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Algumas pessoas insistem em achar que eu sou o dono da verdade. Eu acredito que elas pensam assim por causa do tom imperativo que eu uso para expressar as minhas opiniões. E nem sempre eu expresso o que penso da forma mais polida ou gentil. Mas essas mesmas pessoas precisam entender – com urgência – que eu não sou o dono da verdade, e muito menos acredito que tenho a verdade comigo.

O dono da verdade é o tempo. Ele é o senhor da razão.

Durante muito tempo da minha vida, algumas pessoas que eu considero até hoje muito importantes para a minha trajetória tentaram me convencer que o tempo sempre mostra a verdade, por mais que as pessoas que se consideram “espertas” tentem atuar com um campo de distorção da realidade para ludibriar algumas pessoas. Não foram poucas as vezes que eu me revoltei com aqueles que se atreveram a modificar a narrativa a seu favor, utilizando elementos falsos ou ocultos para alcançar os seus interesses.

Para mim, detectar tais práticas que denunciam o pensamento distorcido do próximo se tornou algo cada vez mais fácil e funcional com o passar do tempo. A maturidade me ajudou a identificar a repetição dessas mecânicas sociais nefastas, e as chances de ser ludibriado por aqueles que tentam me passar para traz são cada vez menores.

Por outro lado, eu ainda me revoltava com as posturas daqueles que tentavam tirar vantagem em cima da minha confiança depositada na palavra e na postura de determinadas pessoas. Eu ainda cometo o erro em acreditar na palavra, ao mesmo tempo sei que a palavra de muita gente não vale absolutamente nada.

O erro é meu. Eu sei. Mas continuo aprendendo e evoluindo com os tropeços da vida.

E um dos mais duros aprendizados que a vida me ensinou foi acreditar nos efeitos do tempo para restabelecer a ordem das coisas. Esperar pacientemente pela ação do tempo pode ser uma tortura para uma pessoa que a vida toda queria que as coisas acontecessem de forma imediata (porque se preocupava demais com o dia de amanhã), e isso só consumiu de mim tempo e saúde mental.

Mas quando aprendemos que é o tempo que mostra a verdade sobre tudo e sobre todos… ficamos mais calmos. De forma quase miraculosa.

Encontramos a paz quando encontramos dentro de nós a certeza que estamos convictos sobre nossos pensamentos e atitudes, e quando o coletivo não compreende isso, nós esperamos. Pacientemente. Pois o tempo se encarrega em mostrar a verdade.

Hoje, eu posso até me revoltar pelas narrativas alternativas que algumas pessoas criam para tentar modificar a realidade, ocultando os fatos e modificando os protagonistas das tragédias cotidianas. Mas eu posso garantir para você que a revolta é inicial e momentânea. Eu posso muito bem simplesmente esperar para que o tempo, um dos meus melhores amigos, mostre a todos quem está certo ou errado.

E se em algum momento eu pedir desculpas para você e voltar atrás em algum posicionamento e pensamento… pode ter certeza: foi o meu amigo tempo que cochichou no meu ouvido: “vai lá e conserta o erro, antes que você se arrependa amargamente”.

Se eu sorrir e ficar quieto diante das calúnias alheias… aguarde e confie. O tempo vai mostrar que eu estava com a razão.


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