raimundos

Raimundos | Eu Quero Ver o Oco | Lavô, Tá Novo | 1995

Eu quero é ver o oco

Essa foi uma das bandas que eu efetivamente conheci assistindo a MTV Brasil. Talvez essa seja uma das maiores contribuições do canal musical para o cenário musical brasileiro. Afinal de contas, quando o Raimundos não era nada, foi a MTV Brasil que foi lá fazer matéria com eles. E foi o canal o primeiro a exibir os seus videoclipes.

Esse não é o melhor videoclipe dos Raimundos. Existem outros muito melhores (I Saw You Saying, Andar na Pedra, Mulher de Fases, Deixa eu Falar…). Porém, esse é, basicamente, o videoclipe que colocou a banda no mapa em definitivo, mostrando o que eles poderiam fazer musicalmente. Gravado em um ferro velho de Los Angeles (EUA), com uma mecânica bem simples, e sem nenhum grande chamativo estético (pelo contrário; é um clipe visualmente primitivo nas imagens), chamou a minha atenção por justamente se conectar com a proposta da música.

O som de “Eu Quero Ver o Oco” é ruidoso. É um rock com guitarras distorcidas, uma linha de baixo bem marcada, uma bateria poderosa, e um Rodolfo fazendo o que ele sabe muito bem fazer: interpretar a canção, que é a narrativa de um moleque que tinha a “simples” missão de trazer o carro novo da família para casa.

“Eu Quero Ver o Oco” é mais uma daquelas músicas que lembra a minha rebeldia de juventude. É aquela música que se comunica com aquele desejo de mostrar ao mundo que pode. Mesmo sem poder. Lembra as peripécias juvenis, as pequenas delinquências escolares (sim, aprontamos algumas nos tempos de colegial). Lembra o meu tempo de estudante colegial. Aquele desejo de fazer o que não devia, o que não pudia, mas o que queria ser feito.

O clipe foi exibido à exaustão na MTV Brasil, mas ninguém se cansava dessa música. Como disse, colocou o Raimundos no mapa, e nos apresentou uma das melhores bandas da história do rock nacional. Hoje, não é mais a mesma. Falta alguém (e vocês sabem quem) para completar esse casamento perfeito, que culminou no “forrocore”, que foi muito bem recebido pela audiência.

Enfim… bons tempos de “semi-delinquente juvenil” que não voltam mais…

 

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