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Primeiras Impressões | Complications (USA Network, 2015)

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Será que Jason O’Mara, doravante conhecido como ‘âncora’ (e quem ouve o SpinOff Podcast sabe por que), vai conseguir fazer Complications dá certo? O piloto do USA Network tem longuíssimos 104 minutos, mas entendo que não é preciso ver tudo isso para ter uma ideia geral da série. Por outro lado, muitos vão querer ficar até o final, só para ver o que acontece. E eu não culpo essa galera.

Toda a trama é centrada no Dr. John Ellison (Jason O’Mara), um médico suburbano de um pronto socorro. Ele é um cidadão que está exausto e desiludido com sua vida e carreira. Por conta disso (e de outras coisas que muito provavelmente vamos descobrir ao longo da temporada), ele sofre de distúrbio comportamental, onde ele tem grandes dificuldades de controlar a sua raiva.

Como se brincar que O Incrível Hulk já não fosse problemas demais, John ainda e testemunha de um tironeio, onde um garoto é baleado e seriamente ferido. No meio do atendimento, ele deixa o moleque lá sangrando e morrendo, pega uma arma que está no chão e atira em um dos membros da gangue que vinha com um carro na sua direção e na do garoto.

O ato heroico do doutor é o suficiente para iniciar uma série de outros acontecimentos, que geram consequências seríssimas para ele, para alguns dos seus pacientes e para o pronto socorro que ele trabalha. Em resumo: gera um monte de ‘complicações’ (sacaram?). Sua vida pessoal e profissional é completamente modificada, e ele é obrigado a reavaliar as suas convicções sobre a medicina, e se realmente a sua profissão é a mais adequada para ele salvar vidas.

Sim, pois diante de tantas situações onde ele se coloca no limite,  John percebe que ser médico não basta. Ele precisa também ser justiceiro para evitar a morte de outros inocentes.

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Eu até gostei do piloto de Complications. Não achei ruim não. Só achei 104 minutos algo desnecessário. Quero ver um piloto de uma série de TV, e não um telefilme. Não é possível que os roteiristas não consigam mais condensar uma história introdutória em apenas 42 minutos. O caso desse piloto é clássico: pra quê exibir o primeiro e o segundo episódio no mesmo dia? A primeira parte já é boa do jeito que é, pois explica a ideia geral da série.

Fora isso, o piloto é bom sim. Apesar de alguns absurdos de roteiro aqui e ali, é uma trama que prende o telespectador por contar com um bom texto, e um personagem principal que tem um perfil interessante. Eu sei que a gente já viu outros anti-heróis na TV, e essa dualidade entre mocinho e vilão não é algo tão original assim. Mesmo assim, Jason O’Mara, por incrível que pareça, consegue compor bem o papel de médico perturbado.

Acho que considerando todos os aspectos abordados, vale a pena conferir o piloto de Complications, mesmo que seja a primeira parte (que dura pouco mais de 50 minutos). Depois, se você gostar, você volta e assiste a segunda parte, e decide se continua a temporada toda ou não. Eu mesmo pretendo fazer isso. Até porque eu entendo que ‘nunca a tradição da âncora esteve tão perto de ser quebrada’.

Primeiras Impressões | Mr. Robot (USA Network, 2015)

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“A democracia foi hackeada”. E pelo Christian Slater! 🙂 Tá, bullying à parte, os 64 minutos do piloto de Mr. Robot podem assustar. Me deram preguiça na verdade, mas depois desse quase longa metragem, podemos dizer que a experiência foi menos dolorosa do que se imaginava. Se bem que reconheço que não é para todo mundo.

Mr. Robot conta a história de um grupo de hackers que tentam derrubar pelo menos uma grande corporação norte-americana, que eles consideram ser uma das controladoras de todas as outras coisas que regem as nossas vidas. Usam do poder concentrado para criar um pequeno grupo de executivos poderosos para manipular a informação e tudo que a envolve, para assim gerenciar a vida das demais pessoas de forma imperceptível. Quer dizer, quase.

Toda a ação se centra em Elliot (Rami Malek), um programador que sofre de depressão crônica e distúrbio de ansiedade social. Esses problemas não o impedem dele ser brilhante no que ele faz, inclusive na hora de hackear os maus elementos da web e intimidá-los, apenas pela diversão (não é pelo dinheiro) e pelo desejo de fazer a coisa certa, pelos seus meios.

Ele sempre entendeu que a grande E Corp, ccorporação que contratou os serviços de sua empresa de segurança, é uma das grandes vilãs que controlam a vida das pessoas. Ele nunca concordou com a forma deles procederem, e já estava de saco cheio de ter que proteger seus dados daqueles que queriam derrubar toda essa máquina capitalista.

Até que no caminho dele apareceu o Mr. Robot (Christian Slater), um anarquista que o recruta para o seu grupo hacker. Ele acredita que as habilidades computacionais de Elliot, combinadas com o seu desejo de mudar o mundo hipócrita em que ele vive podem ser muito valiosas na sua iniciativa maior de desmantelar esses grandes grupos. Nem preciso dizer que a tecnologia é a principal arma desse grupo, e todo o conhecimento técnico sobre hackers e invasão de sistemas será fundamental nessa batalha.

Para Elliot, a situação é um pouco crítica. Esse grande grupo de poderosos já sabe quem é ele, e do que ele é capaz de fazer com suas habilidades.

