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iPhone 5c: não fazia mais sentido sua existência

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Era para ser o iPhone ‘barato’. Nunca foi. O iPhone 5c simplesmente era o iPhone 5 com uma carcaça de plástico e custando o mesmo preço, o que elevava os lucros da Apple sem muito esforço. Seu processador (A6) é obsoleto, deixando de fora os benefícios presentes no iPhone 5s (Touch ID, gravação de vídeo em câmera lenta, updates de futuras versões do iOS). Um erro da Apple (e de quem comprava o dispositivo).

O iPhone 5c desapareceu do catálogo da Apple com a apresentação dos novos iPhone 6s e iPhone 6s Plus, o que é um indício claro que as vendas desse modelo nunca foram excepcionais. A demanda do iPhone 5c sempre esteve muito abaixo do modelo superior, e os números de vendas dos últimos modelos deixam claro que a Apple não vai tentar de novo lançar um iPhone de plástico.

 

O sucesso ou fracasso do iPhone 5c é difícil de se quantificar

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O iPhone 5c não era mais que um iPhone 5 recondicionado, permitindo que a Apple aproveitasse as linhas de produção do modelo anterior, com pequenas modificações externas (aka carcaça de plástico), obtendo assim uma maior margem de lucro. Um ano depois, os processadores A6 e os demais componentes ficaram mais baratos (12% a menos que o iPhone 5s, segundo alguns estudos).

A Apple nunca revelou dados concretos de vendas do iPhone 5c, mas analistas deixam claro que o interesse por esses modelos em países como a China era muito inferior ao que geraram na época (meados de 2014) o iPhone 5s e até o iPhone 5. Ainda que os dados sejam discutíveis, tudo indica que eles são semelhantes no restante do mundo. Exceto em casos pontuais, como no Brasil, onde vejo muita gente com o dito iPhone 5c de 8 GB de armazenamento, junto ao público que antes compraria um Android de linha média.

Fato é que a própria Apple ‘admitiu’ essa situação ao lançar a versão com 8 GB do iPhone 5c, no lugar dos 16 GB da versão original. Apenas para estancar as perdas em função da relação custo-benefício nada favorável.

Por outro lado, também temos indícios de sucesso do iPhone 5c. O AppleInsider informou que sse modelo superouo em vendas todos os modelos de franquia de outros fabricantes, com uma estimativa de 12.8 milhões de unidades vendidas, contra os 9 milhões de unidades vendidas pela Samsung no mesmo período (quarto trimestre de 2013) nos Estados Unidos.

A Apple nunca confirmou ou desmentiu os números, mas é evidente que o resultado para eles não foi o satisfatório, já que eles não lançaram novos iPhones de plástico: em setembro de 2014, foram lançados o iPhone 6 e iPhone 6 Plus, abandonando de vez os modelos de 4 polegadas. O resultado? Um sucesso absoluto para a Apple.

 

Por que ganhar dinheiro quando você pode ganhar MUITO MAIS DINHEIRO?

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A Apple não pensa no volume de vendas, mas sim nas marges de lucro. Os resultados do iPhone 5c deixaram claro que a sua produção deveria ser encerrada, mesmo porque o alvo desse empresa nunca foi os mercados emergentes.

Tim Cook deixou claro essa filosofia da Apple. Na WSJD Live Conference realizada em 2014, ele foi questionado sobre a potencial entrada da empresa nos mercados emergentes. Cook respondeu da forma mais contundente possível: “iremos tão fundo possível sempre que pudermos manter a experiência do usuário”.

A Apple nunca teve a intenção de oferecer um iPhone barato, e alguns analistas deixaram claro há mais de um ano que o experimento com o iPhone 5c não foi o que eles esperavam. O prestígio buscado pela Apple não era tão apreciado no iPhone de plástico. A Apple sempre foi exclusivista por natureza, com um marketing que retratava essa experiência e o estilo de vida ‘elite’, e eles não podem ser o fabricante do produto top de linha e do produto acessível ao mesmo tempo. Hoje, não mais.

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Isso foi confirmado com o lançamento dos iPhones com telas de 4.7 e 5.5 polegadas, e o sucesso foi evidente: 75 milhões de unidades vendidas no último trimestre de 2014. O iPhone 5c foi um bom experimento para tentar ganhar dinheiro com um produto recondicionado que aumentava as margens de lucro, mas sua demanda não foi suficiente.

Os novos iPhones 6/6 Plus deixavam de lado a ideia de ‘velho renovado’, oferecendo aos usuários modelos com diferentes tamanhos, mas com praticamente as mesmas especificações. O interesse pelos dois modelos mostrou claramente para a Apple que era possível ganhar mais dinheiro com dois produtos novos do que com um novo e outro recondicionado.

E se tem uma coisa que a Apple se caracteriza é o desejo quase obsessivo de querer lucrar ao máximo em cada um de seus lançamentos. Confirmam isso até nos novos iPhone 6s e iPhone 6s Plus, cujo modelo base conta com 16 GB de armazenamento, algo que gerou muitas críticas no ano passado, mas que certamente dá lucro para eles. Senão, esse modelo base já teria passado para 32 GB bem antes.

A Apple é uma empresa, e como tal, quer maximizar os seus lucros, minimizando os custos. O iPhone 5c não tem muito sentido dentro dessa filosofia, e os últimos dois anos deixaram claro que esse experimento não será repetido.

E eu cantei essa bola lá atrás. Afirmei sem medo de errar que o iPhone 5c era um erro.

