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Primeiras Impressões | Impastor (TV Land, 2015)

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O TV Land está se modernizando, e não falo isso porque o canal recentemente repaginou a sua identidade visual. Com o fim da sua primeira série original (Hot in Cleveland), chegou a hora de dar o próximo passo, mostrando as suas novas diretrizes, deixando de ser um canal pensado nas comédias clássicas para apostar em produções com linguagem mais moderna e temas mais contemporâneos. E a primeira série dessa nova fase é Impastor.

Que também pode ser conhecida como ‘é tão fora da realidade, que você vai assistir, apenas pela curiosidade mórbida’.

Impastor mostra a vida de Buddy Dobbs (Michael Rosembaum), um trapaceiro/vagabundo/golpista/vigarista, cheio de dívidas, sem grana, sem mulher, sem vida. Como está completamente sem rumo e sem motivações para seguir em frente, ele decide se matar. Mas é impedido por um desconhecido, um tanto quanto atrapalhado, que na tentativa de fazer essa boa ação, acaba ‘se matando’.

Buddy vê nesse infeliz incidente a oportunidade de mudar a sua vida, e recomeçar. Assume a identidade do falecido, e com o passar do tempo, vai descobrindo sobre sua nova vida. Porém, no processo, ele descobre também que seu novo estilo de vida será completamente diferente daquele que ele levava, uma vez que ele vai se tornar um pastor gay em uma pequena comunidade.

Se já não bastasse a surrealidade da situação, Buddy descobre que foi escolhido pela internet, que seus mais próximos colaboradores (homens e mulheres) estão doidos para dar para ele, e que na base da c*g*d* ele realmente consegue contribuir positivamente para aquela comunidade. E decide ficar por lá para ver o que acontece.

É claro que o mar de prosperidade de sua nova vida estará constantemente ameaçado por conta do passado que pode vir de tempos em tempos para assombrá-lo.

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Eu não desgostei completamente de Impastor, mas acho que algumas pessoas vão torcer o nariz para a série. Apesar de entender toda a proposta geral, não vi a série exatamente engraçada para o grande público. Eu acho que o piloto – que foi liberado antes da sua estreia oficial, que acontece no dia 15 de julho nos Estados Unidos – tem o tipo de humor peculiar, com piadas menos óbvias e mais espirituosas. E não é todo mundo que vai gostar desse tipo de humor.

Sem falar que esse é o tipo de plot já batido no mundo do entretenimento: o cara que assume a identidade de alguém que morreu para começar uma vida nova. Ok, temos alguns elementos mais contemporâneos para dar identidade à série (pastor gay escolhido pela internet, por exemplo). Mesmo assim, não é algo 100% novo, que vai te fazer parar por 30 minutos para ver cada episódio exibido antes de qualquer outra coisa que você já assiste hoje.

De qualquer forma, não é um piloto ruim. Tudo funciona como o esperado, onde o elenco também se mostra bem competente e equilibrado. O roteiro do episódio também pode ser considerado como razoável, e até convida o telespectador a assistir o segundo episódio.

Enfim, recomendo que ao menos veja o piloto de Impastor. Afinal de contas, ‘vai que cola’ (ok, esse é o nome de outra comédia). Nesse caso, muito vai do gosto de quem está vendo. Se esse for o estilo de comédia que você gosta, pode render algo. Se não for, não precisa perder muito tempo com essa.

A não ser que seja renovada e todo mudo comece a falar bem de uma primeira temporada surpreendente.

Primeiras Impressões | Younger (TV Land, 2015)

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O TV Land estreou uma nova comédia, Younger, que faz uma sátira sobre o atual cenário do mercado de trabalho, onde os chefes estão ficando cada vez mais jovens, e os mais velhos precisam se atualizar em vários aspectos para ocuparem bons empregos. A premissa até que é original e atual. Mas a execução…

A série segue a vida de Liza Miller, mulher com mais de 40 anos de idade, que abandonou a sua promissora carreira profissional para criar a sua filha, que hoje está no último ano da faculdade, e em intercâmbio na Índia. Recém divorciada e sem objetivos na vida, Liza entende que chegou a hora de voltar a trabalhar. Mas quando ela decide fazer as entrevistas de emprego, ela percebe que o mundo mudou muito. Pessoas com idade para se estagiários são hoje executivos de empresas, e dando ordens em pessoas com a idade da Liza.

