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Primeiras Impressões | The 100 (CW, 2014)

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Pilot

Finalmente! Chegou o dia! Depois de quase um ano de espera, especulações, promos, trailers e promessas absurdas de Isaiah Washington, The 100 estreou na programação da CW. A série que tem como missão revolucionar a CW como nós conhecemos, também está disposta a responder a enigmática questão: “o que acontece quando jogamos 100 delinquentes juvenis em uma Terra devastada por uma guerra nuclear?”. Mas vai além disso. Por mais inacreditável que pareça.

A premissa de The 100 é a seguinte: o ser humano ferrou com tudo aqui na Terra em uma guerra nuclear, deixando o planeta simplesmente inabitável. Quem pode, fugiu para uma estação espacial internacional, acreditando que todos os seus problemas estavam resolvidos. Ledo engano. O tempo passou, os humanos na estação espacial não pararam de ter filhos, e rapidamente eles se depararam com um “pequeno” problema: a falta de espaço.

A estação espacial é “governada” por conselheiros (que são os pais de alguns dos “delinquentes”) e o Chanceler Jaha (Isaiah Washingon) que é quem comanda toda a comunidade. Esses pais desajustados criaram leis rígidas e absurdas demais para quem vive em uma estação espacial. Por exemplo, se um casal tivesse um segundo filho, não só os pais são considerados criminosos, mas o segundo filho TAMBÉM. Só por ter nascido!

Ou seja, nem todos os adolescentes considerados delinquentes são criminosos de verdade. Muitos ali estão pagando o pato pelos pais. O que não quer dizer que não existam os bandidinhos de verdade. Aliás, tem alguns com cara de perigosos/sinistros, mas ao mesmo tempo (e de forma muito estranha) acabam sendo o ativador de feromônios nas menininhas da série. Sejam elas CDFs ou fúteis/rebeldes sem causa.

De qualquer forma, para começar a resolver o problema de superlotação da estação espacial, 100 desses adolescentes – cujos muitos pais não querem ver nem pintados de ouro – são enviados para um planeta Terra que não tem gente há 97 anos – por conta da guerra nuclear, é sempre bom deixar isso claro -, sem saber se vão sobreviver, sem ter certeza se existem condições de vida lá… enfim, foi todo mundo despachado no modo “te vira, moleque”. Feito o despacho, esses mesmos pais passam a decidir se matam mais gente dentro da estação espacial ou não, em uma mega conspiração sinistra, com alguns fazendo cara de mau o tempo todo.

Enquanto isso, na Terra, esse bando de adolescentes – na grande maioria, burros – começam a “se virar” no planeta. Literalmente, pois tal como a maioria dos adolescentes, eles começam a ignorar completamente as instruções passadas por Jaha. Todas elas. Inclusive aquelas que envolvem a sua própria sobrevivência. Em resumo: procurar comida pra quê?

Apenas cinco (ops, quero dizer, quatro) desses adolescentes começam a procurar modos de sobreviver em um planeta que tem um veado de duas cabeças (digitalizado, é claro), e uma mini Piranhaconda nadando em um lago que sequer constava no mapa. E assim, brincando de garotos perdidos em selvas de Lost feitas em estúdio, eles vão descobrir a fria em que se meteram.

Pilot

Bom, aqui eu já respondo a sua pergunta: não… Isaiah Washington está errado, e The 100 não chega nem perto de ser uma Arrow, que dirá uma Mad Men ou Breaking Bad.

Talvez já pensando na possibilidade de ser cancelada rapidamente, o piloto de The 100 queima alguns estágios importantes. O principal deles? Apresentação dos personagens. A série não te dá chances de você conhecer melhor os personagens antes de todos serem jogados na Terra. Só depois disso, você vê a personalidade deles, e no final das contas, você não se importa com nenhum deles, ou com os problemas que eles enfrentam na Terra. Afinal, eles simplesmente foram jogados lá.

Até porque os adultos não tem sequer certeza se eles vão sobreviver em uma Terra que, repito, foi vítima de uma guerra NUCLEAR. Eu não mandaria o meu filho para lá por nada!

Só aí a gente vê como os adultos da série são burros. Sem falar que, no núcleo adulto, rola uma mega conspiração contra o Chanceler, com pessoas fazendo cara de mega evil, e que no final das contas, apenas querem justificar o mote principal da série: matar pessoas à esmo. Por nada. Os adultos querem oficializar isso, e os adolescentes, ao que tudo indica, vão descobrir isso sozinhos, e rapidamente.

Mesmo porque eles já se juntaram em grupos, de acordo com o interesse deles. Tal como em qualquer colégio de ensino médio.

Do mais, os membros do elenco adolescente do piloto são fracos, alguns com cara de burros (talvez a ideia seja essa), e isso só contribui para que não haja apego com essas pessoas. Aliás, com o plot todo: The 100 é uma forçada de barra no argumento para produzir uma série de TV.

Não dá pra considerar o piloto como bom. Porém, eu tenho uma boa notícia para você. O piloto de The 100 é tão ruim, que “dá a volta”!

Pilot

Sem muito esforço, você começa a observar as trapalhadas que os adolescentes jogados na Terra fazem, e começa a dizer “um adolescente médio faria exatamente isso”. Aliás, The 100 é uma prova cabal de como um conjunto de pessoas (jovens, adultos, não importa) podem ser burras e superficiais em vários níveis. Se a ideia da série era passar essa mensagem, eu dou os parabéns para os seus criadores. Objetivo alcançado.

Sem falar nos pequenos detalhes de produção: selva cujas flores brilham no escuro (até vai… vai saber o que as bombas nucleares fizeram…), um cervo desformado digitalizado, a mini piranhaconda… tudo acaba sendo muito risível. E você dá mais risada ainda quando você lembra que o Isaiah Washington chegou a dizer a pérola…

The 100 vai mudar a CW como conhecemos. Será do mesmo nível que Mad Men e Breaking Bad!

De novo: não, Isaiah… essa é a CW que a gente já conhece, e principalmente: a CW que a gente ama! A CW moleque! A CW pé no chão! A CW roots!

Por favor, Isaiah Washington… pare de comer pedras de crark junto com o seu Sucrilhos no café da manhã! Por favor!

Por fim, eu me diverti com The 100. Me entregou o que prometeu: uma típica série da CW, com conflitos adolescentes, mas em um planeta Terra primitivo. É tipo um Lost pós apocalíptico, mas onde os perdidos são todos adolescentes. Mais uma vez: não dá pra chamar essa porcaria de boa…

…mas não vou te condenar se você assistir e se divertir. Aconteceu comigo.

