
Quem assiste a Thunderbolts* esperando por mais um filme genérico de heróis da Marvel Studios sai dos cinemas completamente surpreendido. E não deveria, já que este filme não tem heróis como protagonistas. São pessoas que se tornaram ruins pelas escolhas próprias e da vida, que tentam fazer a coisa certa e, por consequência disso, salvam o dia.
Assim como acontece com vários de nós, todos os dias, o tempo todo.
Além de ressignificar alguns personagens que seriam esquecíveis no MCU, Thunderbolts* oferece um plot que fala sobre um problema real, que afeta pessoas reais todos os dias. Que está, neste momento, afetando aqueles fãs da Marvel que começaram a acompanhar as histórias em 2008.
Thunderbolts* fala de saúde mental. Depressão.
É sobre “se dar uma segunda chance”.
SEM SPOILERS!
Por que Thunderbolts* é sobre saúde mental?

Porque é necessário. É um problema do nosso tempo.
Estamos emocionalmente quebrados. Destroçados. Somos pessoas que hoje estão tomando remédios para dormir, para ter apetite e estabilidade emocional. Nunca tivemos tantas pessoas com depressão e TDAH como neste momento.
E, principalmente… vivemos em uma sociedade com enormes dificuldades em SE perdoar.
Revisitamos o passado como um lugar seguro, mas nos deparamos cada vez mais com o pesadelo que foi viver em um mundo muito mais problemático do que aquele que a gente se lembrava na infância.
Na verdade, crescemos sem esquecer o mal que nos causaram, ou das dores que causamos aos outros, mas que insistem em doer em nós mesmos. Não nos perdoamos por isso, e não conseguimos seguir em frente.
O efeito é coletivo. Se tornou uma chaga aberta da própria humanidade essa incapacidade de seguir em frente. E isso está acontecendo com pessoas de diferentes gerações. Mesmo porque, para alguém, sempre seremos rotulados como vilões para a existência alheia.
A boa notícia é que…
Sempre existe alguém para ser salvo

Thunderbolts*, de forma irônica e surpreendente, transforma vilões em heróis. Pessoas que se detestam, mas que trabalham juntos para salvar o que é o mais fraco e, ao mesmo tempo, aquele que se revela como uma enorme força interior.
É um filme que trabalha a depressão como algo tangível para todos. O “nada mais importa” é uma escuridão profunda, onde entramos e ali, permanecemos. Sim, somos nós que lutamos conosco mesmo para superar essa fase.
Mas quando não estamos sozinhos neste conflito, nos tornamos mais fortes e conscientes de que é sim possível superar essa dor profunda.
Dica: quer mesmo aproveitar a essência do plot central de Thunderbolts*? Quer entender por que o filme é tão focado na dor de Yelena Belova?
Quer entender porque o Bob é mais importante nessa história que a Treinadora?
Assista ao injustiçado filme da Viúva Negra. Pois a raiz das motivações (ou melhor, da ausência de motivações) de Yelena em Thunderbolts* está nesse filme.
Sim. Thunderbolts* “salva” o filme da Viúva Negra de alguma forma, pois cria a base emocional de uma história maior sobre uma personagem que tem tudo para ser uma nova estrela da Marvel Studios.
Yelena nos faz lembrar do porquê gostamos tanto dos personagens urbanos e (aparentemente) sem poderes.
Porque eles são humanos. Falíveis. Mortais.
Tal e como eu e você.
E estão sempre tentando encontrar melhores versões de si mesmos.