Ok, vida que segue. Em uma noitada com uma amiga, ela é abordada por Josh, rapaz de 26 anos de idade, que nem desconfia que Liza tem pelo menos 15 anos a mais que ele, por conta de sua jovialidade. Maggie, amiga de Liza, se empolga com a situação, e entende que a amiga pode recuperar o terreno perdido, fingindo que tem os tais 26 anos de idade, e compensando o desconhecimento sobre Facebook e Lena Dunham com a sua experiência de vida, que é consideravelmente maior que a dos seus colegas de trabalho.

O plano dá certo. Ela consegue um emprego ao lado de Diana Trout, quarentona convicta que detesta as ninfetinhas – pois seu marido a trocou por uma -, e como Liza se passa por uma jovem com apenas quatro anos de vida ‘adulta’ (como ela mesma coloca), já sabemos que ela tem tudo para tornar a vida da nossa heroína um inferno. E o objetivo da série é mostrar essa saga de Liza, que vai viver em um ambiente de trabalho onde todos são mais jovens e descolados, e ela vai ter que se adaptar à esse universo para dar um novo rumo para a sua vida.

Isso, e continuar enganando Josh sobre sua idade.

Eu achei o piloto de Younger algo bem sem sal. Entendi a proposta da série, as várias referências lançadas, e até algumas piadas (a melhor é da troca de e-mail), mas no meu entendimento, falta muito para a série ser chamada de ‘divertida’.

O elenco deixa a desejar, os diálogos em alguns casos beira ao infantil, e a trama geral do piloto não apresenta nada de inovador ou diferente. Não é a comédia que vai levantar questionamentos e tabus, e a partir daí, começar a brincar com esses valores ou preconceitos que acabam aparecendo em um cenário onde o funcionário mais velho tenta se destacar em um universo de jovens talentosos.

Mesmo quando a série tem a chance de flertar com o assunto ‘sexo’, o faz da forma onde você fica incomodado com a piada lançada, não sendo tão engraçado assim. Ok, tem gente que vai achar engraçada a piada do ‘matagal’. Eu não achei. Para mim, foi bobo e comum.

No final das contas, Younger não disse a que veio, e entendo que a série só existe para aqueles que não querem pensar muito ao ver um episódio de uma série todas as semanas. As resoluções são rasas demais, os diálogos fracos… enfim, tudo me incomodou na série. Não diria que era uma porcaria. Só afirmo que ela não me despertou qualquer tipo de interesse para assistir o próximo episódio.

E isso pode ser, em alguns casos, algo pior do que achar a série ‘uma porcaria’.

[Resenhas] Hot In Cleveland colocou o TV Land na história. Mas… a que preço?

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Tudo nesta vida tem um lado bom e um lado ruim. Hot In Cleveland (TV Land) é a tônica disso. O canal, pouco conhecido no Brasil, está ligado à MTV Networks nos Estados Unidos, e começa a produzir séries originais. Originalmente, o TV Land é voltado a exibir as sitcoms e séries de aventura clássicas, dos anos 50, 60, 70, 80 e 90, e é voltado para o segmento de público da faixa entre 25 a 49 anos. Fato é que Hot In Cleveland (ou Betty White, entendam como quiser após este post) colocou o canal no mapa da TV americana. Mas acreditem: vale mais pelo hype do que pela qualidade. Mas, vamos explicar o que acontece.

Hot In Cleveland registrou na sua estreia, a maior audiência da TV a cabo na história dos EUA para uma sitcom, com 4.75 milhões. Foi a maior audiência da história do TV Land e, para um canal de TV paga, é uma audiência assustadora. Para se ter uma ideia, é uma audiência mais alta do que True Blood (naquela semana) e é mais alta do que a recém estreada The Good Guys (Fox), que é de TV aberta. Mas a responsável dessa audiência toda nós bem sabemos quem é.

A América sempre foi apaixonada por Betty White, e continua sendo. E muito da espera para que esta série chegasse na TV era para que o norte-americano voltasse a ver a velhinha de The Golden Girls novamente na TV. Este ibope todo da série mostra que Betty White continua com o seu merecido hype, sendo uma das mulheres mais “desejadas” (entendam também como quiser) da América.

Ponto. Falemos agora da série. Hot In Cleveland foi criada por Suzanne Martin (de Ellen e Fraiser) e tem produção de Sean Hayes (Jack McFarland, Will & Grace). Ou seja, gente que já fez séries de qualidade. Toda a estrutura de produção da série é feita como se fosse uma sitcom “clássica”, principalmente no quesito de ser gravada diante do público, como as sitcoms antigas eram feitas, para ter o efeito de claque das risadas ao vivo, durante a cena (hoje, séries como Two And a Half Men, How I Met Your Mother e The Big Bang Theory tem um processo de mixagem, onde as risadas são gravadas depois do episódio pronto).