Primeiras Impressões | Ravenswood (ABC Family, 2013)

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Se existe um canal que me faz repensar os comentários maldosos que eu faço sobre o canal CW, esse canal é o ABC Family. Porque, sério… eles conseguem entregar resultados simplesmente “inacreditáveis”. E é o caso de Ravenswood, spinoff de Pretty Little Liars, que segue a mesma fórmula: um elenco (quase todo) composto por pessoas bonitas, com ar descolado de modelos, mas que são almas atormentadas por viver o tempo todo em clima de mistério e suspense.

Tudo começa quando Caleb Rivers (Tyler Blackburn) resolve pegar um ônibus para Ravenswood, com o objetivo de ajudar a sua namorada, Hanna Marin. No ônibus, ela encontra Miranda Collins (Nicole Anderson), que também está indo para Ravenswood, mas por outros motivos. Ela quer encontrar o seu (relativo) último parente vivo, o seu tio Raymond (Steven Cabral), dono de uma funerária, que abandonou Miranda quando ela era criança. Ou seja, um cara sinistro.

Com o objetivo de começar a compreender o seu passado, Miranda convida Caleb (que, de novo, estava em viagem para ajudar a sua namorada Hanna – procure sempre se lembrar disso) para visitar o cemitério local. E lá, ambos encontram uma grande e macabra surpresa: as suas lápides, com suas fotos, e os seus nomes! #mistério #boom #LOST

O que já é bem estranho fica mais confuso quando eles chegam em Ravenswood. Não bastando o fato de Miranda ter um tio com cara de morto (e lidar com mortos), e morar com a única personagem com mais de 60 anos na série, Carla Grunwald (Meg Foster), que já deu as caras em Pretty Little Liars, tanto Miranda quanto Tyler (que, de novo, a essa altura, já nem lembra que tem namorada pra ajudar), se envolvem com dois irmãos, os gêmeos Luke (Brett Dier) e Olivia Matheson (Merritt Patterson). Seus pais morreram sob circunstâncias misteriosas e controversas, vítimas de uma espécie de maldição que paira sobre Ravenswood há décadas, e agora os dois são semi-hostilizados por metade da cidade.

O quarteto vai contar com a ajuda de Remy Beaumont (Britne Oldford), filha do editor-chefe do jornal local, que também desconfia que alguma coisa muito estranha acontece na cidade amaldiçoada. Juntos, o quinteto (em companhia do cachorro falante) vai trabalhar para descobrir os segredos de Ravenswood, e tentar acabar com a tal maldição. Pois tudo indica que as próximas vítimas desse mau agouro são eles mesmos.

Por onde começar…

Bom, é a cara do ABC Family. E isso não é um elogio.

O piloto de Ravenswood é fraco, assim como Pretty Little Liars também é. Me desculpem os fãs, e me desculpem aqueles que já defendem as duas séries, mas é a minha opinião, e vou dizer por que.

A história é bem sem pé nem cabeça nem cérebro nem corpo nem braço nem nada. Tyler vai atrás da namorada (que, aliás, vai aparecer em Ravenswood – afinal de contas, o namorado vai ajudar ela, e ele nem aparece na frente dela?), mas para a primeira desconhecida que tem uma barra de vida, ele vai com ela no cemitério. Detalhe: nem é para fornicação.

Depois, ambos acabam vendo as suas lápides. Ou seja, ou é visão do futuro, ou eles já dançaram nessa vida. Mas como o importante não é teorizar, vamos em frente. A nossa amiga Miranda, ao perceber que o seu tio era meio maluco, no lugar de pular fora e seguir com sua insignificante insistência, insiste de forma chata em descobrir o seu passado, com sérios riscos de se ferrar por conta disso.

Pra completar uma das irmãs dos pais mortos, é teimosa: vai no desfile da cidade, só pra sofrer de bullying!

Definitivamente, não é o meu tipo de série.

Ravenswood é uma série de roteiros fracos, argumentos fracos, personagens pouco carismáticos, e interpretações fraquíssimas. A produção também escorrega feio em alguns cenários. Acho legal as referências para os filmes clássicos de terror, mas algumas são risíveis (principalmente a do final do episódio). E para quem continuar com a série, que se prepare para argumentos tão absurdos quanto “a A é uma equipe, liderada por um dos professores da escola”, ou “tem um porco dentro do porta-malas!”.

Aliás, para quem vai continuar, boa sorte. Pelo visto, a audiência da ABC Family adorou, e honestamente, desconfio do gosto deles. Pode gostar, mas não fala que é bom. Porque não é.

E, honestamente: CW > ABC Family (na fall season 2013).

Primeiras Impressões | Gossip Girl Acapulco (2013)

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Nem eu acredito que vou comentar esse piloto aqui no SpinOff, mas como temos que diversificar e buscar novas formas de entreter você, amigo leitor, vamos aqui falar sobre o já popular piloto de Gossip Girl Acapulco, que nada mais é do que a adaptação da série produzida nos Estados Unidos por Josh Schwartz, que por sua vez foi uma adaptação dos livros de Cecily von Ziegesar. E não… não é uma série melhor que a original.

Eu sei que essa série estreou em julho, e já estamos em setembro. Mesmo assim, entendo que as pessoas ainda podem ficar sabendo do que estão perdendo. Acho válido. É praticamente um serviço de utilidade pública.

O ponto positivo é que a série é uma co-produção da El Mall com a Warner Bros. Outro ponto positivo é que eles escolheram o lugar mais bonito do México para ambientar a série – Acapulco. Nada contra Nova York, que é o local original da história, mas temos que admitir que tudo fica mais divertido com uma série em um ambiente praiano, com cenários paradisíacos, e maiores chances de aplicação de chroma keys em cenas específicas.

Não vou perder muito tempo contando o enredo da história para vocês. A série começa da mesma forma que a original começou, com Sofia (Serena) voltando para Acapulco, depois de um desaparecimento misterioso, onde ela deixou tudo e todos, principalmente a sua ex-melhor amiga, Bárbara (Blair), menina esnobe e metida a rainha do local, que namora com o almofadinha Nico (Nate), que sempre arrastou uma asa (e algo mais) para Sofia.