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O piloto de Mr. Robot não é ruim. É bem trabalhado nos aspectos técnicos, e falando sob a perspectiva de quem está mais familiarizado com o cenário informático/hacker/tecnológico do plot, eles não cometeram nenhum grande absurdo ao longo do primeiro episódio. Algumas falas de personagens explicam até de forma didática e objetiva o motivo de algumas escolhas, e algumas ações mais técnicas nas situações apresentadas.

Por outro lado, não é um piloto que é acessível para todos. Muitos acharão maçante a narrativa de Elliot, que gasta o episódio inteiro narrando as suas motivações para se unir ao Mr. Robot, os seus dramas, traumas e distúrbios psicológicos/emocionais. Ok, isso é necessário para que você se importe com o personagem principal (algo que, da minha parte, aconteceu), mas poderia ter sido feito perfeitamente em um episódio de 42 minutos, e não em um de 64 minutos.

A produção de Mr. Robot é muito boa. Bem trabalhada, com ótimos cenários e poucos chroma keys. O elenco também é equilibrado, com exceção de um ou outro personagem que soa meio canastrão. E nem falo do Christian Slater em si, que até que conseguiu segurar a onda, sem ser o Christian Slater de sempre, que vive cancelando séries por aí.

No final das contas, se você gosta de tecnologia ou de hackerativismo, ou curte um thriller psicológico, Mr. Robot pode ser uma boa pedida. Se você não tem muita paciência para isso (ou acha que Scorpion já está de bom tamanho para você), não será um grande pecado se não assistir. Vale lembrar que a série só teve o seu episódio 1.0 exibido, e que todos os nomes dos episódios são nomes de arquivos de computador, inclusive com a sua extensão (exemplo: eps1.0_hellofriend.mov).

E sim… eu acho que essa o Christian Slater não vai conseguir cancelar! 😛

Primeiras Impressões | Dig (USA Network, 2015)

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E lá vamos nós encarar mais um piloto de Tim Kring. Dig estreou no canal USA Network, e depois de longos 65 minutos, eu concluo que as séries desse moço responsável por Heroes e Touch seguem uma espécie de “padrão” para serem aprovadas pelo canal: ter uma trilha sonora bacana, alguém falando em língua estrangeira, uma criança com algum poder especial/anormalidade, e um mistério. É a ‘fórmula do sucesso’, convenhamos.

Dig acompanha os agentes do FBI Peter Connelly e Lynn Monahan (Jason Isaacs e Anne Heche), que vivem as tensões de suas respectivas responsabilidades e traumas pessoais, além da tensão sexual que envolve os dois, que já se pegaram no passado. Os dois estão em Jerusalém para investigar crimes internacionais, até que uma jovem escavadora norte-americana é morta no local, e Peter decide investigar o caso, por motivos pessoas (sim, pois sem isso não temos série).

No meio dessa investigação, Peter, Lynn e os investigadores locais vão descobrir uma grande conspiração (e como não?) com décadas de execução, envolvendo entre outras coisas uma criança ‘sobrenatural’, que já está morta porque fugiu e pisou no asfalto, se tornando assim impura (ele só podia, no máximo, pisar na grama… vai entender…). Sem falar nos problemas da própria investigação sobre o assassinato da moça, os profissionais do FBI terão que enfrentar a própria tensão local, por conta das diferenças culturais e religiosas típicas dessa região do planeta.

Dig - Season 1

Olha, foi uma luta assistir ao piloto de Dig. Diferente de Heroes e Touch, que são pilotos realmente muito bons (pena que nos dois casos temos histórias que afundaram pateticamente), o piloto dos escavadores da terra proibida é sonolento e arrastado. Ok, já estou preparado para aquelas pessoas que vão defender a série porque ‘ela tem um mistério’. Mas só isso também.

Por outro lado, também me preparo para o festival de absurdos e inconsistências de roteiro que Tim Kring apresenta já no piloto. Gente que entra em área que não é qualquer um que pode entrar, só para nadar pelado – detalhe: EM JERUSALÉM, onde um espirro mais estranho pode ser considerada uma ofensa religiosa. Um agente do FBI que usa a desculpinha safada do ‘esqueci meu óculos, vou lá buscar, vai na frente’ para poder investigar por conta, e o ‘parceiro’ (pois os dois não se bicam) pensa: ‘beleza, vou acreditar nele mesmo não indo com a fuça dele’.

E esses são apenas dois exemplos que pontuo, apenas para ilustrar o meu ponto. Não tenho mais muita paciência para esse tipo de série (investigação, crime da temporada, conspiração, moleque bizarro que fica preso no quarto o tempo todo, protagonista com alma atormentada pelo passado negro, que alivia tal passado na base do sexo…), e acho que Dig não acrescenta nada de muito especial para quem já viu outras produções do gênero.

Talvez o cenário novo e inusitado possa atrair algumas pessoas. Mas como meus créditos com Tim Kring já foram gastos, não vou continuar. A vida é curta demais para lá na frente passar raiva com um roteirista que já me entregou como solução de temporada um vilão que acumulava poderes da mesma forma que acumulava cards do Pokémon sendo derrotado por uma faquinha de pão Pullman empunhada por um japonês que gritava ‘YATTA’ por uma temporada inteira.

Não vou dizer que Dig será aprovada ou renovada. Para mim, não vai fazer diferença alguma, pois não vou ver.

Conselho de amigo? Não se apegue. Não vale a pena.