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Tem quem prefere trabalhar de casa do que receber US$ 30 mil a mais para voltar aos escritórios (e quem pensa assim está mais do que certo)

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Por conta da pandemia, muitos funcionários das principais empresas de Silicon Valley estão trabalhando de forma exclusiva ou majoritária em suas casas. Aos poucos, algumas empresas começam a reverter suas diretrizes para que essas pessoas voltem aos escritórios.

Porém, a maioria quer ficar em casa, mesmo que a empresa pague a mais pelo retorno. Uma pesquisa realizada recentemente revela que, de forma até (assustadoramente) surpreendente, quase dois terços dos funcionários de grandes empresas de tecnologia (64%) preferem seguir trabalhando de casa do que receber até US$ 30 mil anuais a mais para voltar aos escritórios.

E eu não posso ficar mais a favor dessa galera do que já estou hoje, pois trabalho de casa desde 2008, e adoro o que faço.

 

 

 

Por que recusar um aumento de US$ 30 mil?

É preciso colocar tudo em perspectiva antes de responder a esta pergunta.

Entre as empresas mais conhecidas, temos elevadas porcentagens a favor do não retorno presencial, tais como Twitter (89%), Lyft (81%), Netflix (78%), Salesforce (76%) e PayPal (75%). Mas nas empresas menores, o apoio pelo trabalho em home office chega a 100%.

O principal argumento para ficar em casa não é o dinheiro, mas sim a melhora da qualidade de vida, dispensando o deslocamento para o trabalho e um tempo a mais para descanso, lazer e questões pessoais. Sem falar que esse grupo afirma que US$ 30 mil a mais por ano não é tanto dinheiro assim, considerando a realidade que eles vivem.

O gasto mensal de transporte para os escritórios em uma cidade como Nova York podem superar com facilidade os US$ 300, já que esse valor é gasto apenas com o metrô. Em alguns casos, o funcionário precisa concluir o trajeto de Uber ou taxi, o que faz com que essa conta seja ainda maior.

Sem falar nas duas ou três horas por dia que se perde preso no trânsito, além dos gastos adicionais com alimentação na rua com comida que não é saudável. E sem muito tempo para descansar após as refeições.

Nas redes sociais, os profissionais reforçam essa perspectiva, e não admitem mais perder duas horas do seu dia dirigindo até o trabalho, e que o trabalho remoto (principalmente no setor de tecnologia) deixam essas pessoas mais produtivas, ganhando tempo para desenvolver suas tarefas e evitando até mesmo as conversas inúteis com os colegas de trabalho.

Ou seja, os únicos que reclamam do home office são os gerentes dentro das empresas, já que passam a maior parte do tempo em exaustivas reuniões através de chamadas de vídeo.

Outros chegam a afirmar que os chefes da geração “Baby Boomer” ainda acreditam que podem “devolver o gênio para a garrafa”, ou seja, voltar atrás nas mudanças impostas pela pandemia. Ou que esse grupo de gente velha e chata está sofrendo muito por não poder mais colocar a culpa em ninguém pela própria incompetência.

 

 

 

Defendo o home office com todas as forças

Tá, eu sou suspeito para falar sobre isso, pois faço o meu trabalho do conforto do meu apartamento há muito tempo, e não tenho planos de mudar isso tão cedo. E reconheço que algumas atividades são realmente muito complicadas no formato remoto, como é o caso do canto coral (que é o meu lazer preferido).

Porém, como profissional de tecnologia, entendo perfeitamente que o remoto é a melhor solução para atender aos anseios das empresas e as expectativas e necessidades dos funcionários.

Não faz mais sentido exigir o presencial dentro dos escritórios que trabalham todos os dias com tecnologia, internet e dados navegando o tempo todo pela rede mundial de computadores. Se hoje a Bolsa de Valores é eletrônica, usamos o PIX o tempo todo e as nossas compras chegam em casa pela Amazon, por que o setor de tecnologia precisa se encontrar para reuniões e tarefas de trabalho que podem ser realizadas de forma remota?

O ideal mesmo é só encontrar a galera do escritório de tecnologia no dia do churrasco mesmo. E, ainda assim, tem que ver bem essa lista de convidados. Tem que deixar de lado os chatos e desgostosos da vida.

E… convidar o chefe Baby Boomer para o churrasco? Nem pensar!


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@oEduardoMoreira