Algumas pequenas adaptações foram feitas. Daniel (Dan) – que é a Gossip Girl… ah, desculpa, todo mundo já sabe disso – até porque a série mexicana já mostra desde o piloto o coitado do Dan aparecendo em todos os locais onde os acontecimentos ocorrem – e Jenny (Jenny) vieram da Argentina para ajudar o seu pai a tocar o novo hotel da cidade. A mãe de Sofia segue sendo um relacionamento do passado do pai de Daniel, mas é um pouco mais pedante do que a Lily original.

Por fim, temos Max (Chuck), o garoto pedante e perigoso de Acapulco, que sabe de tudo e de todos, pronto para dar o bote em todo mundo.

Sem novidades até aqui, certo?

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A questão de Gossip Girl Acapulco é bem simples de ser respondida: é um Gossip Girl… em Acapulco. Nem poderia esperar menos que isso. Aliás, eu devo dizer que agradeço aos céus pela audiência latina existir. Afinal de contas, toda a dramaticidade e interpretações são pensadas neles, e isso torna a TV mais divertida.

Confesso que nesse aspecto “atuação”, a série foi bem mais comedida do que eu imaginava. A adaptação nesse aspecto é mais para o lado americano do que para o dramalhão mexicano. Porém, isso não impede as atuações fracas, alguns argumentos convenientemente cretinos, e situações realmente bregas (como a sequência do final do piloto, que é de uma vergonha alheia que dói na alma).

Aliás, alguns pontos da produção deixam a desejar. A tal sequência final usa de um chroma key lascado, e recursos de edição que beiram o improviso. São lapsos que não podem ser aceitos, ainda mais se levarmos em conta que o pessoal da Warner Bros está envolvido na produção desse negócio.

Além disso, como a série vai ser menor que a original (segundo @edu_sacer, sempre por dentro das coisas do submundo das séries), contando com apenas três temporadas, Gossip Girl Acapulco começa a queimar cartuchos logo de cara. Elementos da série que só acontecem alguns episódios depois do piloto na série original (como o motivo real pelo qual Sofia volta para Acapulco) e personagens que só aparecem na série mais adiante (como a empregada de Blair, Dora, e Cece, mãe de Lily) aparecem logo no começo da primeira temporada, prevista para ter 25 episódios.

De qualquer forma, Gossip Girl Acapulco “dá a volta”, mas não é a série que pretendo acompanhar. Aqueles que contam com espírito livre e mente aberta vão dar risada da série (principalmente se você já viu a original), com os dramalhões adaptados, com as interpretações ruins, e com pessoas voando dos barcos.

Ah, uma última coisa: Gossip Girl em Acapulco não é exatamente uma blogueira. Ela prefere as redes sociais, especialmente o Twitter.

Primeiras Impressões | Ironside (NBC, 2013)

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Eu levei uma semana para assistir ao piloto de Ironside. E depois de terminar o piloto, eu entendi porque eu levei uma semana para assistir ao piloto de Ironside. A série é um remake de uma série já feita na década de 1960, e talvez o principal problema da produção seja justamente esse: não estamos mais na década de 1960. Estamos, no mínimo, 50 anos na frente.

A série só estreia nos Estados Unidos no dia 2 de outubro, mas tal como aconteceu com outras produções de outros canais, acabou “vazando” na internet, de forma quase miraculosa. Porém, antecipar o que? É até difícil falar sobre o piloto de Ironside, uma vez que tudo (absolutamente TUDO) se centra no personagem de Robert Ironside (Blair Underwood).

Ironside mostra a história de Robert (Ironside), um detetive da polícia de Nova York durão, capaz de ver as pistas que os outros policiais não são capazes de ver (mesmo quando elas estão na cara de todo mundo, como por exemplo dois controles de videogame, dois copos de bebida… em uma sala onde só tem o morto), com força física exemplar, mas que é uma alma atormentada. Ele é capaz de fazer o que os outros não fazem, mas é limitado por estar paraplégico.

Sua paralisia aconteceu durante uma de suas investigações. Na tentativa de capturar um dos suspeitos, o seu parceiro acaba acidentalmente atirando em Robert, que fica gravemente ferido e, posteriormente, paraplégico. O seu parceiro não se perdoa por conta disso, ficando largado por aí, e o próprio Ironside não consegue viver muito bem com a sua atual situação.

Mas nada disso importa, porque Ironside é o fodão, pegando bandidos que saem correndo apenas abrindo a porta da van, sendo intimidador, e até treinando o time de hóquei da polícia de Nova York. Resumindo: por não conseguir se adaptar nas funções burocráticas, Robert voltou a ser detetive de campo. Porque quis assim. Seus superiores disseram “tudo bem”, e temos uma nova série policial “para nossa alegria”.

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Vamos no esquema de Jack daqui pra frente (ou seja, por partes).

A NBC não tinha uma série desse gênero. Agora tem. Não podemos culpá-los por tentar. Até porque eles entendem que é esse o segmento que mais dá audiência para o canal que é líder hoje na TV aberta dos EUA (CBS). E porque muitos ficam na esperança do “se até The Mentalist dá audiência…”. Porém, não sei se essa série é o suficiente.

Pode ser que dê certo, por captar o telespectador com a situação do policial cadeirante. Vendo por esse lado, pode ser até uma boa a NBC abordar esse tema, e tentar mostrar que alguém com lesão tão grave pode fazer qualquer coisa (no caso do piloto, literalmente). Por outro lado, a série já recebeu críticas justamente por não utilizar um paraplégico como protagonista. Aqui, o canal pode se defender com dois argumentos válidos: 1) Blair Underwood é um dos produtores executivos da série, e 2) eles precisavam de um ator com certa aptidão física, para reforçar a condição de policial do personagem.

Mas o grande problema de Ironside é a série como um todo. A série não apresenta nada de novo, é um drama procedural como outro qualquer, que deve mesmo agradar os fãs do gênero. Para mim, não vai rolar. Não consigo comprar a ideia do policial bad-ass-mother-fucker em uma cadeira de rodas, enquanto que todo o restante do departamento de polícia de Nova York é composto por almofadinhas burros. Não é possível que um cara de cadeira de rodas seja mais eficiente que todos os demais! Nada contra o cara de cadeira de rodas. Ele é foda. O problema é resto da polícia de Nova York, que é muito burra perto dele.

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Eu não cravo que Ironside é cancelamento. Só digo que vamos ter que esperar para ver como a audiência da NBC vai reagir. Ano passado, muitos apostavam que Chicago Fire iria dançar, e no final das contas, até spin-off ganhou. Não é uma das piores coisas que a NBC lançou nos últimos anos, mas é uma aposta de risco. Terá que vender muito bem essa ideia do policial fodão limitado por uma cadeira de rodas para sobreviver ao facão do cancelamento.

