é um certinho, ela é uma hippie).

O mundo dos quatro começa a mudar quando Robert e Sol informam para Grace e Frankie que vão deixá-las, depois de mais de 40 anos de casamento. Isso não seria tão chocante se os dois, como um ‘bônus’, anunciam que vão se unir em um casamento totalmente improvável (para elas), e que só faz sentido depois de várias referências que ambos deixaram ao longo desse tempo todo. Inclusive uma casa na praia, comprada em conjunto pelos quatro.

Sem rumo na vida, tanto Grace quanto Frankie decidem enfrentar esse difícil momento da vida juntas, apesar de pertencerem a mundos completamente diferentes. Na tentativa de não se matarem, elas terão que combinar a raiva e a frustração pelos ex-companheiros com o desejo de se reinventarem diante de si e do mundo.

GF_EP101_MM_081314_2041_R

Grace and Frankie é mais um acerto da Netflix. E poderia parar por aqui. Mas não vou. A série de Marta Kauffman (criadora de Friends) e Howard J. Morris é impecavelmente bem pensada, com um texto afiado, e toda a competência dos quatro protagonistas, que passam nas suas interpretações todas as intensões e sensações dos seus personagens. Você é imergido na proposta geral do grande conflito criado pelas escolhas de cada um deles e, mesmo assim, não consegue escolher claramente um dos lados, pois cada um deles tem os seus motivos para fazerem suas escolhas.

O elenco de Grace and Frankie é impecável, equilibrado e perfeito para a proposta geral da série. Cada um deles é capaz de mostrar a personalidade de cada um dos personagens, mas sem deixá-los caricatas. São pessoas comuns, com traços claros de humanidade, e não personagens freaks que só existem no mundo da TV. Você poderia encontrar qualquer um dos quatro personagens no seu ciclo de amigos. E se sensibiliza por eles.

Afinal de contas, os quatro buscam se reencontrar na vida. Recomeçar a sua jornada. Buscar a felicidade com diferentes perspectivas. Se já não fosse difícil refazer a vida na velhice, imagine fazer isso com um parceiro do mesmo sexo. Todo o aspecto social que envolve essa escolha está diretamente relacionado com as dificuldades em começar uma vida a dois com a pessoa que se ama, depois de tanto tempo em segredo.

Para Grace e Frankie, o impacto é tão dramático quanto. O casamento das duas acabou, e seus maridos as trocaram por outro homem. Isso gera a frustração, a revolta, a decepção. Tudo isso será trabalhado pelas duas, que ficarão juntas nessa barra de vida. Apesar de serem completamente diferentes. O que não é ruim, já que nos completamos por conta das diferenças que encontramos nas relações humanas.

GF_EP101_MM_081214_1570_R3_CROP

Grace and Frankie tem um humor refinado e inteligente. Apresenta de forma simples as situações que derivam desse cenário peculiar, com tiradas pontuais e várias metáforas sobre a vida. Você pode não achar essa a melhor comédia de sua vida, mas por todos os fatores envolvidos e relatados nesse post, é altamente recomendado que você veja o piloto da série, e pelo menos o segundo episódio.

Vencer barreiras, mudar a perspectiva do futuro, superar os preconceitos… e se divertir com esse processo de reinvenção. É o que Grace and Frankie tem a oferecer.