Ao ‘sair do armário’, Tim Cook abre mais portas que ele jamais imaginou…

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Eu demorei mais do que devia para escrever sobre o que considero o assunto da semana. Tim Cook, CEO da Apple, falou abertamente pela primeira vez sobre sua orientação sexual, contando sua experiência na empresa e como o fato de ser homossexual afetou (ou não) a sua vida profissional. E ao fazer isso, ele abriu portas que ele jamais poderia imaginar.

Vou me explicar.

Eu sou hétero convicto. Sou casado há 11 anos com minha ‘veínha’. Porém, o padrinho de casamento dela (já falecido) era gay. Tenho parentes na minha família e na dela que são homossexuais. Alguns dos meus amigos também são gays. Aliás, não vou falar só de mim: acho que todo mundo conhece ou já conheceu um homossexual na vida. Dito isso – e mudando a perspectiva do assunto -, eu entendo que o tal do ‘pré-conceito’ em relação a quem tem essa orientação sexual já deveria ter acabado a algum tempo.

Porém, como a massa humana é atrasada em vários aspectos, muitos dos ditos ‘racionais’ ainda tratam como inferiores quem se comporta de forma diferente. Gestos como o do Tim Cook não tem apenas o objetivo de aparecer em sites de todos os tipos de segmento (não só de tecnologia, mas de comportamento, economia, blogs segmentados aos homossexuais e bissexuais, etc), mas principalmente para lembrar que, no final das contas, somos todos seres humanos.

Tim Cook é um dos executivos mais poderosos do mundo. Ele conduz uma das empresas mais cultuadas do planeta, com uma enorme margem de lucro, precisando tomar decisões complexas todos os dias. Ok, eu nem sempre concordo com as decisões de Cook (iPhone que entorta, que custa o olho da cara, retirar produtos do mercado que ainda podem render lucros, etc), e isso não vai mudar por conta dele ser gay ou não. Até porque eu aprendi com os meus poucos 35 anos de vida que o mais importante é ver o ser humano antes de qualquer outra coisa.

Cook relembra para o mundo que qualquer pessoa, independente de sua orientação, pode ser o que quiser. Não existem barreiras. Não existem limites. Não existe o preconceito. Saber ser dono do próprio destino não depende muito de ser hétero ou gay. Depende de ser um ser humano dito racional, determinado, com objetivos na vida. Aliás, Cook dá várias lições para todos. Talvez a maior delas seja a discrição para tratar de um assunto tão delicado.

Tim Cook, em sua carta aberta que trata sobre a questão, fala sobre isso com a naturalidade de quem está contando mais um simples capítulo de sua vida. Usa uma elegância ímpar, e escolhe de forma precisa as palavras para se expressar. E a parte mais legal de seu texto é que ele considera o fato de ser homossexual ‘um presente de Deus’. Isso mesmo: um presente. E não uma maldição, como certos líderes religiosos acéfalos (beijo, Silas Malafaia) tentam de forma tola pregar para os seus seguidores.

Mas essa é uma visão pessoal do Cook. Particularmente, acho que o simples fato de se viver esse tempo e poder construir uma história relevante para aqueles que mais amamos já é um grande presente. A mera possibilidade de contribuir positivamente para o progresso é algo que devemos agarrar com todas as forças, mas saborear quando necessário. Não são todos que podem fazer a diferença.

Tim Cook ‘sai do armário’ para abrir várias portas. Para lembrar para todos que o que define você não é o fato de você amar ou não alguém do mesmo sexo. O que define você é a sua capacidade de criar, transformar, modificar, revolucionar. O que define você é o seu desejo de progresso, a sua fé no futuro, a sua vontade de realizar os seus sonhos. O que define você é o fato de você ser ou não uma pessoa de bem, e o quanto você é feliz com a sua essência.

Na boa? Eu só espero duas coisas dos homossexuais: que respeitem ao próximo tal como eles querem ser respeitados, e que assumam para si e para o mundo sua orientação, para viverem de forma livre, responsável e feliz. Tal como qualquer pessoa faz. Até porque, antes de qualquer coisa, estamos falando de seres humanos.

E todo ser humano tem o direito à felicidade. Pronto, e acabou.

Sim… a Apple errou com o iPhone 5c!

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Dois iPhones de uma vez só. Muita gente estranhou esse movimento da Apple. A maioria nem imaginava que eles poderiam fazer manobra tão arriscada, e alguns pensavam que Tim Cook seria aquele que exploraria as principais virtudes de Steve Jobs ao máximo: ser um hábil gerenciador, que sabia o que era preciso fazer para a sua empresa ser mais e mais rentável. Nada disso.

Tim Cook adotou o seu estilo próprio de gerenciamento, mudando muitos elementos e valores até então considerados intocáveis na Apple. E um deles é lançar dois iPhones de uma vez. No keynote da Apple realizado em setembro de 2013, os novos iPhone 5s e iPhone 5c foram apresentados. O primeiro era uma evolução daquele smartphone que a gente já conhecia (o iPhone 5). O segundo era… colorido, informal, despojado…

Com vários rumores sobre um iPhone de baixo custo, muitos ficaram decepcionados com um iPhone que era apenas “colorido” e com carcaça de plástico (ou altamente inspirados nos smartphones populares da Nokia… ou inspirados nas sandálias Crocs…). No final das contas, o lançamento não era para brigar no mercado de entrada, ou até mesmo de linha média. Mas… então, qual era o propósito do lançamento do iPhone 5c?

Para ninguém. Essa é a impressão que eu tenho.