Vamos dar tempo ao tempo nesse caso.

Primeiras Impressões | Masters of Sex (Showtime, 2013)

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MASTERS OF SEX (SEASON 1)

A fall season 2013 começo, e um dos “vazamentos” da semana é justamente de uma das séries mais promissoras da temporada, segundo os críticos norte-americanos. E, no final das contas, Masters of Sex surpreende. Não por entregar uma proposta promissora (pois isso era algo que já esperávamos), mas por tratar o universo do sexo com naturalidade, e não indo para a bagaceira explícita, como os tarados de plantão esperavam.

A série é uma adaptação do livro “Masters of Sex: The Life and Times of William Masters and Virginia Johnson”, de Michelle Ashford, que faz um relato do trabalho de William Masters (Michael Sheen) e Virginia Johnson (Lizzy Caplan), dois cientistas que resolvem desenvolver uma pesquisa sobre o comportamento sexual do ser humano. Ok… mas isso, na década de 1950, quando o tema era considerado tabu para a maioria das pessoas.

Masters é um cientista com uma vida complicada. Sua esposa, Libby (Caitlin Fitzgerald), não consegue engravidar, e é infeliz ao seu lado por causa disso. O chefe do hospital onde ele trabalha, Barton (Beau Bridges), não quer que ele realize os seus estudos no hospital, por motivos óbvios (todos vão acreditar que o que ele está fazendo é qualquer coisa muito pervertida, e não um estudo sério). E não é só isso.

A sua secretária, Miss Horchow (Margo Martindale) é velha demais para participar do estudo (que envolve uma abertura total de relatos sexuais, desde as preferências até a sensação do orgasmo) – e é por conta disso que Virginia é contratada, e para completar, o médico que deveria ser o seu parceiro nos experimentos, Ethan Haas (Nicholas D’Agosto), mas atrapalha do que ajuda, querendo pegar Virgínia, que só quer uma “amizade colorida” com Ethan.

No final das contas, a principal motivação de Masters é compreender como uma mulher se vê em relação ao sexo. Em um tempo onde o prazer feminino era totalmente ignorado, com os homens pensando em si, ele sequer se dava conta que as mulheres fingiam o orgasmo para que os seus parceiros alcancem o orgasmo mais rapidamente. A partir daí, ele começa a aprofundar os seus estudos, com o objetivo de compreender as diferentes facetas do sexo no ser humano.

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Eu achei o piloto de Masters of Sex simplesmente muito bom. Sim, esperava muito da série, mas como disse no começo do post, ela me surpreendeu. Tem o sexo, tem a pegação, tem os peitinhos… mas de forma quase que inacreditável, as cenas de sexo aparecem porque o tema da série é falar de sexo, e não aparecem à esmo, de forma gratuita. Elas servem para ilustrar a situação emocional, comportamental e até mesmo os elementos de pesquisa de Masters e Virginia. Resumindo: a série não se vende pelo sexo na tela.

O mais legal de Masters of Sex é a proposta de tratar de um tema considerado tabu na década de 1950, mas com o olhar compenetrado para a ciência. Tudo bem, parte das motivações de Masters é por perceber que sua esposa não é sexualmente satisfeita ao seu lado. Porém, tem as ambições de fazer história, procurando compreender algo que, na época, nem se pensava em ser imaginado pelas próprias mulheres: o prazer feminino.

Por que as mulheres fingem o orgasmo? Como as mulheres enxergam o orgasmo? Como elas o descrevem? Por que as mulheres não se masturbam? Algumas dessas questões são tabus até hoje, e é no mínimo intrigante ver esse tema sendo abordado em um período da história onde tudo era mais velado. Até mesmo as experiências de Masters são interessantes: afinal de contas, combina o melhor de dois mundos (para os geeks) – sexo e tecnologia.

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É cedo para dizer, mas Masters of Sex entrega o que os promos prometem, o que os críticos falaram, e deixa a sensação de que será uma série, no mínimo, promissora. Não me arrisco a dizer que pode ser uma das melhores séries novas da temporada, uma vez que a fall season 2013 começou hoje. Mas se você tem um olhar mais maduro sobre o mundo do sexo, acho que vale a pena ver o piloto. A Showtime parece ter acertado na proposta.

Fico na torcida para que a temporada toda seja linear, como o piloto foi.

Primeiras Impressões | Back in the Game (ABC, 2013)

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A ABC segue com suas comédias em processo de “vazamento” (ou seria “pré-lançamento”?). A próxima da lista é Back in the Game, que mostra o esporte mais tradicional entre as famílias norte-americanas como um mecanismo de distração de divorciadas com filhos, babacas que nunca jogaram baseball na vida, e um grupo de criancinhas perdedoras que mal conseguem ficar em pé, mas querem jogar baseball. Mas… será que isso tudo em conjunto é realmente engraçado?

A série conta a história de Terry (Maggie Lawson), uma divorciada com um filho que resolve voltar a morar na casa do pai, o “The Cannon” (James Caan), depois da separação. No passado, Terry foi uma ex-campeã de softball (uma versão simplificada do baseball, para crianças e mulheres jogarem sem os mesmos riscos físicos do jogo original), mas foi emocionalmente destruída pelo pai, que é um treinador que pode ser chamado de “sincero e intenso”. Até demais.

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O filho de Terry, Danny (Griffin Gluck) é um nerd que, na verdade, quer jogar no time infantil de baseball para impressionar a garota que ele está a fim no colégio. Porém, Danny não herdou as mesmas aptidões atléticas da mãe, e acaba sendo recusado no time. Inconformada, Terry vai atrás daquilo que ela entende ser os seus “direitos”, e contesta a decisão do treinador Dick (Ben Koldyke), que sequer jogou baseball na sua época colegial.

Depois de vencer uma aposta com Dick, Terry tem o direito de criar um time com os jogadores que foram renegados por Dick. Todos aqueles excluídos por serem diferentes do chamado “padrão” e que são vítimas de bullying (moral e esportivo) por serem gordos, asiáticos, gays, esquisitos e, por tabela, o seu filho Danny (que beija um cara para que ele parasse de ameaçá-lo), são agora “atletas” de Terry, que tem a missão de montar um time do material humano que sobrou. Para provar um ponto para seu filho, para seu pai, e para ela mesma.

