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Cidade Negra | Firmamento | O Êrê | 1996

Todo verbo que é forte
Se conjuga no tempo
Perto, longe, o que for

Todas as vezes que eu vejo esse videoclipe, eu me lembro da minha família. Mais: me lembro especificamente de minha mãe. Ela ainda está viva, cuidando dela (assim espero). Temos nossas diferenças de tempos em tempos, mas com o passar dos anos, eu percebi que ela não vai mudar. Que ela é a minha mãe. E que eu a amo assim mesmo.

Quando nos tornamos mais velhos, nós percebemos que a maioria dos pais (sim, pois existe a minoria que é simplesmente desprezível) lutam desesperadamente pela nossa felicidade. Buscam o melhor para nós, e até tentam a todo o custo que nós, filhos, não venhamos a repetir os erros que eles cometeram. Nem sempre são bem sucedidos no processo, mas não podemos culpá-los por tentar. Minha mãe, da maneira dela, fez isso.

Cometeu erros e excessos por muitas vezes. Eu também passei dos limites por diversas vezes. Mas hoje, em 2013, entendo que o que aconteceu na época é que era um processo turbulento de entendimento de duas almas que tentavam ainda se conhecer, mesmo que uma seja originária da outra, e mesmo em uma convivência de 17 anos. Na época, minha família era bem rachada. Hoje, como todo mundo cresceu, e os netos chegaram, ela se tornou mais próxima, mais cúmplice no compromisso de uma boa convivência comum.

Talvez a distância realmente ajude a aproximar as pessoas. A distância, as dificuldades, as saudades.

“Firmamento” é um clipe excelente. Mostra de forma simples essa coisa boa de estar em família. De ter aquelas pessoas que nos querem bem incondicionalmente perto da gente, ao nosso lado. De entender e preservar as nossas raízes mais profundas. Pois são essas raízes que vão nos sustentar nas piores tempestades. Confesso que antes de ver esse videoclipe na MTV Brasil, eu não dava muita bola para essa música do Cidade Negra. Porém, depois que vi o clipe pela primeira vez, a música passou a fazer todo o sentido.

E, como disse lá atrás… penso muito na minha mãe ao ouvir essa canção. E ela só passou a me conhecer melhor quando durante uma discussão, essa música começou a tocar no rádio. E pedi para que minha mãe parasse um instante com a gritaria, e disse: “por favor, ouça essa música! É parte do que eu sinto por você”.

E até hoje, eu penso: “o que é que eu vou fazer agora se o seu Sol não brilhar por mim?”

 

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