Tim Cook errou, e quem fala isso não sou eu, e sim, o próprio mercado. De acordo com os últimos dados divulgados pela empresa de análise de mercado Mixpanel, o iPhone 5c entrou na perigosa zona de estancamento de vendas. Com poucos meses de disponibilidade no mercado, ele conta com discretos 6% da base instalada de iPhones no planeta. Os números de vendas do iPhone 5c não mudam desde dezembro de 2013. Se considerarmos que o iPhone 5s, que foi lançado no mesmo dia, já conta com quase 20% do market share global (mesmo custando mais caro do que o seu irmão plastificado), a leitura que a Apple deve fazer nesse momento sobre sua aposta no smartphone colorido de plástico é uma só…

“Falhamos”.

Então… o que aconteceu para que a estratégia falhasse?

Provavelmente o erro da Apple foi em acreditar que o mercado abraçaria uma variante estética de um produto que já existia. Nesse caso, o iPhone 5c nada mais era do que o iPhone 5, mas em outra roupagem, feita de materiais cujo custo de produção eram menores para a Apple, mas que para o consumidor final, era mais caro. Uma manobra brilhante para a empresa de Cupertino, que estava dando o pulo do gato, com grande potencial de enganar um bando de trouxas fanáticos dar certo junto à uma base de consumidores fiéis dos produtos da empresa.

Por outro lado, ao que tudo indica que, diferente do que a Apple imaginava, alguns deixaram de ser otários os consumidores em potencial não enxergaram essa proposta como interessante, ainda mais que (lá fora) a diferença entre o iPhone 5c (um iPhone 5 de plástico, inclusive nas especificações técnicas) e o iPhone 5s (esse sim, com hardware atualizado e mantendo as mesmas características de fabricação do modelo anterior) era relativamente pequena.

Em resumo: nem mesmo a Apple, considerada intocável por muitos, pode acertar sempre. Fica a expectativa em saber se Tim Cook aprendeu a lição, e não comete o mesmo erro na próxima geração de smartphones da empresa. Caso contrário, vamos ter que fazer bullying com o executivo que tinha tudo para seguir o legado de sucesso de Steve Jobs, mas que pode apenas se destacar como aquele que iniciou novos tempos (um tanto quanto duvidosos) para a Apple.

Só o tempo vai dizer o que vai acontecer.

Pare de copiar, Samsung! É tudo o que a Apple quer para acabar com essa guerrinha estúpida!

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Em fevereiro, os CEOs da Apple (Tim Cook) e da Samsung (Oh-Hyum Kwon) vão se reunir de forma oficial e pacífica, para discutirem suas diferenças na famigerada “guerra de patentes”, e tentar resolver as questões pendentes sobre assunto, para que as duas empresas possam voltar as suas atenções, esforços e investimentos para o que realmente importa: o desenvolvimento de novos produtos. Porém, a questão já começa a tomar tons menos diplomáticos, o que indica que tal negociação não será nada amistosa.

As fontes próximas ao assunto (o amigo do amigo, como alguns dizem) já informam que a Apple exige que, seja lá qual for o acordo estabelecido entre as duas empresas, que um dos termos que precisa estar presente na papelada conciliatória basicamente condicione a Samsung a “não copiar os seus produtos”.

Quando eu li isso, eu pensei: “como fazer os coreanos a agirem contra a sua natureza?” Tá, estou zoando. Até porque eu entendo que em muitos pontos que a Apple acusa a Samsung como “cópia”, não é. E, mesmo se fosse, a Apple não pode reclamar, pois a mesma também copia muita coisa dos seus concorrentes. Ok, talvez a questão esteja no pagamento pelo direito de copiar, mas isso é outra história.

De qualquer forma, a Apple dá um claro indício que quer um acordo, e o que quer para esse acordo seja estabelecido. A questão não é mais o dinheiro que uma empresa pode passar para a outra (até porque as duas não se importam muito em perder US$ 1 bilhão em multas por patentes violadas), mas sim o simples fato de garantir as propriedades criativas de suas soluções.

Esse tipo de acordo, na época de Steve Jobs, sequer seria especulado. O sonho de Jobs era ver a Samsung fechando as portas, e a mãe dos executivos rodando bolsinha na esquina para pagar as multas para a Apple. Porém, desde o início de sua gestão como novo CEO da Apple, Tim Cook tem um tom mais conciliador, buscando um entendimento maior com o principal concorrente (que antes era tratada como inimiga mortal).

Até porque eu entendo a filosofia Tim Cook. Ele fuma um baseado, e fala para si mesmo: “tranquilo, nós temos o nosso público, eles tem o público deles, e podemos coexistir pacificamente”. Tudo bem, tem gente que entende que Cook está errado em pensar assim, e que a Apple deveria aniquilar a Samsung enquanto tem chance. Eu discordo. Eu prefiro a competição saudável do que a remoção de produtos do mercado por causa de elementos da interface de usuário que são parecidos com aquela presente no concorrente.

Então… eu sei que esse blog não é lido por ninguém. Mas quem sabe esse post não chega até o amigo Oh-Hyum Kwon, e com a ajuda do Google Translator, ele não lê a mensagem a seguir:

Aí, Samsung… é só usar a criatividade para funcionar! Se distancia o máximo possível do design dos produtos da Apple, coloca um monte de recursos que trabalham com os milhões de sensores do smartphone (recursos esses que, por sinal, a maioria das pessoas não usam), investe um pouco mais naquela porcaria de interface chamada TouchWiz… e pronto! A Apple para de encher o saco, e o mundo volta a ser um lugar melhor para se viver!

