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…e How I Met Your Mother completou o seu ciclo

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Texto sem spoilers.

Quando você assiste uma série por muito tempo, você não pensa em desistir dela, por vários motivos. Porque você pensa “eu já cheguei até aqui, agora vou até o fim…”. Por você já ter criado afinidades com aquela produção. Por já ter perdido tempo demais com a série para abandoná-la. Ou porque você ama essa série que, mesmo achando que a história virou um “correndo atrás do próprio rabo”, ou um “Barney e seus amigos”, ou seja lá o que for que eu tenha dito nos últimos anos aqui no SpinOff… enfim, por amor, a pena continuar.

Quem ama, simplesmente não desiste. E estou feliz porque não desisti de How I Met Your Mother.

A comédia da CBS que durou quase uma década contou uma grande história de amor. Cheia de clichês, encontros e desencontros, reviravoltas, surpresas… na verdade, não mostrou apenas uma história de amor. Mostrou várias, dentro de outra grande relação de amor: a amizade daqueles cinco protagonistas, diferentes nas suas personalidades, mas em sintonia no desejo da busca pela felicidade. Amigos que viveram juntos os melhores anos de suas vidas, compartilhando com a audiência os acontecimentos que determinaram os seus futuros.

Para uma história que começou a ser contada em 2005, e só foi concluída em 2030, vimos tudo o que determinou o futuro de cada um deles. Para aqueles que acompanharam essa trajetória em todos os episódios, a sensação que fica é que “tudo se encaixa”. Pois o fim consegue se alinhar perfeitamente não apenas com a grande história de amor que a série se propôs a contar. Mas principalmente, com o que faz as histórias de vida fazerem sentido. Que é…

A vida é feita de ciclos. E, se tudo der certo, esse ciclo se fecha do jeito que você sempre quis.

Acho que a grande alegria que uma pessoa pode ter é chegar ao ponto final de uma jornada, e ver que tudo aquilo que passamos foi fundamental e substancial para aquele momento que você sempre esperou. E a vida TEM que ser assim: feita de ciclos. As pessoas entram e saem de nossas vidas, amigos vem e vão, mas naquilo que temos de mais importante do nosso pequeno universo, onde tudo tem – e deve – dar certo, no ponto final, você vai ver aquele ponto de conexão com tudo o que aconteceu antes. E assim, inciar um novo ciclo.

Você pode achar que aquele pedaço malfadado de sua vida nunca vai terminar. Termina sim. E pode vir outros pelo caminho. O importante é que você esteja pronto para enfrentar o que vier, e comemorar as vitórias em um pub com seus amigos. Ou no seu apartamento, em uma maratona de Star Wars. Você escolhe.

Além disso, a vida – e o final de How I Met Your Mother – mostra que tudo nessa vida tem o seu tempo para acontecer. Se você realmente quer o que deseja – ou ama intensamente aquele alguém -, o tempo vai mostrar se esse amor é realmente genuíno e único. O tempo é o senhor da razão. Sempre. E, se ainda não aconteceu, é porque não é a hora. Ou porque você ainda precisa aprender mais um pouco, ou valorizar ainda mais esse sonho para que ele se torne realidade.

Por fim, a vida – e How I Met Your Mother – mostra que valorizar nossas experiências é algo fundamental. Ter um passado. Uma história para contar. Usar de argumentos consistentes para justificar suas atitudes no futuro. Basicamente foi isso o que Ted fez por nove longas temporadas (mesmo me irritando um pouco, confesso). Mas tinha um motivo. Tinha uma razão. Algo muito forte, especial, único. E devo admitir que valeu a pena ouvir essa história na íntegra.

How I Met Your Mother entra para a história da minha vida como uma das minhas séries preferidas. Não supera Friends, pois para mim, a série dos seis amigos foi a que basicamente me tornou um viciado no mundo das séries, que me fez assistir uma série completa, temporada por temporada. Nenhuma série vai substituir o desejo de frequentar o Central Perk e morar em Nova York como Friends…

Já How I Met Your Mother é aquela série que me contou uma grande história de amor. E vai me lembrar, pelo resto da minha vida que…

A melhor coisa que o ser humano sabe fazer é amar.

Definitivamente.

