Pilot

E aqui temos mais uma série de David E. Kelley na TV aberta norte-americana The Crazy Ones aposta no mundo da publicidade, e na relação entre pai e filha para mostrar uma comédia que está calcada em Robin Williams, suas caras e bocas, e as soluções malucas da agência.

Antes, sobre o nome da série. The Crazy Ones é uma referência direta à campanha realizada pela Apple em 1987, onde a própria personagem Sydney Roberts (Sarah Michelle Gellar) explica essa referência durante o episódio piloto. Aliás, Sydney é a nova sócia da agência de publicidade Lewis, Roberts & Roberts, onde ela não só está arriscando a sua já prestigiosa carreira no setor, como também arrisca em ver arruinada a sua já não tão boa relação com o seu pai, Simon Roberts, considerado (por ele e pelos outros) um gênio da área publicitária.

Simon é totalmente instável e imprevisível. Seu comportamento excêntrico se justifica pela sua incomum criatividade para criar novas campanhas e encontrar soluções inusitadas para salvar campanhas consideradas perdidas ou impossíveis de serem realizadas. Simon tem um “cúmplice” dentro da agência, Zack Cropper (James Wolk), que é o bonitão da firma, que não tem vergonha de utilizar os seus atributos físicos para atrair clientes do sexo feminino, mas por outro lado, é tão criativo quanto Simon, e acaba comprando as ideias malucas do dono da agência.

No meio de tudo isso, temos Lauren (Amanda Setton), a assistente que aparentemente é a burrinha da agência, mas promete ser muito mais do que isso, e Andrew (Hamish Linklater), diretor de arte, que é o apoio moral e criativo de Sydney na agência, já que ele também não acredita no que Simon é capaz de fazer na sua mente maluca.

Porém, logo na primeira campanha que eles precisam salvar (para o McDonald’s), Sydney descobre que usar de atos desesperados e de soluções inusitadas está no sangue dos Roberts, e que ela mesma pode usar desse expediente para alcançar os objetivos da empresa. Principalmente para convencer Kelly Clarkson a cantar algo que ela não quer (sem soltar spoliers sobre o que foi).

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Eu gostei do piloto de The Crazy Ones, apesar de reconhecer que a série tem alguns problemas. Apenas para comparação: a série venceu na audiência a sua concorrência direta com The Michael J. Fox Show (NBC), e acho que essa vantagem vai aumentar no próximo episódio, uma vez que a série de Robin Williams é bem melhor que a série de Michael J. Fox.

Porém, para quem não gosta de Robin Williams (abraço, @fabiano_sjc), vai simplesmente odiar a série. A maior parte do piloto é calcada nas caras e bocas do comediante, e reconheço que isso não é de agrado de muita gente. E o piloto dá uma boa carregada nisso, o que acaba deixando a série um pouco exagerada nesse aspecto. Alivia um pouco o fato que James Wolk está ótimo no piloto, fazendo um bom par cômico com Robin.

Por outro lado, o mesmo Robin Williams que pode ser criticado pelas suas caras e bocas, pode ser elogiado, justamente pelo seu timing. O elenco ao redor dele acaba crescendo com o próprio ao longo do episódio, e até mesmo a muito questionada Sarah Michelle Gellar aparece bem no piloto. Sem falar na participação especial de Kelly Clarkson, que foi ótima. O resultado? Algumas piadas funcionaram sim, e foi possível dar umas boas risadas ao longo do piloto. Mas fique de olho com a legenda, pois alguns diálogos são bem rápidos.

Por fim, vou dar mais uma chance para The Crazy Ones, sem muito compromisso. Imagino que tem gente que vai rejeitar a série logo de cara, pelos motivos que já citei nesse post. Mas para aqueles que gostarem de alguma coisa vista, eu recomendo que dê mais uma chance, ao menos. A série aparenta ter um potencial maior do que as outras comédias novas que a CBS apresentou nessa temporada, o que convenhamos, não é uma missão lá muito complicada.

Sem falar que a coisa mais interessante que poderemos ver nessa série são as soluções absurdas para as campanhas publicitárias apresentadas pela agência.