Bom, tentei. Em fevereiro, veremos o resultado desse encontro de comadres. Se os deuses da tecnologia deixarem, OS DOIS EXECUTIVOS terão juízo, e essa Guerra de Patentes finalmente chega ao fim.

Tenho poucas esperanças, mas ficarei na torcida.

iPhone 5s: o “s” era de… bom, você me diz!

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Um “s” de… surpreendente? Um “s” de… só isso? Bom, a verdade é que com poucas surpresas reveladas (já que tudo vazou antes na internet, com semanas de antecedência), a Apple apresentou o seu evento na última terça-feira (10). Tal como em todo evento da Apple, não faltaram superlativos e cutucadas à concorrência, mas não deixou de ser uma apresentação convencional para os padrões da empresa em questão, com alguns detalhes que não foram revelados previamente pelos blogs e sites de tecnologia.

Mas algumas coisas nos mostram que algo está mudando na Apple. Seria a pressão da concorrência? A pressão dos usuários? Ou o estilo Tim Cook de dirigir a empresa?

A apresentação em si foi a mesma dos tempos da era Steve Jobs. Cook nos poupou de encher a apresentação de números, algo que só deve ser feito no relatório trimestral da empresa (graças ao bom Deus), e mesmo sendo o mestre de cerimônias do evento, quem mais apareceu ao longo da pouco mais de uma hora de apresentação foi Phil Schiller, o principal responsável pelo novo iOS 7 e, em partes, pelas melhorias do iPhone 5s.

Porém, o CEO da Apple deixa claro que a nova estrutura organizacional da Apple está apoiada em duas bases que marcam essa nova era. Bases estas que estão representadas em dois nomes: Jony Ive e Craig Federighi.

Pela primeira vez na história, vemos o lançamento de dois iPhones em um mesmo evento. Ainda que todos esperassem por essa manobra, ainda há muito o que refletir sobre esse movimento. O primeiro (e eu já falei sobre isso aqui no blog) é que a Apple nunca considerou entrar no mercado de baixo custo (apesar de Cook afirmar no keynote que o iPhone 5c estaria no lugar de uma redução de preços de uma versão anterior do iPhone), como foi especulado ao longo dos últimos meses.

Na verdade, é o contrário: a Apple está na sua estratégia de oferecer um produto com uma concepção reformulada, com um custo de produção menor que a do iPhone 5, mas com o mesmo preço do modelo descontinuado. Os rivais da empresa de Cupertino se centram em aumentar a cota de mercado a todo custo. Já a Apple está obcecada em crescer no share em pequenos passos, mas com uma margem de permanência elevada. Ou seja, menos clientes, mas com uma margem de lucro por unidade vendida maior.

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Ou seja, o iPhone 5c foi apresentado como um smartphone juvenil e divertido, em uma curiosa manobra de marketing, que é um terreno que a Apple domina com muita autoridade. Afinal de contas, estamos falando de um iPhoen 5 com carcaça de plástico, ou seja, menor custo de produção e com maior margem de lucro. Mas cumpre a perfeição a máxima do marketing, que é “se parece novo, é novo”, e deve arrecadar uma grande margem de clientes que vão gostar dessa versão.

Por ser mais barato de fabricar, a Apple pode controlar melhor as vendas e, por tabela, os lucros. O lançamento do iPhoen 5c serviu também para reorganizar a linha de produtos, com o 5c sendo o modelo de linha média, e o 5s se posicionando como o topo de linha. E, com isso, estamos diante da segunda grande novidade da apresentação da última terça-feira. a Apple perdeu parte da essência da era Jobs.

Com Steve Jobs, a Apple era envolvida em uma aura mágica, com produtos “mágicos e revolucionários”, considerados perfeitos por Jobs e, por tabela, pela massa fanboy da Apple. Agora, com Tim Cook na liderança, a magia acabou. Começa a era dos “pés no chão”, onde o próprio Cook tenta lembrar que a Apple é, antes de tudo, uma empresa que deve satisfações (e principalmente, dinheiro) aos seus acionistas, e está nesse mundo para fazer dinheiro. E quanto mais, melhor.

Logo, Cook entende que a marca deve permanecer centrada em obter uma elevada margem de lucro, mesmo com uma cota de mercado reduzida.

É óbvio que eles poderiam ter optado em lançar um iPhone de baixo custo, com preços entre US$ 149 e US$ 199 sem contratos. Isso causaria uma verdadeira revolução no mercado mobile. Mas, para eles, estrategicamente, é mais interessante ser lucrativa em um mercado de nicho, entre os produtos top de linha. Para alguns, foi uma grande decepção, uma vez que a empresa mais uma vez ignora o mercado de baixo custo (e bem sabemos que tem muita gente que gostaria de comprar um iPhone dentro desse segmento de compra). O resultado disso: com a perspectiva de um iPhone low cost, as ações da Apple inflaram dias antes do keynote. No momento do anúncio do preço do iPhone 5c, elas despencaram 8 pontos na Nasdaq.

Por fim, o iPhone 5s. Igual ao iPhone 5? Esteticamente, sim, e isso já era esperado, pois é a estratégia que a Apple repetiu nas últimas duas gerações do smartphone. As grandes mudanças aconteceram em suas estranhas, com um novo processador A7, que é o primeiro com arquitetura de 64 bits, e uma interessante relação com os sensores de movimento do smartphone, onde ainda precisamos conhecer com mais detalhes o que ele pode fazer pelos usuários. Sem falar em uma câmera melhorada, e o sensor biométrico, que é a grande novidade do iPhone 5s, que promete colocar um fim nas senhas digitadas no dispositivo.