Que todo mundo possa ter uma vida #Legendary como esses cinco amigos tiveram…

30 Rock chegou ao fim, para entrar para a história da TV

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Quando Tina Fey saiu do Saturday Night Live, a NBC garantiu que ela não ficaria muito tempo longe. Aliás, Tina saiu com a garantia que sua comédia sobre os bastidores de um programa de TV seria finalmente aprovado pelo canal, algo que a própria NBC havia recusado antes. E em 2006, 30 Rock nasceu, na mesma temporada que outra série do canal falava sobre os bastidores de um programa de comédia ao vivo (Studio 60 On The Sunset Strip), produção de Aaron Sorkin. Quis o destino que apenas uma das séries sobrevivesse.

Eu me lembro da primeira vez que vi 30 Rock. Foi empatia imediata. Liz Lemon nada mais é do que Tina Fey, contando algumas de suas passagens como a primeira e única redatora-chefe mulher do SNL. É claro que tem muito de invenção ficcional, de coisas que só existem na cabeça maluca de Fey e dos demais roteiristas. Mas era impossível não confundir criador e criatura.

Podemos ver até mesmo um pouco do atrapalhado presidente do canal, Jeff Zucker (depois substituído por um mais atrapalhado ainda Bob Greenblatt), e com o passar dos anos, não só a tarefa de satirizar os programas de esquetes cômicas, tirar sarro das celebridades, e mostrar como os roteiristas de TV são um bando de pessoas desajustadas. 30 Rock tinha a nobre missão de fazer rir das próprias desgraças que até hoje envolvem a NBC.

Durante sete temporadas, 30 Rock se diferenciou de qualquer outra comédia exibida na TV porque era feita para quem via e entendia da ferramenta chamada televisão. A série nunca atingiu um grande público (o Series Finale exibido semana passada teve uma audiência de 4.3 milhões de espectadores, a maior das últimas três temporadas… para você ter uma ideia…), nunca foi de apresentar um humor óbvio para a audiência mediana, mas sempre se empenhou em apresentar a alternativa de fazer rir a partir daquilo que a TV apresentava de melhor e de pior. Tina Fey ama tanto a TV que simplesmente homenageou, por diversos momentos, e do jeito dela, o quanto que a TV pode ser fascinante, e ao mesmo tempo, bizarra.

Nunca vi um programa de TV ter tanta coragem para dizer, com todas as letras: “estamos em um canal lixo, somos os piores e não negamos… mas somos livres para falar mal de nós mesmos”. Nem The Simpsons teve tanta criatividade e sagacidade para falar mal da FOX.

Quando 30 Rock fez isso, colocou o pé na jaca de tal forma, que era impossível não aplaudir de pé a coragem e a acidez de Lemon e sua equipe. Jack Donaghy, que foi do céu ao inferno por diversas vezes, ao ponto de ver a sua amada NBC ser comprada pela Kabletown (um conglomerado de canais muito menor que a NBC/Universal). Isso, sem falar que conversou com o símbolo da NBC (um pavão) para pedir conselhos.

Programas fictícios, paródias de reality shows, episódios ao vivo… 30 Rock brincou de fazer TV por sete temporadas, e se deu muito bem com isso. Com uma audiência ridícula, foi aclamada com três prêmios Emmy consecutivos (2007, 2008 e 2009) diversos prêmios do Golden Globes, e se tornou em 2009 a série de comédia mais indicada da história do Emmy, com 22 indicações.

30 Rock zoou a NBC de todas as formas possíveis, e mesmo assim, entra para a história como uma das melhores séries exibidas pelo canal. Foi uma das séries que melhor soube explorar os webisódios na internet, ganhando prêmios por isso. E o mais importante: fez com que todos reconhecessem um talento único para escrever textos de comédia: Tina Fey.

Para quem gosta de TV e de como ela funciona, é triste ver que 30 Rock chegou ao fim. Na verdade, não é tão triste assim. Estou feliz por ter assistido cada episódio de cada temporada de uma das melhores comédias de todos os tempos. E essa é apenas a primeira série de Tina Fey.

Mal posso esperar pelo o que vem a seguir. Mas podemos dizer que o legado de 30 Rock já começa a inspirar outras roteiristas e até mesmo canais concorrentes em tentarem sair das piadas e formatos óbvios para escrever séries de comédia. Isso já pode ser considerado uma grande vitória para uma série que nunca foi líder de audiência. E é mais importante que todos os prêmios coletados ao longo de sete temporadas.

Enfim, só me resta dizer: “Farewell, 30 Rock… and thank you, Tina Fey!”

