Charlie-Brown-Jr

Charlie Brown Jr. (part. Negra Li) | Não é Sério | Nadando Com os Tubarões | 2000

Eu vejo na TV os que eles falam sobre o jovem, não é sério
O jovem no Brasil nunca é levado a sério

2013 foi o ano que o contexto dessa música mudou um pouco. Os jovens foram para as ruas, para serem levados a sério. 2013 também marcou mais uma perda para a estrutura da banda Charlie Brown Jr., que acredito eu, deve encerrar as suas atividades a partir de agora. De qualquer forma, quero aqui confessar que eu gostava sim de Charlie Brown Jr em 2000. Era condizente com a minha idade.

Era um som novo. Diferente. Com sonoridade diferente. Você pode até dizer que mais da metade da letra de “Rubão, o Dono do Mundo” não é letra (e eu concordo com você). Mas no caso de “Não é Sério”, estamos lidando com algo mais político. Comercial ou não, não importa. Até porque a lista é de videoclipes, não de músicas necessariamente.

Mesmo assim, o casamento de música e vídeo, nesse caso, foi mais uma vez algo com resultados felizes. O simbolismo da melancia, que era o ponto comum entre a orgia dos poderosos, e o sagrado alimento da família humilde foi o que me chamou a atenção nesse videoclipe. Como um mesmo elemento pode ser o elo de ligação de dois mundos tão diferentes. E como esse elo de ligação se faz forte e presente nos dias atuais.

Acho que a minha geração dos “vinte e poucos anos” não entenderam isso da forma adequada. Ou se acomodaram, porque não se enxergavam em nenhum dos dois grupos. Precisavam se tornar adultos para se indignar, e mesmo assim, só se indignaram quando viram a geração anterior indo para as ruas, protestar sobre o que estava acontecendo.

Mesmo assim, não importa. O “Não é Sério” de 2000 foi importante. Foi um começo para enxergar que as coisas, naquela época, já estavam erradas. Valores errados, injustiças, corrupção. E a pior de todas as mazelas: a impunidade.

O grande problema do Brasil hoje não é a corrupção. É justamente a impunidade. É aquela sensação que os corruptos não serão punidos, e que a justiça não favorece o lado mais fraco. Que quem é ladrão, bandido, mensaleiro ou carteleiro vai se dar bem, não importa o que aconteça.

Mesmo assim, eu acredito que “essa porra um dia vai mudar”.

 

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