Ou seja… o “s”… do que é mesmo? Me diz você. Para mim, é de “smart” (esperto). Não podemos ignorar que alguma dose de esperteza a Apple demonstrou com os novos lançamentos. Mesmo acreditando que existem erros localizados na estratégia da empresa. Mas isso é outra história.

A Apple não tem medo de ninguém! (por enquanto…)

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Essa coisa linda que você vê acima responde pelo nome iPhone 5c. E ele não é um iPhone de baixo custo. Ele é o iPhone 5 repaginado. E isso precisa ficar bem claro logo de cara.

Através do lançamento desse smartphone, a Apple, Tim Cook, Phil Schiller e toda a patota de Cupertino mandou dois recados: o primeiro é “não damos a mínima para os mercados emergentes” (uma vez que esse iPhone custa US$ 700 na versão mais barata na China), e o segundo, para os adversários, que é “não temos medo de vocês” (mas pintamos o nosso iPhone de várias cores, tal como vocês fizeram… mas não temos medo de vocês).

A ideia de um iPhone de baixo custo tinha como teoria (na mente de especialistas, analistas, jornalistas e blogueiros) frear o progresso dos smartphones da linha Nexus, que são muito baratos, e oferecem mais que o iPhone oferece hoje. Mas… pra quê se preocupar com a Google, se o inimigo de verdade é a Samsung? Afinal de contas, o principal argumento de Phil Schiller para responder o domínio massacrante do Android no mercado (80% dos dispositivos móveis do mundo rodam hoje o sistema da Google) é repetir, por diversas vezes, “esse telefone é livre de Android”. Muito bem, Schiller. Fica aí com 11% do mercado e se dê por feliz. Agora, volta a elogiar o seu smartphone concebido pelos membros da família Restart.

Aliás, onde estão os fanboys que tripudiavam as outras marcas por fazerem smartphones de plástico? Não só a Apple descontinuou rapidamente o iPhone 5 (que descanse em paz), mas também achou uma solução mais barata PARA A APPLE. Ou vai me dizer que policarbonato é mais caro que qualquer metal que você encontra por aí?

Com isso, a Apple matou dois problemas com um lançamento: reduziu os custos de produção de um produto por outro mais barato de ser fabricado (aumentando assim os seus lucros – até porque o iPhone 5c custa, em alguns casos, mais caro que o iPhone 5, ambos desbloqueados), e apresentou um produto novo, com um formato novo, e cheio de cores. Porque é isso que eles entendem que as pessoas querem!

Telas maiores? Pra quê? Até porque o iOS 7 é todo pensado em uma tela que é maior… na vertical! É tudo o que os usuários da Apple precisam. Até porque a Samsung mente quando informa que vende milhões de unidades dos telefones da linha Galaxy que, curiosamente, tem uma tela “só um pouco maior” que a do iPhone. Mas só um pouco.

Aliás, parabéns, Apple. Vocês conseguiram esconder tudo dos chineses. Só que não! 99% das informações anunciadas no keynote já eram de conhecimento público. iPhone de “prástico”, iPhone dourado (que brega isso), identificador biométrico… tudo já era sabido. Talvez o que ninguém sabia antes era como tudo funciona, e essa parte até foi interessante, pois era uma novidade. Mas na informação. Em termos de inovação? Zero.

E pior: os preços dos produtos foram uma amarga surpresa. Principalmente no caso do iPhone 5c.

Sabe, algumas pessoas acham “normal” as ações da Apple despencarem quase 10% em dois dias por causa de um anúncio de um novo produto. Mas no caso do iPhone 5c, tudo levava a crer que, pela proposta de construção com materiais mais simples, entendia-se que o produto seria um iPhone “de baixo custo”, com valores menores para a versão sem contrato de permanência com operadoras de telefonia móvel… ledo engano.

Antes de seguir, devo lembrar aos amigos que, pela primeira vez na história, a Apple atualizou um iPhone, e a versão atualizada é “ligeiramente mais cara” que a versão anterior. Seria por causa do identificador biométrico? Ou para pagar o iPhone dourado?

Voltando… o iPhone 5c custa o mesmo do iPhone 5, é a mesma coisa nas suas especificações básicas (incluindo o processador), e tem uma carcaça de policarbonato (que, de novo, tem menor custo de fabricação que uma carcaça metálica). Logo, é um iPhone “de baixo custo” para a Apple, e não para você. Quem está lucrando na venda por unidade desse produto é a Apple, não quem vai comprar esse novo modelo.

Sem falar que o valor de mercado do iPhone 5 despencou, pois foi descontinuado. Ou seja, recebe atualizações de software, mas fica no mesmo status de relevância que o iPhone 4, que também foi descontinuado. Sem falar que, com o passar do tempo, a manutenção desse seu iPhone 5 vai ficar o olho da cara. Ou seja, boa sorte daqui pra frente.

E isso porque eu não estou falando de inovação. Só estou falando de estratégia de mercado.

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Mas o que realmente deixou a maioria dos analistas chocados (e talvez alguns acionistas suando um pouco mais frio) foi a inacreditável banana que eles deram para o mercado chinês. De novo, parabéns, Apple. É preciso ter uma explicação realmente muito boa para ignorar, de forma quase patética, aquele que é o mercado emergente mais cobiçado do mundo, ainda mais com o mercado ocidental de smartphones muito próximo de chegar ao ponto de saturação. Ou seja, a Apple pode escolher os seus clientes. Os demais, não podem.

Olha, eu não escolho meus clientes. Se vejo uma oportunidade de negócio, eu aproveito essa oportunidade.