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Particularmente, não gostei de Back in the Game. A série não é terrível, mas também não tem nenhum argumento realmente interessante que me faça assistir ao próximo episódio. Algumas soluções da série até são sacadas e pode render alguma coisa (como por exemplo a inteligência do filho de Terry, ou o jeito descolado do filho gay da ricaça latina que financia o time, Lulu). Mas o conceito geral apresentado não me agradou.

O piloto em si é bem água com açúcar, apresentando os personagens e as suas motivações para culminar nos acontecimentos que teremos a partir de agora. Porém, não mostram muita carisma ou empatia para se importar com o fato da mãe, que não queria ver baseball nem pintado de ouro, trabalhar justamente com baseball por causa do filho. Ok, entendo que uma mãe faz tudo para ver um filho feliz. Mas, mesmo assim, não prende. Não dá liga.

Mesmo James Caan, com um personagem com um ótimo potencial (como o ácido pai de Terry), não consegue fazer a série engrenar. Tudo se apresentou da forma mais simples e fria possível. Não é a comédia de se gargalhar, e o piloto apresenta duas ou três piadas que você dá uma risada, e ainda assim, razoavelmente forçada. A melhor piada do piloto é a da foto um pouco acima nesse post, quando Danny, do nada, beija na boca o moleque que fazia bullying com ele. Detalhe: na frente da garota que ele gosta.

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No fim, Back in the Game é até agora a mais fraca comédia da ABC. Pode ser que algumas pessoas gostem da série nos EUA pela identificação com o baseball, e por ser mais uma comédia familiar. Pode ser que a série melhore com o passar dos episódios. Porém, para convencer mesmo e sobreviver, precisa apresentar muito mais. Bem mais do que um velho bêbado destruindo um carro, uma mãe divorciada treinando um time de fracassados, um treinador babaca, e uma criança cantando Born This Way.

Primeiras Impressões | A Vida de Rafinha Bastos (FX, 2013)

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O projeto foi anunciado no meio do ano passado, mas só agora tem a sua estreia oficial concretizada. E como não escrevi a respeito da pré-estreia da produção quando exibida em 2012, é hora de falar da estreia pra valer. A Vida de Rafinha Bastos promete mostrar o lado do humorista, com sua imagem “peculiar” sobre o mundo e, principalmente, sobre as polêmicas que rodeiam a sua vida. Porém, a pergunta que fica é: será que vamos rir de tudo isso?

A série já mostra em seu começo um Rafinha Bastos preso pelas suas palavras e atitudes. Preso mesmo, tal como você vê na foto acima. O comediante começa então a compartilhar as histórias que conduziram ele ao xilindró, mostrando a sua versão dos fatos, e principalmente, mostrando por que a sua imagem se tornou tão mal vista pelo público e crítica.

Situações do seu cotidiano, que resultaram em piadas de gosto duvidoso, que vão desde o fato do jornalista distorcer alguns contextos de suas piadas (e posteriormente esse mesmo jornalista morar no mesmo prédio de Rafinha, se tornando presidente do conselho de moradores, e tornando a vida do comediante um inferno) até o suposto bullying que o comediante sofre daqueles que não se simpatizam com o seu tipo de humor.

Tudo isso vai tentar mostrar a “vida de Rafinha Bastos”, de forma inspirada (ou não) na sua vida real, e nas suas mais recentes controvérsias.

Sim, eu não tinha muito para falar da premissa da série.

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Talvez o grande problema do piloto de A Vida de Rafinha Bastos é que ele é engessado. Nem estou falando tanto da carisma (ou falta dela) do protagonista, uma vez que ele é uma das celebridades mais detestadas pela audiência brasileira hoje. Alguns coadjuvantes da prisão (como o gay que está na mesma cela que ele) até funcionam, mas o todo não dá liga, sendo assim 22 minutos de um episódio que tenta colocar o comediante como vítima de uma sociedade que ele considera AINDA MAIS BABACA que ele.

Bom, talvez o único grande mérito da série é que partimos do princípio que Rafinha Bastos se assume o babaca que muita gente o vê hoje. Não estou dizendo com isso que ele tem consciência que fez merda. Estou dizendo que ele sabe que tem muita gente encarando algumas de suas piadas como algo escroto, e que nessa série ele está explorando isso. E que não concorda com as pessoas que enxergam isso como algo escroto. Para ele, é só humor, e a maldade está nos olhos e ouvidos de quem vê e ouve.

Não concordo com a teoria de Rafinha Bastos, mas isso é o que menos importa nesse post. Fato é que achei o piloto da série fraco. Você pouco ri com a situação do próprio comediante ser perseguido por um jornalista que distorce as coisas (todo mundo passa por isso), pouco se surpreende quando descobre a condição do jornalista (e as motivações para sua perseguição ao comediante), e se importa menos ainda com a solução dada para o episódio.

No final das contas, o piloto vale pela homenagem ao Marcelo Rubens Paiva. Bom, espero que Paiva consiga se sentir homenageado com tudo aquilo que o piloto apresentou.

Dificilmente eu vou continuar com A Vida de Rafinha Bastos. É o tipo de humor que não me agrada há tempos. Acho desnecessário calcar uma série em um monte de palavrões à esmo e situações que não fazem o menor sentido em um contexto geral.

Alguns afirmam que Rafinha Bastos está tentando ser o “Louis C.K. brasileiro”. Muitos estão revoltados com isso. Apesar de achar Louis C.K. um “babaca com grife” (e gosto não se discute, logo, não venham discutir o meu), eu entendo que os fãs do comediante norte-americano fiquem bravos com tais comparações. Até porque Louis C.K. tem especial na HBO, enquanto que Rafinha Bastos nem pode mais falar de bebê por aí.

Primeiras Impressões | How to Live with Your Parents (For the Rest of Your Life) (ABC, 2013)

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Sarah Chakle, a eterna Dra. Elliot Reid (Scrubs) está de volta. A ABC estreou ontem a série com um dos nomes mais longos de todos os tempos. Preste atenção: o nome é How to Live with Your Parents (For the Rest of Your Life). Isso mesmo, amigos. É quase um nome de um livro de auto-ajuda, e a proposta até que tem essa “pegada”. Bom, mais ou menos. A seguir, do que se trata e o que achei disso tudo.

A série conta a história de Polly, que não deve ter muito mais que 30 anos de idade, mas já é uma recém-divorciada, com uma adorável filha chamada Natalie (Rachel Eggleston). Sendo agora a única provedora de sua pequena família com duas pessoas, vítima da crise econômica que ainda abala os Estados Unidos, e precisando de ajuda para poder trabalhar e sustentar a pequena Natalie, ela não vê outra alternativa, a não ser vivenciar o pior pesadelo de todo jovem adulto: voltar a morar com os pais em uma idade onde tudo o que você quer ter e o seu próprio lugar no mundo.

