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Legião Urbana | Perfeição | O Descobrimento do Brasil | 1993

Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha, que o que vem é Perfeição!…

Eu confesso que esse é um dos clipes escolhidos nessa lista que está posicionada muito mais pela música do que pelo videoclipe em si. Admito que quando vi o clipe dessa música pela primeira vez na MTV Brasil, me decepcionei. Esperava algo mais conectado com aquilo que a letra da música passa. Porém, entendi que a banda queria mesmo promover a capa do disco cuja música pertencia. Mais: entendi também que “nem tudo é perfeito nesse mundo”.

A Legião Urbana, com o passar do tempo, gera sentimentos difusos entre as gerações. Tem gente que ama a banda, e entende que Renato Russo é o Deus Salvador do rock nacional. Já outros simplesmente não suportam mais ouvir a frase “é preciso amar as pessoas como se não houvesse o amanhã”, e amaldiçoa o seu compositor.

Apesar de entender os dois lados, em mim, a Legião Urbana foi realmente muito importante, e aí quem viveu aquela época vai entender os sentimentos e motivações para o jovem se aproximar daquelas composições. É mais ou menos como a série Lost: só vai entender o que foi quem viu a série no momento que ela foi exibida. Dito isso, a letra de “Perfeição” é um choque moral para todos. Você não consegue passar indiferente diante de uma letra que mete o dedo na ferida de todo mundo, despertando alguns dos piores defeitos comuns do ser humano (e do brasileiro, em específico), e colocando tudo dentro da nossa perspectiva pessoal, mostrando que todos nós temos essas mazelas dentro de nós.

Eu não sou perfeito. Estou bem longe disso. Talvez a letra dessa música seja aquele grito de alerta que cada um precisa ter para ser a cada dia um pouco melhor. O problema não é ter defeitos, mas sim, não enxergá-los em si. Por conta do orgulho, da vaidade, da arrogância. Confesso que não sei aceitar muito bem as críticas que me são dirigidas (pois só eu sei o quanto eu luto todos os dias para fazer o que faço). Por outro lado, eu sei que preciso reconhecer essas críticas como mecanismos de melhora para minha vida profissional e pessoal.

E o que torna essa música especial: mesmo com tantas mazelas, vícios e deficiências naturais de todo e qualquer ser humano, a letra se conclui com um voto de esperança que, no final, com tudo isso, nós temos a vida perfeita. Ou aquela vida que deve ser. E ter o controle para mudar tudo isso, recomeçar, refazer os passos. E ser feliz no final da jornada.

“Perfeição” me lembra que o primeiro passo para a dita felicidade é o perdão. Mas o perdão à nós mesmos. Ninguém é capaz de perdoar ninguém se não se perdoar, se não se aceitar. Trabalhar nos erros latentes em nosso caráter é uma forma de nos perdoarmos. Não se acomodar com os louros do sucesso. Não se envaidecer com os elogios. Persistir na observação interna daquelas características que nos tornam pequenos diante das possibilidades de um melhor convívio com aqueles que nos amam, e uma maior compreensão com aqueles que nos odeiam.

E, no final das contas… “venha, que o que vem é perfeição” (que é sempre relativa, nunca absoluta… mas aprenda a ser feliz com isso).

 

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