Para a Apple, “baixo custo” pode ser “refugo”. Ou “tecnologia de três anos atrás”. O iPhone 4 será oferecido de graça na China (com contrato de permanência de 2 anos). Quem quiser, pode ir lá e pegar. Mas além de ser escravinho da operadora por 2 anos, o usuário vai ficar com um smartphone com um hardware de 3 anos de defasagem, e por mais que o iOS 7 seja compatível com o dispositivo, é um produto que já está muito desvalorizado.

Engraçado… para a Google, “baixo custo” é um smartphone novinho, com um hardware mais poderoso que o iPhone 4, com um sistema tão competente quanto o iOS (só quem é burro acha Android um lixo), que já contempla todas as possibilidades do iPhone… bom, “só um pouco diferente” do que a Apple oferece. Mas.. quem liga pra isso, né? “Estamos dando o smartphone de graça. Logo, não reclama. Cavalo dado não se olha os dentes”, diz Phil Schiller.

Podem ser apenas detalhes. Mas são detalhes que todos observam. Aliás, só não vê isso quem não quer: os fanboys, que acreditam que “a Apple é foda, e o resto é um lixo”. Tá certo, então. Só um detalhe: se fosse tudo isso, jamais ela sucumbiria ao desejo de iPhones coloridos.

Mais: a p**ra dessa capinha colorida, cheia de furos, JAMAIS SERIA LANÇADA. Esse lixo abaixo foi o motivo de Steve Jobs revirar no túmulo só para vomitar!

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A Apple “está hominha”. Bate no peito, dizendo que não precisa seguir os outros, que não precisa dos mercados emergentes, e que se basta com os seus iPhones dourados, ou combinando azul calcinha com rosa Danone. Enquanto isso, a Nokia oferece uma experiência fotográfica muito superior, a Samsung oferece recursos extraordinários, a Sony, com smartphones com bateria longa vida e recursos multimídia matadores, a Google oferece um ótimo smartphone… pode não fazer a diferença para você, mas se você olhar para os lados, faz muita diferença para quem se cansou da mesmice da Apple.

E, no caso dos novos usuários, por mais que eles gostem de iPhones coloridos e dourados, vão ver que o modelo colorido da Samsung faz mais (daquilo que ele quer fazer), custando menos. E, de novo, os asiáticos adoram coisas baratas (ou “de graça, nesse caso), mas tratar eles como lixo, oferecendo refugo de graça? Grande erro.

De qualquer forma… parabéns, Apple. Mostraram que não tem medo de ninguém.

Por enquanto.

Até onde Larry Ellison está com a razão ao afirmar que o futuro da Apple é sombrio?

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Oracle CEO Larry Ellison Oracle OpenWorld 2011 Keynote

Hoje (13), um dos assuntos mais comentados no mundo da tecnologia foi a polêmica entrevista de Larry Ellison, CEO da Oracle, para Charlie Rose, na CBS. Além de acusar a Google por ser desleal na disputa das patentes de tecnologia, Larry fez um grande exercício de futurologia, afirmando que a Apple tem um “futuro sombrio” sem Steve Jobs como CEO.

Mas… até onde Larry Ellison está com a razão?

Antes de dizer “está tudo perdido, fujam para as colinas”, temos que lembrar que Larry é, antes de qualquer coisa, extremamente passional, assim como qualquer todo grande geek que eu conheço. A diferença entre Larry Ellison e eu (e você) é que ele é bilionário, e empregou toda a sua paixão no seu negócio, o que se converteu em dinheiro, muito dinheiro. Enquanto que eu escrevo esse blog todos os dias, e você lê esse blog de vez em quando.

Por outro lado, não subestimemos Larry Ellison. Ele é um cara que acompanha de perto o mercado de tecnologia, sabe dos movimentos do Vale do Silício, e calcou o seu negócio nesse poder de observação. Tudo bem, o que ele disse sobre a Apple foi algo tão óbvio que qualquer um poderia ter dito (“a Apple com Jobs cresceu, a Apple sem Jobs caiu”). Porém, como é ele quem disse, acaba ganhando um peso maior.

O negócio é o seguinte: o mês de setembro de 2013 é simplesmente decisivo para as pretensões da Apple em se manter como uma gigante no mundo da tecnologia. Sabemos que estão chegando novos produtos (tudo indica que dois novos iPhones logo de cara, e novos iPads em um momento posterior), e o que a junta diretiva da Apple quer de Tim Cook é apenas uma coisa: inovação.

O grande ponto do CEO da Oracle é a força de liderança de Jobs, mas principalmente, a sua capacidade criativa. Jobs era (na visão de Ellison) um “Picasso dos tempos modernos”. Já Tim Cook é apenas um executivo competente (até que provem o contrário). E no quesito inovação, isso faz uma grande diferença.

Além disso, todo mundo viu o que aconteceu com a Apple depois que Jobs foi mandado embora da empresa em 1985, e o que aconteceu depois que ele retornou, em 1997. Jobs, de fato, liderou a grande recuperação da Apple, que durou 15 anos, fazendo com que essa fosse a gigante de tecnologia que é hoje. E não é apenas pelo lançamento de novos produtos, mas sim por vender uma ideia, um conceito. Ousar. Inovar.

Particularmente, não vejo isso em Tim Cook. Mas ainda acho que ele tem duas últimas chances de fazer isso. Em setembro (data especulada para o lançamento dos novos iPhones) e depois disso, ao apresentar ao mundo os novos iPads.