No caso de Hot In Cleveland, é feito bem proposital, para atrair a audiência do canal, que é o público que cresceu vendo as sitcoms clássicas. Bom, o lado positivo é que eles tentam fazer um resgate desse gênero de comédia, que está cada vez mais escasso na TV dos EUA.

Isso tudo foi o lado bom da série. Agora, vamos para o lado ruim.

Hot In Cleveland não é uma série “engraçada”. A série conta a história de três amigas que estão na faixa dos 40, que durante uma pane no avião que as transportavam para uma viagem para Paris, resolvem ficar em Cleveland, Ohio, porque descobrem que lá é a “nova terra prometida” (leia-se: em Cleveland, os homens notam as quarentonas, ao contrário de Los Angeles). Uma dessas amigas, Melanie Moretti (Valerie Bertinelli, One Day At Time), mãe de dois filhos, se empolga mais que as outras com esta perspectiva, e resolve alugar uma casa na cidade, para viver com as outras duas amigas, Joy Scroggs (Jane Leeves, The Benny Hill Show, Thorb, Murphy Brown) a “rainha das sombrancelhas das celebridades” e Victoria Chase (Wendie Malick, Just Shoot Me), atriz decadente de novelas.

Ah, com a casa, eles levam como “brinde” uma inquilina que vive na casa a mais de 50 anos, Elka Ostrovsky (Betty White, The Mary Tyler Moore Show, The Golden Girls), uma velinha meio ranzinza, mas com vida sexual ativa e usuária de, digamos “marijuana”.

O primeiro problema da série é recriar a fórmula que deu muito certo em The Golden Girls (ou As Super Gatas). Devemos deixar claro que esta fórmula deu certo nos anos 80 porque o elenco era incrível, o texto era excepcional, e as propostas das situações da série estavam muito a frente do seu tempo.

Ver senhoras da melhor idade falarem de homossexualismo, HIV, sexo sem compromisso, dificuldades financeiras e desencontros amorosos é muito mais divertido do que ver quarentonas falando sobre os mesmos temas (a não ser que a série se chame Sex And The City). Fora que The Golden Girls é uma das séries mais influentes da história da TV dos últimos 25 anos. Por isso, é perigoso você ter uma obra que seja muito parecida com algo que deu muito certo no passado.

Além disso, Betty White, por incrível que pareça, pode vir a ser um problema sério para a série mais pra frente. Calma, ela não tem culpa de estar com o hype que está hoje, muito menos de ser muito melhor que o restante do elenco, ou de ter as melhores piadas, ou do argumento dos demais personagens serem muito menos interessantes do que os dela. Na verdade, Betty White era para estar só no piloto da série. O problema é que ela gostou do elenco e dos produtores, e todo mundo a convidou para fazer a temporada completa.

Logo, o argumento dela ser a velhinha que já morava na casa não dá muita liga com o resto. Além disso, o TV Land esta contando muito com este hype de Mrs. White. Mas, e quando este hype acabar? Betty White vai entrar no efeito de imagem desgastada, que toda celebridade enfrenta quando sofre uma super exposição, como ela está sofrendo (inclusive, sendo seriamente cotada para apresentar o Oscar 2011), mas suas participações na série são tímidas, do tipo “entra, faz a piada e sai”. Ou eles a integram efetivamente na trama da série (algo que já mudou no segundo e terceiro episódios), ou a série está fadada a cair numa mesmice sem sentido de ter MILFs encalhadas em busca do homem ideal.

Fora que, além de Betty White, só Wendie Malick se sai bem com algumas situações cômicas. Fora isso, tem situações constrangedoras na série, e propostas que, mesmo sendo condizentes com aquilo que aquelas mulheres da série apresentam, dão aquela dor física de vergonha alheia total.

Resumo da ópera: para você que tem menos de 30 anos, nem vale a pena chegar perto de Hot In Cleveland. Esta é uma série feita para quem curtiu séries como Cheers, Fraiser, All In The Family, The Golden Girls e derivados. E ainda assim, pra quem vai assistir, faça pela Betty White, porque sempre vale a pena. É ótimo vê-la em cena, por tudo o que ela já foi e ainda é para a TV dos EUA. E porque ela continua deliciosamente cômica na tela da TV. Ela é o fiel da balança da série. Já o restante, tem que melhorar e muito. Antes que o hype de Mrs. White acabe.