Uma tulipa branca…

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Muita gente que eu conheço e que gosta de séries só ficou sabendo do que era uma tulipa branca em 15 de abril de 2010. E, se você ainda não sabe como é, ficou sabendo agora. Se ficou sabendo nessa data, sabe do que eu estou falando. Mas vou tentar o texto inteiro falar disso, mas sem dar “nome às vacas”.

Sabe, muitos de nós nos mantemos céticos apenas nos sentimentos e fatos palpáveis da vida. Nos atemos ao real, material, racional. E isso não é ruim. O que nos distingue dos demais animais do planeta é a capacidade de sermos racionais diante dos fatos (é claro que alguns seres humanos que eu conheço se esquecem disso, mas a maioria consegue ainda raciocinar). Mas em algum momento da nossa vida, nós simplesmente queremos ver a realidade sobre outra ótica, outros aspectos, por uma nova perspectiva. Mesmo que essa realidade seja alternativa. Pode causar a destruição do mundo como nós conhecemos? É claro que pode. Mas… e daí? Falamos no fim do mundo desde que o mundo é mundo, e esse mundão de Meu Deus continua aí, firme e forte.

Mas existe algo que une os racionais e irracionais. A capacidade de amar. Muitos leitores do SpinOff TV Series podem achar que estou sendo babaca e piegas. Mas… e daí? Porque as histórias não podem ser feitas de finais felizes? Será que para tudo que começa ruim, tem que obrigatoriamente terminar da pior forma possível? Se você pensa assim, eu temo pela sua existência. Afinal de contas, nessa lógica, se você começa algo errado no seu caminho, o seu final é trágico.

Não. Em séries de TV, não pode ser sempre assim. Acho que temos uma geração traumatizada com enredos que começaram de um jeito, e terminaram de forma bem incoerente. Agora, querem que tudo seja resolvido no lado racional, e a palavra “amor” tem que ficar bem longe do dicionário televisivo.

De novo, sendo piegas: o amor é A coisa mais importante que você pode ter na vida. É claro que você precisa de séries de TV, mas quando você ama alguém, quando você tem um filho (ou filha), quando você dedica um sentimento mais nobre do que qualquer coisa que você pode explicar em palavras… o impossível parece ser mais possível do que você imagina. Seu foco muda. Seus pontos de interesse mudam. E ai daqueles que mexem com os nossos filhos!

Eu tenho uma placa no escritório de onde escrevo no blog, que fica de frente para mim todos os dias, onde está escrito: “sem luta, não há vitória”. De novo, eu vi que para você mudar o futuro, tem muita coisa no passado que precisa ser consertada. Principalmente dentro de nós mesmos.

Mudar o mundo, o futuro, o destino da humanidade? Moleza. Mudar o que nós somos na essência, nossos vícios, defeitos, imperfeições… esse é o maior desafio do ser humano. Nós mudamos o Universo a cada planeta novo descoberto, mas não conseguimos mudar o Universo que existe em cada um de nós. Esse sim é o grande desafio, amigos: mudar o que somos, e para melhor.

A tulipa branca pode ser um dos símbolos do ponto de humanidade de uma trajetória complexa. É simples, sensível, singela. Lembra muito mais os bons sentimentos do que as adversidades. É um ponto de esperança em dias melhores. Pode ser até um símbolo de mudança ou variação na trajetória do tempo. Mas… quando uma tulipa branca aparece em 15 de abril de 2010, nos já sabemos que não é possível que essa história possa terminar com um final infeliz. Pode ser até “meia boca”… para você. Mas é melhor do que não ter fé no futuro.

Muito melhor do que não acreditar nessa tulipa branca.

Ao final, fica a tulipa branca, para que todos se lembrem que ainda vale a pena toda a luta para mudar o futuro. Não o da Humanidade, que é algo “fácil”. Mas o nosso futuro individual. A nossa essência. A recompensa? Bom, a felicidade não é receita de bolo, mas ao menos vamos ser menos babaca do que somos hoje. Daqui pra frente, se no final, eu ver uma tulipa branca, eu vou ter a certeza que estou feliz.

Ah, e antes que me critiquem: a tulipa branca pode estar no formato de várias coisas, mas sempre naquela que mais vai significar em nossas aspirações mais íntimas. Aqueles momentos mais significantes, aquelas alegrias mais sinceras, aquelas emoções que só se expressam por aquela onda que só você vai saber identificar. Aquelas que não vamos conseguir traduzir em palavras, mesmo para as pessoas que mais amamos. No máximo, vão se expressar em lágrimas que vão escorrer pelos olhos, rolando pelo rosto.

E eu duvido que você não saiba de qual série eu estou falando…