Acho difícil de acontecer grandes inovações nesse momento, mas quero esperar. Porém, se não pintar algo que as pessoas digam “uau, Meu Deus, eu preciso comprar isso para ontem, eu jogo o meu dinheiro na tela do meu MacBook Air, mas nada acontece…” ainda em 2013, acredito que não só os analistas de mercado, mas principalmente, os consumidores ficarão broxados. E é por causa desse sentimento broxante que a Apple registra quedas de vendas nos últimos dois trimestres.

Uma coisa realmente espetacular. É tudo o que a Apple precisa. Se cair na mesmice mais duas vezes, ferrou.

O que ameaça o império do iPhone (que, por sinal, dá sinais de ruir lentamente)?

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Muita gente a essa altura do campeonato está dizendo “eu avisei” para a Apple. Eu não sou um deles simplesmente porque não avisei nada. Mas, se existe uma coisa que não há mais como esconder, é que a empresa de Cupertino não inova há muito tempo. A prova disso é o iPhone 5, que segundo analistas, não vai muito bem nas vendas (algo que já foi desmentido pela própria Apple, após a revelação dos seus números de vendas). De qualquer forma, o que realmente o iPhone inovou? Trazer uma tela maior não significa nada. Nem mesmo para o iPhone que eu e você conhecemos.

O analista da CNET, Eric Mack, escreveu um artigo na semana passada afirmando que o iPhone (o smartphone) pode cair no mesmo efeito que Adam Lambert, Sarah Palin e outros pseudo ícones pop que simplesmente deixaram de ser comentados depois de 2010. Calma, não é uma visão apocalíptica. É apenas a constatação que o smartphone da Apple está, aos poucos, deixando de ser o “produto referência” que era em 2010. A prova disso é que, nas principais operadoras norte-americanas, ele já não é mais o smartphone mais desejado entre os consumidores (em alguns casos, ele fica de fora da lista dos três smartphones mais desejados). No meio de tanta especulação, alguns rumores começam a aparecer, como novas cores para o iPhone, um modelo de baixo custo e com materiais mais frágeis, e o iPhone 5S, o rumor mais plausível, que deve ser anunciado no próximo verão nos Estados Unidos, com a perspectiva de, mais uma vez, ser apenas uma evolução do modelo atual.

Muitos se arriscam a dizer que a Apple já inovou o que precisava inovar, e não precisa criar nada novo para o seu produto definitivo. Ledo engano. Começo a acreditar que, mesmo que algum dia a Apple lance um iPhone 6 (vai que ela muda de ideia), ele também não vai ser um produto revolucionário. E os motivos disso estão no presente.

Para começar, o iOS é um sistema operacional congelado. Todo mundo já se cansou da cara do sistema operacional móvel da Apple, por mais funcional que ele seja. Ele é o mesmo desde 2007, e as pessoas gostam de ver interfaces renovadas em seus dispositivos. Na verdade, nem a Apple aguenta mais o iOS do jeito que está, tanto que mandou o seu responsável embora. E essa é a esperança dos seus usuários. Quem sabe um iOS 7 realmente diferente, ainda mais leve e funcional, e que realmente justifique a atualização do seu dispositivo. Eu mesmo ainda estou com o iOS 5, e não sei por quanto tempo ainda ficarei com ele. Até porque não vi motivos suficientemente fortes para atualizar o meu dispositivo.

Outro motivo para a Apple começar a se coçar está no seu maior rival, a Samsung, que junto com o Android, vem apresentando soluções novas e diferenciadas para os usuários. O Galaxy S3 canibalizou um bocado o mercado onde o iPhone era considerado intocável, com um dispositivo com um hardware muito superior à proposta da Apple. Sem falar que a fabricante sul-coreana vai apresentar ao mundo o Galaxy S4 antes da Apple anunciar um novo iPhone. Ou seja, a Samsung terá um dispositivo novinho, mais moderno e com novas possibilidades antes que você diga “mas onde eu posso comprar esse produto mágico e revolucionário?”.

Além disso, a Apple nas mãos de Tim Cook é uma empresa diferente, e não pelo lado bom. Falta a ênfase de Steve Jobs para fazerem as coisas darem certo, ou serem entregues em um estágio muito próximo da perfeição. A Apple continua forte, mas segue hoje um modelo mais tradicional de entregar aos seus consumidores o que eles querem, e não aquilo que eles podem querer, que é o que Jobs sempre pregou. Um exemplo claro disso é o lançamento do iPad Mini, algo que Jobs nunca admitiu publicamente que seria viável, e os rumores de um iPhone de baixo custo (algo que ainda custo a acreditar que vai acontecer).

O resultado desse “congelamento” da Apple tem um reflexo direto e imediato no consumidor. Hoje, os mais jovens não acham mais a Apple “a empresa descolada do momento”. Para a geração que era adolescente na época do lançamento do primeiro iPod (2001), tudo bem, a Apple segue sendo aquela empresa referência na qualidade de produtos, deisgn e funcionalidades. Mas, para a nova geração, que teve como primeiro smartphone o Samsung Galaxy S2, acha o iPhone um smartphone “de velho”. Acham mais interessante levar no bolso um Android, um Windows Phone e até mesmo um BlackBerry (pasmem), que são sinônimos de “ser descolado”.

Isso, sem falar no preço do iPhone, que tanto aqui quanto lá fora, é um dos smartphones mais caros (senão, o mais caro) do mercado. O preço ainda é determinante na hora da compra, e com concorrentes com produtos vantajosos e que fazem basicamente a mesma coisa que o smartphone da Apple faz, a escolha por outro produto acaba sendo inevitável.