E para Polly, não só era a concretização de um pesadelo, mas a experiência mais alucinada que ela poderia ter. Novamente.

O motivo das rugas de preocupação da Polly é a sua mãe, Elaine Green (Elizabeth Perkins), que teve Polly muito jovem, e depois de se divorciar do seu primeiro marido (tal como Polly está fazendo nesse momento de sua vida), ela resolveu literalmente experimentar de tudo: drogas de todos os tipos, um estilo de vida alternativo, libertinagens de todas as espécies e sexo sem qualquer tipo de compromisso. Para a felicidade e Elaine (e desespero de Polly), ela encontrou um marido disposto a acompanhar o seu novo estilo de vida. Max (Brad Garrett) é o fiel companheiro de Elaine em suas sandices. Não é o padrasto que Polly gostaria de ter, mas é bom para a mãe dela, e os dois são cúmplices em tudo. Indo de uma participação em uma suruba até a perda de um dos testículos por causa de um câncer.

Agora, Polly precisa reorganizar sua vida, vivendo novamente sob a influência de sua mãe. O maior medo de Polly é não terminar como a sua própria mãe ficou, mas aos poucos ela começa a perceber que o modo como ela (Polly) é talvez não seja a melhor para ajudar a sua filha a crescer e ser feliz. Ou seja, a tônica da série vai ser essa busca pelo equilíbrio entre a mãe responsável e a doida que vai deixar o pretendente dela bêbado na porta de sua casa, depois de um encontro fracassado.

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O ponto positivo de How to Live with Your Parents é o seu elenco. Gosto de Sarah Chalke, gosto de Brad Garrett e de Elizabeth Perkins. Porém, com personagens com personalidades tão peculiares, tive uma leve sensação de “forçar a barra” em alguns momentos. Não que não existam pessoas como Polly, Elaine e Max, mas algumas citações e referências em repetição podem dar aquela impressão que a série vai ser sempre sobre “a piada da mãe tarada”. Quero acreditar que não seja isso. Ou talvez tenha sido apenas uma primeira má impressão.

Ainda não consigo dizer que a série é “boa”. Ela vem na pegada de outras séries familiares que a própria ABC apresenta, mas com um quê de “essas é uma das situações que podem acontecer com qualquer um nos dias de hoje; logo, poderia ser você” (e, como não é, sua vida não está tão ruim assim). As pessoas se identificam com isso, e por causa disso (e contando com a simpatia dos atores principais), a série tem potencial para dar certo. Afinal de contas, se The Middle, que não incomoda ninguém, está aí a quatro temporadas, porque não essa, que mostra uma família relativamente disfuncional?

Para mim, How to Live with Your Parents é uma série com carisma e potencial. Não vai ser a melhor comédia da temporada, mas pelo menos tem elementos para se manter no ar. Teve um bom primeiro episódio em termos de audiência (8.36 milhões de espectadores, com demo 18-49 anos de 2.9), sabendo capitalizar bem a liderança de Modern Family. Resta saber se os norte-americanos compraram a ideia.

Primeiras Impressões | Vegas (CBS, 2012)

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Dois mundos. Duas mentes. Dois propósitos. Uma mesma cidade. Só um vai prevalecer. Demorou, mas finalmente consegui assistir a premiere de Vegas, a aposta western da CBS. E olha, posso dizer que valeu a pena a espera. A série é uma tentativa de trazer novamente ao horário nobre da TV dos Estados Unidos um estilo de série que chegou até a ter categoria própria nos primórdios do Emmy, mas com o passar do tempo, caiu no esquecimento. E posso dizer que a CBS não fez feio.

Contextualizando (se bem que não há muito o que explicar dessa vez): a série mostra a cidade de Las Vegas na década de 1960, mostrando o início do crescimento efetivo da cidade como a meca da jogatina norte-americana. A história se centra em seus dois opostos, o Xerife Ralph Lamb (Dennis Quaid) e o mafioso/bandidão Vincent Savino (Michael Chilklis). Vincent sai de Chicago e vai para Las Vegas para comandar de perto as suas operações ligadas ao cassino local, e eliminar todo e qualquer ser vivente que ouse atrapalhar o desenvolvimento do seu negócio (nem sempre lícito), e Ralph está lá para colocar ordem no lugar, usando métodos nada convencionais. Na verdade, alguns desses métodos são fora do regulamento, como pede a cartilha de um bom xerife durão.

Os dois personagens principais de Vegas são inspirados em personalidades reais, que fizeram parte da história da região e da cultura norte-americana. No caso de Ralph Lamb, a inspiração vem do antigo Xerife de Clark County, Ralph Lamb, que exerceu o cargo entre 1961 e 1979. Já o personagem de Vincent Savino é baseado no chefão da máfia Marcello Giuseppe Caifano. E esse é um ponto positivo da série. Logo de cara, propõe ao telespectador que os personagens viveram algo semelhante à pessoas que fizeram parte da história de tudo aquilo, assim como outras produções do gênero fizeram (um exemplo recente é o da recém premiada minissérie Hatfields and McCoys).

Mesmo não sendo o tipo de série que normalmente assisto, eu gostei do piloto de Vegas. Essa foi a série que a CBS mais gastou dinheiro na sua produção, e isso fica bem claro em todo o piloto, com uma recriação da Las Vegas de 1960 bem competente. A ambientação da série é bem feita, todo mundo está com o sotaque do interior dos Estados Unidos, e tudo está no seu lugar certo. O enredo do piloto é bom, mesmo sendo uma série investigativa, que tende a ser um pouco sonolenta em alguns momentos.

Um dos pontos fortes da série é o seu elenco. Com nomes de grande destaque por lá, como Quaid, Chiklis, Carrie-Anne Moss e Jason O’Mara (ok, esse último nem tanto), certamente vai atrair a atenção do público. E, particularmente, gostei muito das atuações dos dois protagonistas. Você tem muitas chances de virar fã dos personagens centrais da série por motivos diferentes: o Xerife Lamb mostra quem é que manda logo de cara, com atitudes quase insanas, e uma cara de descontente constante, mas ao mesmo tempo, carismática. Já o mafioso Savino consegue ser gentil e educado quando necessário, sarcástico a maior parte do tempo, e quando parte para a violência, o faz no estilo Vic Mackey. Quem viu The Shield sabe do que estou falando, e vai dar graças a Deus por ele ter voltado ao normal, e não mais se portando como um idiota patético, como em No Ordinary Family.

