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Vivemos a era das redes sociais, e algo mais do que normal (comum, diria eu) é ver as pessoas compartilhando os seus bons momentos no Twitter, Facebook e Instagram. Deixando de lado os temas da superexposição da imagem e da entrega da nossa privacidade para desconhecidos, a verdade é uma só: compartilhamos com o mundo a nossa vida.

E isso inclui os eventos que participamos.

E quando um evento não conta com qualquer tipo de menção nas redes sociais por parte dos seus envolvidos, é de se estranhar. E muito.

 

 

Um silêncio que fala muita coisa

Em várias oportunidades, o silêncio fala muito mais do que qualquer discurso inflamado e histérico que uma pessoa descontrolada pode fazer. Nem sempre aquela pessoa que fica calada está consentindo com algo que a outra pessoa disse. Esse pode muito bem ser apenas um posicionamento estratégico e temporário para estabelecer as bases de uma opinião ou visão objetiva sobre uma situação.

Durante muito tempo da minha vida, eu ouvi a frase “temos que aprender a ver, ouvir e calar”. Essa frase sempre me irritou, pois considerava que pessoas que se calavam diante de determinadas injustiças eram coniventes com tais acontecimentos. Na verdade, eu ainda acho isso: quem se cala diante do racismo, homofobia ou qualquer outro tipo de preconceito está, de alguma forma, compactuando para que esse discurso de ódio ganhe força.

Por outro lado, em algumas oportunidades, as pessoas acabam tropeçando nas próprias pernas porque insistem em não amarrar o cadarço dos tênis durante a corrida. Nesse caso, nenhum alerta vai adiantar para evitar o desastre. E só vai restar a alternativa em sentar e assistir ao tombo.

Calado, é claro.

Também podemos nos silenciar e simplesmente assistir quando parte do coletivo entende que a sua opinião não é válida ou bem vinda. Se você tem uma visão mais ampla da situação e entende que tal posicionamento de “caixinha fechada” não é a melhor solução, você se cala e assiste o desastre acontecer.

Afinal de contas, é nossa obrigação tentar evitar o desgaste mental, físico e emocional, ao mesmo tempo que, em alguns casos, temos que seguir as regras do jogo. Mesmo que as regras sejam injustas e, em alguns casos, absolutamente idiotas.

Porém… esse silêncio que acontece nesse momento… é curioso. É o silêncio do coletivo.

Não me atrevo a chamar de omissão o que está acontecendo nesse momento. Talvez um movimento de desânimo coletivo, onde as pessoas não se sentem motivadas a compartilhar tais eventos. Não sei.

Eu só estou teorizando, e alguns dos meus pensamentos são teorias da conspiração. E por ser alguém que trabalha com a notícia e a informação, eu não deveria desenvolver tais teorias absurdas. Porém, 2019 é um ano tão absurdo, que até eu estou me deixando levar pela criatividade do pensamento.

E justamente por ser um ser pensante, eu me pergunto: o que aconteceu, afinal de contas?

Nenhuma publicação. Nenhuma menção, comentário, conversa sobre o assunto. Nenhuma foto ou vídeo.

Nada. Absolutamente nada.

O que foi que deu errado?

Confesso que eu estou curioso. Mas vou esperar que o tempo mostre as respostas que eu procuro.


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