Por fim, e o mais importante: está passando da hora da Apple surpreender novamente. Sabe, causar o efeito “wow” de uma coletiva ou apresentação, tal como fez nos lançamentos do iPod, do iPhone e do iPad. Muita gente pode falar no Siri, o assistente pessoal do iPhone. Mas, convenhamos… mesmo ele sendo um recurso interessante, ele não é uma inovação genuína. Sem falar que o sistema é tão burro, que depois de quase 2 anos do seu lançamento, ele não compreende o português.

O iPhone como conhecemos é um produto bem maduro. Tanto na sua consistência de funcionamento, como no seu tempo de mercado. Nos últimos 10 anos, a Apple foi a empresa que sempre surpreendeu os seus usuários e a indústria como um todo com o efeito surpresa, com a inovação, ou com um “wow” em uma coletiva de imprensa. E faz um bom tempo que ela não consegue arrancar exclamações empolgadas dos jornalistas que acompanham o mercado de tecnologia. E particularmente, acho difícil que um futuro iPhone 6 consiga nos surpreender, apesar de torcer (de verdade, sem sacanagem) para que eles alcancem esse objetivo.

E você, o que acha? Estamos diante do fim da era iPhone? Ou o smartphone da Apple ainda tem muita lenha para queimar?

…E a Apple diz “quem está em decadência é você, não a gente!” (por enquanto)

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A Apple mais uma vez entrou em modo “tapa na cara da sociedade”, quando apresentou o seu relatório financeiro para o último trimestre de 2012 (ou primeiro trimestre fiscal da empresa em 2013, uma vez que a mesma encerra o seu ano fiscal no mês de setembro de cada ano). Bom, fato é que, até eu, que sou um pouquinho mais burrinho, gostaria de estar em crise com uma venda trimestral de mais de US$ 54 bilhões. Mas esse ainda não é o ponto mais importante. É bom lembrar que eu coloquei um “por enquanto” no título, e não foi de graça.

A Apple arrecadou mais em relação ao mesmo período de 2012 (ano fiscal). No ano passado, nesse mesmo último trimestre, foram US$ 43.3 bilhões arrecadados nas vendas de produtos. O problema aqui está no aumento de lucro obtido pela empresa. No ano passado, eles lucraram US$ 13.060 bilhões no trimestre, enquanto que nesse ano, os lucros registrados foram de US$ 13.100 bilhões. Ganhar US$ 13 bilhões de dólares em apenas 3 meses é muita grana (mas, atenção: não dá pra fazer uma projeção anual baseada apenas nesse trimestre, pois os demais meses do ano não possuem a mesma força de vendas que o período do Natal), mas a diferença de um ano para outro foi praticamente zero. Mais um pouco, a empresa está gastando mais do que está lucrando. OU seja… mais um pouco, e começa a ser prejuízo. E é aí que a Apple tem que ligar o sinal amarelo.

No quesito vendas de produtos, aí sim, a Apple deu uma bela banana ao Wall Street Journal, que afirmou na semana passada que a empresa estava vendendo menos iPhones que o esperado. Na verdade, tanto a venda de iPhones como iPads tiveram um forte crescimento em relação ao mesmo período do ano passado, mesmo com previsões menores que o esperado pelos analistas de mercado (que cada vez mais eu penso que eles sabem menos). Foram 47.8 milhões de iPhones vendidos no último trimestre (contra os tais 52 previstos pelos espertalhões, e 37 milhões do mesmo período do último ano fiscal), e 22.9 milhões de iPads vendidos no mesmo período (contra 15.4 milhões de unidades no ano passado).

Aliás, era precipitado implantar uma crise financeira da Apple (suposta, diga-se de passagem) se baseado justamente no período mais favorável possível para os produtos de Cupertino. Final de ano, vendas de Natal, iPhone 5 recém lançado… tudo ajudava para que o último trimestre de 2012 (primeiro trimestre fiscal da empresa) fosse forte em termos de vendas e lucros. Não que a concorrência não tivesse feito nada, mas vamos analisar: o Galaxy S3 já tem um bom tempo de mercado, logo, sua curva de mercado já está na descendente (a prova disso é que o Galaxy S4 está para chegar). A LG registrou ótimas vendas do Optimus G, mas em mercados localizados (Ásia), a Sony só lançou os seus modelos top de linha em janeiro, na CES 2013, e o Nexus 4, que poderia ser o grande adversário do iPhone 5 nesse final do ano não é encontrado no mercado.

Ou seja, a Apple não está em crise nem decadente. Tim Cook ainda pode tripudiar dos adversários por, pelo menos, mais um trimestre. Se podemos apostar em uma mudança desse cenário, isso só vai acontecer a partir desse trimestre que nós estamos, e de forma mais acentuada, no segundo trimestre de 2013. Até lá, é fato que outros fabricantes (principalmente a Samsung) já terão lançado modelos com especificações potentes, design atraentes e outras especificações que podem efetivamente roubar um pouco do mercado do iPhone. No caso dos tablets, tudo indica que, mesmo com as propostas mais baratas e igualmente competitivas em termos de performance, o iPad ainda será o modelo dominante por um tempo mias longo. Afinal de contas, se compararmos com os números de vendas do terceiro trimestre de 2012, a Apple quase que duplicou o volume de vendas do seu tablet, o que indica que não só o iPad tradicional está vendendo bem, mas que o iPad Mini também foi bem recebido pelo consumidor da empresa.

Mas é bom a Apple ficar de olho. Nos últimos anos, poderíamos dizer que ela é a empresa dominante e pronto. Dessa vez, só podemos afirmar que ela é a líder de mercado… por enquanto.