Vale também registrar o charme e a elegância de Carrie-Anne Moss como a advogada assistente do condado, Katherine O’Connell. Sou fã da atriz há tempos, e vale a pena conferir o que ela tem a oferecer ao telespectador em Vegas. Já Jason O’Mara, apesar de todas as minhas críticas à ele, parece que finalmente entenderam que ele não pode ser protagonista, e sim coadjuvante. Afinal, quando foi o ator principal da série, ele derrubou duas produções (Life on Mars US e Terra Nova… se bem que essa segunda foi derrubada), mas nessa aqui, parece que encontraram o papel certo para ele: ser o cowboy irmão mais novo do xerife da cidade. Não compromete ninguém fazendo isso.

Aliás, já viram o quanto que Jason O’Mara viajou no tempo em quatro anos? Estava no futuro, foi para o passado, mas por causa de um erro de computador, voltou mais para o passado ainda, retornou para o futuro, foi para um futuro mais distante ainda, onde a Terra está ferrada, aproveita uma fenda no espaço/tempo, para ir até um passado alternativo… para depois cair na década de 1960!

De qualquer forma, eu gostei do piloto de Vegas. A série é bem feita, e se você curte o estilo série policial, você vai gostar. A produção é bem feita, o elenco é forte, e a trama é na medida certa para quem curte histórias de máfia e bangue-bangue. Penso eu que será renovada sem maiores dificuldades. Até porque o “meião” dos Estados Unidos deve se identificar com a história da série de imediato.

[Reviews] 22-09-2012: The New Normal e Go On seguem muito bem, obrigado!

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Tem alguém na NBC que está muito feliz. Duas de suas novas comédias, The New Normal e Go On, conseguem se estabelecer como comédias promissoras, e em alguns casos, surpreendendo positivamente, melhorando de forma considerável em relação aos pilotos de suas produções. Particularmente, as duas séries tiveram os seus melhores episódios na última semana, oferecendo boas perspectivas de futuro.

Começando por The New Normal (S01E03, Baby Clothes). Disparado, o melhor episódio até então da nova comédia de Ryan Murphy. Ótimas piadas, mesmo com um argumento central que pode parecer desinteressante para algumas pessoas, mas com o mesmo objetivo de abordar temas que boa parte dos norte-americanos nem querem chegar perto de discutir (casamento gay, paternidade de homossexuais, sexualidade precoce, etc).

Pela primeira vez a série falou isso de forma mais clara e direta, levantando questões que valem a discussão. Exemplo: a “cultura do ódio”, que parece disseminar em nossa sociedade, e que lentamente começa a contaminar aqueles que não são adeptos à tal prática. As pessoas não respeitam as diferenças. São apenas “tolerantes” com tais diferenças, apenas para não se fazerem de “vilãs” para seus filhos e os outros membros da sociedade. Porém, de forma velada, seguem transmitindo os valores do “não respeito” ao que é diferente.

Mais: existem regras para violência física, para o desrespeito e discriminação aos deficientes, mas em relação a outros grupos, isso não acontece. De fato, os seres humanos não são iguais e, na prática, não possuem direitos iguais. E o desafio de David e Bryan é criar seu filho (ou filha, ainda não se sabe) de forma onde ele terá que “driblar” essas dificuldades e intolerâncias (que ficam disfarçadas em um “estou tentando ser legal com você”), e ao mesmo tempo, dar a segurança para que essa criança tenha orgulho da família que tem.

Estou me segurando para não mandar spoilers, mas o que posso adiantar é que, pelo menos por enquanto, The New Normal faz um grande trabalho. Melhrou muito em relação ao piloto. É claro que fico ainda com um pé atrás por ser o Ryan Murphy, e por saber o que ele fez com séries como Nip/Tuck e Glee. Quero saber se ele vai manter essa coragem toda de abordar tais temas, mantendo a linha do humor e sarcasmo, mas falando sério quando preciso. Se conseguir, certamente vai colher os frutos do bom trabalho.

The New Normal mantém uma média de 6 milhões de telespectadores por episódio desde a estreia, o que é um bom sinal para o seu começo.

Go On segue também em uma melhora. Aos poucos, vamos conhecendo melhor os personagens, e o foco mesmo vai ser a vida de Ryan King e a dinâmica com o seus novos amigos do grupo de ajuda. Fato é que Ryan ainda está na fase de “negação” em relação à morte de sua esposa (imagino eu que, quando ele alcançar a “aceitação”, a série acaba), e precisa lidar com isso constantemente, até mesmo pela sua sanidade mental. Não que ele esteja ficando louco, mas acordar todas as noites, no mesmo horário, não é algo saudável.

Mas o mais legal em Go On é que, além de percebermos que precisa mesmo ter alguém que saiba escrever para Matthew Perry (um dos criadores da série também foi um dos responsáveis de Friends) para que ele mostre o seu melhor, a mensagem clara da série é: “ninguém consegue seguir em frente sozinho”. Por mais que Ryan se veja como o cara descolado, o locutor popular e aquela pessoa que (teoricamente) está bem resolvida, ele mesmo começa a perceber que precisa mesmo do grupo de apoio para seguir em frente.

Vale lembrar que Go On não é classificada como uma comédia, e sim, como uma dramédia. E quando necessário, se apresenta assim. Em alguns momentos, a série acaba pegando para esse lado mais sentimental, mostrando o quão especial pode ser os pequenos gestos que você pode ter na vida para superar algum problema ou uma fase difícil considerada duradoura. Nesse aspecto, a série vai bem, mantendo uma certa regularidade.

E isso se reflete na audiência. Depois da já esperada queda de audiência entre o primeiro e o segundo episódio, Go On se estabilizou em uma média de 9.5 milhões de telespectadores nas duas últimas semanas. É uma média elevada para uma série na NBC. Ajuda o fato dela ir ao ar depois da exibição de The Voice, mas se conseguir reter essa audiência nas próximas semanas, é sinal que os norte-americanos aprovaram a proposta da série.

Fico feliz por ver a recuperação da NBC nas comédias. Com o sucesso de The Voice, e com uma nova comédia com Michael J. Fox chegando para a próxima fall season (2013-2014), não é nenhum absurdo dizer que o canal do pavão está no caminho certo para recuperar a sua liderança na audiência da TV norte-americana, assim como acontecia nas décadas de 1970, 1980 e 1990.

Como começou a segunda temporada de The X-Factor USA?

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It’s Time To Face The Music! Again!

The X-Factor USA
está de volta, com uma nova proposta, novos jurados, nova roupagem… enfim, tudo novo para uma nova temporada. A Fox aposta no reality para alavancar a audiência de suas produções, além de fazer a dobradinha musical com Glee nesse segundo semestre. E mais: competir de forma séria com o principal sucesso da NBC, o outro reality musical, The Voice (mais para frente falamos dele). E no meio de tantas mudanças, chego à conclusão que elas foram pontuais, necessárias e já surtiram resultados positivos nos dois primeiros episódios exibidos.

Para começar (e só para confirmar o que já pensava desde o começo da temporada passada)… caro Steve Jones: você é totalmente dispensável, e não faz a menor falta em The X-Factor USA! NENHUMA! Foi uma felicidade não ter que topar aquele ar britânico esnobe, que não deixava ninguém falar, e com a carisma de um botijão de gás (quem mora em cidades do interior e/ou residências sabe do que estou falando). Fato é que, sem apresentador ou narrador dizendo a cada 10 segundos “It’s Time To Face The Music”, The X-Factor USA se tornou um programa muito mais agradável. E esse ganho foi inestimável ao programa.

Por consequência disso, a Fox mudou a abordagem da edição do programa. Uma vez que o reality não conta com apresentador nessa primeira fase (e, particularmente, acredito que isso vai se manter dessa forma até o momento das performances ao vivo, pelo menos), The X-Factor USA passou a ter um ar mais “reality”, adotando o estilo documentário para apresentar os candidatos, bastidores do programa, bastidores dos jurados e performances. Os dois episódios exibidos lembram mesmo um grande documentário musical, onde a fotografia e edição do programa está bem diferente do que na primeira temporada. E, ao meu ver, diferente, para melhor.

Uma coisa que a produção do programa prometeu foi dar mais foco nessa temporada aos candidatos do que na disputa interna dos treinadores. De fato, essas “briguinhas pautadas” entre os mentores foi uma das coisas mais chatas da primeira temporada. E, pelo menos nesses primeiros dois episódios, a Fox cumpriu com o prometido. As audições de The X-Factor USA vistas até aqui se focaram bastante nos competidores e seus contrastes, mostrando “heróis” e “vilões”, como todo reality musical da Fox precisa ter. Além, é claro, dos candidatos bizarros, que sempre são bem vindos. Nesse ponto, a Fox “bebe da fonte” da NBC, que tem o sucesso de The Voice calcado no talento real dos seus candidatos, e garante a diversão na interação dos treinadores.

É claro que a Fox vai precisar de tempo para que Demi Lovato e Britney Spears se mostrem como mentoras/juradas de verdade. Por enquanto, elas contam com a simpatia do público, mas uma hora, vão ter que “trabalhar” nas funções designadas. Britney sacou isso mais rapidamente, e já começou a se impor no programa, colocando de forma sutil as suas observações musicais. Já Lovato ainda está descobrindo o que fazer. Mas nem dá para condenar as duas posturas. Afinal, só dois programas foram ao ar. Acho que isso será bem mais determinante nos episódios de performances ao vivo.

Por fim, a segunda temporada de The X-Factor USA começou bem, e o reality, pelo menos no começo, já está melhor que na primeira temporada. Aqui, com mudanças profundas, já vemos melhoras interessantes no programa, e minhas expectativas sobre o sucesso do show aumentaram. Bom, pelo menos me animaram bastante. Ano passado, teve momentos que eu quis desistir. Mas muito por causa do mala do Steve Jones.

Se você não tem acesso aos “canais dos EUA”, saiba que a segunda temporada de The X-Factor USA estreia no Canal Sony no dia 2 de outubro.

[Review] Anger Management S01E03 [Charlie Tries Sleep Deprivation]

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Guarde esse número: 1.9. Sim, pois esse é o número equivalente a 38% de 5.2. Mas… o que era razoável, com possibilidade de melhor, escorregou feio nessa semana. Antes eu tivesse dormido por… sei lá… 478 horas ao invés de ver o terceiro episódio de Anger Management (FX), que foi ruim demais, se comparado ao seu começo.

“Charlie Tries Sleep Deprivation” apresenta um argumento meio bobo, que começou em uma descoberta mais boba ainda. Teria sido muito melhor substituir o sono pelo álcool, já que boa parte das pessoas que eu conheço falam a verdade quando estão bêbadas, e não quando estão bêbadas… de sono! Mas isso não foi pior do que me certificar que a melhor piada do episódio, por incrível que pareça, foi a do velhote jogando Nintendo Wii embaixo de um cobertor (imaginem a cena na sua mente. Imaginou? De nada!).

Parece que a série se esforça cada vez mais em limpar a barra de Charlie Sheen, colocando ele em um personagem centrado e sensato. Afinal, não está certo ele pegar (fisicamente) a própria paciente, que sob efeitos do sono, o deseja sexualmente. Por outro lado… ah, não tem outro lado. Todo mundo sabe que é estranho ver um Charlie Harper, Crawford, Goodson, ou seja lá quem ele faça na TV… centrado, porém, garanhão. Será que isso se mantém nos próximos episódios?

Argumentos mal explorados, piadas fracas, falta de foco no objetivo do episódio. Sei lá. Você, amigo leitor, me responda com sinceridade: o sono te faz mesmo dizer a verdade? Tá, você me deu a resposta, mas vamos supor que sim. E se a verdade te tornar um perfeito pateta, que fala besteiras como “quando eu disse xixi, eu quis dizer água”, fazendo a piada “pee in my face” (aliás, péssima…)? Terrível, não? Pois é. Um dos pacientes de Charlie diz essas besteiras quando entra no chamado “pleno estado de relaxamento e sinceridade”.

Bom, lembra dos 1.9 que citei lá em cima? Pois é… 1.9 milhões de norte-americanos descobriram que Anger Management é “fogo de palha”. Aliás, fogo de palha tem mais efeitos morais do que a nova série de Charlie Sheen. Talvez eu tenha sido complacente (como um hímen da Ângela Bismarck… sim, ela teve mais de um) e fui otimista demais na review dos dois primeiros episódios, e não tenha visto o óbvio: a série não é engraçada a ponto de me fazer rir. Aliás, nem a mim, nem à minha tia de 85 anos, que ri de (quase) qualquer coisa.

Talvez a série melhore. Acho pouco provável. Mas, baseado nesse último episódio, meu ânimo caiu bem mais que 38%.